DESCENDO O MONTE RORAIMA – por Maíra Nery

6º Dia

Ao fim do dia, o tempo virou o Macunaíma nos presentou com chuva e vento. Choveu muito durante a noite e o Roraima amanheceu envolto em uma névoa. Como de costume, nos levantamos por volta das 05:30 para voltarmos ao Hotel Sucre, passando antes pelo El Fosso.

Amanhecer

Diferente do Lago Gladys, é possível tomar banho no El Fosso, mas o volume de água estava muito alto por causa da chuva. Além disso, a coragem de entrar na água gelada com o tempo fechado abandonou o grupo.

El Fosso

Esse dia a caminhada foi bastante pesada, com muito vento e muita neblina, mas a chuva deu uma trégua.

Trilha na Neblina

Chegamos no Sucre e sol apareceu: banho do dia garantido! Ao fim da tarde, nos sentamos para o “chá das cinco” e Luizito, nosso guia, nos contou um pouco de sua experiência como guia e um pouco da realidade da Venezuela. A paixão pelo que faz, a real adoração, não só pelo Roraima, mas pela natureza e por seus país, são evidentes e cativantes. Ver o Monte Roraima por seus olhos e viver essa experiência tendo-o como guia, tornaram a viagem ainda mais especial.

 

 

Nossos guias Luizito e Chel

7º dia

O último dia no Monte Roraima é o mais tranquilo. Fomos aos pontos mais próximos do acampamento. Macunaíma nos presentou com um dia lindo e aproveitamos para ir bem cedo a Janela do Kukenán. Uma vista incrível do Tepuy “irmão” do Roraima.

Janela para o Kukenán

Dali passamos pelas jacuzzis: poças d’águas douradas formadas nas rochas do Roraima. Um excelente (gelado) lugar para tomar banho!

Jacuzzi

Da jacuzzis fomos ao ponto mais alto do Roraima: o Maverick. Tem esse nome porque de longe parece que tem o carro do mesmo nome no seu topo (explicação para quem não entende muito de carro, como eu). Do Maverick, voltamos para o acampamento para descansar e se preparar para a descida.

Vista do Maverick.

A descida

A descida do Monte Roraima foi muito mais pesada do que a subida. O percurso que fizemos na ida em três dias, fizemos em 2 na volta. A primeira parte extremamente íngreme sacrifica os joelhos.

Início da descida

No primeiro dia descemos até o campo base, onde fazemos uma pausa para o almoço e depois seguimos até o nosso último acampamento à beiro do rio.

Siesta no Campo Base

Chegamos ao acampamento ao fim da tarde. Banho de rio para refrescar e cerveja para brindar a despedida! No dia seguinte, irámos percorrer 15 km até à Reserva Paratepuy.

Último Acampamento

Levantamos cedo porque a caminhada seria toda no sol. Miti nos presenteou com uma última aula de alongamento em um nascer do sol lindo e agradecemos a experiência e encontro únicos.

Alongamento comandado pela Miti

O esforço, a superação, a beleza inóspita, a natureza em seu estado bruto eao mesmo tempo singelo, fez da expedição algo extraordinário. Éramos 9 pessoas, cada uma ali por uma razão diferente, mas com um objetivo único que era sair do comum. Fomos guiados por 2 anjos, Luizito e Chel, que tornaram tudo ainda mais especial. E tivemos o apoio de uma equipe de indígenas venezuelanos, que nos encantou a todos. O Monte Roraima estará para sempre na memória e no coração.

Só gratidão

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EXPLORANDO O MONTE RORAIMA – por Maíra Nery

4º dia de trilha

Deixamos o Hotel Sucre e partimos em direção a face brasileira do Monte Roraima, para o Hotel Coati. O dia amanheceu lindo, céu azul! Como o tempo na montanha é muito instável, aproveitamos o bom tempo, fizemos um pequeno desvio na rota e paramos em um mirante.

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Monte Roraima

Muito difícil descrever e as fotos não conseguem captar a imensidão da vista: estávamos literalmente a cima das nuvens! Uma das vistas mais bonitas do Monte Roraima.

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Um pouquinho do que estava por vir

A medida que o sol esquenta, as nuvens sobem e “adentram” o  Roraima, em um ballet impressionante.

