NADANDO COM OS BOTOS-COR-DE-ROSA

23 de abril de 2015.

Acordamos cedo pela manhã para ver o espetáculo do nascer do sol sobre o Rio Negro. Saímos às 5:45h, nos afastamos do Iberostar Grand Amazon e ficamos no meio do Rio Negro, numa das lanchas disponíveis no navio, aguardando o sol nascer.

Nascer do sol no Rio Negro

Nascer do sol no Rio Negro

Depois do nascer do sol circulamos por entre os igarapés nas margens do rio e voltamos ao navio para o café-da-manhã. Saímos em seguida para um dos passeios mais aguardados da viagem. Fomos nadar com os botos-cor-de-rosa.

Nadando com os botos-cor-de-rosa

Nadando com os botos-cor-de-rosa

Os botos aparecem em toda a bacia amazônica. O local onde os encontramos é uma plataforma de observação comandada por caboclos. Ficamos sobre uma plataforma submersa onde demos peixes para os botos enquanto eles fazem acrobacias.

A plataforma de observação dos botos-cor-de-rosa

A plataforma de observação dos botos-cor-de-rosa

O boto-cor-de-rosa tem a sua origem no Oceano Pacífico. No passado geológico da Terra, quando a Cordilheira dos Andes começou a se erguer, as águas da atual Bacia Amazônica começaram a correr para o Atlântico. Os dois oceanos, que antes estavam interligados, começaram a se separar. Os botos ficaram aprisionados na Bacia Amazônica e se adaptaram a essa nova condição.

Formação geológica da bacia Amazônica

Formação geológica da bacia Amazônica

O boto-cor-de-rosa é um mamífero dócil e de fácil convivência com os humanos. Tomar banho com os botos é uma prática comum entre os caboclos da Amazônia e a princípio não oferece riscos. Na Amazônia existe uma lenda associada aos botos, que serve para justificar uma gravidez fora do casamento.

O Boto-cor-de-rosa

O Boto-cor-de-rosa

Diz a lenda que durante as festas juninas, o boto-cor-de-rosa sai dos rios e aparece transformado em um jovem elegante e sedutor, vestido de branco e sempre com um chapéu para esconder o grande nariz, que não desaparece da sua cabeça, mesmo com a transformação.

O boto-cor-de-rosa é um animal dócil.

O boto-cor-de-rosa é um animal dócil.

O boto seduz as moças e levam-nas para o fundo dos rios. Em alguns casos as jovens aparecem grávidas alguns meses depois. Quando um jovem desconhecido aparece em alguma festa na Amazônia, costuma-se pedir para que ele tire o chapéu para que se tenha certeza de que não é o boto. Quando uma mulher na Amazônia tem um filho de pai desconhecido, costuma-se dizer que ele é filho do boto.

A lenda do boto cor de rosa

A lenda do boto cor de rosa

O boto possui a cabeça e o corpo bastante flexíveis. Ao contrário do seu parente do mar, não costuma fazer grandes acrobacias, no máximo, pequenos saltos.

O salto do boto-cor-de-rosa

O salto do boto-cor-de-rosa

Vive entre 30 e 40 anos, começa e reproduzir a partir dos 8 anos e tem crias de 3 em 3 anos.

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Saímos da plataforma dos Botos e voltamos para o almoço no navio Iberostar Grand Amazon, passando mais uma vez por entre Igarapés e Igapós.

Por dentro dos igapós.

Por dentro dos igapós.

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O ARIAÚ AMAZON TOWERS

22 de abril de 2015.

À tarde saímos para a região do Rio Ariaú. Passamos pelos igarapés da região e pelo Rio Ariau até chegar ao icônico hotel de selva Ariaú Amazon Towers.

Vista aérea do Hotel Ariaú Towers.

Vista aérea do Hotel Ariaú Towers.

O Hotel Ariaú Amazon Towers foi construído no meio da floresta, na beira de um igarapé do Rio Ariaú, que é afluente do Rio Negro. O complexo hoteleiro é formado por sete torres cilíndricas de tamanhos variados e dois mirantes com cobertura de sapê e construídos com madeiras tropicais. Possui 288 quartos.

Uma das torres do Ariaú.

Uma das torres do Ariaú.

