ATRAVESSANDO O ANTI ATLAS EM DIREÇÃO A OUARZAZATE

10 de abril de 2018

Estávamos em Zagora, no sul do Marrocos, perto da fronteira com a Argélia. Saímos cedo com destino a Ouarzazate, cidade que tínhamos passado no dia anterior. A viagem segue em direção à cordilheira de montanhas do Anti Atlas. Paramos em alguns mirantes da estrada que cruza a cordilheira, para admirar esse espetáculo da natureza

O nosso guia marroquino Othman, aproveitando a paisagem do Anti Atlas.

A Cordilheira do Atlas é uma grande cadeia de montanhas no noroeste da África, que se estende desde o Marrocos até a Tunísia. Possui 2.400 km de extensão e a sua montanha mais alta possui 4.167m e fica no sul do Marrocos. Os Atlas separam o Deserto do litoral do Marrocos e impede o Saara de alcançar a Europa.

Cordilheira do Anti Atlas

A cordilheira está dividida em três pedaços: o Anti Atlas que fica mais a sul, o Alto Atlas, na porção mais central do país e o Médio Atlas na porção noroeste. Nessa região do Anti Atlas é possível ver a ação da orogênese sobre as rochas retorcidas que formam as montanhas.

A rocha dobrada do Anti Atlas.

No caminho, passamos pela cidade de Agdz onde fomos forçados a parar o carro, pois havia um bloqueio na estrada e não sabíamos sobre o que se tratava. De repente apareceu um grupo vestindo roupas típicas locais, tocando e dançando músicas regionais. Descemos do carro e aproveitamos esse momento único que a estrada nos deu.

Os marroquinos dançavam e cantavam em Agdz.

Uma festa no meio da rua. Os marroquinos dançavam e cantavam em Agdz.

Somente depois de algum tempo, viemos a entender o que estava acontecendo. A cidade estava preparada para receber os atletas do Marrocos Titan Desert, uma competição de bike, que percorre mais de mil quilômetros por montanhas e desertos no interior do Marrocos.

Os atletas do Marrocos Titan Desert

Ficamos ali na beira do asfalto assistindo o espetáculo feitos pelos atletas de Mountain Bike que passaram rapidamente, misturados com o povo do Marrocos.

Mulher marroquina filmando o tour de bike.

Chegamos a Ouarzazate no início da tarde. A cidade é jovem, foi fundada em 1928 e é a maior dessa região do Marrocos, possui uma localização estratégica entre o deserto e a região do Atlas Central. Durante séculos as caravanas que passavam pelo Atlas e pelos vales do Draa e do Dadès se encontravam para fazer negócio na Kasbah Taourirt e isso ajudou a criar a cidade.

Chegando a Ouarzazate.

O cinema se tornou a grande atração de Ouarzazate, que começou a decolar nessa arte a partir da década de 50, com o fim do protetorado francês. A paisagem do deserto, a luz excelente e sempre presente, facilitaram essas escolhas sobretudo para filmes ambientados em regiões desérticas como Tibet, Roma Antiga, Egito, Somália e Palestina. A cidade é chamada de Ouallywood, por causa dos grandes estúdios que possui.

O restaurante Chez Dimitri

Paramos para almoçar no bom restaurante Chez Dimitri de cozinha europeia, uma mistura de culinária italiana e francesa. Nas paredes do restaurante, muitas fotos de artistas e sets de filmagem que aconteceram por aí.

Detalhe de um dos estúdios de Ouarzazate.

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CHEGANDO A ZAGORA, NA BORDA DO DESERTO DO SAARA

09 de abril de 2018

A pequena vila de M’Hamid no sul do Marrocos ficou isolada por muito tempo, em função do clima de tensão com a Argélia e dos conflitos com a Frente Polisário. Hoje em dia, após a construção da estrada que leva à base das dunas, o local passou a ser descoberto pelo turismo e dezenas de hotéis e restaurantes foram implantados por aí. Serviços turísticos também estão disponibilizados.

