O ENCONTRO COM OS GORILAS-DAS-MONTANHAS

05 de agosto de 2015

Saímos do Centro de Visitantes de Kinigi, em Ruanda (“Brieffing Point”) e pegamos o caminho até um vilarejo na base da montanha, a alguns quilômetros dali. Passamos por comunidades muito pobres. Os carros levantavam uma poeira intensa, que pintava de ocre as pessoas que caminhavam pela beira da estrada.

Criança na beira da estrada observando os carros de safari.

Criança na beira da estrada observando os carros de safari.

O carro nos deixou num vilarejo, na base de uma das montanhas vulcânicas que compõem o complexo denominado de Montanhas dos Gorilas. O Parque Nacional dos Vulcões de Ruanda está integrado territorialmente com um parque nacional em Uganda e outro no Congo, e os gorilas-das-montanhas vivem nesses três países. Toda essa região é conhecida como Parque Nacional Virunga.

O vilarejo onde começamos a subida.

O vilarejo onde começamos a subida.

Comunidade agrícola na base da montanha.

Comunidade agrícola na base da montanha.

Do vilarejo até a entrada do Parque, a subida é íngreme e cansativa, sobretudo por estarmos a três mil metros de altitude. Caminhamos por uma trilha que passa por áreas de cultivo, de pequenas propriedades de agricultura familiar. A rarefação do ar intensifica o cansaço, mas sabíamos que iria ser recompensador.

A Montanha dos Gorilas estava à nossa espera.

A Montanha dos Gorilas estava à nossa espera.

A difícil caminhada para o alto da montanha.

A difícil caminhada para o alto da montanha.

O Parque é cercado por um muro de pedra, com dois metros de altura. O objetivo é impedir que búfalos e elefantes, que também estão no Parque, saiam, e provoquem conflito com os camponeses que vivem nos arredores. Existem passagens estreitas pelo muro, que usamos para entrar.

O muro de pedras cerca o Parque Nacional da Montanha dos Gorilas.

O muro de pedras cerca o Parque Nacional da Montanha dos Gorilas.

Quando chegamos na borda do Parque, nos encontramos com os “trackers” avançados. São guias que chegam na madrugada, para localizar as famílias de gorilas e facilitar o trabalho dos turistas que vêm depois. Na subida já tínhamos recebido um rádio avisando sobre onde estava a família de Titus, o gorila que iríamos ver.

Os "trackers" que nos acompanharam na visita aos gorilas.

Os “trackers” que nos acompanharam na visita aos gorilas.

A vegetação é densa, porém não muito alta. É formada predominantemente de arbustos fechados, bambus, e cipós. Não existem caminhos, a solução é andar pelo meio do mato. A caminhada é difícil. Cerca de meia hora depois que entramos no Parque, o nosso guia localizou o grupo.

A vegetação é fechada no interior do Parque Nacional.

A vegetação é fechada no interior do Parque Nacional.

O encontro com o primeiro gorila foi de muita emoção, era uma fêmea adulta. Estava em nosso caminho. Parou para observar e depois avançou lentamente na nossa direção. Seguimos a orientação do guia, recuamos, e o gorila passou ao nosso lado, demonstrando curiosidade, mas com um comportamento bastante amistoso.

O primeiro gorila que encontramos.

O primeiro gorila que encontramos.

A vegetação fechada dificultava a visão dos gorilas, mas sabíamos que estavam ali. A impressão é de que estávamos sendo observados a todo momento. Seguimos pelo mato fechado, quando de repente nos encontramos com o macho dominante (The Big Boss), o chefe da família e descendente direto de Titus, bisneto de Digit, o gorila da Dian Fossey.

Encontramos o "Silver Back".

Encontramos o “Silver Back”.

Os machos dominantes possuem as costas prateadas, “Silver Back”. Em cada família de gorilas existe apenas um líder. É quem comanda o grupo e a quem todos devem obedecer, inclusive nós. O “Silver Back” é o reprodutor. Somente ele pode procriar.

