ASSILAH, UM TESOURO ESCONDIDO NA COSTA DO MARROCOS

14 de abril de 2018

Saímos de Casablanca com destino a Tanger, onde passaríamos a nossa última noite no Marrocos. A viagem entre Casablanca e Tanger possui 340 km de uma boa estrada que deveríamos fazer em aproximadamente 4 horas. Na saída para Tanger, passamos no Rick’s Café para tirar fotos e lembrar do icônico filme “Casablanca”.

O Rick’s Café

O filme Casablanca eternizou a cidade na cultura ocidental. Quando visitamos a grande metrópole marroquina, não conseguimos ver nada daquilo que está no filme, mas não deixamos de sonhar com a Ingrid Bergman e Humphrey Bogard na sua história de amor. A fama da cidade vem daí e dá uma vontade imensa de ouvir “As Time Goes By”.

Cena icônica do filme Casablanca

Tiramos fotos na frente do Rick’s Café. Ele ainda existe, mas está totalmente descaracterizado. Como passamos pela manhã bem cedo, estava fechado e tivemos que nos contentar com as fotos externas.

O Rick’s Café

Saímos para Tanger pela estrada que acompanha o litoral. As áreas agrícolas do “Marrocos Verde” estão por todos os lados. As vastas planícies sedimentares com solo rico ficam protegidas pela Cordilheira dos Atlas, formando uma região muito fértil, bastante cultivada, com policultura.

Os vales férteis na estrada para Tanger.

Por sugestão do nosso excelente guia marroquino, Othman, decidimos parar em Assilah, uma cidadezinha litorânea que foi o ponto alto do dia. A cidade de origem portuguesa é uma maravilha escondida no Marrocos.

A charmosa cidade de Assilah

O pequeno balneário e vila de pescadores parece um dos povoados brancos das Ilhas Gregas. As casas brancas com portas e janelas azuis são um marco da cidade. Almoçamos num restaurante charmoso na beira do mar e o cardápio com paella e frutos do mar é espanhol.

As casas brancas de janelas azuis.

Circulamos pelos becos e ruelas da antiga Medina de Assilah o bairro é charmoso, muitas das casas foram transformadas em lojas de artesanato, lembranças do Marrocos, restaurantes, etc.

Lojinhas em Assilah.

Um dos destaques da Medina de Assilah é a presença dos murais pintados nos muros e fachadas das casas. Um convite à fotografia.

Murais pintados em Assilah

Depois de circular pelas ruelas de Assilah, seguimos até o píer, de onde se tem uma vista excelente dos muros da Medina. A cidade foi fundada pelos cartagineses, passou pelas mãos dos romanos, sofreu grande influência dos espanhóis até ser conquistada pelos portugueses em 1471. Os portugueses foram responsáveis por boa parte da arquitetura atual de Assilah, sobretudo os muros da Medina.

A vista do pier de Assilah.

Deixamos Assilah para trás com a “alma lavada”. Chegamos a Tanger no final da tarde e fizemos uma visita panorâmica à cidade. Tanger não era o nosso destino. Tínhamos ido até aí para atravessar o Estreito de Gibraltar, o que faríamos no dia seguinte. A cidade tem uma grande importância estratégica, pois está na borda do Estreito de Gibraltar e portanto, na entrada do Mar Mediterrâneo, possui uma forte ligação com a Europa, em especial com a Península Ibérica.

A orla de Tanger

Seguimos direto para o hotel e atravessamos toda a orla da cidade. Quando chegamos no destino, descobrimos que estávamos no hotel errado. Tivemos que voltar e adoramos, pois acabamos fazendo esse tour panorâmico pela orla da cidade.

A orla de Tanger

Ficamos impressionados com a orla de Tanger. Um imenso e moderno calçadão, com áreas de lazer completas.

Murais pintados em Assilah

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CASABLANCA, O “NINHO DOS CORSÁRIOS”

13 de abril de 2018

Casablanca é a maior cidade do Marrocos, uma grande metrópole cosmopolita que não está nos roteiros turísticos preferenciais do país pois tem fama de ser apenas uma cidade voltada para o trabalho, é a capital econômica do Marrocos. Não é tão exótica quanto Fez ou Marrakech, mas tem os seus encantos, hoje esbanja riqueza e sucesso.