A pequena vila de M’Hamid, na borda do Deserto do Saara.

As dunas de Erg Lihoudi ficam logo ali ao lado de M’Hamid, a apenas 8 km da vila. Seguimos para o Hotel Kasbah, onde paramos para almoço.

As dunas de Erg Lihoudi

Após o almoço fomos até a entrada do vilarejo e fizemos um passeio de quadriciclo pelas dunas do Erg Lihoudi, as mais acessíveis da região.

Um passeio de quadriciclo pelas dunas de Erg Lihoudi

As dunas do Erg Lihoudi surgem como uma alternativa de turismo no deserto, às dunas de Erg Chebbi. Chegam a 100 metros de altura. O passeio de quadriciclo é divertido e fácil de fazer, sempre acompanhado por um bom e cuidadoso guia. Existem dunas fixas e móveis na região.

Deu até para posar para fotografias.

Saímos das dunas de Erg Lihoudi e fomos até a localidade de Tamegroute, uma cidadezinha de extrema religiosidade, que cresceu sob a influência do santo muçulmano Sidi Mohammed bem Nassir, fundador da fraternidade Nassiri que se notabilizou por resolver conflitos na região do Vale do Draa no século XVII.

Santuário sufista em Tamegroute

A vila ainda é um local de peregrinação e famosa por curas milagrosas. Um dos destaques fica para a biblioteca mais antiga do Marrocos, localizada na Madrassa de Zawiya Nassiriyya, onde existem mais de 4 mil textos, livros, mapas e outras relíquias antigas em prateleiras com vidro. Tivemos a oportunidade de sermos guiados por um dos guardiões da biblioteca. A região é dominada por seguidores da corrente sufista do islamismo.

A Biblioteca da Madrassa de Zawiya Nassiriyya

Depois de Tamegroute, finalmente chegamos a Zagora, na porta do Deserto do Saara, a última cidade em direção à Argélia. Zagora é uma cidadezinha pequena e sem atrativos, procurada apenas como local de dormida para os viajantes que desejam ter uma experiência no complexo de dunas ao lado do Deserto do Saara.

Comércio na pequena cidade de Zagora

Seguimos direto para o Hotel Riad der Sofian, de boa qualidade, com uma decoração charmosa. Jantamos na beira da piscina, sempre provando os vinhos marroquinos e degustando o cardápio local à base de cuscuz marroquino de carne, frango ou peru preparados na tagine.

O Hotel Riad der Sofian em Zagora.

 

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O OÁSIS DO DRAA

09 de abril de 2018

Saímos pela manhã de Ouarzazate para Zagora rumo ao sul do Marrocos, próximo à fronteira com Argélia e Saara Ocidental. Essa região fica no extremo sul do país e vive um conflito e indefinição política que cria problemas para o Marrocos.

Marrocos e Saara Ocidental

No passado, essa ponta do extremo noroeste da África estava dividida em dois territórios: o Marrocos, que era um protetorado francês e o Saara Ocidental, um protetorado espanhol. O Marrocos se tornou independente da França no início dos anos 50 e no Saara Ocidental começou uma forte luta pela independência, comandada, sobretudo pelo grupo revolucionário, Frente Polisário. A Espanha desistiu do território e o Marrocos aproveitou a confusão e a desistência da Espanha pelo território e anexou o Saara Ocidental, mas até hoje várias tribos locais não reconhecem essa unificação. A ONU não reconhece a região do Saara Ocidental como sendo marroquina e sim como uma região ainda em disputa.

A árida região do sul do Marrocos.

Os conflitos políticos continuam, muitos deles estimulados pela Argélia, que apoiando tribos rebeldes, sonha com um acesso ao Oceano Atlântico. Esse é o principal motivo de hostilidades entre ambos. A região é rica em pescados e possui grandes reservas de fosfato e petróleo.

O Deserto do Saara

Existe um cessar fogo vigente desde 1991 entre o Marrocos, as tribos rebeldes e grupos separatistas da Frente Polisário, mas em nosso caminho para o sul, deu para perceber o clima tenso e a excessiva militarização da região.