O líder do grupo que visitamos.

O líder do grupo que visitamos.

Quando um adulto jovem alcança a idade de reproduzir, pode tentar conquistar uma fêmea, nesse caso trava uma luta feroz com o “Silver Back”. O vencedor fica como líder da família e o perdedor abandona o grupo. Passa a peregrinar como um macho solteiro solitário, até encontrar um outro grupo onde possa mais uma vez disputar a liderança.

Um gorila-das-montanhas.

Um gorila-das-montanhas.

Os gorilas ficam de forma bem relaxada e se deslocam muito pouco, para isso precisam viver em áreas onde a alimentação seja abundante. Durante um dia inteiro, deslocam-se aproximadamente, apenas um quilômetro.

Lado a lado com os gorilas-das-montanhas.

Lado a lado com os gorilas-das-montanhas.

A família de Titus, com a qual estávamos interagindo era composta por 12 animais, entre bebês, jovens e adultos. O bebês são espertos e divertidos. Flagramos um que estava mamando e um outro que brincava insistentemente com a mãe.

Bebê gorila.

Bebê gorila.

Ficamos por mais de uma hora no convívio com os gorilas. Quando estávamos indo embora, eles nos presentearam com uma área descampada, onde pudemos fazer as últimas fotos e “selfies”.

Convivendo com os gorilas.

Convivendo com os gorilas.

Na saída ainda levamos um susto, pois um grande gorila estava obstruindo o caminho que deveríamos usar para sair da Reserva. Ele tinha saltado para cima do muro, exatamente no local da passagem para a saída do Parque. Depois de algum tempo, nos deixou passar sem problemas.

O gorila estava obstruindo a saída do Parque.

O gorila estava obstruindo a saída do Parque.

Alguns gorilas tinham saído da área do Parque Nacional e ficaram ali pela borda do muro, sendo observados pelos “trilheiros” e pelas crianças que pastoreavam algumas vacas e ovelhas.

Alguns gorilas saem do Parque e ficam nas áreas agrícolas nos arredores.

Alguns gorilas saem do Parque e ficam nas áreas agrícolas nos arredores.

Voltamos para o lodge e tivemos um final de dia de êxtase e regozijo, pois a experiência de estar lado a lado com os gorilas foi maravilhosa e única.

Foi muito bom estar lado a lado com os gorilas.

Foi muito bom estar lado a lado com os gorilas.

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PREPARANDO O ENCONTRO COM OS GORILAS-DAS-MONTANHAS

05 de agosto de 2015

Acordamos muito cedo, antes do sol nascer, para viver um dia de fortes emoções. Saímos do Hotel Mountain Gorilla View Lodge e seguimos direto para um ponto de encontro na cidade de Kinigi, o “Brieffing Point”. Local onde contatamos com os guias, que levam os aventureiros para a trilha da Montanha dos Gorilas.

O centro de visitantes de Kinigi.

O centro de visitantes de Kinigi.

O centro de visitantes possui um amplo estacionamento e uma área de recepção, onde os turistas que chegam, recebem as primeiras informações sobre o passeio. São divididos em dez grupos de no máximo 10 pessoas, o que resulta em um controle de cem pessoas a cada dia.

Os carros de safari, preparados para sair ao encontro dos gorilas.

Os carros de safari, preparados para sair ao encontro dos gorilas.

No “Bieffing Point”, enquanto nos preparamos para a aventura, assistimos a danças típicas das tribos de Ruanda, realizadas pela comunidade local. Enquanto aguardamos, temos acesso a serviço de café, banheiro, etc.

Dançarinos animam os visitantes antes da subida para a Montanha dos gorilas

Dançarinos animam os visitantes antes da subida para a Montanha dos gorilas

Para participar do programa do tracking com os gorilas, os turistas pagam U$750,00 por pessoa. Não é barato, mas é importante que seja assim, para controlar o acesso à Montanha dos Gorilas. Os valores arrecadados são revertidos em benefícios para a comunidade, e investidos nas pesquisas e manutenção do Parque.