Detalhe de Casablanca

Casablanca foi um antigo ninho de corsários e piratas, fica próximo à entrada do Mar Mediterrâneo e possui uma localização estratégica. Os piratas aterrorizavam os navios portugueses e espanhóis e por esse motivo, no início do século XVI, Portugal mandou uma grande armada para destruir e tomar conta em definitivo da cidade. Os portugueses construíram fortificações e renomearam o porto como Casablanca. A cidade possui hoje avenidas largas e uma orla marítima moderna, com grandes calçadões e áreas de lazer. Casablanca tem um estilo de vida ocidental e muito parecido com a cultura do sul da Europa.

Casablanca

O maior símbolo de Casablanca é a Grande Mesquita Hassan II, localizada sobre um afloramento rochoso, acima do oceano. A Mesquita sobre o mar foi uma interpretação de um versículo do alcorão feita pelo Rei Hassan II que dizia que “o trono de Deus está sobre o mar”. A decisão de construí-la foi do Rei Hassan II e foi financiada pela população do Marrocos, para comemorar o seu aniversário de 60 anos.

A Grande Mesquita Hassan II, de Casablanca

Na entrada da Mesquita fomos visitar o Museu ao lado da recepção, onde se adquire os tickets que dão direito às duas atrações, o museu e a mesquita. No museu estão expostos materiais que foram utilizados na sua construção. Grandes trabalhos em madeira e azulejos, feitos pelos maiores artesãos do Marrocos.

Detalhes da decoração da Mesquita estão expostos no Museu.

A Mesquita de Casablanca pode ser visitada por não muçulmanos, com tours guiados em vários idiomas. É gigantesca, a terceira maior do Mundo, possui capacidade para receber até 105 mil fiéis, 25 mil dentro da Mesquita e 80 mil nos pátios ao seu redor.

Fizemos um tour guiado pelo interior da Mesquita.

O que mais impressiona na Mesquita são as dimensões do salão de oração e a sua decoração rebuscada. No grande salão de orações cabe uma Catedral de Notre Dame de Paris ou uma Basílica de São Pedro de Roma. Mais de 6 mil mestres artesãos de Marrakech e Fez foram convocados para fazer os trabalhos de madeira e mosaicos de azulejos.

O maravilhoso salão de orações da Mesquita de Casablanca

Outro local que impressiona é o conjunto de salas de ablução, que tem capacidade de atender a todos os fieis que forem orar na Mesquita. Nas salas de ablução são colocadas fontes para purificação das mãos e pés dos fiéis, ritual que deve ser seguido antes de entrar no salão de orações.

As salas de ablução da Mesquita de Casablanca

Foi projetada e construída pelo arquiteto francês Michel Pinseau. A construção aconteceu em tempo recorde, em 6 anos. Foi erguida sobre pilares e em área de aterro, com alta tecnologia. Uma construção à prova de terremotos. O teto retrátil e as grandes portas são elevadas automaticamente.

Detalhes da decoração da Mesquita de Casablanca

Após a visita à Mesquita de Casablanca, seguimos para o bom Hotel Sofitel no bairro próximo ao porto e à Medina da cidade. Toda a área estava em obra, dificultando o acesso ao hotel. Jantamos no restaurante francês do hotel. Sem charme ou qualidade.

A maravilhosa Mesquita de Casablanca.

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O PALÁCIO BAHIA EM MARRAKECH

13 de abril de 2018

Começamos o dia fazendo a última visita ao interior da Medina de Marrakech. Fomos até o Palácio Bahia, uma atração que não tínhamos visto no dia anterior e que todos os relatos sobre a cidade colocavam como imperdível.

A entrada do Palácio Bahia em Marrakech

O Palácio Bahia, ou La Bahia, que significa “O Belo”, é um dos mais impressionantes de Marrakech, começou a ser construído pelo grão-vizir Si Moussa, em 1860, passou por grandes reformas e ampliações no final do século XIX. A decoração rebuscada e majestosa em estilo árabe-andaluz ou marroquino, acabou sendo usada pelo paxá Glaoui para impressionar os franceses no início do século XX.

A decoração rebuscada em estilo árabe-andaluz

Os franceses transformaram o Palácio Bahia na Residência Oficial do protetorado em Marrakech, durante a ocupação do país, na primeira metade do século XX. A área total dos jardins do Palácio é de 8 mil metros quadrados, possui 150 quartos que se abrem para diversos pátios e muitos deles podem ser visitados.