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Mirante Kukenán

Depois dessa parada estratégica, partimos em direção ao ponto tríplice. O Monte Roraima está situado na divisa entre Brasil, Venezuela e Guiana, sendo 85% de sua extensão pertencente a Venezuela, 10% à Guiana e 5% ao Brasil.

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Ponto Tríplice

Do Ponto tríplice, fomos em direção ao destino final do dia: Hotel Coati. Essa trilha é um pouco mais puxada. Não existe uma trilha em si, mas um caminho saltitando sobre as pedras, que parecem terem sido colocadas meticulosamente no caminho, como em um vídeo game do Mario Bros.

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Trilha no Monte Roraima

A caminho da face brasileira, passamos ainda pelo vale dos cristais. Os cristais começam a aparecer aos poucos, de forma bem tímida, até que passamos a caminhar sobre uma trilha repleta deles. O Monte Roraima havia sido área de mineração intensa, onde vários indígenas trabalhavam como mineradores. Hoje é proibida a retirada dos cristais e as mochilas podem ser inspecionadas na descida.

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Vale dos Cristais

Chegamos ao Hotel Coati por volta das 14:00. O Acampamento é montado dentro de uma gruta. Como de costume, banho, comida e descanso, nessa ordem.

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Hotel Coati

Ao fim do dia, fomos a um mirante que, caso a tempo ajudasse, iríamos ver o nascer do sol no dia seguinte. São Pedro definitivamente estava do nosso lado e o nascer do sol foi uma das coisas mais espetaculares que vi na vida.

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Fim de tarde no Coati

5º dia de trilha

Acordamos mais cedo do que de costume, às 4:00h da manhã, para tentar ver o nascer do sol. Café preto para aquecer e partimos em direção ao mirante, há cerca de 15 min de caminhada.

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Nascer do sol

Essa viagem me tocou de diversas formas, por motivos que não sei explicar, me emocionou algumas vezes e a aurora no alto do Roraima foi uma dessas vezes.

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Nascer do sol

Chegamos ao mirante ainda noite, e aos poucos o sol foi surgindo no horizonte. De início de maneira bem sutil, clareando o mar de nuvens e aos poucos deixando o seu furta-cor, até que o sol surgiu. Descrição e fotos não fazem jus ao espetáculo. A natureza mais uma vez nos mostrando todo seu esplendor.

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Nascer do sol

Depois de retornar ao acampamento e tomar café, partimos em direção ao Lago Gladys, no outro estremo do Roraima. No caminho passamos pelo jardim dos bonsais, arbustos típicos do Monte Roraima, e pelo rio que divide a fronteira em o Brasil e a Guiana.

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Floresta de Bonsai

Apesar de ter amanhecido com o céu limpo para apreciarmos o amanhecer, o tempo fechou. É impressionante ver o vai e vem das nuvens e a velocidade de como elas “entram” e “saem” do Roraima.

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O lago Gladys fica dentro de um fosso. Não há fonte de água no Monte Roraima. Toda água do Tepuy, que forma os lagos, os rios, é proveniente da chuva. Como pegamos uma semana seca, as caminhadas ficaram um pouco mais tranquilas com os pés secos.

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Fronteira entre o Brasil e a Guiana

Retornando para nossa última noite no Coati, paramos em um rio para tomar banho e almoçar. No fim do dia fomos presentados com pipoca no lanche da tarde e à noite se deu literalmente em um hotel mil estrelas.

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Fim de tarde no Coati

 

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ALTO DO MOURA, A TERRA DO MESTRE VITALINO

23 de junho de 2017

A localidade do Alto do Moura é um subúrbio de Caruaru, em Pernambuco. É famosa pela tradição na produção do artesanato de barro com figuras decorativas. A maioria das pessoas que vivem no Alto do Moura, direta ou indiretamente tem a sua renda impactada por essa atividade.

Alto do Moura, a terra do Mestre Vitalino

São muitas as lojas de artesanato que aparecem ao longo da rua e parte da sua produção é vendida também na Feira de Caruaru, em Recife, em outros mercados de artesanato espalhados pelo Brasil ou até mesmo exportada para alguns países da Europa e da América Latina.

Loja de artesanato de barro no Alto do Moura

A modelagem do barro era uma atividade comum na localidade do Alto do Moura, onde há mais de cem anos se produz panelas de barro e outros utensílios de cozinha. Os pais do Mestre Vitalino faziam esse tipo de trabalho para vender na Feira de Caruaru. O menino Vitalino Pereira dos Santos começou a fazer brinquedos de criança com a sobra do barro. Vitalino nasceu 1909 em Caruaru. Como a produção de brinquedos do menino Vitalino era grande, seus pais começaram a vender o excedente na Feira de Caruaru e o resultado foi um sucesso. As peças começaram a ser utilizadas como elementos decorativos.