O "Brieffing Point"

O “Brieffing Point”

Encontramos o nosso grupo, formado por sete turistas, dois belgas, dois alemães e três brasileiros, eu, Monica e Paulo, um cidadão de Rondônia, apaixonado por questões ambientais e vida animal, que já tinha visitado muitos dos mais importantes Parques Nacionais do Mundo. Além do nosso grupo, subiríamos a montanha com um guia e quatro “trilheiros”.

O nosso grupo iniciando a trilha pelo Parque Nacional.

O nosso grupo iniciando a trilha pelo Parque Nacional.

Na preleção inicial, aprendemos que existem hoje, cerca de 880 gorilas nos Parques Nacionais integrados de Ruanda, Congo e Uganda. Em Ruanda são vinte famílias, além dos animais solteiros. Das vinte famílias, dez delas são utilizadas para contato com os turistas e outras dez são isoladas e não devem ser contatadas.

Os "trackers" que nos acompanharam na visita aos gorilas.

Os “trackers” que nos acompanharam na visita aos gorilas.

Encontramos o nosso guia e fomos informados que iríamos partir para o encontro com a família dos descendentes do gorila Titus, bisneto do gorila Digit, que ficou famoso por ser o que mais teve contato com a ambientalista e ativista americana Dian Fossey, cuja vida foi relatada no maravilhoso filme “Na Montanha dos Gorilas”.

Fomos informados que iríamos em busca da família dos descendentes de Titus.

Fomos informados que iríamos em busca da família dos descendentes de Titus.

Estávamos com medo. Impossível não ter. A excitação fazia com que esquecêssemos de tudo. O medo era desnecessário, pois aprendemos que os gorilas são animais dóceis e amistosos. Apenas não podem se sentir ameaçados. Quando encontrarmos os gorilas, precisamos ter um comportamento respeitoso e de submissão e obedecer algumas regras. Nunca encará-lo de frente. Não falar alto. Olhar para baixo quando ele lhe encarar. Não usar flash jamais. Não podemos correr e se formos nos afastar, não devemos dar as costas para os animais.

Os gorilas são animais dóceis, mas têm uma aparência assustadora.

Os gorilas são animais dóceis, mas têm uma aparência assustadora.

A fama de mal dos gorilas vem dos primeiros relatos dos colonizadores europeus que visitaram a África no passado, e mais tarde ganhou força com filmes como King Kong, onde eram colocados de forma ameaçadora para o homem.

A fama de mal dos gorilas não corresponde à realidade.

A fama de mal dos gorilas não corresponde à realidade.

Os gorilas vivem nas florestas tropicais do centro da África. Possuem de 98% a 99% do DNA dos seres humanos. Isso faz desses animais, um dos parentes vivos mais próximos do homem. Esses que fomos ver são os gorilas-das-montanha, vivem entre 2.300 e 4.300 metros de altitude.

Os gorilas são os parentes vivos mais próximos do homem.

Os gorilas são os parentes vivos mais próximos do homem.

Um gorila adulto, quando de pé, mede até 2 metros. O macho pesa até 230 kg. Geralmente, se locomovem em quatro patas. A expectativa de vida oscila entre os trinta e cinquenta anos. Os animais são herbívoros, alimentam-se de frutas, folhas e brotos, podem também se alimentar de insetos, que pode compor, até 2% do seu cardápio.

Os gorilas são vegetarianos.

Os gorilas são vegetarianos.

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O PARQUE NACIONAL DOS VULCÕES DE RUANDA

04 de agosto de 2015

Saímos do Memorial do Genocídio de Ruanda e fomos até o Mercado de Artesanatos de Kigali. Uma estrutura muito simples. Seria um bom lugar para encontrar lembranças de Ruanda, mas as barracas escuras e acanhadas, dificultaram a garimpagem dos produtos.

O fraco Mercado de Artesanatos de Kigali.

O fraco Mercado de Artesanatos de Kigali.

