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Chegamos em Busan, no litoral da Coreia do Sul

04 de abril de 2026

Mar agitado no Mar do Japão

Durante a travessia entre o Japão e a Coreia do Sul, enfrentamos um trecho agitado no Mar do Japão. Já sabíamos que o tempo iria mudar quando chegássemos à Coreia, mas o vento forte e ondas grandes foram uma surpresa. A mudança nas condições do mar contrastou com os dias anteriores de navegação tranquila. Pela manhã, chegamos ao porto de Busan, o mais importante da Coreia do Sul e um dos mais movimentados da Ásia. Do porto, já ficamos impressionados com uma cidade dinâmica, com grande estrutura portuária, áreas industriais e um entorno urbano que surpreende, com edifícios modernos e grandes estruturas. A chegada em Busan, marca a saída do Japão e por isso precisamos fazer todo o protocolo de imigração. Estávamos entrando na Coreia do Sul, mesmo que por apenas algumas horas.

Chegando a Busan

Busan, o principal porto da Coreia do Sul

Busan é a segunda maior cidade da Coreia do Sul e seu principal centro portuário. Localizada no sudeste do país, combina áreas urbanas densas com relevo montanhoso. A cidade é dinâmica, com forte atividade comercial e industrial, mas também com espaços voltados para o turismo, como praias, mercados e áreas culturais. A organização urbana acompanha o relevo, com vias que se adaptam às encostas e à linha costeira. Depois de Tóquio, Busan foi a primeira grande cidade, onde paramos ao longo desse Cruzeiro de navegação ao redor do Japão. Apresenta um ritmo mais acelerado do que outras cidades do roteiro, refletindo seu papel econômico e logístico dentro da Coreia do Sul. Pela manhã, enfrentamos um período de chuva intensa, que acabou influenciando o ritmo da visita.

Busan é a segunda maior cidade da Coreia do Sul

A formação histórica da Coreia

A história da Coreia remonta a milhares de anos, com a formação de reinos antigos que disputaram o controle da península. A região foi unificada pela Dinastia Joseon (1392–1910), período de estabilidade política, desenvolvimento cultural e forte influência do confucionismo. No início do século XX, a Coreia foi ocupada pelo Japão (1910–1945), o que marcou profundamente sua trajetória. Após a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, em 1945, a Coreia deixou de ser uma colônia japonesa, situação em que estava desde 1910. Com o colapso japonês, surgiu a necessidade de organizar a rendição das tropas e definir quem administraria temporariamente a península. A divisão foi decidida principalmente pelos Estados Unidos e pela União Soviética, as duas grandes potências vencedoras da guerra. Os americanos propuseram uma linha de separação provisória no paralelo 38, praticamente às pressas, em agosto de 1945.

A história da Coreia

As divisões contemporâneas: Coreia do Norte e Coreia do Sul

A ideia inicial não era criar dois países permanentes, mas apenas dividir as áreas de ocupação militar para receber a rendição japonesa: os soviéticos ocupariam o norte e os americanos o sul. A União Soviética aceitou a proposta. No norte, a ocupação foi coordenada pelos soviéticos, que apoiaram lideranças comunistas, especialmente Kim Il-sung. No sul, os americanos administraram a região com apoio militar e político dos EUA, incentivando um governo alinhado ao capitalismo e ao Ocidente, liderado depois por Syngman Rhee. Com o início da Guerra Fria, as tensões aumentaram, e a divisão provisória acabou se transformando em definitiva. Em 1948 surgiram oficialmente dois países: a Coreia do Norte, socialista, e a Coreia do Sul, capitalista.

As duas Coreias

O desenvolvimento econômico e social da Coreia do Sul

A Coreia do Sul ocupa a porção sul da península coreana e se consolidou, nas últimas décadas, como uma das economias mais desenvolvidas da Ásia. Após a Guerra da Coreia, o país passou por um processo acelerado de industrialização e urbanização, transformando-se em um importante centro tecnológico e industrial, tendo recebido um forte apoio financeiro e tecnológico dos Estados Unidos, nessa fase do pós-guerra. Passou a integrar um status geopolítico de “Tigre Asiático”, numa alusão aos países do sudeste da Ásia, que tiveram forte expansão econômica após a Segunda Guerra. Cidades como Seul e Busan refletem esse crescimento, com infraestrutura moderna e forte atividade econômica. Ao mesmo tempo, a Coreia do Sul preserva elementos culturais tradicionais, visíveis em templos, palácios e práticas do cotidiano. Essa combinação entre modernização e tradição define a identidade do país e sua presença no cenário internacional.