Artesanato de barro do Alto do Moura

Vitalino ficou famoso a partir do final da década de 40, quando os seus trabalhos foram apresentados na Exposição de Cerâmica Popular de Pernambuco, no Rio de Janeiro, em 1947, a partir daí seguiram para outras exposições no Brasil e na Europa. Os seus bonecos de barro ficaram conhecidos como arte figurativa. Retratavam cenas do cotidiano do cidadão e do folclore nordestino. As músicas de Luiz Gonzaga que falavam do Mestre Vitalino, ajudaram a divulgar a sua arte.

Os trabalhos de barro do Mestre Vitalino

A casa onde viveu foi transformada em Museu. A Casa Museu Mestre Vitalino é simples mas emociona. Possui instrumentos de trabalho e alguns móveis e utensílios da época em que ele viveu ali. No Museu é possível comprar algumas réplicas das peças originais do artesão. As peças em destaque ficam para: O Violeiro, O Enterro na Rede, O Cavalo-marinho, O Casal no Boi, o Caçador de Onça e A Família Lavrando a Terra.

A Casa Museu Mestre Vitalino

Réplica de peça original do Mestre Vitalino

Mestre Vitalino morreu em Pernambuco em 1963. A sua arte inspirou outros artesãos que seguiram no mesmo caminho e deram continuidade ao seu trabalho. Muitos deles são do Alto do Moura e passaram a técnica, de forma hereditária, para várias gerações. Nos entornos do Museu funcionam muitas lojas e oficinas desses artesãos.

Muitas famílias do Alto do Moura deram continuidade ao trabalho do Mestre Vitalino

No Alto do Moura existe uma Associação dos Mestres do Barro, com aulas práticas, onde é possível encontrar alguns artesãos trabalhando durante as visitas dos turistas. Aí também pode-se adquirir algumas peças produzidas na hora.

A Associação dos Mestres do Barro

O clima de festa no Alto do Moura às vésperas do São João era contagiante. Havia apresentações de Quadrilhas Juninas e grupos de Bacamarteiros, que são fortes no folclore nordestino.

Quadrilhas juninas no Alto do Moura.

Saímos do Alto do Moura com vontade de ficar. Fomos até a Feira de Caruaru. Ficamos impressionados com o movimento frenético da cidade nos arredores da feira. Caruaru, além do artesanato famoso, é um polo de confecções importante no agreste pernambucano. Atrai gente de todo o Brasil, que vai a Caruaru para comprar roupas baratas e de qualidade, para serem vendidas nos quatro cantos do país.

Voltamos com vontade de ficar.

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CHEGANDO A GRAVATÁ. A SUÍÇA PERNAMBUCANA

22 de junho de 2017

Decidimos passar o São João em Gravatá, Pernambuco. Os netos estavam por lá e isso justificava deixar a Bahia para passar o São João em Pernambuco. Gravatá é apelidada “a Suíça brasileira” ou “Suíça pernambucana”, é a mania de grandeza dos pernambucanos. A cidade fica no alto do Planalto da Borborema e, no inverno, faz um friozinho, para quem está acostumado com o calor do Nordeste.

Fomos passar o São João com os netos em Gravatá.

Os pernambucanos levam tão a sério essa história de “Suíça brasileira”, que constroem casas em forma de chalés, fazem fondue no inverno e usam roupas excessivamente protegidas para um frio, que não é tão grande assim. As temperaturas podem chegar a 15ºC no inverno com sensação térmica de até 10ºC.

Condomínio de sítios em Gravatá

A cidade fica a 88 km do Recife, pela Estrada do Forró, ou Rodovia Luiz Gonzaga, e 450 metros acima do nível do mar. Possui uma boa infraestrutura turística, com muitos hotéis e pousadas. Quando nos aproximamos de Gravatá, já conseguimos ver uma grande quantidade de condomínios de sítios e casas, que normalmente pertencem a moradores de Recife. Essas casas e sítios são frequentadas durante os finais de semana, sobretudo no inverno. É uma maneira de experimentar a vida no campo, sem a necessidade de ter uma fazenda de verdade. Muitos desses condomínios possuem estruturas rurais básicas. Estábulos, currais, etc.

