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Finalizamos o Cruzeiro pelo Rio Mekong

10 de outubro de 2025

Angkor Ban, uma vila parada no tempo

Viajamos de Phnom Penh até Kampong Cham. Ancoramos na margem do Rio Mekong e visitamos Angkor Ban, um vilarejo preservado onde o tempo parecia ter parado, com casas de madeira e moradores acolhedores. Fizemos um passeio que revelou de forma muito clara a vida cultural e social do Camboja rural. Caminhamos por uma vila extremamente simples, marcada por condições de higiene precárias e moradias bastante humildes, mas onde o senso de comunidade é forte. Visitamos algumas casas e pudemos observar o cotidiano das famílias, organizado em torno do trabalho agrícola e das tradições locais.

Angkor Ban

Uma escola especial

Seguimos também até a escola da comunidade, onde assistimos a uma aula de inglês para crianças. Um esforço importante de educação e abertura para o futuro. A visita foi ao mesmo tempo impactante e enriquecedora, mostrando a realidade do país além dos templos e monumentos históricos. A vila é muito pobre e possui condições de higiene precárias.

Uma escola especial

Tive a chance de “dar” uma aula no Camboja

A proposta pedagógica é interessante: os moradores acreditam que, ao expor os alunos a diferentes sotaques, de estrangeiros, viajantes e voluntários, eles se tornam mais preparados para se comunicar com pessoas de várias partes do mundo. A dinâmica da aula era simples, mas eficiente, com as crianças participando ativamente e demonstrando grande entusiasmo. Tudo parecia funcionar bem, revelando um esforço da comunidade em ampliar oportunidades para as novas gerações, mesmo em meio às limitações da vila. Adorei ter participado da aula e senti de perto a vibração dos meninos.

Tive a chance de “dar” uma aula no Camboja

O templo de Wat Hanchey

Em Wat Hanchey, subimos a colina até o templo e fomos recebidos por uma vista espetacular do Rio Mekong serpenteando a paisagem. O complexo abriga diferentes estruturas budistas, estátuas coloridas e áreas de meditação que revelam a importância espiritual do local. Vários jovens monges circulavam pelo templo, dando ao ambiente uma atmosfera de serenidade e aprendizado. Tivemos ainda a oportunidade de participar de uma bênção budista, uma cerimônia simples e simbólica que reforça a forte conexão entre fé, comunidade e natureza no Camboja.

O templo de Wat Hanchey
O templo de Wat Hanchey

Kampong Cham

Em Kampong Cham, o navio ancorou às margens do Mekong, revelando uma cidade maior e movimentada do que as vilas que vínhamos encontrando ao longo do percurso. Mesmo sem descer, pudemos observar a ampla ponte que liga as duas margens do rio — uma das estruturas mais imponentes da região — e notar a dinâmica urbana da cidade, com seu trânsito constante, prédios baixos e um ritmo que contrasta com a tranquilidade das áreas rurais do Camboja.

Kampong Cham, a cidade dos Champas

A cidade dos Champas

Kampong Cham é a “cidade dos Champas” remete à história de um povo que um dia dominou grande parte da costa central do Vietnã, mas que hoje não possui mais uma pátria própria. Os Cham formaram o antigo Reino de Champa, uma civilização marítima influenciada pela cultura hindu, que floresceu entre os séculos II e XV. Conhecidos por suas rotas comerciais, templos de tijolos e arte refinada.

A cidade dos Champas

Os Champas, uma nação sem pátria

Os Champas viveram em constante tensão com o Império Khmer e, sobretudo, com a expansão vietnamita rumo ao sul. Após séculos de guerras e perda territorial, o reino foi gradualmente absorvido pelo Vietnã no século XIX. Hoje, os Cham sobrevivem como uma minoria étnica espalhada entre o Vietnã e o Camboja, preservando tradições, língua e religião, mas sem um território nacional — um testemunho vivo das transformações históricas do Sudeste Asiático. À noite tivemos o jantar de despedida do navio, com tema cambojano.

Monges budistas

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