O Anti Atlas

Seguimos em direção ao Vale do Rio Draa, um rio estreito, que nasce na região do Alto Atlas e corre para desaparecer no Deserto do Saara, como muitos outros do país.

O Oásis de Draa

Fizemos uma primeira parada num mirante sobre o Oásis de Draa. O Rio Draa desaparece em alguns trechos sob a areia do deserto e reaparece mais adiante, formando imensos palmeirais cheios de tamareiras.

O Vale do Draa

Essa região do Oásis de Draa foi um dos principais centros de convergência das caravanas que atravessavam o Deserto do Saara para comercializar com os países do norte da África, na região subsaariana.

Crianças marroquinas no Vale do Draa.

Do Vale do Draa até a cidade de Tumbuctu, hoje na República do Mali, as caravanas com milhares de camelos levavam 52 dias pela imensidão do deserto, trocando sal por ouro e outros produtos. Esse comércio fez do Marrocos um importante entreposto entre a África e a Europa.

52 dias do Vale do Draa a Tumbuctu

Deixamos o Vale do Draa para trás e seguimos através da região do Anti Atlas até a localidade de M’Hamid que fica a 40 km da tensa fronteira com a Argélia.

As montanhas do Anti Atlas

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A GARGANTA DO TODRA

08 de abril de 2018

Estávamos em Tinerhir, na região do Médio Atlas, no Marrocos, de passagem para Ouarzazate. As grandes atrações da cidade são o Oásis de Tinerhir e a Garganta do Todra que fica a 17 km da cidade, passando pelas áreas dos oásis e kasbahs.

A caminho da Garganta do Todra.

O pequeno Rio Todra rasgou as montanhas do Médio Atlas e construiu um cânion com paredões de 300 metros de altura. Chegamos num domingo e a região parecia um parque de diversões ao ar livre. No meio da “garganta”, um pequeno rio com águas cristalinas era o responsável por tudo.

A Garganta do Todra

O acesso à Garganta do Todra é complicado, pois um grande número de carros, vans e ônibus de turismo tentam chegar ao local, sem muita infraestrutura para estacionamentos. Havia uma multidão se divertindo no meio do cânion, na sua maioria jovens e grupos inteiros de famílias, dançando e cantando num domingo de primavera.

Muita gente se divertindo na Garganta do Todra.

Voltamos a Tinerhir e fomos direto para uma loja da cooperativa de tapetes local. Esses tapetes marroquinos da região do Médio Atlas são famosos. Na visita à loja os vendedores fazem uma palestra sobre os diversos tipos e qualidades dos tapetes e depois os turistas são convidados a comprar os produtos. É difícil resistir. Pechinchar é a regra de todo comércio de origem árabe.

A cooperativa de tapetes de Tinerhir

Seguimos viagem em direção a Ouarzazate. Fizemos uma parada em Boumaine du Dadès para fotografar o Vale do Dadès na região do Atlas Central. O vale é cercado por montanhas da cor vermelho-ferrugem e possui uma beleza especial.

O Vale do Dadès

Seguimos adiante até Kelaâ M’Gounna, no Vale das Rosas, famosa pelas rosas que são abundantes nessa região e por toda a indústria que surge a partir desse produto. Já na beira da estrada as rosas cor-de-rosa começam a aparecer nas proximidades da cidade. Paramos numa loja especializada na venda de subprodutos derivados das rosas, como cremes, perfumes, hidratantes, etc. Impossível resistir.

Produtos derivados da rosa.

Finalmente, 370 km depois de Merzouga e de um dia inteiro de viagem, chegamos a Ouarzazate, a maior cidade dessa região do Marrocos. Ouarzazate possui uma localização estratégica entre o deserto e a região do Atlas Central. Sempre foi local de parada das caravanas que comercializavam na região e por isso se desenvolveu.