Foi um dos primeiros hotéis de Selva construídos na Amazônia e reinou durante muito tempo como o mais famoso e importante. Toda essa estrutura é interligada por uma extensa passarela de madeira, com aproximadamente 8 quilômetros e apoiada sobre palafitas com até 40 metros de altura.

Quilômetros de passarelas interligam as torres do Ariaú.

Quilômetros de passarelas interligam as torres do Ariaú.

Lá de cima os hóspedes têm a sensação de estar no meio da floresta, pois circulam por entre as copas das árvores e têm visões de 360 graus. O Hotel proporciona excursões guiadas em canoas, de barco ou a pé, onde os hóspedes têm uma grande interação com a natureza.

Os hóspedes interagem com a natureza.

Os hóspedes interagem com a natureza.

O Hotel foi inaugurado em 1986. Teve a sua época áurea nos anos 90, mas hoje enfrenta uma grande crise e aparenta uma imagem de decadência e abandono.

O hotel está com um aspecto de decadência.

O hotel está com um aspecto de decadência.

Saimos do Ariaú e continuamos navegando por entre os igarapés e igapós. Paramos na beira de um deles para interagir com os macacos na beira do rio. Os guias oferecem bananas e eles sobem nos barcos. Os turistas fazem a festa em meio a gritos e cliques fotográficos.

Os macacos entram nos barcos e interagem com os turistas.

Os macacos entram nos barcos e interagem com os turistas.

Vimos alguns bichos-preguiça no alto das árvores. Elas são exímias trepadeiras. Possuem longas garras em todos os dedos com os quais se penduram nos galhos das árvores. A “preguiça” tem um metabolismo muito baixo e por isso faz movimentos muito lentos. Se alimenta de folhas e frutos, vive no alto das árvores e raramente vai ao chão.

O Bicho-preguiça na copa das árvores.

O Bicho-preguiça na copa das árvores.

Antes de voltar para o navio, paramos na casa de um caboclo na beira do Rio Ariaú onde interagimos com a família, que vive da extração da Castanha-do-Pará, açaí, cupuaçu, além de pequenos cultivos de subsistência onde plantam mandioca, e produzem farinha e tapioca.

Casa de caboclo na beira do rio.

Casa de caboclo na beira do rio.

A Castanha-do-Pará.

A Castanha-do-Pará.

Depois de provar a tapioca e o açaí da família de caboclos, voltamos finalmente para o Iberostar Grand Amazon. No meio do rio, ainda chamou a atenção a circulação das canoas transportando os jovens para a escola.

Barco transportando estudantes no Rio Ariaú.

Barco transportando estudantes no Rio Ariaú.

À noite saímos de barco mais uma vez, para uma programação típica da Amazônia, que é a focagem de jacarés. Os barcos entram nos igarapés, na noite escura e o guia ascende uma lanterna em direção à vegetação que fica sobre a água. A luz atinge os olhos dos jacarés, que brilham e podem ser vistos à distância.

A focagem dos jacarés.

A focagem dos jacarés.

No meio do passeio, o nosso guia apanhou um filhote de jacaré que estava paralisado pela luz da lanterna e trouxe para o barco para que pudéssemos ver o bicho de perto. Depois o jacaré foi solto.

O filhote de jacaré.

O filhote de jacaré.

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PEIXES DA AMAZÔNIA

22 de abril de 2015.

Na volta para o barco assistimos a mais uma palestra, antes do almoço. Desta vez foi sobre os peixes da Amazônia. Aprendemos que muitos dos peixes amazônicos se alimentam das frutas que caem nos rios e com isso ajudam a disseminar as sementes e consequentemente na multiplicação e renovação da floresta.

Folhas e frutos sobre as águas dos rios.

Folhas e frutos sobre as águas dos rios.

O Tambaqui é um dos mais importantes na culinária amazônica. É o peixe das grandes festas familiares. Possui uma costela grande e gordurosa que pode ser assada, como um churrasco. É mais comum nas águas barrentas e portanto no Rio Amazonas.

Costela de Tambaqui, uma das iguarias da Amazônia.

Costela de Tambaqui, uma das iguarias da Amazônia. – Foto do site: http://www.tvchurrasco.com.br

O Jaraqui é um peixe saboroso, fácil de pescar e barato. Possui muitas espinhas e esta é uma característica do Jaraqui. Um dito popular da Amazônia diz que: “Quem come o Jaraqui, jamais sairá daqui”.