O pátio central do Palácio Bahia

No Palácio funcionou o harém de Ahmed Bem Musa, também conhecido como Bu Ahmed, que foi camareiro do grão-vizir Mulai Hassan e assumiu o controle do Palácio após a sua morte. Bu Ahmed tinha 4 esposas e 24 concubinas. O grande pátio central do Palácio era cercado pelos quartos das esposas e concubinas. Os trabalhos artesanais de madeira e azulejaria estão por todos os lados.

Detalhe do trabalho de madeira de um dos quartos.

O Palácio era ricamente decorado, mas quando Ahmed Bem Musa morreu em 1900, foi trancado, saqueado e pilhado por todos que viviam por aí. Houve uma verdadeira guerra entre os escravos e as mulheres do harém, pela disputa das obras de arte e móveis do La Bahia.

Detalhe da decoração do Palácio.

Saímos do Palácio Bahia e pegamos a estrada para Casablanca, foram 250 km que fizemos em aproximadamente três horas de viagem. À medida que viajávamos para o norte, em direção ao Mar Mediterrâneo, os campos se tornavam mais verdes e a fertilidade do solo era evidente, as áreas agrícolas estavam intensamente cultivadas por lavouras variadas. Chegamos em Casablanca e fomos almoçar no excelente restaurante El Cenador, na orla da cidade.

Detalhe do teto rebuscado no teto do Palácio Bahia.

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A MARAVILHOSA MEDINA DE MARRAKECH E A PRAÇA JEMAA EL-FNA

12 de abril de 2018

Nos caminhos da Medina de Marrakech aparecem os espetaculares mercados ou souks, que estão entre os melhores do Mundo. Em vários filmes ambientados no Marrocos, como nos de Indiana Jones, os souks e a Medina aparecem em destaque. Caminhar pelas ruelas e arriscar se perder no interior da Medina é uma das atrações da cidade.

A Medina de Marrakech

Os Souks são tão antigos quanto a cidade de Marrakech, pois desde o seu nascimento, ela se tornou um grande centro de comércio entre o interior do país e o litoral. Ponto de encontro entre o Saara e o Mediterrâneo.

Produtos em exposição no Mercado.

Por todos os cantos aparecem condimentos e especiarias vindas dos diversos cantos do mundo, muitas vezes arrumadas em belos cones de cores e tamanhos variados. Pó de açafrão, páprica, gengibre, cominho e canela criam um mosaico colorido e exalam um aroma especial para os mercados de Marrakech.

Especiarias na Medina de Marrakech

Os mercados são frequentados por turistas e cidadãos marroquinos, por isso também são comercializados itens de consumo cotidiano, como utensílios, roupas e alimentos produzidos na região. O souks fazem parte da cidade e estão perfeitamente integrados a ela.

Souks de Marrakech

Um dos princípios culturais do Islã é de que os animais precisam ser degolados para que a carne seja consumida. Essa carne obtida de abates com cuidados e procedimentos especiais é denominada carne helal. Pequenos açougues expõem a carne helal. O sangue que jorra da degola, elimina as toxinas e purifica a carne. Nos mercados muçulmanos é comum ver a degola de frangos sendo feita na hora e as cabeças degoladas dos cordeiros testemunham a qualidade da carne.

Carne helal na Medina de Marrakech

Existem 18 mercados principais na Medina de Marrakech e eles estão organizados por setores e grupos de artesãos e fornecedores específicos. Existem áreas para ferreiros, ourives, vidreiros, carpinteiros, alimentos, roupas, etc. As babuchas, os sapatos tradicionais marroquinos, estão por todos os lados.

As babuchas em exposição.

Um dos becos que impressiona bastante é o mercado e bazar de roupas usadas. Montanhas de roupas expostas e sendo vendidas em uma pequena praça pelos moradores da cidade.

O mercado e bazar de roupas usadas

Alguns dos souks mais importantes estão nos arredores da Praça Jemaa El-Fna, a mais importante de Marrakech e símbolo maior da cidade. O seu nome, em árabe, significa Congregação dos Mortos, numa alusão às execuções públicas que aconteciam aí no século XI.

