09 de abril de 2018
Saímos pela manhã de Ouarzazate para Zagora rumo ao sul do Marrocos, próximo à fronteira com Argélia e Saara Ocidental. Essa região fica no extremo sul do país e vive um conflito e indefinição política que cria problemas para o Marrocos.
No passado, essa ponta do extremo noroeste da África estava dividida em dois territórios: o Marrocos, que era um protetorado francês e o Saara Ocidental, um protetorado espanhol. O Marrocos se tornou independente da França no início dos anos 50 e no Saara Ocidental começou uma forte luta pela independência, comandada, sobretudo pelo grupo revolucionário, Frente Polisário. A Espanha desistiu do território e o Marrocos aproveitou a confusão e a desistência da Espanha pelo território e anexou o Saara Ocidental, mas até hoje várias tribos locais não reconhecem essa unificação. A ONU não reconhece a região do Saara Ocidental como sendo marroquina e sim como uma região ainda em disputa.
Os conflitos políticos continuam, muitos deles estimulados pela Argélia, que apoiando tribos rebeldes, sonha com um acesso ao Oceano Atlântico. Esse é o principal motivo de hostilidades entre ambos. A região é rica em pescados e possui grandes reservas de fosfato e petróleo.
Existe um cessar fogo vigente desde 1991 entre o Marrocos, as tribos rebeldes e grupos separatistas da Frente Polisário, mas em nosso caminho para o sul, deu para perceber o clima tenso e a excessiva militarização da região.
Seguimos em direção ao Vale do Rio Draa, um rio estreito, que nasce na região do Alto Atlas e corre para desaparecer no Deserto do Saara, como muitos outros do país.
Fizemos uma primeira parada num mirante sobre o Oásis de Draa. O Rio Draa desaparece em alguns trechos sob a areia do deserto e reaparece mais adiante, formando imensos palmeirais cheios de tamareiras.
Essa região do Oásis de Draa foi um dos principais centros de convergência das caravanas que atravessavam o Deserto do Saara para comercializar com os países do norte da África, na região subsaariana.
Do Vale do Draa até a cidade de Tumbuctu, hoje na República do Mali, as caravanas com milhares de camelos levavam 52 dias pela imensidão do deserto, trocando sal por ouro e outros produtos. Esse comércio fez do Marrocos um importante entreposto entre a África e a Europa.
Deixamos o Vale do Draa para trás e seguimos através da região do Anti Atlas até a localidade de M’Hamid que fica a 40 km da tensa fronteira com a Argélia.