JARAQUI FRITO

JARAQUI FRITO – Foto do site: http://www.portaldoamazonas.com.br

O Candiru é temido e existem relatos terríveis sobre ele. É um pequeno peixe que pode entrar no corpo humano pela ureter, tanto das mulheres como dos homens. Possui de 3 a 4 cm. Nas mulheres pode chegar até o útero e só é extraído com cirurgia.

O temido Candiru

O temido Candiru – Foto do site: http://www.bioretro.eco.br

O Poraquê é outro que os amazonenses temem bastante. É o peixe-elétrico. Uma enguia com até 2 metros de comprimento. Produz uma descarga elétrica violenta, de alta voltagem. Costumam encostar nas árvores dos igapós, onde o choque elétrico é tão forte que as árvores tremem e derrubam os frutos dos quais ele se alimenta.

O poderoso Poraquê

O poderoso Poraquê – Foto do site: http://www.viajeaqui.abril.com.br

As Arraias também são temidas e muito comuns na Amazônia, onde existe uma variedade de 10 tipos diferentes. O ferrão da arraia, quando alguém pisa em cima, produz uma dor insuportável.

As arraias de água doce

As arraias de água doce – Foto do site: http://www.mosqueiroambiental.blogspot.com

O Tucunaré muitos dizem que é o peixe muito saboroso da Amazônia e no Brasil aparece em várias outras bacias hidrográficas. É bastante desejado pela pesca esportiva.

Tucunaré

Tucunaré – Foto do site: http://www.vempescarcomwerner.com.br

A característica do Aruanã é se alimentar de presas vivas fora da água.

O aruanã caçando

O aruaná caçando – Foto do site: http://www.pro.casa.abril.com.br

O Pirarucu é um espécie de rei dos rios da Amazônia. É o maior peixe de escama de água doce do mundo, pode chegar a 3 metros de comprimento. A sua carne é bastante saborosa. Como é um peixe grande, havia o hábito de salgar a carne do pirarucu para armazenamento, por isso é apelidado de o bacalhau da Amazônia

Pirarucu - O "bacalhau" da Amazônia

Pirarucu – O “bacalhau” da Amazônia – foto do site: http://www.revistagloborural.globo.com

Existem 17 tipos diferentes de piranhas na Amazônia. É um peixe carnívoro, mas somente se constitui numa ameaça em ambientes desequilibrados ecologicamente, o que não é o caso da Amazônia.

Piranha

Piranha – Foto do0 site http://www.destination360.com

O Boto-cor-de-rosa é uma das preciosidades da Amazônia. A origem do boto está ligada ao Oceano Pacífico. Quando a Cordilheira dos Andes começou a se erguer, parte das águas da antiga Amazônia, que corria para o Pacífico, foram desgarradas e começaram a correr para o Oceano Atlântico. O boto veio junto com as águas.

O Boto-cor-de-rosa

O Boto-cor-de-rosa

É um mamífero dócil e de fácil convivência com os humanos, a cabeça e o corpo são bastante flexíveis. Dobra o corpo todo, mas não costuma fazer acrobacias. Vive entre 30 e 40 anos, começa e reproduzir a partir dos 8 anos e tem crias de 3 em 3 anos.

O salto do boto-cor-de-rosa

O salto do boto-cor-de-rosa

O Piraiba é o maior bagre da Amazônia, é apelidado de o Tubarão da Amazônia.

Piraiba - o maior bagre da Amazônia. Foto do site www.pescanordeste.com.br

Piraiba – o maior bagre da Amazônia. Foto do site http://www.pescanordeste.com.br

O Acara Disco é um dos mais populares peixes ornamentais da Amazônia. É aquele amarelo e preto dos aquários.

Acará Disco - Foto do site www.forumacaradisco.com.br

Acará Disco – Foto do site http://www.forumacaradisco.com.br

O Cardinal é também um peixe ornamental. A principal área de captura desses peixes ornamentais é a cidade de Barcelos, no alto Rio Negro, considerada a capital Mundial do peixe ornamental.

Cardinal - foto do site www.petmag.com.br

Cardinal – foto do site http://www.petmag.com.br

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A COMUNIDADE INDÍGENA KAMBEBA

22 de abril de 2015.