Voltamos para almoçar no Hotel des Milles Colines e depois seguimos viagem em direção ao norte de Ruanda, pela mesma estrada que leva a Uganda. Foram cerca de três horas de viagem, numa estrada boa, mas bastante sinuosa.

Acidente na estrada sinuosa em direção a Uganda.

Acidente na estrada sinuosa em direção a Uganda.

Ao longo do caminho, pudemos ter uma ideia sobre Ruanda. Um país bastante populoso, com grande densidade demográfica e intensa atividade agrícola. A agricultura familiar intensiva por força de trabalho, predomina em todo o país. Os solos vulcânicos, férteis facilitam as coisas para a agricultura.

A agricultura intensiva familiar ocupa as encostas das montanhas.

A agricultura intensiva familiar ocupa as encostas das montanhas.

Chegamos a Kinigi, um distrito da cidade de Ruhengeri, a maior ao norte de Ruanda e que é o ponto de partida para conhecermos a Montanha dos Gorilas.

A Montanha dos Gorilas.

A Montanha dos Gorilas.

Seguimos direto para o bom hotel Mountain Gorilla View Lodge. Possui quartos amplos, com lareira, internet wi-fi gratuita e um serviço excelente, para aquela área tão remota.

Os amplos apartamentos do Gorillas Mountain View Lodge

Os amplos apartamentos do Mountain Gorillas View Lodge

No Mountain Gorilla View Lodge, os quartos ficam espalhados ao longo de uma grande área, perfeitamente integrada ao ambiente ao redor. Ao chegar, fomos recebidos por um grupo de jovens que dançaram e cantaram para festejar a chegada dos novos hóspedes.

Grupo de dançarinos recebendo os visitantes no gramado do hotel.

Grupo de dançarinos recebendo os visitantes no gramado do hotel.

Nessa região norte de Ruanda, existem vários vulcões interligados. Os cones vulcânicos sequenciados dão nome ao Parque Nacional dos Vulcões, onde vivem os Gorilas das Montanhas.

Um dos vulcões de Ruanda.

Um dos vulcões de Ruanda.

A moldura da paisagem montanhosa era enigmática. Tivemos um final de tarde de grandes expectativas. Olhávamos para as montanhas cobertas por uma leve neblina e imaginávamos como iria ser o dia seguinte. Sabíamos que os gorilas estavam lá e subiríamos a montanha ao seu encontro.

O gorila estava à nossa espera.

O gorila estava à nossa espera.

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O GENOCÍDIO DE RUANDA

04 de agosto de 2015

Saímos pela manhã para um passeio por Kigali, a capital de Ruanda. A principal atração da cidade é o Memorial do Genocídio. O Museu foi construído com o objetivo de preservar a memória do mais dramático episódio da história do país, e uma das maiores tragédias da história recente do Mundo.

O Memorial do Genocídio de Ruanda

O Memorial do Genocídio de Ruanda

A visita ao Memorial nos leva a uma série de salas onde são projetados filmes, acompanhados de fotografias e cartazes, que contam a história de Ruanda, os precedentes que levaram à deflagração do genocídio, e registram os momentos de terror que o país viveu.

Fotografia do massacre.

Fotografia do massacre.

Existem filmes, com relatos dramáticos de sobreviventes, e outras salas com objetos que testemunharam o massacre praticado pelos hutus. É impactante também, a visita à sala do ossuário, onde ossos e caveiras, fraturadas pelos golpes de facão e enxada, estão expostos para que a história não seja esquecida jamais.

Crânios coletados no genocídio de Ruanda

Crânios coletados no genocídio de Ruanda

Quando as potências europeias dominaram a África a partir do século XVIII, mas sobretudo no século XIX, desrespeitaram as fronteiras territoriais das tribos africanas. Separaram tribos, a partir de fronteiras que foram criadas sob interesse e poder dos países europeus, ao mesmo tempo em que, reuniram nos mesmos territórios, tribos rivais. Foi o que aconteceu nesse “miolo” da África, formado por Ruanda, Burundi e Uganda, onde os Tutsis e os Hutus, inimigos ancestrais, que tinham os seus próprios territórios e respeitavam mutualmente as suas próprias fronteiras, foram obrigados a conviver num mesmo espaço, sob o domínio do colonizador.