A Praça Jemaa El-Fna

A Praça é efervescente, um verdadeiro teatro ao ar livre. Milhares de vendedores ambulantes, artistas, encantadores de serpentes se posicionam aí todos os dias para encantar turistas e moradores. No final da tarde o movimento aumenta e os grupos musicais aparecem.

Artistas de rua na Praça Jemaa El-Fna

O que mais chama a atenção dos turistas é a performance dos encantadores de serpentes, que tocam oboé e as cobras dançam ao som do instrumento. Separe umas moedas para observar o espetáculo e fotografar, os “encantadores” às vezes podem ser agressivos se não forem recompensados.

As serpentes encantadas.

Macacos, falcões, gaviões, camaleões, lagartos e outros animais, também estão em exposição na praça. Tatuadores de hena e vendedores de água com seus chapéus exóticos batendo nos copos de bronze chamam a atenção dos passantes.

Falcões na feira.

No final da tarde aparecem os chefs que montam restaurantes improvisados no meio da Praça. Alguns vendem comidas exóticas ou churrasco de carne helal. Hoje, a Jemaa El-Fna foi declarada como Obra-prima do Patrimônio Mundial pela UNESCO.

Obra-prima da UNESCO

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AS TUMBAS SAADIANAS NA MEDINA DE MARRAKECH

12 de abril de 2018

Entramos mais uma vez na Medina de Marrakech e seguimos direto para visitar os túmulos Saadianos, uma das mais importantes atrações da cidade e uma joia da arquitetura marroquina.

O pátio central do mausoléu dos Túmulos Saadianos.

O mausoléu foi construído pelo Sultão Saadiano Ahmed al-Mansour ed Dahbi, que não poupou despesas para erguer o seu próprio túmulo numa câmara com 12 pilares. O mármore foi importado da região de Carrara na Itália e posteriormente folheado a ouro.

O maravilhoso mausoléu dos Túmulos Saadianos.

Além do seu próprio túmulo, Al-Mansur construiu outros nos arredores do mesmo edifício, para os seus parentes mais próximos e outras celebridades. Príncipes, conselheiros e judeus de confiança ganharam destaque no conjunto funerário, mais próximo do coração do Sultão, que as suas esposas e filhos. O mausoléu da mãe do Sultão se destaca no meio do pátio e jardim.

Outros túmulos aparecem na mesma estrutura das Tumbas Saadianas.

Al- Mansur morreu em 1603, no auge do seu poder. Algumas décadas depois o Sultão Alauita Moulay Ismail ergueu grandes muralhas ao redor dos túmulos, para esconder a história dos seus antecessores. Os túmulos ficaram escondidos a abandonados por todos, pois o único acesso se dava por uma pequena passagem, até que fotografias aéreas expuseram a riqueza do mausoléu.

Grandes muralhas cercam as Tumbas Saadianas.

A visita às tumbas principais é um exercício de paciência, pois o acesso visual se dá por uma pequena porta, onde apenas duas pessoas por vez podem admirar os túmulos. As filas costumam ser grandes.

Grandes filas para visitar as Tumbas.

Saímos da visita aos Túmulos Saadianos e “mergulhamos” de vez no labirinto de ruelas da Medina de Marrakech. Os becos estreitos são charmosos e guardam verdadeiras obras de arte. O primeiro destaque fica para as portas das casas da Medina. Todas elas trabalhadas artisticamente e com detalhes diversos.

As portas seculares decoradas dão um charme aos becos da Medina.

Passamos pelo Bairro Judeu com as suas casas típicas, onde havia um ponto comercial na parte de baixo e a residência da família no segundo piso.

As casas típicas do Bairro Judeu

Entre os becos e ruelas aparecem arcos decorados com arte marroquina por onde passam motocicletas a toda velocidade. Quando elas passam, turistas e cidadãos marroquinos precisam ficar espremidos contra a parede para se proteger. Os pilotos são acostumados a essas passagens e não existem relatos de acidentes frequentes.

As motos passam a toda velocidade pelos becos da Medina.

Fizemos uma primeira parada em um autêntico supermercado de artesanatos, o Complexe d’artensanat ET’s Bouchaib, uma imensa loja de artesanatos e a única onde os preços estão expostos e não há barganhas e descontos. Na loja tem de tudo. Muitos produtos têm claramente uma aparência “chinesa”, mas dá para encontrar uma boa lembrança do Marrocos.