Saímos pela manhã, do Iberostar Grand Amazon, para uma visita à Comunidade Indígena Kambeba, nas margens do Rio Cuieiras. O objetivo era interagir com os índios e visitar as escolas existentes na comunidade.

Visita à Comunidade Indígena Cambeba.

Visita à Comunidade Indígena Kambeba.

A primeira visita foi a uma escola patrocinada pela iniciativa privada. Três empresas apoiam o projeto: O Bradesco, a Samsung e a Coca-Cola. A escola possui uma infraestrutura completa de informática. A Samsung disponibilizou a tecnologia. As aulas são preparadas por instituições sediadas em Brasília e enviadas para a comunidade por internet. São aulas de ensino à distância e o conteúdo é do Ensino Médio. Alguns monitores auxiliam os alunos com as aulas e tiram dúvidas sobre o conteúdo.

A escola patrocinada pela Samsung, Bradesco e Coca-Cola.

A escola patrocinada pela Samsung, Bradesco e Coca-Cola.

A sala de iniciação à informática na comunidade indígena.

A sala de iniciação à informática na comunidade indígena.

No momento em que visitamos a escola, o ano escolar ainda não havia começado e estávamos no final de abril. A justificativa, infelizmente, era denúncias sobre corrupção envolvendo o transporte de alunos das comunidades ribeirinhas. Existem os barcos de transporte escolar que saem recolhendo alunos num raio de até 30 km ao redor da comunidade. Parece que as denúncias estavam relacionadas a superfaturamento de combustível.

Os barcos de transporte escolar.

Os barcos de transporte escolar.

Seguimos até a comunidade indígena Kambeba para visitar a escola municipal, que estava funcionando. Atende a 27 alunos do ensino fundamental. As crianças indígenas nos receberam com festa.

A escola municipal da Comunidade Indígena Kambeba

A escola municipal da Comunidade Indígena Kambeba

Criança Indígena Kambeba.

Criança Indígena Kambeba.

Criança Kambeba

Criança Kambeba

Visitamos também o posto de saúde da comunidade, com instalações bastante precárias. Existe uma pequena farmácia, uma sala de primeiros socorros e nada a mais que isso.

A aldeia indígena.

A aldeia indígena.

Depois seguimos até a aldeia e interagimos com alguns índios da comunidade. A impressão que tivemos era de harmonia e felicidade entre todos.

As índias fizeram festa para a nossa chegada

As índias fizeram festa para a nossa chegada

Os índios armaram uma pequena feira de exposição de produtos artesanais. Tudo muito simples.

A pequena feira de artesanato da comunidade.

A pequena feira de artesanato da comunidade.

Artesanato feito pelos índios Kambeba

Artesanato feito pelos índios Kambeba

Na saída os pequenos foram nos acompanhando até os barcos, numa procissão em festa.

As crianças acompanharam a saída dos nossos barcos.

As crianças acompanharam a saída dos nossos barcos.

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O GIGANTE RIO AMAZONAS

21 de abril de 2015.

No final da manhã assistimos a uma excelente palestra com um dos guias do navio, sobre a Amazônia. Na palestra foram enfatizados aspectos relacionados com o relevo e a hidrografia da Amazônia.

Os guias do Grand Amazon são muito bem preparados.

Os guias do Grand Amazon são muito bem preparados.

A Amazônia possui três grandes unidades de relevo. Ao norte predomina o Planalto das Guianas, uma das mais antigas formações geológicas do planeta. O Planalto das Guianas sobe degraus, a partir da calha central da Planície Amazônica, até a fronteira do Brasil com as Guianas, Venezuela e Colômbia, onde alcança as suas maiores altitudes e onde nascem os afluentes da margem esquerda do Rio Amazonas. É nessa parte que fica o Pico da Neblina, a maior elevação do Brasil.

O relevo brasileiro

O relevo brasileiro

No centro da região fica a Planície Amazônica, uma planície sedimentar, bastante plana, onde passa a calha central do Rio Amazonas. A Planície Amazônica foi formada ao longo do tempo geológico pela deposições sedimentares do Rio Amazonas e dos seus afluentes.

A imensidão da Planície Amazônica.

A imensidão da Planície Amazônica.