Refugiados saindo de Ruanda

Refugiados saindo de Ruanda

Os belgas, que chegaram a Ruanda em 1923, levaram educação, melhorias nas condições de saúde e infraestrutura. Elegeram os Tutsis como seus aliados e a eles foram dadas as melhores oportunidades, como acesso a saúde, educação e, aos melhores empregos. Tomaram partido da rivalidade entre os dois grupos e mantiveram os Hutus em condições desfavoráveis, sem acesso a educação e com as piores tarefas, na relação de emprego.

Crânios cortados por golpes de facões.

Crânios cortados por golpes de facões.

 

Em 1962 veio a independência e o país passou a ser governado por Grégoire Kayibanda, um líder hutu, repressivo e centralizador. Segundo Kayibanda: “Hutus e Tutsis são duas nações em um único Estado. Duas nações que não têm relações ou simpatia, que ignoram seus hábitos, pensamentos e sentimentos como se fossem habitantes de planetas distintos.”

A carteira de identidade identificava o grupo étnico.

A carteira de identidade identificava o grupo étnico.

Os tutsis são originários da região do Sahel, ao sul do Saara, descendem de tribos do Sudão e da Etiópia, são altos e magros e isso os diferencia dos hutus que descendem dos bantos e de tribos do centro sul da África. São mais baixos e fortes.

Método de identificação dos Tutsis.

Método de identificação dos Tutsis.

O ódio entre os dois grupos aumentou com os hutus no poder. No início dos anos 90, a revista Kangura publicou Os Dez Mandamentos Hutus. Um deles era que qualquer hutu que tivesse negócios ou amizade com tutsis era considerado traidor. A propaganda de ódio usava as rádios e TV’s para comunicações de massa.

Os Dez Mandamentos Hutus.

Os Dez Mandamentos Hutus.

Os grupos extremistas estavam identificando todos os tutsis de Kigali para um plano de extermínio de 1000 pessoas a cada 20 minutos. O presidente tinha perdido o controle. Algo grande estava sendo tramado. No dia 6 de abril de 1994, às 21:15h, estradas foram bloqueadas, casas começaram a ser invadidas e o massacre começou. A lista de tutsis marcados para morrer tinha sido preparada com antecedência.

Fotografia do massacre.

Fotografia do massacre.

As milícias armadas se espalharam por Kigali, bloquearam as ruas para identificar e matar os tutsis. Usavam facões, porretes, armas ou qualquer outra ferramenta disponível. Aqueles que tentavam passar pelos bloqueios eram humilhados, espancados, mutilados, assassinados e atirados à beira da estrada.

Ossos no Memorial

Ossos no Memorial

O genocídio foi algo monstruoso. Mulheres e crianças eram o principal alvo. O estupro era usado como arma de guerra. Mulheres hutus casadas com tutsis eram estupradas como punição. Genocidas torturavam suas vítimas antes de matá-las. Tutsis eram jogados vivos em valas e então apedrejadas até a morte.

Fotografias de pessoas mortas no genocídio de Ruanda.

Fotografias de pessoas mortas no genocídio de Ruanda.

Trezentos mil órfãos. Muitas famílias foram dizimadas. Ruas cheias de corpos com cachorros comendo a carne podre de seus próprios donos. O país cheirava à morte. RUANDA ESTAVA DESTRUÍDA.

Roupas de pessoas massacradas no genocídio.

Roupas de pessoas massacradas no genocídio.

Foram 100 dias de insanidade coletiva e terror, com cerca de um milhão de assassinatos brutais, a senha para o ataque aos tutsis era: “cortem as árvores altas”, numa alusão à estatura dessa etnia. Muitos deles tiveram os pés amputados numa forma de crueldade praticada por hutus, para que ficassem ambos, do mesmo tamanho.