Detalhe do gigantesco supermercados de artesanato da Medina de Marrakech.

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A MESQUITA KOUTOUBIA EM MARRAKECH

12 de abril de 2018

Passamos o dia inteiro visitando a Medina de Marrakech. Saímos andando do hotel em direção à Mesquita Koutoubia, a mais importante da cidade e um dos referenciais de templos religiosos do Marrocos. A mesquita não pode ser visitada internamente. O acesso é proibido para não muçulmanos. O seu nome significa Mesquita dos Livreiros, numa alusão aos vendedores de livros que costumavam ficar nos arredores do templo, quando da sua construção.

A Mesquita Koutoubia domina a paisagem de Marrakech.

A mesquita do século XII possui um imenso minarete com 70 metros de altura, é a construção mais alta de Marrakech e pode ser vista de qualquer canto da cidade. Acabou se tornando uma referência na arquitetura internacional.

O Minarete da Mesquita

O minarete da Mesquita Koutoubia serviu de protótipo para a construção da Mesquita de Sevilha, que mais tarde foi destruída e no seu local foi construída a Catedral da cidade. O alto minarete foi transformado na torre La Giralda, que marca a Catedral. A Mesquita de Rabat também foi inspirada na de Marrakech, mas jamais foi concluída. O minarete foi transformado na Tour Hassan de Rabat, no Marrocos.

Detalhe de porta lateral da mesquita.

Escavações feitas nos arredores da Mesquita confirmaram que o primeiro templo implantado aí foi demolido pois não estava inteiramente alinhado com Meca. Os detalhes arquitetônicos da atual mesquita construída pelos almoádas são rebuscados e de uma beleza sem igual.

Detalhes da decoração do minarete.

No alto do minarete, os alto-falantes chamam os fiéis para rezar, 5 vezes por dia. Quando isso acontece, os muçulmanos ajoelham-se em direção a Meca para orar.

Do alto do minarete, os auto-falantes chamam os fiéis para rezar.

Logo após a mesquita existe um grande e bem cuidado jardim que se torna área de lazer para os cidadãos de Marrakech. Como não podemos visitar a mesquita, o passeio no jardim é uma boa alternativa.

O jardim atrás da mesquita

No meio do jardim os turistas são abordados pelos coloridos vendedores de água, personagens folclóricos que lembram uma tradição antiga da cidade onde a água sempre foi um produto escasso. Os vendedores de água sempre estiveram presentes nos mercados de Marrakech, hoje sofrem a concorrências da água mineral na garrafinha e se transformaram em personagens do folclore da cidade, que os turistas adoram fotografar. Os vendedores oferecem água fresca armazenada numa bolsa de couro de camelo e servem em copos de bronze, em troca de algumas moedas.

Os vendedores de água.

Voltamos para o interior da Medina e seguimos até os muros da ruína do Palácio el Badi, ou Palácio do Imcomparável. Construído no século XVI pelo sultão saadiano Ahmed al-Mansur para comemorar a vitória sobre Portugal na batalha de Alcácer-Quibir, o palácio hoje se encontra em ruínas.

A muralha do Palácio el Badi

Fizemos apenas uma visita externa, mas que permite entender a grandiosidade do lugar. Após a queda dos Saadianos e ascensão da dinastia Alauíta, o palácio entrou em decadência. Resta apenas um grande pátio interno e algumas ruínas dos edifícios.

A muralha do Palácio el Badi

Ao lado do Palácio Badi, entramos numa típica farmácia de produtos naturais de Marrakech, para uma exposição detalhada sobre as ervas e produtos curativos do Marrocos, em especial o óleo de argan. Faz parte do turismo de compras e ninguém resiste aos cosméticos, perfumes, hidratantes e outros produtos naturais.

A farmácia de produtos marroquinos.

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O JARDIM MAJORELLE E OS JARDINS DA MENARA, EM MARRAKECH

11 de abril de 2018

O estilista Yves Saint Laurent foi morar em Marrakech em 1964, onde viveu com o seu parceiro Pierre Bergé. Eles compraram um enorme casarão azul na periferia da cidade, com a ideia de preservar e potencializar o imenso jardim construído pelo seu antigo proprietário, o pintor de paisagens Jacques Majorelle e mantê-lo aberto ao público.