Na porção sul do território, fica o Planalto Brasileiro, que também é uma estrutura geológica antiga, porém bem mais plana que o Planalto das Guianas. É aí que nascem os afluentes da margem direita do Rio Amazonas.

O Rio Amazonas nasce no Peru, em dois rios, Ucayali e Marañon, que se encontram para formar o Solimões, que por sua vez já é o próprio Amazonas. As nascentes mais longínquas do Rio Amazonas provavelmente ficam no Nevado Mismi, nas encostas dos Andes, existem porém avaliações controversas em relação a isso. A partir daí são 6.922 km de extensão, o que lhe dá o título de mais extenso rio do Mundo, além de ser aquele que apresenta o maior volume de água.

Os Rios Ucayali e Marañon se juntam para formar o Solimões.

Os Rios Ucayali e Marañon se juntam para formar o Solimões.

O Amazonas entra no Brasil com o nome de Solimões e somente passa a se chamar Amazonas a partir do momento em que se encontra com o Rio Negro, após a cidade de Manaus. Daí ele segue até a sua foz na divisa entre o Amapá e o Pará. Nesse trecho ele derrama 180 milhões de litros de água por segundo na foz. Chega a empurrar as águas do Oceano Atlântico por mais de 120 km oceano a dentro.

O Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões.

O Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões.

O ecossistema amazônico possui uma série de identidades próprias. A Terra Firme são áreas mais afastadas dos rios e mais altas, que nunca sofrem alagamentos, Os Igapós são florestas que ficam inundadas durante as cheias dos rios. Possuem também árvores frondosas e tão densas quanto na Terra Firme.

Os igapós correspondem às florestas inundadas.

Os igapós correspondem às florestas inundadas.

À tarde fomos navegar pelos canais entre as ilhas do Arquipélago das Anavilhanas, na região conhecida como Três Bocas. O caminho era um labirinto de canais e ilhas. A paisagem é impactante. O espelho d’água faz transparecer a tranquilidade da floresta e do meio ambiente ainda intocado.

Os espelhos d'água na região das Anavilhanas.

Os espelhos d’água na região das Anavilhanas.

Por entre os Igarapés e Igapós das Anavilhanas, vimos tucanos, araras, papagaios, patos, etc. Anoiteceu e ainda estávamos nos canais, onde tivemos demonstrações de focagem de animais. Foi possível ver cobras, jacarés e ouvir a magnífica cantoria dos sapos na noite escura. Voltamos para o Navio e finalizamos esse dia de fortes emoções na Amazônia Brasileira.

O por-do-sol no Rio Negro

O por-do-sol no Rio Negro

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UMA TRILHA NA FLORESTA AMAZÔNICA

21 de abril de 2015.

Começamos nessa data o Cruzeiro pelo Rio Negro e parte do Rio Solimões no navio/hotel Iberostar Grand Amazon. Esse passeio fascina viajantes e exploradores do mundo inteiro, encantados com as dimensões impressionantes dos rios e do conjunto da bacia Amazônica, que reúne mais de 1000 afluentes e corre por uma área do tamanho da parte continental dos Estados Unidos.

A imensidão do "Rio Mar".

A imensidão do “Rio Mar”.

O Iberostar Grand Amazon foi o primeiro navio de luxo construído especificamente para cruzeiros na Amazônia. Possui 75 cabines com 23m cada uma, equipadas com televisão, ar condicionado, telefone e varanda. No deck principal existem duas piscinas de hidromassagem. Possui várias lanchas de desembarque que permitem entrar nos igapós e chegar no miolo da floresta.

Todas as cabines do Iberostar Grand Amazon possuem varandas.

Todas as cabines do Iberostar Grand Amazon possuem varandas.

Nesse primeiro dia fizemos pela manhã, uma caminhada de 2 horas pela Floresta Amazônica, na Região do Igarapé Jaraqui. O passeio é acompanhado por guias especializados e experientes, com conhecimentos íntimos sobre a floresta. O nosso grupo foi acompanhado pelo guia Piro, um índio com um profundo conhecimento da flora, fauna, costumes, história e geografia da Amazônia.

As lanchas rápidas ajudam a penetrar na floresta.

As lanchas rápidas ajudam a penetrar na floresta.