O prédio do Memorial do Genocídio de Ruanda

O prédio do Memorial do Genocídio de Ruanda

Hoje, Kigali voltou a viver. É uma cidade relativamente organizada, limpa, e cresce muito rapidamente. Os sinais de prosperidade e de recuperação do país estão por todos os lados.

Kigali - a cidade cresce e se moderniza.

Kigali – a cidade cresce e se moderniza.

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CHEGANDO A RUANDA, NO CORAÇÃO DA ÁFRICA

03 de agosto de 2015

Saímos do Southern Sun Mayfair, às 7:30h da manhã para o aeroporto de Nairobi, o Jomo Kenyatta, onde pegamos um voo de uma hora e meia de duração, da Rwandair, com destino a Kigali, a capital de Ruanda.

O moderno jato da Rwandair.

O moderno jato da Rwandair.

Ruanda é um dos menores países da África, fica na região centro-oriental do continente, ao lado do Burundi e de Uganda faz ainda fronteira com o Congo e com a Tanzânia.

Ruanda, no centro da África

Ruanda, no centro da África

O país é pequeno, mas bastante povoado, possui cerca de 12 milhões de habitantes. Fica numa região montanhosa no centro do continente. A base da economia é uma intensa agricultura familiar de subsistência.

Montanhas e agricultura familiar de subsistência, por todo o país.

Montanhas e agricultura familiar de subsistência, por todo o país.

Ruanda foi palco de uma das maiores tragédias humanas da segunda metade do século XX. O Genocídio de Ruanda, documentado no filme Hotel Ruanda de Terry George de 2005.

Milhares de refugiados fugindo de Ruanda durante o genocídio.

Milhares de refugiados fugindo de Ruanda durante o genocídio.

Quando eu ainda dava aulas, a história do genocídio de Ruanda sempre me tocava. Foi uma forte emoção ficar hospedado no Hotel des Milles Colines, o mesmo onde aconteceram os fatos que serviram para o roteiro do filme Hotel Ruanda.

O Hotel des Miles Colines, palco da história do filme Hotel Ruanda

O Hotel des Miles Colines, palco da história do filme Hotel Ruanda

O filme Hotel Ruanda conta uma história ambientada na revolta hutu e no genocídio do país. No filme Paul Rusesabagina, gerente do Hotel des Mille Coline, era hutu, mas conseguiu proteger centenas de tutsis dentro do hotel e salvá-los do genocídio. Para isso Paul corrompia os líderes da revolta hutu, com bebidas e dinheiro. O filme retrata fortes emoções e uma realidade cruel.

O filme Hotel Ruanda

O filme Hotel Ruanda

Saímos do hotel no início da tarde e fomos dar um giro pela cidade. Kigali possui mais de um milhão de habitantes. É uma cidade pobre, mas limpa e menos caótica que Nairobi. A cidade fica num vale. Circulamos de carro, pelo colorido bairro muçulmano de Nyamirambo. As mulheres muçulmanas de Kigali se vestem com roupas bastante coloridas e isso gera boas oportunidades para as fotos.

Mulheres de Ruanda

Mulheres de Ruanda

Existem algumas pequenas mesquitas no bairro muçulmano de Nyamirambo. Hoje, a religião muçulmana cresceu muito em todo o norte e na porção central da África. Em Ruanda cerca de 10 % da população pratica o islamismo.

A Mesquita de Kigali.

A Mesquita de Kigali.

Continuamos o passeio e fomos até o local onde estava acontecendo a Expo Grand Ruanda, uma feira de produtos variados, com características bem populares, onde existem expositores de vários lugares do mundo, que vendem ali serviços e produtos diversos.

A entrada da Expo Ruanda.

A entrada da Expo Ruanda.

A feira era muito pobre e precária, mas estava lotada e dava para perceber o quanto ela era importante para aquela gente de Kigali. Depois da feira retornamos ao Hotel des Milles Colines, onde jantamos.

Entretenimento na Expo Ruanda.