Estúdio em Ouarzazate

O cinema se tornou a grande atração de Ouarzazate, que começou a decolar nessa arte a partir da década de 50, com o fim do protetorado francês. A cidade é chamada de Ouallywood, por causa dos grandes estúdios que possui. Ficamos hospedados no excelente Hotel Le Berbere Palace, uma espécie de resort urbano, onde ficam também as estrelas de Hollywood quando visitam a cidade, a trabalho ou não.

O Hotel Le Berbere Palace

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INICIANDO A ROTA DAS MIL KASBAHS

08 de abril de 2018

Depois de uma noite mística e especial dormindo sob as estrelas no Deserto do Saara, acordamos ainda de madrugada, antes do nascer do sol e saímos rapidamente com a caravana de camelos e o guia Ibrahim para assistir ao fenômeno do nascer do sol atrás das dunas do Erg Chebbi.

Acordamos de madrugada para ver o nascer do sol.

O nascer do sol sobre as dunas de Erg Chebbi

Mais uma vez tivemos uma experiência excepcional nas dunas de Erg Chebbi. Dezenas de pequenas caravanas de camelos faziam o mesmo que nós.

Dezenas de caravanas com turistas se deslocam para ver o nascer do sol.

Voltamos para o acampamento tuaregue onde tomamos um excelente café-da-manhã e seguimos viagem em direção ao sudoeste do Marrocos. O nosso destino no final do dia seria Ouarzazate, 370 km por uma boa estrada, a oeste de Merzouga.

Pegamos a estrada em direção a Ouarzazate.

Fizemos uma primeira parada na estrada para conhecer uma khettara, uma espécie de aqueduto usado pelos antigos povos berberes para conduzir água desde as montanhas até as cidades e áreas agrícolas mais distantes. O sistema consiste na escavação de túneis em grandes distâncias por onde a água poderia passar.

O sistema de transporte de água das khettara

No caminho dos túneis são colocados buracos de acesso que funcionavam como área de manutenção dos canais e válvula de escape para a hipótese de o volume de água aumentar muito.

O sistema de transporte de água das khettara

Esse sistema de canais foi desenvolvido originalmente na Pérsia Antiga e recebia o nome de Qanat. Aparece em todo o mundo árabe, com denominações diversas. Está em desuso por causa da grande perda de água do seu sistema. Hoje em dia o governo tem investido na criação de grandes barragens e açudes para armazenamento de água que pode ser usada para irrigação. A água é liberada em pequenos canais e cada aldeia pode utilizá-la por duas horas em cada dia.

Os túneis das khettara

Seguimos em direção ao oeste e fizemos uma parada na região do Oásis de Tinerhir, um dos mais extensos do Marrocos e famoso pelas seus densos palmeirais. A região de Tinerhir fica na entrada do Desfiladeiro do Todra. A aldeia possui casas em tom vermelho-ocre.

O Oásis de Tinerhir

O oásis é acompanhado por áreas urbanas e bastante cultivado. São lavouras simples e beneficiadas pelo sistema de irrigação existente e pelas águas do Rio Todra.

Agricultura familiar no Oásis de Tinerhir

Paramos na beira da estrada e fizemos uma pequena trilha pelo meio do oásis de Tinerhir. A caminhada por entre as palmeiras foi uma experiência rara e que nos colocou muito próximo do estilo de vida que os berberes têm nessas áreas dos oásis.

Caminhando pelo Oásis de Tinerhir

Essa região é conhecida como “Rota das Mil Kasbahs”, que se estende até a região de Marrakech. As Kasbahs estão por todos os lados. São casas fortificadas de origem berbere e comum nessa área ao norte do Saara, feitas de tijolos de adobe, estrumo e feno, que iam crescendo na proporção em que a população da família aumentava.

Uma Kasbah no Oásis de Tinerhir

As Kasbahs serviam para abrigar e proteger a comunidade e os seus animais, do clima e de outras ameaças dessas regiões, como os ataques das tribos subsaarianas. Algumas foram se transformando em edifícios imponentes e caracterizam a região. Possuem uma arquitetura própria, com formato retangular e torres de vigilâncias nas extremidades. Um conjunto de várias Kasbahs formam um Ksar.