Os igarapés são entradas dos rios principais, na floresta. Na Amazônia os igarapés podem ser enormes, navegáveis e normalmente são as áreas mais ocupadas pelas populações ribeirinhas.

Os Igarapés são entradas dos rios na floresta.

Os Igarapés são entradas dos rios na floresta.

Fizemos uma trilha pela Floresta Amazônica nas margens do Igarapé Jaraqui. A trilha impacta pelas dimensões das árvores e a sensação de estarmos num dos ambientes mais inóspitos do planeta. O guia Piro parava com frequência diante de algumas plantas especiais que encontrava pela frente. Árvores, cipós, folhas, etc., e nos dava uma aula sobre as propriedades medicinais e industriais das plantas.

Árvores gigantes no meio da trilha pela Floresta Amazônica.

Árvores gigantes no meio da trilha pela Floresta Amazônica.

Nas explicações do guia Piro, fica evidente o imenso conhecimento milenar que as tribos indígenas desenvolveram e que permitiram aos povos das florestas uma sobrevivência harmônica com esse ambiente hostil. As crianças índias, desde muito cedo começam a ter contato e são estimuladas a conhecer as propriedades medicinais da flora amazônica. É uma questão de sobrevivência.

O guia Piro extraindo seiva de uma árvore para nos dá uma aula sobre a biodiversidade da Amazônia

O guia Piro extraindo seiva de uma árvore para nos dá uma aula sobre a biodiversidade da Amazônia

Rapidamente, numa caminhada de apenas duas horas, encontramos plantas com propriedades anestésicas, anti-inflamatórias (quinino), antitérmicas, além de cipós que produzem um leite capaz de substituir o leite humano e uma goma utilizada na produção da goma de mascar.

Os produtos da Amazônia são utilizados pela indústria de medicamentos, de perfumes, etc.

Os produtos da Amazônia são utilizados pela indústria de medicamentos, de perfumes, etc.

Encontramos também um exemplar do pau-rosa, cuja casca é utilizada como fixador na indústria de perfumes. É do pau-rosa que se fabrica o famoso perfume Chanel Número 5, conhecido mundialmente por ter sido o perfume preferido da “mega-star” Marylin Monroe.

O guia/índio Piro, dando uma aula sobre a flora amazônica, no meio da floresta.

O guia/índio Piro, dando uma aula sobre a flora amazônica, no meio da floresta.

Na exposições de Piro, fica claro o sentimento de perda, quando ele expõe sobre de que forma a ciência e os cientistas, representando grandes laboratórios internacionais, muitas vezes travestidos de ONG’s em defesa da Amazônia, se apropriaram da biodiversidade local, utilizando o conhecimento primário indígena, levando para esses laboratórios as informações que foram transformadas em produtos industrializados e devolvendo muito pouco às comunidades e à região.

O conhecimento indígena  é essencial para a identificação dos produtos amazônicos.

O conhecimento indígena é essencial para a identificação dos produtos amazônicos.

Encontramos na floresta, um veneno liberado a partir da gosma que o sapo produz quando está na fase de acasalamento. Esse veneno é usado pelos índios para passar na ponta das flechas utilizadas na caça e na pesca.

O grupo que fez a trilha pela floresta.

O grupo que fez a trilha pela floresta.

Num determinado momento da trilha, Piro fez uma demonstração perigosa, quando colocou a mão num formigueiro e em frações de segundos, a sua mão estava coberta de formigas que camuflam o cheiro humano. Os índios cobrem os seus corpos dessas formigas e depois as amassam, fazendo com que o cheiro das formigas fique impregnado nas suas peles e com isso eles não sejam percebidos pelos outros animais.

O imenso formigueiro onde o guia Piro fez a demonstração.

O imenso formigueiro onde o guia Piro fez a demonstração.

Fomos também apresentados a cipós de tamanhos e características diversas, que são utilizados na produção de cordas para arcos e outros utensílios. Após duas horas de trilha na floresta, voltamos para o Grand Amazon.

Cipós gigantes que envolvem árvores inteiras.

Cipós gigantes que envolvem árvores inteiras.

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O TEATRO DE MANAUS, O SÍMBOLO MAIOR DO CICLO DA BORRACHA

20 de abril de 2015.