Entretenimento na Expo Ruanda.

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DE VOLTA À ÁFRICA

02 de agosto de 2015.

De todos os lugares que já visitei, a África é o que me traz mais emoções. Essa é a quinta viagem que faço ao continente. Dessa vez num roteiro preparado pela Agência Via Alegria. A expectativa era grande. Fomos a Ruanda, na África central, onde fizemos uma trilha para conhecer os “Gorilas das Montanhas”.

Os Gorilas das Montanhas

Os Gorilas das Montanhas

Em seguida voltamos mais uma vez, ao Quênia, onde assistimos à batalha épica entre os gnus e os crocodilos, na travessia do Rio Mara, um dos mais dramáticos espetáculos da vida animal.

A travessia dos Gnus no Rio Mara, no Quênia.

A travessia dos Gnus no Rio Mara, no Quênia.

Na terceira etapa da viagem visitamos a Cratera do Ngorongoro, na Tanzânia, um dos lugares mais desejados para os safaris na África. Já estive por lá em 2005, fiquei de voltar e fiz isso agora, dez anos depois.

A Cratera do Ngorongoro, na Tanzânia

A Cratera do Ngorongoro, na Tanzânia

Partimos de São Paulo, num voo de oito horas de duração, da South African Airways, até Johanesburgo. A partir daí, uma conexão de três horas e embarcamos, mais uma vez, numa aeronave da SAA com destino a Nairobi. Foram mais três horas e meia de voo.

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O Aeroporto de Johannesburgo é o maior “hub” do continente africano. Atende a centenas de rotas que ligam o oriente ao ocidente pelo hemisfério sul. Possui uma boa infra-estrutura e excelentes lojas, sobretudo de artesanato africano. Para quem visita a África, é um dos melhores lugares para se conseguir artesanato de qualidade e obras de arte, além de outras lembranças mais simples. A loja Out Of Africa é uma das de maior destaque.

O Rico artesanato africano.

O Rico artesanato africano.

No voo entre Johanesburgo de Nairobi, o cansaço e o sono foram interrompidos pela imagem espetacular do lendário Monte Kilimanjaro emergindo a partir de um “mar” de nuvens. O Kilimanjaro fica no norte da Tanzânia, quase na fronteira com o Quênia.

O Monte Kilimanjaro, na Tanzânia

O Monte Kilimanjaro, na Tanzânia

Significa “Montanha Brilhante”, em Swahili, que é a língua oficial do Quênia e da Tanzânia, é a maior montanha da África, com mais de 5.800m de altitude, possui o pico coberto de neve apesar da localização equatorial, já foi cenário de filmes antológicos, como “As Neves do Kilimanjaro”.

O Kilimanjaro é a maior montanha da África

O Kilimanjaro é a maior montanha da África

Chegamos ao Quênia, um país da África Oriental, localizado nos entornos da linha do equador, com predominância para o hemisfério Norte. Possui cerca de 45 milhões de habitantes. As duas maiores cidades do país são Nairobi, que é a capital, e Mombasa. No século XIX, quando as fronteiras da África foram divididas por interesses coloniais europeus, o Quênia passou à condição de colônia britânica.

O Quênia localizado no coração da África

O Quênia localizado no coração da África

Chegamos a Nairobi, uma típica metrópole africana, com mais de 4 milhões de habitantes e grandes contrastes. No centro financeiro da cidade, torres modernas espelhadas, letreiros luminosos gigantescos, podem lembrar as grandes cidades das Américas. Grandes parques, prédios imponentes e avenidas largas.

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Centro financeiro de Nairobi

Na periferia, a favela de Kibera, com esgotos a céu aberto, é uma das maiores do mundo e expõe os problemas sociais do continente. A cidade é caótica, possui um trânsito insuportável.

A gigantesca favela de Kibera - foto do site www.suggestkeyword.com

A gigantesca favela de Kibera – foto do site http://www.suggestkeyword.com

Os brasileiros que vão ao Quênia, precisam de visto, que é obtido aí mesmo no Aeroporto Jomo Kenyatta, de Nairobi. Preenche-se um formulário simples e paga-se uma taxa de U$ 50,00, em espécie.