O Museu Yves Saint Laurent e o Jardim Majorelle

O Jardim Majorelle possui mais de 3000 espécies de plantas dos cinco continentes. A cor azul do casarão desenvolvida por Jacques Majorelle foi utilizada por Saint Laurent em muitas das suas coleções e passou a ser conhecida como “Azul-Majorelle”.

O Jardim Majorelle

O jardim foi criado por Jacques Majorelle em 1931, inspirado nos jardins islâmicos do interior da Medina de Marrakech, e adquirido por Yves Saint Laurent em 1980, que criou a fundação Jardim Majorelle para administrá-lo.

Cactos no Jardim Majorelle

Dentro dos jardins existe um Museu de Arte Berbere com mais de 600 peças de madeira, couro, tapetes, metais e tecidos dos povos do interior do Marrocos, além de instrumentos musicais e trajes tradicionais das tribos berberes.

Detalhes do Jardim Majorelle

O Jardim é um dos lugares mais visitados de Marrakech. A visita termina com uma boutique onde existem livros e objetos alusivos aos jardins e à obra de Yves Saint Laurent.

A boutique do Jardim Majorelle

Saímos do Jardim Majorelle e fomos até os Jardins da Menara, outro ícone de Marrakech. Os Jardins da Menara é um grande parque público, intensamente visitado pelos moradores de Marrakech. Nos domingos, feriados ou períodos de férias, o parque fica sempre lotado pelas famílias e turistas marroquinos que vão visitar a cidade.

Os Jardins de Menara

O parque fica ao redor de uma grande lâmina d’água que surgiu com a formação de um lago artificial que coleta a água vinda da Cordilheira dos Atlas, a 30 km dali. O objetivo era armazenar água para a cidade. Numa das pontas da lâmina d’água existe um belo pavilhão do século XVI com telhado verde de formato piramidal, que deu nome aos jardins. O pavilhão foi construído pela dinastia Saadiana e reformado no século XIX.

A lâmina d’água com o pavilhão dos jardins de Menara ao fundo.

Toda a área é cercada por um grande pomar e conjunto de oliveiras, debaixo das quais as famílias fazem piquenique.

As famílias se divertem no pomar de oliveiras.

Saímos dos Jardins da Menara e fomos para o nosso hotel, o Le Jardin de La Koutoubia, na entrada da Medina de Marrakech e bem pertinho da Mesquita La Koutoubia. O hotel além de bem localizado, é excelente, possui um belo pátio central e alguns restaurantes especiais.

O Excelente hotel Le Jardin de La Koutoubia

Nesta noite decidimos não nos arriscar pelos labirintos da Medina de Marrakech, preferimos sair para jantar num bom restaurante. Escolhemos o La Ville des Orangers, um restaurante francês do Hotel La Mamounia, conceituado como um dos mais famosos e melhores de Marrakech. Não foi essa a nossa avaliação, o restaurante foi muito caro e o serviço e qualidade da comida deixou muito a desejar. Apesar do Hotel La Mamounia ficar fora da Medina, a distância do nosso hotel era relativamente pequena, preferimos ir e voltar caminhando, sem nenhuma sensação de insegurança.

Detalhe do Jardim Majorelle

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ESTÁVAMOS PRÁ LÁ DE MARRAKECH

11 de abril de 2018

Saímos de Ouarzazate em direção ao centro do Marrocos, o destino no final do dia seria Marrakech, mas a estrada nos apresentou surpresas agradáveis. O Alto Atlas é a cadeia de montanhas mais alta do Marrocos, cruza o país ao meio em diagonal por mais de mil quilômetros. A sul, o Deserto do Saara e os seus arredores, a norte os vales férteis do Magreb.

A estrada sinuosa que corta o Alto Atlas.

Durante a primavera e outono a região é um paraíso para trilheiros. No inverno, a neve cai com intensidade e dificulta o acesso à região. Nessa época o turismo para o deserto fica prejudicado, pois por vários momentos as estradas ficam interditadas, em compensação surgem as estações de esqui e outros esportes de inverno.

O tempo no alto das montanhas é sempre muito frio e úmido.

A estrada é sinuosa e precisa ser percorrida com muito cuidado. O nosso motorista Abdou era um expert e nos deixou bastante à vontade e confiantes. Os rios que nascem no Alto Atlas e correm para o norte, em direção a Marrakech, são perenes, já os que vão para o sul, em direção ao Saara, na sua maioria desaparecem sob a areia.