O Oásis de Tinerhir com as gigantescas Kasbah ao fundo.

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DORMINDO SOB ESTRELAS NO DESERTO DO SAARA

07 de abril de 2018

Chegamos com o carro 4X4 até o centro de alojamentos do Hotel Xaluca nas dunas de Erg Chebbi e seguimos imediatamente para o passeio com os dromedários em direção ao coração das dunas. As nossas malas foram levadas pelo staff até o acampamento onde passaríamos a noite e nós chegaríamos lá ao anoitecer, juntamente com a caravana de dromedários.

As malas seguiram de carro e fomos de camelo.

O nosso guia de dromedários foi o Ibrahim. Um excelente guia para esse passeio, com um bom domínio sobre os animais e uma sensibilidade incrível para fotografias, o que facilitou a nossa vida, pois nos colocava sempre numa posição privilegiada para conseguir os melhores cliques.

O Excelente guia Ibrahim que comandou a nossa caravana no Saara.

Ibrahim decidiu subir na duna mais alta, para que o nosso grupo fosse o mais privilegiado. Num determinado ponto, quando a duna se tornou mais íngreme, os dromedários foram deixados para trás e seguimos a pé. A subida foi muito difícil, pois a cada passo que dávamos para frente, recuávamos dois, escorregando pela areia fina.

A difícil subida ao topo das dunas.

Conseguimos chegar ao topo da duna principal e ficamos ali admirando o incrível pôr-do-sol, refletindo sobre a imensidão daquele lugar e o papel dos deuses na sua construção.

O nosso grupo no topo da duna mais alta.

O nosso grupo no topo da duna mais alta.

Fizemos isso por quase uma hora, quando de repente começou a se formar uma tempestade de areia e Ibrahim achou que seria prudente retornarmos. É nesse momento de tempestade de areia que entendemos perfeitamente a importância do uso dos turbantes. Sempre que via fotos de brasileiros e outros ocidentais usando turbantes, achava que era apenas um charme para fazer um clique especial, depois da tempestade, entendi que são fundamentais.

Os turbantes são fundamentais para a convivência com o deserto.

Descemos as dunas e ainda contamos com o bom humor do Ibrahim que arrastou parte do grupo duna abaixo, simulando um tobogã.

Descendo das dunas num tapete.

No início da noite chegamos ao nosso acampamento. Um conjunto de tendas típicas e tradicionais armadas sobre a areia do deserto, uma ao lado da outra e formando um pátio central. Cada tenda forma uma suíte, com banheiro privativo. Eram 3 tendas para o nosso grupo e mais uma outra que funcionava como salão de restaurante onde jantamos e no dia seguinte tivemos o café-da-manhã.

As tendas onde dormimos.

Antes do jantar ficamos ao redor da fogueira, no pátio central do acampamento ouvindo e contando histórias sobre o deserto e seus povos. Houve música e dança improvisada para a noite.

As tendas onde dormimos.

As tendas são decoradas com tapetes marroquinos, mas a melhor das decorações está no céu estrelado sobre as tendas. Foi irresistível. Após o jantar, saímos para caminhar nas dunas sob as estrelas do deserto, nenhuma luz ofuscava o céu e o infinito do Saara era ainda mais encantador.

O anoitecer no Deserto.

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AS DUNAS DE ERG CHEBBI NO DESERTO DO SAARA

07 de abril de 2018

Estávamos na porta do Deserto do Saara, na região de Merzouga, a leste do espetacular conjunto de dunas de Erg Chebbi. Ficamos hospedados num acampamento berbere do grupo espanhol Xaluca que tem vários empreendimentos na região.

As dunas de Erg Chebbi

O Saara é o maior deserto do mundo. Como o conceito de desertos leva em consideração o índice pluviométrico do lugar, ele perde em área para as regiões polares e por isso às vezes é considerado o terceiro maior deserto “climático”, porém o maior de areias. É também o mais quente. Possui 9 milhões de quilômetros quadrados, é maior que o Brasil. Fica localizado no norte da África, desde o Egito até o Marrocos.