Estábulo de condomínio em Gravatá.

Ficamos hospedados numa casa alugada por André e Nanda (genro e filha), no Gravatá Country, um condomínio de casas, dos mais badalados de Gravatá. O condomínio possui uma excelente estrutura para lazer familiar. Clube social, parque infantil, estábulos, etc. Estava incluso no “pacote”, uma bela festa de São João.

Fogueira de São João na festa em Gravatá

Como estávamos a apenas 50 km de Caruaru, decidimos sair pela manhã para conhecer a “Capital do Agreste” de Pernambuco. Já nos entornos de Caruaru, o tamanho da cidade e o impacto dos arranha-céus, impressiona. Caruaru tem vários edifícios muito altos, o que não é comum numa cidade do interior do Nordeste.

Chegamos ao Alto do Moura

Por sugestão de uma amiga de Recife, seguimos direto para o Alto do Moura, um subúrbio de Caruaru, que se tornou famoso por ser o local onde nasceu o Mestre Vitalino.

Chegando ao Alto do Moura

Já na chegada ao Alto do Moura, chama a atenção, a grande quantidade de estacionamentos nos arredores do lugar. A sensação que temos é de que eles estavam aguardando uma multidão. Como fomos pela manhã, ainda pegamos a cidade um pouco vazia, mas a multidão iria chegar à tarde.

A rua principal do Alto do Moura ainda estava vazia, mas aguardava muita gente.

A área que visitamos no Alto do Moura, é apenas uma pequena rua, porém a quantidade de bares e restaurantes que existem é muito grande , o que confirma mais uma vez a infraestrutura preparada para receber uma multidão para a festa.

Fomos passar o São João em Gravatá

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CHEGANDO AO PARAÍSO PERDIDO, MONTE RORAIMA – por Maíra Nery

3º Dia de trilha

Levantamos as 05:30 da manhã para nos preparamos para, finalmente, subir ao Monte Roraima. Apesar da trilha ser muito mais íngreme do que as anteriores, no fim das contas, foi menos cansativa. Grande parte dela é dentro da mata, então a sombra ajuda bastante.

Kukenán ao amanhecer

O Monte Roraima é o Tepuy mais alto da Venezuela e possui 32 km² de extensão. Na base do Monte Roraima,  a altitude é de aproximadamente 1.800 m. Para chegar ao topo, caminhamos cerca de 5 km e subimos mais 1.000 m de altitude.

Olhando para cima , do acampamento base, parece quase impossível chegar lá em cima por aquele paredão de pedra imponente.  De baixo, é possível ver a trilha que percorreremos ao longo da muralha e a ansiedade só aumenta.

Trilha até o topo do Monte Roraima

 

Começamos a subida pouco antes das 7:00 da manhã. A trilha em si já é um presente a parte: a primeira etapa, toda dentro da mata. Tivemos sorte de não ter chovido e o caminho estar seco. Quando chove, nosso guia nos disse que a subida é praticamente por meio de um rio.

Trilha Monte Roraima

Mais ou menos na metade do caminho temos nosso primeiro contato com o Monte Roraima. Nesse lugar há uma pequena queda d’água que utilizamos para reabastecer o cantil. Toda água que bebemos durante os 7 dias de trilha, pegamos dos córregos.

Bromélia

É nesse ponto, quando podemos tocar o Monte Roraima pela primeira vez, é que pedimos “permiso” à montanha para subirmos. Toda preparação, todo caminho, toda paisagem, todo respeito que indígenas e guias têm pelo Monte e pela natureza comovem. Oração feita, permissão solicitada, é hora de continuar pela parte mais íngreme da trilha.

Giana e Sandro pedindo ‘permiso’

 

Antes de atingir o topo do Monte, passamos por baixo de uma cachoeira intermitente que existe no Roraima:  ‘Paso de las Lágrimas’. Como pegamos um período que havia chovido pouco, ela estava quase “sem lágrimas” e passamos com muita tranquilidade, para minha tristeza e alegria da Dani!

Última subida. Paso de las Lágrimas

Quatro horas de caminhada e finalmente chegamos e entramos no Paraíso Perdido. A vista lá em cima é incrível!