Muitos rios nascem na região do Alto Atlas.

Quando atravessamos a parte mais alta dos Atlas, a paisagem muda abruptamente e os férteis vales do Marrocos começam a aparecer com áreas agrícolas totalmente cultivadas.

Muitos patamares agrícolas nas encostas das montanhas.

Percorremos os 200 km de distância entre Ouarzazate e Marrakech em aproximadamente 4h, por causa das dificuldades com a estrada. Boa parte dela estava em obras para duplicação.

Chegamos a Marrakech, a cidade cor-de-rosa.

Chegamos a Marrakech e fomos almoçar no centro. A cidade é frenética e movimentada, impressiona desde a chegada. Avenidas largas e a inconfundível cor de tons avermelhados das suas casas e edifícios. A Mesquita Koutoubia domina toda a paisagem urbana da cidade.

A Mesquita Koutoubia domina a paisagem de Marrakech.

Marrakech, a “Pérola do Sul”, é uma das cidades imperiais do Marrocos, a segunda mais antiga. Foi fundada pelos berberes almorávidas no final do século XI e passou a centralizar o comércio entre o interior da África e a Europa e já no século XII, com a dinastia Almoada, viveu momentos de grande esplendor. Hoje é a maior atração turística do país. Nos dias mais claros a cordilheira dos Atlas, com os seus picos cobertos de neve, serve de moldura para a paisagem urbana.

Detalhe de Marrakech.

Após o almoço, seguimos direto para conhecer o Jardim Majorelle, a primeira visita que decidimos fazer na cidade. Como o complexo dos jardins fica fora da Medina, preferimos fazer assim para no dia seguinte nos dedicarmos totalmente ao centro histórico de Marrakech.

O Jardim Majorelle

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A MAGNÍFICA KASBAH AÏT BEN HADDOU, EM OUARZAZATE

10 de abril de 2018

Estávamos em Ouarzazate. Seguimos para o Vale do Ounila para conhecer a magnífica Kasbah Aït Ben Haddou do século VIII, uma das mais importantes do Marrocos.

A Kasbah Aït Ben Haddou

As Kasbahs são casas fortificadas de origem berbere e comuns nessa área ao norte do Saara, feitas de tijolos de adobe, estrumo e feno, que iam crescendo na proporção em que a população da família aumentava, como um conjunto de legos.

Kasbah Aït Ben Haddou

As Kasbahs serviam para abrigar e proteger a comunidade e os seus animais, do clima e de outras ameaças dessas regiões, como os ataques das tribos subsaarianas. Algumas foram se transformando em edifícios imponentes. Possuem uma arquitetura própria, com formato retangular e torres de vigilâncias nas extremidades. Um conjunto de várias Kasbahs formam um Ksar. Aït Ben Haddou é um impressionante Ksar.

A arquitetura das Kasbahs é única.

A Kasbah Aït Ben Haddou é considerada um Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO, já foi cenário para dezenas de filmes, dentre eles, Lawrence da Arábia, Gladiador e Game Of Thrones.

Detalhe da Kasbah Aït Ben Haddou

Na base dessa Kasbah foi implantado o coliseu cenográfico do filme Gladiador. No seu interior existe um labirinto de ruelas e becos com lojas de artesanato e lembranças do Marrocos.

Esse foi o cenário para o filme Coliseu

A arquitetura é impressionante e o local fica no alto de uma colina, na beira de um rio, o que possibilita um cenário todo especial.

A Kasbah Aït Bem Haddou

Músico berbere na Kasbah Aït Bem Haddou

Na cidade de Ouarzazate, a Kasbah mais impressionante é a Taourirt, uma das mais bem preservadas do país. Foi propriedade da família Glaoui, que controlava o comércio e acesso ao Médio Atlas. Apoiaram e foram protegidos pelos franceses no sul do Marrocos, durante a ocupação.

A Kasbah Taourirt em Ouarzazate.

Fica no centro da cidade e até 1956 era ocupada por um califa, suas quatro mulheres oficiais e outras dez concubinas, que foi nomeado pelos franceses como governante do sul do Marrocos durante a ocupação. Hoje funciona como museu e pode ser visitada. No seu interior, ornamentos berberes e uma arquitetura que permite compreender um pouco da vida dentro de uma Kasbah.