O Deserto do Saara

No Saara vivem cerca de 2,5 milhões de habitantes, muitos deles são tribos nômades como os tuaregues e berberes que se espalham por países como Líbia, Argélia e Marrocos dentre outros.

Povos do deserto.

Os tuaregues são povos berberes formados por agricultores, comerciantes e sobretudo pastores nômades do Deserto do Saara. Sempre controlaram as rotas de comércio através do deserto. A maioria dos habitantes do Saara são tuaregues. São muçulmanos e falam línguas berberes.

Tuaregues

O conjunto de dunas de Erg Chebbi é uma das principais atrações turísticas do Marrocos, têm aproximadamente 5 km de largura e 22 km de comprimento. As mais altas chegam a 250 metros de altura. Logo na chegada reunimos o nosso grupo para fazer o tão esperado passeio de dromedário para ver o pôr-do-sol sobre as dunas de Erg Chebbi.

Começamos o passeio pelas dunas.

O dromedário é o camelo árabe e se difere do camelo asiático, que é o mais tradicional. Aprendi com a música dos Titãs, que o dromedário tem apenas uma corcova enquanto que o camelo tem duas corcovas. Nessa região do Marrocos, os camelos são os árabes, de uma corcova. É na corcova que eles armazenam a gordura que lhes permitem sobreviver aos longos períodos de escassez. A água é acumulada na corrente sanguínea, onde os glóbulos vermelhos podem aumentar até duzentos e cinquenta por cento. São animais perfeitamente adaptados ao ecossistema dos desertos.

Os dromedários ou camelos árabes

Subir nas dunas de Erg Chebbi, nesse imenso mar de areias, deixa a clara sensação de que estamos no meio do deserto, pois não conseguimos ver nada além disso, em todos os horizontes.

O Deserto do Saara

Um erg é um conjunto de dunas. O Erg Chebbi ficou famoso pois foi ponto de passagem do Rally Paris-Dakar, e a sua imagem corria o mundo quando da realização das provas. Recentemente aconteceu aí a gravação de um vídeo clip de Anita e Paulo Vittar.

Erg Chebbi

Diz a lenda que uma família da antiga localidade de Merzouga recusou hospedagem para uma mulher e a seu filho que perambulavam pelo deserto e por isso foram castigados por Alá que soterrou a região com as areias do Saara, formando o Erg Chebbi.

O Deserto do Saara

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OS PRIMEIROS CONTATOS COM OS POVOS E A HISTÓRIA DO DESERTO DO SAARA

07 de abril de 2018

Estávamos em Erfoud, no sul do Marrocos, mas o nosso destino era o Deserto do Saara na região de Merzuga. Deixamos parte das nossas malas no hotel e seguimos pela manhã em direção a Rissani onde o Rio Ziz começa a desaparecer sob as areias do deserto. Pelo caminho, as tamareiras nos lembram que a água está logo ali no subsolo. Toda a região é uma continuação dos oásis que acompanham o Vale do Ziz.

As tamareiras estão por todos os lados em Erfoud

Rissani fica no local onde no passado existiu a importante cidade de Sijilmassa, o maior centro de comércio do norte do Saara a partir do século VIII quando era um local de concentração de mercadores transsaarianos, que negociavam ouro e escravos.

A cidade de Rissani

De Sijilmassa saiam caravanas com até 20 mil camelos em busca das minas de sal ao sul do deserto, no atual Mali. Daí seguiam até a Nigéria e Gana, onde 400g de sal eram trocadas por 30g de ouro africano. No século XII, o ouro do Sudão refinado em Sijilmassa chegou à Europa e a região se tornou ainda mais importante. Disputas internas destruíram a cidade no século XIV. Sijilmassa foi reconstruída pelo sultão Alauíta Moulay Ismail no século XVIII e destruída definitivamente em 1818. Hoje existem apenas algumas ruínas do que foi a cidade.

