MATERA, O TESOURO PERDIDO DA BASILICATA.

08/10/2014

Saímos de Tropea às 10h e pegamos a estrada em direção à Matera, o nosso próximo destino. A Calábria é cortada de sul a norte por uma excelente autoestrada cheia de túneis e pontes gigantescas. Deixamos a autoestrada e pegamos estradas secundárias (todas muito boas), cruzando a “bota” italiana em direção ao litoral do Mar Jônico, onde a viagem continuava rumo ao norte, para a Basilicata, a região onde fica Matera.

Campos da Basilicata.

Campos da Basilicata.

A Basilicata equivale ao “peito do pé da bota” do mapa da Itália. É uma das regiões mais pobres do país. As excelentes rodovias que cortam as montanhas do sul da Itália (Calábria, Basilicata e Puglia), nos faz refletir sobre o fato de que se um país é desenvolvido, tem que ser por um todo. Não vale ser pela metade. O Sul da Itália equivale ao Nordeste do Brasil. É a região mais pobre e discriminada. Os italianos do norte costumam hostilizar os do sul criando uma imagem de que são a escória do país.

Espantalhos na beira da estrada

Espantalhos na beira da estrada

Possui relevo acidentado, clima temperado mediterrâneo e uma baixa densidade demográfica. As grandes desigualdades econômicas e sociais da Itália fizeram da Basilicata e das outras regiões do sul (Sicília, Puglia, etc), grandes centros de repulsão populacional e por isso se tornaram regiões demograficamente esvaziadas.

Detalhe rural da Basilicata.

Detalhe rural da Basilicata.

A rota para Matera foi extensa, a maior esticada que tivemos até aqui nessa viagem. Fizemos em 4,5 horas. A agricultura ainda é a principal atividade econômica e o cultivo da azeitona, pimenta e cebola são destaques nestas regiões.

As pimentas são destaques na agricultura do sul da Itália.

As pimentas são destaques na agricultura do sul da Itália.

Chegamos a Matera no início da tarde e a visão que tivemos da cidade assim que chegamos foi impressionante. É um grande presépio pendurado nas encostas de um pequeno cânion.

Matera, o presépio da Basilicata.

Matera, o presépio da Basilicata.

Ficamos hospedados no excelente hotel Palazzo Gattini, muito bem localizado, totalmente reformato com a restauração de um antigo palácio na parte histórica da cidade em frente ao Duomo de Matera. Toda a parte histórica pode ser feita a pé, a partir daí.

O Duomo de Matera.

O Duomo de Matera.

A cidade é dividida em duas partes. O agitado e movimentado bairro alto e o pitoresco bairro baixo conhecido como Sassi (cavernas), onde ficam as principais atrações turísticas da cidade. O Hotel Palazzo Gattini fica exatamente no limite entre as duas partes.

Casas cavernas e rochas se misturam.

Casas cavernas e rochas se misturam.

O Sassi fica dividido entre o Sasso Barisano e o Sasso Caveoso, que é o mais pitoresco e serviu de cenário para a maioria das cenas do polêmico e épico filme “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson.

Igreja pendurada no Cânion em Matera

Igreja pendurada no Cânion em Matera

Foi morada troglodita de povos antigos, que escavaram a rocha para criar cavernas. As cavernas foram transformadas em casas ocupadas até hoje. Algumas delas são igrejas e outras viraram museus. Matera parece uma cidade fictícia.

Matera.

Matera.

As casas cavernas se amontoam umas sobre as outras e as ruas estreitas passam por cima de tetos que são identificados pelo encontro ocasional com chaminés que brotam do chão.

Detalhe de uma casa caverna.

Detalhe de uma casa caverna.

Até a década de 60 o bairro de Sassi em Matera era ocupada por uma turba de miseráveis, chegou a ser comparada ao “Inferno de Dante”. O governo interveio, construiu moradia para a população que foi retirada daí. As casas cavernas foram recuperadas e transformadas em hotéis, bares, restaurantes, lojas de artesanato e galerias de arte. Em 1993 a UNESCO tornou o bairro de Sassi um Patrimônio da Humanidade. Hoje a cidade vive do turismo e atrai visitantes do Mundo inteiro. As ruas de Matera são de pedras milenares. Charmosas e muito bem assentadas.

Bairro Sassi Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.

Bairro Sassi Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.

A Igreja de Santa Maria de Idris é do século XIV e faz parte do complexo de Monte Errone, escavado na rocha e formado por duas igrejas. Ficam no alto de uma rocha e dentro de uma caverna, como quase tudo na antiga Matera. Está interligada à Igreja a de San Giovanni In Monte Errone, onde existem excelentes afrescos ainda preservados. Existem 120 “chiese rupestri” (Igrejas nas Rochas), em Matera.

A Igreja a de San Giovanni In Monte Errone

A Igreja a de San Giovanni In Monte Errone

Na parte alta de Matera, a parte histórica predomina com arquitetura barroca com várias igrejas que completam o seu patrimônio histórico e cultural. A cidade é candidata à Capital Europeia das artes para 2019. Seria bom se ganhasse, para que o Mundo conhecesse esse Tesouro escondido da Basilicata na Itália.

Igreja barroca no bairro alto de Matera.

Igreja barroca no bairro alto de Matera.

Jantamos à noite no restaurante premiado D. Camilo, que fica anexo ao Hotel Palazzo Gattini, para comemorar o aniversario de Dra. Marise, companheira de viagem. Excelente.

O nosso grupo no excelente restaurante D. Camilo.

O nosso grupo no excelente restaurante D. Camilo.

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Sobre joaquimnery

Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.
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3 respostas para MATERA, O TESOURO PERDIDO DA BASILICATA.

  1. Reinaldo disse:

    Parabéns, colega geógrafo, Minha família de origem italiana é da Basilicada, nos idos de 1870.

  2. Anônimo disse:

    Nery viajei nesse seu poste como faço sempre com as suas narrativas! Rever o grupo foi legal e transmita meu atrasado abraço de parabéns para Marize, um privilégio festejar o aniversário nesse paraíso histórico e cultural que é Matera .Já estou acostumada com seu blog e não dispenso toda semana aprender um pouco mais com você!!! Abs Alda. Feliz Natal !

  3. Ilza disse:

    Essas imagens são um presente de natal. Obrigada por este presente.

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