Eu, o Monte Roraima e a vista

Não só a vista do horizonte impressiona, mas também do Roraima em si. Algo completamente diferente do que já tinha visto. A formação rochosa preta, por conta de uma bactéria presente no ambiente, com inúmeras pedras, nos mais inusitados formatos e os inúmeros declives é vista por toda extensão do Roraima. A sensação é de ter voltado no tempo de retornado a origem da Terra.

Pausa para admirar a vista, fotos e lanche, não necessariamente nessa ordem, partimos por mais 40 min de caminhada até nosso primeiro hotel: Sucre. O Monte Roraima tem vários “hotéis” que são os sítios propícios para montar acampamento. Quando chegamos no Sucre, nosso acampamento já estava montado. Banho gelado enquanto o corpo está quente, almoço e descanso para o próximo dia, quando começaríamos a explorar o Roraima.

Hotel Sucre

 

A ideia de subir o Monte Roraima surgiu de fazer algo completamente diferente do que estávamos acostumados, e a viagem realmente proporcionou isso: desconectar do mundo e conectar-se com a natureza, ou como disse o sábio Luizito, conectar-se com o mundo de verdade.

Monte Roraima

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CAMPO BASE DO MONTE RORAIMA – por Maíra Nery

1º dia – No café da manhã, nos encontramos com nossos guias, Luizito e Chel, que foram nossos anjos da guarda durante a expedição. Após algumas orientações, subimos nos carros 4×4 em direção à Paratepuy, a cerca de 87km de Santa Helena, Comunidade Indígena e ponto de partida para a trilha. É em Paratepuy que está localizada a cooperativa indígena onde são contratadas as equipes de apoio e logística para o acampamento e carregadores.

Chegando em Paratepuy com o Monte Roraima no horizonte

Os carregadores são contratados para quem optar por não carregar a mochila cargueira e levar somente a mochila de ataque. É recomendado para quem não tem muita experiência com trilhas, como foi o meu caso, uma vez que a trilha é bem pesada, com muitas pedras  e fendas no caminho. Cada carregador pode levar até 15kg. Como eu e a Giana (minha amiga parceira para aventuras)  fomos bem econômicas nas nossas mochilas, contratamos um carregador para nós duas. As mochilas e mantimentos são carregados em cestos de palha típicos.

A Caminho do Monte Roraima – Carregador

Apesar de ser recomendada a contração de carregador, até como forma de  aumentar a renda da comunidade, é possível levar a própria mochila. Na nossa equipe tivemos 2 bravos que tiraram a tarefa de letra!

1º dia de trilha e a Dani dando show de resistência com a mochila

Uma vez que a equipe foi selecionada, partimos para o início da caminhada. O primeiro dia é o único dia que iniciamos a trilha, tarde, em torno do meio dia. Os dias seguintes começarão bem mais cedo, em torno das 5 da manhã.

A caminho do 1º acampamento: Kukenan.

 

Foram 5 horas de trilha e cerca de 15 km até o primeiro acampamento, à margem do rio Kukenán. Caminhada tranquila, mas com muitas subidas.

Acampamento Kukenán

Chegando no acampamento, banho no Rio Kukenán e um leve ataque dos Puri-Puri, mosquitinhos diabólicos que ficam à espreita dos trilheiros na beira do rio. A recomendação era esperar o anoitecer até que se dissipassem, mas como água gelada não é meu forte, optei por enfrentar os Puri-Puri e a água gelada em quanto o corpo ainda estava quente.

Rio Kukeán

2º dia – Levantamos às 05:30 para desmontar acampamento e partimos às 07:45 até o acampamento base, onde passaríamos a segunda noite. O 2º dia a trilha é um pouco mais pesada, pois não há uma sombra sequer. Foram 8 km de caminhada até a base do Monte Roraima. Durante todo o percurso a visão é do Monte Roraima e do Kukenán cada vez mais próximos. Agora o Monte Roraima está bem pertinho e já dá para ver a trilha que nos levará ao topo.

Chegamos ao acampamento por volta das 13:00 e fomos direto para o banho mais gelado da trilha! Dois dias de trilha, dois banhos tomados! 100% de aproveitamento! Depois do almoço, descansar para o dia seguinte, que seria o mais puxado.