Artesanato em Rissani

Aí em Rissani fica o santuário e Mausoléu de Moulay Ali Cherif, o líder político que fundou a dinastia Alauíta que reina no Marrocos desde o século XVII até os dias atuais. A dinastia Alauíta é quem reina no país, desde 1666. O atual Rei do Marrocos é Mohammed VI, o 18º rei da dinastia Alauíta, filho e herdeiro de Hassan II, que reconquistou o Marrocos do Protetorado Francês e faleceu em 1999. Uma visita ao Mausoléu é obrigatória.

Visitando o Mausoléu de Moulay Ali Cherif

Saímos do Mausoléu e seguimos até o Museu de Fósseis e Minerais de Tahiri. Uma fábrica de fósseis nos arredores de Erfoud. Esses fósseis são explorados na região do Médio Atlas e se constituem numa atividade econômica importante para a região.

O Museu de Fósseis e Minerais de Tahiri

Voltamos para o hotel Xaluca, pegamos as malas e seguimos em carro 4X4 até Merzouga onde teríamos o primeiro contato com as grandes dunas de Erg Chebbi, no Deserto do Saara. Antes de chegar a Erg Chebbi paramos em um mirante nos arredores para admirar a beleza do conjunto dourado das dunas.

A primeira visão das dunas de Erg Chebbi

Seguimos direto para o acampamento do grupo Xaluca, o mesmo grupo do hotel em que estávamos hospedados em Erfoud, em cabanas berberes, para uma experiência única que é dormir uma noite no deserto.

Chegando ao acampamento do grupo Xaluca.

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O MARAVILHOSO OÁSIS DE ZIZ

06 de abril de 2018

Estávamos na estrada em direção ao Deserto do Saara, o destino era a cidade de Erfoud. Cruzamos a Cordilheira do Médio Atlas através da magnífica Garganta do Rio Ziz. Logo adiante o rio se deita numa grande barragem. A Barragem de Addakhill, do Rio Ziz, uma obra faraônica para regularizar parte do curso do rio e viabilizar projetos de irrigação nessa borda do deserto.

O vale do Rio Ziz

Logo depois da barragem chegamos a Er-Rachidia, a última grande cidade na direção do deserto. A cidade foi fundada nas margens do Rio Ziz, durante o período da ocupação francesa, quando serviu de base militar para a Legião Estrangeira, que controlava a partir daí as revoluções dos berberes e tuaregues contra os franceses. Ainda hoje possui uma forte presença militar.

A Barragem de Addakhill

Na beira da estrada no Médio Atlas passamos por uma floresta de cedros onde existem macacos residentes e cães selvagens que são alimentados por turistas e viajantes. De repente chegamos na borda do maravilhoso Oásis de Ziz, onde aparece um dos maiores parreirais do Marrocos. A imagem é impressionante e consegue emocionar.

O espetacular Oásis de Ziz

O Rio Ziz passa pequenino no meio do parreiral e nos faz imaginar a importância histórica que teve ao alimentar as caravanas de mercadores que vinham do interior da África até a costa do Marrocos. Os destaques ficam para as tâmaras grandes e saborosas. Apesar do fluxo intermitente, a água está sempre presente no subsolo.

As tamareiras são comuns no Oásis de Ziz

O Rio Ziz nasce no Médio Atlas, segue em direção ao Saara, no sul do Marrocos, se encontra com o Rio Rheris, perto de Merzouga e formam o Rio Daoura que se perde pelas areias do Deserto no Saara Argelino, nas dunas douradas de Merzouga. A sua trajetória incluindo o Daoura, chega a 450 km de extensão.

Detalhe do Oásis de Ziz

Nesse trecho, o Oásis de Ziz recebe o nome de Tafilalt e é considerado como um dos maiores do mundo. É o mais importante dos oásis do Saara Marroquino. Sempre foi um local de comércio da “Rota do Sal” entre o norte e o extremo sul do Marrocos. Por aí passavam o ouro, especiarias, sal, armas, tecidos, escravos e marfim que faziam o comércio entre a África Negra do Sudão, Mali, Niger e Golfo da Guiné até o Mediderrâneo.