Seguimos direto para o Southern Sun Mayfair, um bom hotel cassino, com uma excelente ambientação. A área externa do hotel possui grandes jardins, árvores centenárias, passando uma sensação de estarmos numa área rural da África.

O jardim do Southern Sun Mayfair Hotel

O jardim do Southern Sun Mayfair Hotel

À noite, fomos jantar no excelente restaurante Tatu, no hotel Norfolk Fairmont. O restaurante possui uma cozinha internacional, com destaque para as carnes, uma boa carta de vinhos e um serviço amável e eficiente. Uma opção imperdível em Nairobi.

A Savana Africana no Quênia.

A Savana Africana no Quênia.

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A CACHOEIRA DO MOSQUITO NA CHAPADA DIAMANTINA

23 de junho de 2015

Nesse segundo dia na Chapada Diamantina, saímos pela manhã para conhecer a Cachoeira do Mosquito, localizada a 40 km de Lençóis. São 20 km de asfalto e mais 20 km de estrada de barro. Para ir ao Mosquito pegamos a estrada secundária que sai de Lençóis em direção à BR 242. Chegando lá, viramos à direita, no sentido da BR 116 e rodamos mais 9 quilômetros, quando entramos na estrada de barro à esquerda.

O início da trilha para a Cachoeira do Mosquito.

O início da trilha para a Cachoeira do Mosquito.

São mais 20km de estrada de barro até chegar à fazenda onde fica a Cachoeira do Mosquito. Depois que estacionamos o carro, seguimos por uma trilha fácil, de aproximadamente meia hora. Depois a trilha desce para a base da cachoeira. O caminho é simples para se chegar até o local do banho.

A trilha para a Cachoeira do Mosquito é fácil.

A trilha para a Cachoeira do Mosquito é fácil.

Tomamos um banho de água gelada. Dá para ficar debaixo da cachoeira. Ainda existe um pequeno poço, onde se pode relaxar. Todo o esforço fala a pena.

A água é gelada, mas vale a pena.

A água é gelada, mas vale a pena.

Depois do banho de cachoeira, dá para relaxar no poço que fica na base.

Depois do banho de cachoeira, dá para relaxar no poço que fica na base.

A Cachoeira do Mosquito é uma atração que vem sendo visitada há muito pouco tempo, na Chapada Diamantina. Há aproximadamente 3 anos, quando foi aberto o acesso. Fica numa propriedade privada, portanto é preciso pagar um ingresso de R$10,00 por pessoa para ir até lá. Normalmente é pago numa agência de turismo em Lençóis, mas caso alguém chegue por aí, de forma desavisada, pode pagar o ingresso na cancela de acesso à trilha.

A Cachoeira do Mosquito.

A Cachoeira do Mosquito.

Existe um excelente mirante, na parte alta, de onde podemos ter uma vista espetacular da Cachoeira do Mosquito.

A vista do mirante é encantadora.

A vista do mirante é encantadora.

Voltamos para Lençóis e fomos almoçar, no excelente restaurante, Cozinha Aberta. O letreiro na porta destacando, “Slow Food”, já deixa o cliente prevenido, pois o serviço pode demorar, mas vale muito a pena. O prato que escolhemos foi uma “Roupa Velha com purê de banana-da-terra”. Dos Deuses.

O excelente restaurante Cozinha Aberta.

O excelente restaurante Cozinha Aberta.

A "Roupa Velha" dos deuses.

A “Roupa Velha” dos deuses.

À noite fomos para a praça da cidade onde as fogueiras e fogos comemoravam o São João. A festa em Lençóis é calma e bastante típica, sem os grandes shows, como acontecem em outras cidades do interior da Bahia. No dia seguinte voltamos para Salvador.

A festa em Lençóis é calma e bastante típica.

A festa em Lençóis é calma e bastante típica.

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