Coreia do Sul, um “Tigre Asiático”

O Museu Marítimo Nacional da Coreia

Estava chovendo muito, e em função da chuva, mudamos o roteiro que inicialmente estava previsto pelo departamento de excursões do navio e que envolvia mais áreas livres. Seguimos para o National Maritime Museum of Korea, que reúne exposições dedicadas à história marítima do mundo e do país. O espaço apresenta a evolução da navegação, da pesca e do comércio naval, com maquetes, embarcações e conteúdos interativos. Ao longo da visita, é possível entender como o mar sempre teve papel central na formação econômica e cultural da Coreia do Sul. O museu também aborda rotas comerciais, tecnologia naval e a relação contemporânea do país com o oceano. A estrutura é moderna e bem-organizada, permitindo uma leitura clara dos temas ao longo do percurso.

O Museu Marítimo Nacional da Coreia

Rota de Tóquio para Joseon: as conexões históricas pelo mar

A rota entre Tóquio e o antigo reino de Joseon, correspondente à atual Coreia do Sul, é um dos destaques. Sempre teve importância estratégica e comercial. Historicamente, essas conexões eram feitas por via marítima, atravessando o Mar do Japão, ligando portos japoneses a cidades como Busan. Daí a relação estreita e umbilical entre Japão e Coreia. Ao longo dos séculos, essa rota foi utilizada tanto para trocas comerciais quanto para missões diplomáticas e militares, refletindo períodos de aproximação e, também de tensão entre os dois territórios.

Rota de Tóquio para Joseon

A Cartografia e a Coreia

Um dos destaques do Museu é a ala dedicada à cartografia. A cartografia da Coreia reflete tanto aspectos geográficos quanto históricos e geopolíticos. Ao longo dos séculos, mapas produzidos durante a Dinastia Joseon já demonstravam preocupação com a organização do território, destacando montanhas, rios e rotas de comunicação. Com o avanço do contato com o exterior, especialmente com a China e, posteriormente, com o Japão e países ocidentais, os mapas passaram a incorporar técnicas mais precisas.

A Cartografia e a Coreia

O aquário

O aquário do Museu Marítimo Nacional da Coreia complementa a experiência do museu ao apresentar a relação histórica e cultural da Coreia com o mar também sob uma perspectiva ambiental e biológica. Integrado ao complexo museológico de Busan, o aquário funciona como uma extensão natural da narrativa do museu, conectando navegação, pesca, comércio marítimo e preservação dos ecossistemas oceânicos.

O aquário do Museu Marítimo Nacional da Coreia

Mercado de Peixes de Busan: dinâmica e tradição local

Saímos do Museu e seguimos caminhando pelas ruas de Busan. Visitamos o Jagalchi Fish Market, o principal mercado de frutos do mar de Busan. O espaço reúne uma grande variedade de peixes, mariscos e outros produtos frescos, expostos em bancas organizadas e com forte presença de vendedores locais. O mercado é incrivelmente limpo. A movimentação é intensa, refletindo a importância da pesca na economia da Coreia do Sul. Ao percorrer o mercado, observamos desde a comercialização direta até áreas onde os produtos podem ser preparados para consumo imediato. A visita permite entender a relação da cidade com o mar, combinando atividade econômica e cotidiano em um mesmo espaço.

Mercado de Peixes de Busan
Mercado de Peixes de Busan

BIFF, o festival de cinema de Busan

No centro histórico fica a região onde acontece o BIFF, Busan International Film Festival (Festival Internacional de Cinema de Busan), um dos mais importantes eventos de cinema da Ásia. Realizado anualmente em Busan, o festival foi criado em 1996 e se tornou uma referência para a exibição e divulgação de produções asiáticas e internacionais. O BIFF é conhecido por revelar novos diretores, apresentar filmes independentes e promover encontros entre profissionais da indústria cinematográfica. Além das exibições, o evento movimenta a cidade com atividades culturais, debates e mercado audiovisual, reforçando o papel de Busan como um dos principais polos culturais da Coreia do Sul.

BIFF, o festival de cinema de Busan

Calçada da Fama de Busan: cinema e reconhecimento

Visitamos a área conhecida como “Calçada da Fama” em Busan, localizada na região de BIFF Square. O espaço reúne placas e inscrições de artistas, diretores e personalidades ligadas ao BIFF. Ao caminhar pela área, é possível identificar nomes marcantes do cinema coreano e internacional, registrados no chão e nas paredes ao redor. A região é bastante movimentada, com lojas, cinemas e áreas comerciais, funcionando como um ponto de encontro entre cultura e cotidiano. A visita reforça o papel de Busan como um dos principais centros culturais da Coreia do Sul.

Calçada da Fama de Busan

White Night Party: a Festa do Branco a bordo do Azamara Pursuit

Após o passeio por Busan, voltamos ao navio e nos preparamos para sair da Coreia do Sul e voltar ao Japão. Participamos da tradicional White Night Party a bordo do Azamara Pursuit, um dos eventos mais característicos dos cruzeiros da Azamara. A proposta é simples: todos vestidos de branco, reunidos em uma noite ao ar livre, com música, iluminação especial e serviço de jantar montado no deck. A White Night funciona como um dos pontos de integração a bordo, marcando a experiência do cruzeiro.

White Night Party

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