CAÍMOS NO “CONTO DO CASACO DE COURO”, EM ROMA

18/01/1992

Saímos às 9h da manhã no ônibus do hotel que fazia um transporte regular para a Praça de São Pedro onde pegamos um taxi para as Termas de Caracala. Percorremos as ruínas do prédio gigantesco construído entre 212 e 217 d.C. pelo Imperador Caracala que viveu no início da decadência do Império Romano.

Detalhe das Termas de Caracala

Detalhe das Termas de Caracala

O conjunto podia receber mais de 1.500 pessoas por vez e é um perfeito exemplo das grandes termas imperiais, onde aconteciam os antigos banhos da corte, com piscinas térmicas e saunas utilizadas na época para festas, orgias e práticas esportivas.

As proporções das Termas de Caracala são gigantescas

As proporções das Termas de Caracala são gigantescas

As Termas de Caracala possuíam uma grande riqueza de decoração e eram famosas pelas obras que continham. Grande parte da sua estrutura ainda encontra-se preservada.

Interior das Termas de Caracala

Interior das Termas de Caracala

Elas somente deixaram de funcionar após a destruição dos aquedutos que alimentavam a sua estrutura, em 537 d.C.,, pelo Rei Godo, Vitige, durante as Guerras Góticas com o Imperador Justiniano, que buscava recuperar a região da Itália para o Império Romano do Oriente.

Termas de Caracala

Termas de Caracala

Ao sairmos das Termas de Caracala fomos andando em direção ao Circo Máximo, quando chegamos na primeira esquina, aconteceu o fato mais surpreendente da viagem até aqui.

O Círculo Máximo

O Círculo Máximo

Ao pararmos numa sinaleira, um carro esportivo parou ao nosso lado e o senhor que estava dirigindo abriu o vidro para pedir informações. Fiz sinal que não era da cidade, mas mesmo assim ele nos abordou falando em inglês e perguntando onde ficavam as Termas de Caracala, pois precisava visitá-las para conhecer o local que iria ser cenário de um filme publicitário da Pierre Cardin.

Começamos a responder, pois tínhamos acabado de sair de lá, quando ele nos disse que era francês e gerente da grife Pierre Cardin, em Paris, e nós dissemos que éramos do Brasil. Rapidamente, para a nossa surpresa ele passou a falar em um bom português e disse que a sua esposa era mineira. De imediato perguntou a minha altura e o número do meu manequim. Pegou uma sacola com dois casacos de couro de cervo. Segundo ele os casacos, nas lojas, tinham um valor aproximado de U$ 1.300,00.

Agradeceu a nossa gentileza e nos deu os casacos de presente, argumentando que eram do mostruário de 1991. Peças que haviam sobrado de uma feira e que iria nos presentear, nos desejando boa viagem e um beijo para o Brasil. Em seguida nos pediu ajuda, dizendo que precisava ir para Paris e como era domingo, não conseguia trocar dinheiro e o seu cartão de crédito não estava funcionando. Precisava de dinheiro para por combustível até a fronteira com a França.

Nos sentimos solidários com o seu problema e demos a ele todo o dinheiro que tínhamos, ficando apenas com o suficiente para pegar um taxi de volta para o hotel. Felizmente tínhamos em liras, apenas o equivalente a U$ 150,00. Ele pegou o dinheiro rapidamente e saiu em disparada deixando os casacos em nossas mãos.

Ficamos assustados com o presente e da forma como tudo aconteceu e pegamos um taxi de volta para o hotel. Passamos o resto da viagem assustados com esse fato e com medo de usar os casacos, pois não sabíamos as suas origens e achávamos que poderia haver algumas irregularidade com eles.

O casaco de couro.

O casaco de couro.

Seis meses depois de chegar ao Brasil, recebemos Sebastião Nery em nossa casa em Salvador. Sebastião tinha nos hospedado no início dessa viagem e havia sido Adido Cultural do Brasil em Roma. Começamos a contar as histórias da viagem e somente aí soubemos que esse era um golpe muito comum em Roma.

Eles lhe entregam casacos obtidos em pontas de estoque e tentam extorquir dinheiro contando alguma história que envolva os turistas. Felizmente tínhamos pouco, mas outros turistas chegam a entregar os U$ 1.300,00, argumentados como sendo o valor dos casacos nas lojas. Deixamos os casacos no hotel e saímos mais uma vez.

Os Fóruns Romanos.

Os Fóruns Romanos.

 

Almoçamos nas margens do Rio Tibre e seguimos a pé até os Fóruns Romanos onde percorremos todas as instalações das ruínas e voltamos para o hotel onde jantamos. No dia seguinte seguiríamos para Nice.

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Sobre joaquimnery

Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.
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3 respostas para CAÍMOS NO “CONTO DO CASACO DE COURO”, EM ROMA

  1. João Novaes disse:

    Incrível, aconteceu a mesma coisa comigo há uns 14 anos, em Paris, e o cara era italiano! Mesmo papinho esquisito, mesma desculpa, na hora que disse que pediu pra passar no caixa eletrônico disse que não, dei um migué, disse que não podia e tinha pouco dinheiro. O cara foi ficando irritado, pediu o casaco de volta, eu perguntei “ué, não era presente? o que está acontecendo?”. Preocupado com o tempo parado e minha irritação para com ele (pouco me importavam os casacos), foi embora dizendo que eu era uma vergonha, e me deixou com as roupas. Fiquei também MUTI irritado por ter chegado tão perto de levar um golpe. Minha mãe quando soube ficou desesperada, achando que havia drogas dentro das roupas. E olha como são as coisas: um casaco não servia, o outro esqueci numa cadeira anos depoisnuma balada e, quando vi, foi roubado. Coisas da vida!

  2. joaquimnery disse:

    Jucá,
    O golpe é muito comum e algumas pessoas perdem muito. Fica a dica.

  3. Aconteceu de tentarem me aplicar esse mesmo golpe! Vejo pela sua narrativa o quanto ele é então muito comum! O cara pediu-me em troca, apenas ajuda para encher o tanque do carro. Super desconfiado e sentindo tratar-se de um golpe, não aceitei o casaco nem lhe dei nenhum dinheiro, o que o deixou MUITO irritado!

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