As caravanas seguiam pela “Rota do Sal”

As caravanas saiam de Tafilalt e Tombuctu carregadas de tecidos, armas e especiarias e voltavam com sal, ouro e marfim. As caravanas levavam 60 dias de viagem através das dunas do deserto até o destino final.

Os berberes comandavam as caravanas pelo Deserto do Saara.

No final da tarde chegamos a Erfoud e seguimos para o excelente Hotel Xaluca, uma espécie de resort no meio do Deserto, que pertence a um grupo espanhol.

O excelente Hotel Xaluca na entrada do deserto.

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IFRANE, A SUÍÇA MARROQUINA

06 de abril de 2018

Saímos de Fez pela manhã bem cedo no sentido sul, em direção ao Deserto do Saara, próximo à fronteira com a Argélia. Foram 420 km de uma boa estrada, que percorremos ao longo de um dia inteiro. Nesse dia as atrações estavam na viagem e não no destino final.

Pegamos a estrada em direção ao Deserto do Saara.

Fizemos uma primeira parada na cidade de Ifrane, 70 km a sul de Fez, conhecida como a Suíça marroquina, pelo inusitado de ser uma estação de esqui no centro do Marrocos. A cidade fica no coração da cordilheira do Médio Atlas.

Detalhes de Ifrane

A cidade é organizada e moderna, foi construída pelos franceses nos anos 30, durante o período de domínio sobre o Marrocos, numa tentativa de criar uma cidade que lembrasse as estações de esqui dos Alpes franceses. Recebe milhares de turistas todos os anos, europeus e marroquinos, sobretudo na alta temporada do inverno e da estação de esqui.

A charmosa cidade de Ifrane

Ifrane possui casas com telhado vermelho em estilo suíço, muitos jardins, restaurantes, hotéis e sedia uma das mais importantes universidades do Marrocos, a Al-Akhawayn o que lhe dá um áurea sempre jovem.

Ifrane, a Suíça marroquina

Próximo ao Hotel Chamonix fica o Leão de Pedra, uma das atrações da cidade. O Leão foi esculpido por um soldado alemão durante a Segunda Guerra Mundial, quando Ifrane foi usada como campo de prisioneiros. A escultura homenageia o último leão selvagem do Atlas, que foi abatido a tiros nos arredores da cidade, no início dos anos 1920.

O Leão do Atlas

Tomamos um café, esticamos as pernas em Ifrane e seguimos adiante em direção ao sul do Marrocos. No caminho do Médio Atlas, passamos pelas cidades de Itzer e Zaïdia, cujo destaque ficou para a grande quantidade de cegonhas que existem na região. As cegonhas fazem ninhos nos telhados de quase todas as casas.

As cegonhas de Zaïdia

Paramos para almoçar num restaurante na beira da estrada e mais uma vez o menu foi a base de cuscuz marroquino, carne e legumes, cozidos na tagine.

As típicas Tagines Marroquinas

No início da tarde passamos pela Garganta do Ziz, um canyon encravado na Cordilheira do Médio Atlas. O Rio Ziz nasce nas montanhas e corre em direção ao deserto. Desaparece pelo caminho, mas antes que isso aconteça ele irriga uma área imensa da periferia do Deserto do Saara. O tempo geológico escavou um vale profundo com paisagens maravilhosas.

A Garganta do Ziz

A Cordilheira do Atlas é uma grande cadeia de montanhas no noroeste da África, que se estende desde o Marrocos até a Tunísia. Possui 2.400 km de extensão e a sua montanha mais alta possui 4.167m e fica no sul do Marrocos. Os Atlas separam o Deserto do litoral do Marrocos e impedem o Saara de alcançar a Europa.

A Cordilheira do Atlas

A cordilheira está dividida em três pedaços: o Anti Atlas que fica mais a sul, o Alto Atlas, na porção mais central do país e o Médio Atlas na porção noroeste. A Garganta do Ziz fica no Médio Atlas.

A Cordilheira do Médio Atlas.

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