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Soweto, um símbolo de resistência

Março de 2012

Essa é a terceira vez que vamos à África. É sempre uma forte emoção. O continente mexe com a gente. A expectativa dos safaris e do caldeirão cultural que envolve os países africanos é o motor motivacional dessas viagens.

Paisagem africana – Namíbia

Pegamos um voo da SAA (South African Airways) em São Paulo e fizemos 8:30h até Johanesburgo. Chegamos pela manhã e um guia/motorista (Les) nos pegou no aeroporto para, antes de chegarmos ao hotel, darmos uma volta pela cidade.

Soccer City – mais uma atração turística de Johanesburgo

Johanesburgo é uma cidade nova e moderna. Possui hoje, cerca de 6 milhões de habitantes e é a 4a maior cidade do continente africano. Surgiu com a corrida do ouro na região, no final do século XIX. A cidade possui avenidas largas, anéis rodoviários excelentes por toda parte e um ar de metrópole “americana”.

Johanesburgo – uma metrópole na África do Sul

Saímos para um tour panorâmico, passando inicialmente pelo Soweto, abreviatura de South Western Townships. O famoso bairro negro sul-africano é um dos principais pontos de visitação turística da cidade, pela fama que adquiriu na luta pela resistência contra o apartheid.

Soweto

O Soweto surgiu para concentrar a mão-de-obra que vinha do interior da África do Sul para trabalhar nas minas de ouro. Ali foram erguidos grupos de casas precárias, as “hostess houses”, pegadas umas nas outras, sem água, sem banheiro, sem energia e abrigando, cada uma, várias famílias. Lembram os cortiços que existiram no Brasil no início da nossa atividade industrial.

As “hostess house” do Soweto

HECTOR PIETERSON – A FOTO QUE MUDOU A HISTÓRIA

O Soweto se tornou o principal centro de resistência na luta contra o apartheid. Na década de 70, a segunda geração já nascida no Soweto, começou a ir ás ruas mostrando a indignação com o sistema de separação racial da África do Sul.

Soweto – Centro de resistência na luta contra o apartheid

Em 1976, um grupo de estudantes secundaristas saiu em passeata para mais um dia de protesto. O motivo da vez era uma decisão do governo de priorizar, nas escolas do Soweto, o ensino, com o idioma “Africâner”. Uma mistura de holandês arcaico com um alemão primitivo, que é o segundo idioma oficial do país (o primeiro é o inglês). A imposição do ensino em Africâner para os negros era uma forma de submissão, pois o inglês era o idioma dominante.

Museu Hector Pieterson, que conta a história do massacre de 1976.

No meio da passeata a polícia reagiu com violência, vários estudantes foram mortos. O estudante secundarista, Hector Pieterson, estava entre os mortos pela polícia do Apartheid. Um fotógrafo jornalístico que cobria a manifestação fez a foto da tentativa de socorro a Hector Pieterson. A foto correu os principais jornais do mundo e marcou o início dos protestos mundiais contra o apartheid. 18 anos depois o regime do apartheid, finalmente caiu.

A foto do assassinato de Hector Pieterson

Aí no Soweto viveram: Steve Biko, Nelson Mandela, o bispo Desmond Tutu e Winnie Mandela, dentre outros importantes líderes da resistência sul-africana contra o apartheid. No Soweto vivem hoje, cerca de 4 milhões de pessoas. As condições de moradia já melhoraram muito. Hoje é possível ver um bairro de classe média, com casas dignas, mas ainda cercado por alguns bolsões de pobreza.

No Soweto ainda existem bolsões de pobreza

Um dos símbolos visuais do Soweto são as duas torres de resfriamento de uma antiga usina nuclear desativada. Hoje as torres aparecem grafitadas e formam um pequeno centro de entretenimento, com salto de “bungie jumpping”.

As chaminés abandonadas de uma usina nuclear – um símbolo do Soweto

Nos planos habitacionais do apartheid foram construídas também as “Tim Houses”, casa pequenas e sem estrutura, que ainda hoje marcam a paisagem urbana do Soweto.

As casas típicas do Soweto

Saímos do Soweto e fomos para o centro financeiro Johanesburgo. Um centro moderno, com grandes edifícios e um forte ar desenvolvimentista. Subimos na torre do Carlton Building. O maior prédio de Johanesburgo, com 53 andares. Lá de cima existe um mirante de onde se tem uma vista completa da cidade.

A vista de Johanesburgo a partir do Carlton Building

Depois seguimos para o excelente hotel Fairlawns Boutique and SPA. Estávamos bastante cansados, ficamos no hotel e jantamos por aí.

Detalhe do Fairlawns Boutique & SPA Hotel.
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