Por do Sol na Base do Monte Roraima

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A CAMINHO DO MONTE RORAIMA – por Maíra Nery

A ideia de conhecer o Monte Roraima veio de uma revista da TAM de uns dois anos atrás, mas somente se materializou em 2016. A reportagem encantou e a vontade de ir ficou adormecida. Como dizem, tudo acontece no tempo certo. E sem dúvida essa viagem não poderia ter acontecido em melhor hora: grupo, guias, tempo, tudo convergiu para que a viagem fosse inesquecível.

Monte Roraima

O Monte Roraima está situado entre o Brasil, Venezuela e a Guiana, sendo que 80% deste pertence a Venezuela. A subida se dá pelo lado Venezuelano, onde o acesso é mais fácil, daí a necessidade de cruzar a fronteira.

Com 32 km de extensão, o Monte Roraima constitui o que os indígenas venezuelanos chamam de Tepuy, formação rochosa e chapada bem característica na região. Ao lado esquerdo do Monte Roraima, está o Tepuy Matauy, mais conhecido como Kukenán, nome da queda d’água intermitente que brota em uma de suas paredes quando chove. Durante a trilha até a subida do Monte os dois tepuys proporcionam uma vista espetacular.

Monte Roraima e Kukenan

Ao todo, foram 12 dias de viagem, 9 dias de trilha. Saímos de Brasília para Boa Vista, no dia 02 de outubro, domingo de eleições. Em Boa Vista, tudo fechado em razão da votação, o que nos fez ficar pelo hotel. Ficamos hospedados no Hotel Aipana, hotel onde aconteceria o briefing antes de partir para Venezuela.

No segundo dia, pela manhã, durante o briefing, foram esclarecidos pontos importantes da expedição, como alimentação, acampamento, banho, contratação de carregadores e detalhes sobre o dia a dia da trilha. Nesse momento que conhecemos nossos companheiros de aventura. Ao todo, éramos 9 pessoas e um único objetivo: desconectar-se da cidade, conectar-se da natureza e superar limites.

Os aventureiros a caminho do Monte Roraima. Hotel Anaconda – Venezuela.

Logo no início da tarde partimos para Pacaraima, à 150 km de Boa Vista, fronteira do Brasil com a Venezuela, onde faríamos o câmbio e a imigração. Tínhamos que chegar antes da 16:00 na cidade uma vez que a fronteira estava fechando uma hora mais cedo em razão da crise econômica e política enfrentada pelo país.

Fronteira Brasil – Venezuela

Imigração bem tranquila, hora de trocar reais por bolívares. Não existe uma agência de câmbio. Este é feito no meio da rodoviária. A agência liga para a pessoa responsável pelo câmbio e ela chega com, literalmente, sacos de dinheiro. A desvalorização da moeda venezuelana é absurda e as notas são de baixo valor, o que obriga as pessoas a andarem com sacos de dinheiro, principalmente na fronteira, onde não há opção de pagamento com cartão de crédito.

400 reais

De Pacaraima, cruzamos a fronteira e chegamos a Santa helena de Uarén, onde passamos a noite. Ficamos hospedamos no hotel Anaconda. O hotel, aparentemente, foi um resort de luxo, mas hoje se encontra um pouco descuidado. Recomendações de não sair do hotel atendidas, em razão da violência, nos preparamos para sair bem cedinho no dia seguinte, quando partiríamos para trilha.

Hotel Anaconda – Santa Helena de Uarén

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GALERIA VOTTORIO EMANUELE II, A SALA DE VISITAS DE MILÃO

19 de maio de 2017

Na principal praça de Milão, a Piazza del Duomo, fica a Galeria Vittorio Emanuelle II, ao lado da Catedral. A mais famosa galeria da cidade é considerada como o shopping mais antigo do mundo.

A Galeria Vittorio Emanuele II

A Galeria Vittorio Emanuele II é conhecida como Il Salotto di Milano, “A Sala de Visitas de Milão”. Foi inaugurada em 1877, tem formato de cruz com um centro octogonal adornado por mosaicos representando quatro continentes: Europa, América, África e Ásia. O telhado de metal e vidro foi uma técnica pioneira para o século XIX.

Lojas sofisticadas na Galeria

O telhado de vidro é uma das atrações da arquitetura da Galeria Vittorio Emanuele II. Possui um belo domo central. Foi primeira estrutura da Itália a usar metal e vidro.

A cúpula de vidro da Galeria

No piso destacam-se os mosaicos com os signos do zodíaco.

Mosaicos no piso.

