OS ENCANTOS DO BAIXO CURSO DO RIO PARAGUAÇU

13 de fevereiro de 2016

Saímos de Salvador com o objetivo de alcançar algumas praias nas margens do Rio Paraguaçu. Como a distância é grande, decidimos dormir numa pousada na Ilha de Itaparica. Essa foi a primeira dificuldade que tivemos. Existem pouquíssimas pousadas com qualidade razoável em Itaparica. Depois de muito procurar encontramos a Pousada Hotel Kirymuré, na praia de Ponta de Areia, na Ilha de Itaparica.

O Hotel Kirymuré em Ponta de Areia

O Hotel Kirymuré em Ponta de Areia

A praia de Ponta de Areia possui águas paradas e quentes, fica a 4 quilômetros da cidade de Itaparica. O banho de mar é excelente. A pousada deixa a desejar e precisa de manutenções e reforma urgente, mas atendeu às nossas necessidades.

A excelente praia de Ponta de Areia.

A excelente praia de Ponta de Areia.

No dia seguinte pela manhã seguimos em direção à Barra do Paraguaçu. A entrada do rio é larga e navegável. Possui paisagens encantadoras.

A barra do Rio Paraguaçu

A barra do Rio Paraguaçu

O Rio Paraguaçu é o maior dos rios, totalmente baiano. Nasce no município de Barra da Estiva, na Chapada Diamantina, corre por 600 quilômetros até desaguar na Baía de Todos os Santos, na Barra do Paraguaçu. Já foi a mais importante via de transporte e comunicação entre o Recôncavo Baiano e a cidade de Salvador.

O rio é navegável no baixo curso, até a cidade de Cachoeira.

O rio é navegável no baixo curso, até a cidade de Cachoeira.

O Paraguaçu é navegável no baixo curso, desde a foz até as cidades de Cachoeira e São Félix. No caminho entre a foz e Cachoeira, passa por Maragogipe. Neste trecho possui um grande potencial turístico. A cultura, o folclore e as paisagens naturais fazem do Paraguaçu um local especial para se visitar. O acervo arquitetônico das suas margens é uma das suas grandes atrações.

Fortaleza colonial nas margens do Paraguaçu.

Fortaleza colonial nas margens do Paraguaçu.

A navegação comercial pelo baixo curso do Rio Paraguaçu sempre foi feita por saveiros, que entravam e saiam do rio circulando com mercadorias e fazendo a ligação entre o Recôncavo e Salvador. Hoje em dia os saveiros são mais raros, mas sempre aparecem ao longo do rio.

O saveiro é a embarcação típica do Rio Paraguaçu.

O saveiro é a embarcação típica do Rio Paraguaçu.

Logo na entrada do rio, nos deparamos com a obra abandonada do Estaleiro Paraguaçu. A enorme trave de 140 metros do estaleiro é o símbolo maior das obras paralisadas pela atual crise política e econômica do Brasil.

O Estaleiro Paraguaçu.

O Estaleiro Paraguaçu.

O estaleiro está com 80% das obras concluídas, porém paralisadas em função da crise instalada com as denúncias de corrupção da operação Lava Jato.

As obras paralizadas do Estaleiro.

As obras paralizadas do Estaleiro.

Nas vilas dos entornos é possível ver o abandono das casas e comunidades que estavam sendo recuperadas pela pujança econômica do estaleiro.

As comunidades foram abandonadas.

As comunidades foram abandonadas.

Seguimos adiante rio acima, passando por praias encantadoras e testemunhos de uma arquitetura colonial que mostram a importância estratégica do Rio Paraguaçu.

Joias da arquitetura colonial aparecem nas margens do rio.

Joias da arquitetura colonial aparecem nas margens do rio.

Quando subimos o rio, encontramos numa das suas curvas, o imponente Convento de Santo Antônio do Paraguaçu. A imagem do conjunto arquitetônico é arrebatadora e impressionante.

O maravilhoso Convento de Santo Antônio do Paraguaçu

O maravilhoso Convento de Santo Antônio do Paraguaçu

O Convento de Santo Antônio do Paraguaçu está localizado no povoado de São Francisco do Paraguaçu, no município de Cachoeira e pertence à Ordem Religiosa Franciscana. Foi um dos primeiros conventos franciscanos estabelecidos no Brasil. O convento levou 28 anos para ser concluído. A sua arquitetura e a profusão de detalhes das obras de arte, imagens, pinturas e móveis, impressiona a quem lhe visita.

A igreja do complexo colonial.

A igreja do complexo colonial.

Neste Convento funcionou um colégio religioso, onde os jovens eram admitidos para se tornarem novos frades e durante 43 anos, um pequeno hospital com enfermaria, chamado Hospital de N. Srª de Belém.

O complexo possui igreja e convento.

O complexo possui igreja e convento.

A partir de 1855, com a proibição do governo imperial, que extinguiu a admissão de novos noviços, vários conventos foram abandonados. Mais tarde o Convento e a igreja de Santo Antônio do Paraguaçu foram doados à Arquidiocese da Bahia.

Detalhes da escadaria do convento.

Detalhes da escadaria do convento.

O Convento foi abandonado, entrou em ruína e foi saqueado inúmeras vezes.

O convento está em ruínas.

O convento está em ruínas.

O imóvel foi finalmente tombado em 1941, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), mas os trabalhos de conservação, consolidação das estruturas e restauração das imagens são muito lentos. Enquanto isso, esse magnífico patrimônio vai se perdendo, escondido nas margens do Rio Paraguaçu.

Detalhes da fachada da igreja.

Detalhes da fachada da igreja.

O conjunto possui um cais, escadarias, terraço, um cruzeiro com decoração rebuscada, além da igreja e das ruinas do convento, propriamente dito. Todo esse patrimônio está harmonizado com o imponente Rio Paraguaçu, logo ali.

O Rio Paraguaçu é testemunha.

O Rio Paraguaçu é testemunha.

Vários elementos comuns à decoração barroca aparecem na decoração do Convento de Santo Antônio. As fênix em frente à escadaria são destaques.

Detalhe da Fênix em frente à igreja.

Detalhe da Fênix em frente à igreja.

Descemos o rio e paramos para um banho de água doce nas margens do Paraguaçu.

O excelente banho nas margens do rio.

O excelente banho nas margens do rio.

Seguimos até a Ilha de Maré, na localidade de Botelho, para um final de tarde inesquecível no excelente restaurante da Preta, com uma cozinha baiana moderna e um serviço impecável.

O excelente restaurante de Preta, em Botelho, na Ilha de Maré.

O excelente restaurante de Preta, em Botelho, na Ilha de Maré.

A tranquilidade de Botelho, na Ilha de Maré.

A tranquilidade de Botelho, na Ilha de Maré.

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Sobre joaquimnery

Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.
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2 respostas para OS ENCANTOS DO BAIXO CURSO DO RIO PARAGUAÇU

  1. Gustavo Romero disse:

    Parabéns Nery!
    Presente a mais uma aula. Por sinal, muito boa! Agora com olhos não só de aluno, como também de velejador.
    Sugiro dedicar um capítulo especial ao Paraguaçu no período da tradicional regata Salvador-Maragogipe. Vale a pena!

  2. Anônimo disse:

    Grata pelos belos pedacinhos de mundo que, gentilmente, nos vai mostrando.

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