A Kasbah Taourirt em Ouarzazate.

Depois de visitar a Kasbah Aït Ben Haddou, começamos a voltar para Ouarzazate. Paramos no Atlas Film Corporation Studios, um dos estúdios de gravação que existem na periferia da cidade e podem ser visitados. Foi o primeiro de “Ouallywood”, criado em 1983. No estúdio existem cenários e objetos de filmes que foram gravados aí, como Joias do Nilo, Cruzadas e Kundun.

O Atlas Film Corporation Studios

No meio da nossa visita ao Atlas Studios, fomos surpreendidos por uma tempestade de areia. Tivemos que nos proteger. No final da tarde voltamos para o excelente Hotel Le Berbere Palace.

Cenário em “Ouallywood”

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ATRAVESSANDO O ANTI ATLAS EM DIREÇÃO A OUARZAZATE

10 de abril de 2018

Estávamos em Zagora, no sul do Marrocos, perto da fronteira com a Argélia. Saímos cedo com destino a Ouarzazate, cidade que tínhamos passado no dia anterior. A viagem segue em direção à cordilheira de montanhas do Anti Atlas. Paramos em alguns mirantes da estrada que cruza a cordilheira, para admirar esse espetáculo da natureza

O nosso guia marroquino Othman, aproveitando a paisagem do Anti Atlas.

A Cordilheira do Atlas é uma grande cadeia de montanhas no noroeste da África, que se estende desde o Marrocos até a Tunísia. Possui 2.400 km de extensão e a sua montanha mais alta possui 4.167m e fica no sul do Marrocos. Os Atlas separam o Deserto do litoral do Marrocos e impede o Saara de alcançar a Europa.

Cordilheira do Anti Atlas

A cordilheira está dividida em três pedaços: o Anti Atlas que fica mais a sul, o Alto Atlas, na porção mais central do país e o Médio Atlas na porção noroeste. Nessa região do Anti Atlas é possível ver a ação da orogênese sobre as rochas retorcidas que formam as montanhas.

A rocha dobrada do Anti Atlas.

No caminho, passamos pela cidade de Agdz onde fomos forçados a parar o carro, pois havia um bloqueio na estrada e não sabíamos sobre o que se tratava. De repente apareceu um grupo vestindo roupas típicas locais, tocando e dançando músicas regionais. Descemos do carro e aproveitamos esse momento único que a estrada nos deu.

Os marroquinos dançavam e cantavam em Agdz.

Uma festa no meio da rua. Os marroquinos dançavam e cantavam em Agdz.

Somente depois de algum tempo, viemos a entender o que estava acontecendo. A cidade estava preparada para receber os atletas do Marrocos Titan Desert, uma competição de bike, que percorre mais de mil quilômetros por montanhas e desertos no interior do Marrocos.

Os atletas do Marrocos Titan Desert

Ficamos ali na beira do asfalto assistindo o espetáculo feitos pelos atletas de Mountain Bike que passaram rapidamente, misturados com o povo do Marrocos.

Mulher marroquina filmando o tour de bike.

Chegamos a Ouarzazate no início da tarde. A cidade é jovem, foi fundada em 1928 e é a maior dessa região do Marrocos, possui uma localização estratégica entre o deserto e a região do Atlas Central. Durante séculos as caravanas que passavam pelo Atlas e pelos vales do Draa e do Dadès se encontravam para fazer negócio na Kasbah Taourirt e isso ajudou a criar a cidade.

Chegando a Ouarzazate.

O cinema se tornou a grande atração de Ouarzazate, que começou a decolar nessa arte a partir da década de 50, com o fim do protetorado francês. A paisagem do deserto, a luz excelente e sempre presente, facilitaram essas escolhas sobretudo para filmes ambientados em regiões desérticas como Tibet, Roma Antiga, Egito, Somália e Palestina. A cidade é chamada de Ouallywood, por causa dos grandes estúdios que possui.

O restaurante Chez Dimitri

Paramos para almoçar no bom restaurante Chez Dimitri de cozinha europeia, uma mistura de culinária italiana e francesa. Nas paredes do restaurante, muitas fotos de artistas e sets de filmagem que aconteceram por aí.

Detalhe de um dos estúdios de Ouarzazate.

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