Possui inúmeras lojas de grifes e é um centro de badalação de turistas e locais. O fato de Milão ser considerada a “capital” mundial da moda e do design, atrai para a cidade, muitos jovens aspirantes de “top models” e muitas dessas jovens costumam passear pela Vittorio Emanuelle II.

Vitrine de loja na galeria

Deixamos a Galeria Vittorio Emanuele II para trás e seguimos andando até o bom restaurante Giacomo Bistrot, onde fizemos o jantar de despedida da viagem. No dia seguinte voltaríamos para Salvador. Pegamos um voo da Air Europa, de duas horas, de Milão para Madri e após uma conexão de duas horas seguimos para Salvador em mais um voo de oito horas até chegarmos em casa.

O Restaurante Giacomo Bistrot

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A MAGNÍFICA CATEDRAL DE MILÃO

19 de maio de 2017

A viagem estava chegando ao fim. Fizemos um giro por um pedaço da Europa. Começamos pelo Leste Europeu, depois uma “Road Trip” pelo interior da Áustria e da Suíça, finalizando em Florença. Saímos de Florença pela estação Santa Maria Novella, onde pegamos um Trem de Alta Velocidade para Milão. A viagem é de aproximadamente duas horas, num trem super confortável.

Seguimos de Trem Bala de Florença para Milão.

Chegamos a Milão no início da tarde. Milão é a segunda maior cidade da Itália, é a mais cosmopolita e famosa como a capital da moda e do design. Fica na região da Lombardia, ao norte da península, a mais rica região da Itália. A Lombardia está localizada entre os Alpes, na fronteira com a Suíça, e o Vale do Rio Pó. Milão fica no centro da principal área industrial e financeira da Itália e possui a maior economia do país.

Milão fica entre os Alpes e a Planície do Rio Pó.

Seguimos da estação para o bom Hotel Dei Cavalieri. Muito bem localizado. No coração do centro histórico, pertinho da Piazza del Duomo.

Teríamos apenas uma tarde na cidade. Deixamos as malas no hotel e seguimos para o Duomo de Milão. Essa era a terceira vez que visitava a cidade e nunca tinha entrado na igreja. Dessa vez compramos os tickets de acesso com antecedência e fomos visitar a Catedral. Não haveria necessidade da compra antecipada, pois não existiam filas na bilheteria. O ticket que compramos dava acesso ao interior da igreja, ao elevador que leva aos telhados e ao museu anexo à Catedral. Fizemos os dois primeiros programas e deixamos o museu de fora. Não teríamos tempo para isso.

O Duomo de Milão

A Catedral de Milão é um colosso da arquitetura gótica europeia. Possui 157 metros de comprimento e 109 metros de largura. No interior, chega a 45 metros de altura. Começou a ser construída em 1386 e levou cerca de 500 anos para ser concluída.

A gigantesca Catedral de Milão.

Na fachada, a imensa porta principal possui um excelente trabalho em baixo relevo, que conta a vida da Virgem Maria e a própria história da cidade.

A grande porta de entrada da Catedral de Milão.

Hoje, no interior da Catedral aparece uma réplica da Madoninna, uma escultura dourada colossal, cuja original fica na ponta da agulha mais alta da catedral e é o símbolo maior dos milaneses. A estátua é dedicada a Nossa Senhora. A réplica fica hoje na nave principal, foi feita como parte das comemorações da Expo Milão 2015, e é um dos lugares mais visitados da igreja.

A réplica da Madoninna

Outro local bastante visitado é a cripta de São Carlo, que morreu em Milão e é o padroeiro da cidade. Os restos mortais do santo estão no interior da Catedral.

Cripta de São Carlo

Depois que visitamos a Catedral, seguimos para a grande torre, onde pegamos um elevador que leva aos telhados da igreja. Lá de cima temos uma bela vista da cidade e sobretudo da Praça do Duomo. O que mais chama a atenção, porém é a exuberância de detalhes das igrejas góticas.

O Fabuloso telhado da Catedral de Milão.

Na Catedral existem 136 colunas agulhadas, cada uma delas possui uma escultura de um Santo na ponta.

As agulhas da Catedral de Milão.

São muitas as gárgulas e quimeras que aparecem na estrutura da Catedral. As gárgulas e quimeras são figuras mitológicas de aspecto monstruoso, sendo que as gárgulas tinham uma função estrutural, pois serviam para escoamento das águas pluviais que caiam sobre o telhado da Catedral, enquanto que as quimeras tinham apenas uma função decorativa.