Saímos pela manhã para uma caminhada pelo excelente calçadão da Ponta Negra em Manaus. Na volta deixamos o Hotel Tropical de Manaus e seguimos para o bom Restaurante Choupana, o melhor que fomos em Manaus. Provamos uma Caçarola de Pirarucu que estava divina.

O Teatro de Manaus

O Teatro de Manaus

Após o almoço fomos até ao Teatro de Manaus, para finalmente visitar a parte interna desse ícone da arquitetura manauara. O Teatro fica no centro da cidade, largo São Sebastião. Existem tours guiados a cada hora. O Teatro de Manaus é a mais importante obra herdada do Ciclo da Borracha.

O Teatro de Manaus no Largo SãoSebastião.

O Teatro de Manaus no Largo São Sebastião.

O Ciclo da Borracha foi a época áurea para Manaus, que durou de 1870 até 1910. Nessa época a cidade produziu grande riqueza pelo monopólio do comércio da Borracha e do látex da seringueira, que era produzida em toda a Amazônia Brasileira e era um produto essencial para a indústria na Europa e nos Estados Unidos.

A extração do látex da seringueira.

A extração do látex da seringueira.

Os ingleses dominavam esse comércio, a cidade enriqueceu e se tornou a mais importantes cidade brasileira nessa época e uma das mais prósperas do mundo. A cidade cosmopolita precisava de um espaço para apresentações culturais que pudessem atender aos interesses dos forasteiros do Brasil e do estrangeiro.

Fachada principal do Teatro de Manaus.

Fachada principal do Teatro de Manaus.

Vários foram os legados arquitetônicos deixados pelo Ciclo da Borracha na cidade de Manaus. O Teatro foi o mais importante. Foi construído no final do século XIX a obra começou em 1884 e o teatro foi inaugurado em 31 de dezembro de 1896, no apogeu do Ciclo da Borracha, no governo de Eduardo Ribeiro.

Os três andares de balcões do Teatro.

Os três andares de balcões do Teatro.

Foram trazidos arquitetos, pintores, escultores e construtores da Europa para a execução da obra. O Teatro tem uma capacidade para 700 pessoas incluindo os três andares de camarotes. Aí já aconteceram apresentações importantes como White Stripes e Roger Waters, dentre outras.

A cortina do palco foi pintada na França e é inspirada no Encontro das Águas entre os rios Negro e Solimões.

A cortina do palco foi pintada na França e é inspirada no Encontro das Águas entre os rios Negro e Solimões.

O Teatro possui um estilo eclético e bastante variado, por apresentar uma grande variedade de materiais, cores e decorações diferentes. Um dos destaques é a sua cúpula colorida, que faz do Teatro de Manaus um dos prédios mais conhecidos do Brasil e símbolo maior da cidade. A cúpula é composta por 36 mil peças de escamas em cerâmica esmaltada e telhas vitrificadas vindas da Alsácia na França.

A cúpula multicolorida é um dos símbolos do Teatro de Manaus.

A cúpula multicolorida é um dos símbolos do Teatro de Manaus.

Saímos do Teatro de Manaus e fomos até o Mercado Municipal de artesanatos, o Mercado Adolpho Lisboa, construído num belo prédio histórico, também na época do Ciclo da Borracha. O Mercado é precário, as barracas de artesanato são muito ruins.

O belo prédio do Mercado Municipal de Manaus.

O belo prédio do Mercado Municipal de Manaus.

Saímos do Mercado e fomos até o Porto de Manaus, onde embarcamos no navio/hotel Iberostar Grand Amazon para um Cruzeiro de quatro dias pelo Rio Negro. O navio possui 75 cabines e capacidade para 150 hóspedes. Realiza dois cruzeiros pela Amazônia: um de 3 dias pelo Rio Solimões e outro de 4 dias pelo Rio Negro. É possível integrar os dois programas e fazer um Cruzeiro de 7 dias pelos dois rios.

O Grand Amazon da Iberostar.

O Grand Amazon da Iberostar.

Partimos às 18h, assistimos a uma palestra no teatro do navio, sobre as excursões que seriam realizadas nos quatro dias de passeio. As excursões já estão inclusas no valor do navio, não existem passeios opcionais adicionais.

O Grand Amazon ancorado num igarapé.

O Grand Amazon ancorado num igarapé.

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