Quimeras decorativas na Catedral de Milão.

Um dos destaques da Catedral é a estátua de São Bartolomeu. Fica na parte de dentro da igreja, no fundo da nave direita, indo em direção ao altar mor. São Bartolomeu carrega a sua pele, arrancada como opção de martírio.

A famosa estátua de São Bartolomeu da Catedral de Milão

Lá do alto da Catedral, a profusão de detalhes arquitetônicos e de engenharia impressiona.

Detalhe arquitetônico do telhado da Catedral de Milão.

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A BASÍLICA DA SANTA CROCE, O PANTEÃO DAS GLÓRIAS ITALIANAS

18 de maio de 2017

Começamos o dia em Florença visitando a Piazzale Michelangelo, onde fica o mirante da cidade. Lá de cima dá para ter uma vista espetacular de Florença, o belo Rio Arno e todo o seu centro histórico. É a melhor vista da cidade, com um panorama magnífico.

A Piazzale Michelangelo

No centro da Praça, mais uma réplica do David de Michelangelo e algumas barracas com venda de suvenires. A bela vista da cidade atrai um grande número de turistas.

As melhores vistas de Florença aparecem do mirante da Praça Michelangelo.

Descemos a colina andando até o Rio Arno, atravessamos a Ponte alle Grazie, de onde se tem uma bela vista da Ponte Vecchio e seguimos até a Basílica da Santa Croce.

A Ponte Vecchio

 

A Basílica da Santa Croce é apelidada de O Panteão das Glórias Italianas. Uma igreja que impressiona e traduz toda a energia da cidade. Começou a ser construída em 1294. A grande atração é a presença dos túmulos de alguns dos moradores mais importantes de Florença. São ao todo, 276 tumbas. Algumas especiais. Lá dentro, lado a lado, estão enterrados Michelangelo, Galileu Galilei, Maquiavel, Rossini, dentre outros.

A impressionante Basílica da Santa Croce

O interior da Santa Croce é cheio de túmulos e mausoléus. Existem 16 capelas muito bem decoradas e algumas delas homenageiam os florentinos famosos. Michelangelo morreu em Roma, em 1564, mas o seu corpo foi trazido para Florença e enterrado na Santa Croce.

O túmulo de Michelangelo na Basílica da Santa Croce

Galileu Galilei nasceu em Florença, no ano em que Michelangelo morreu, 1564. Astrônomo fenomenal, defendeu a teoria de que a Terra girava em torno do Sol e não ao contrário. Por isso foi julgado e condenado pela Santa Inquisição. O seu corpo ficou abandonado por muitos anos, apenas em 1737 foi levado para a Basílica da Santa Croce e ganhou um lugar de destaque em frente a Michelangelo.

Mausoléu dedicado a Galileu Galilei

Nicolau Maquiavel viveu em Florença entre os séculos XIV e XV. Foi político, filósofo e escritor. O autor de “O Príncipe” foi conselheiro e influenciou a família dos Medici por muitos anos.

Túmulo de Nicolau Maquiavel

Dante Alighieri é outro florentino imortal. Autor de “A Divina Comédia”, também tem um espaço na Basílica, mas curiosamente o monumento está vazio, pois Dante está enterrado em Ravena, onde morreu em 1321.

Mausoléu de Dante Alighieri

A Basílica é famosa também pelos afrescos de Giotto que estão em algumas das capelas da igreja. Giotto foi o mais importante dos artistas medievais. Foi ele quem deu os primeiros passos em direção ao Renascimento Cultural.

O altar mor da Basílica da Santa Croce

Uma das obras de arte mais importante da Basílica é o Crucifixo de Cimabue, na sacristia. Muitas das obras de arte da Basílica de Santa Croce ficaram bastante danificadas com a grande enchente do Rio Arno de 1966. O Crucifixo de 1280 foi engolido pelas águas e depois restaurado.

O Crucifixo de Cimabue

Saímos da Santa Croce, circulamos um pouco pela cidade e voltamos para o hotel, pois tínhamos que nos preparar para o casamento dos amigos Paula Duarte e Ewerton Visco, realizado num típico palacete secular, nas colinas da Toscana, nos arredores de Florença. Uma noite maravilhosa compartilhada com amigos.

Um Belo casamento em Florença

A Basílica da Santa Croce em Florença

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