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O Castelo de Matsue em Sakaiminato

03 de abril de 2026

Chegamos em Sakaiminato

Chegamos a Sakaiminato, uma cidade portuária localizada na costa do Mar do Japão. A chegada revela um ambiente tranquilo, com forte ligação à pesca e ao cotidiano local, marcando mais uma etapa do percurso por regiões menos turísticas. Visitamos o Castelo de Matsue, um dos poucos castelos originais preservados do Japão, construído no início do século XVII. Diferente de outras estruturas reconstruídas, o castelo mantém sua forma original em madeira, com interiores simples e escadas íngremes. Ao percorrer seus andares, é possível entender a função defensiva da construção, com aberturas estratégicas e visão ampla dos arredores. Do topo, a vista alcança a cidade e as áreas próximas aos rios, reforçando a importância da localização. A visita permite uma compreensão direta da arquitetura militar do período feudal japonês.

Castelo de Matsue

O Lago Nakaumi

O Lago Nakaumi é uma lagoa costeira localizada entre as províncias de Shimane e Tottori, no oeste do Japão. Conectado ao Mar do Japão por canais naturais, o Nakaumi é uma laguna. Apresenta águas salobras, resultado da mistura entre água doce e salgada. Sempre foi importante para a navegação local, pesca e organização das cidades ao redor, como Matsue e Sakaiminato. A presença de pontes e vias elevadas reforça essa função de ligação entre territórios, integrando diferentes áreas da região. A paisagem é ampla e aberta, marcada por essa transição entre ambientes marítimos e continentais.

O Lago Nakaumi

A cidade feudal de Matsue

A cidade de Matsue está localizada entre o Lago Nakaumi e o Lago Shinji, o que define grande parte de sua paisagem e organização urbana. Conhecida como a “cidade das águas”, Matsue mantém forte relação com seus canais, pontes e áreas ribeirinhas. O destaque maior é o Castelo de Matsue, um dos poucos castelos originais do Japão, que reforça a importância histórica da região. Ao caminhar pela cidade, percebemos um ritmo mais tranquilo, com áreas preservadas que mantêm referências do período feudal. A combinação entre natureza e patrimônio histórico dá a Matsue uma identidade própria dentro do oeste japonês.

Castelo de Matsue

Os castelos dos xoguns

Os castelos dos xoguns e dos senhores feudais (daimyō) no Japão eram estruturas militares e administrativas, projetadas para defesa e controle territorial. Construídos principalmente entre os séculos XVI e XVII, combinavam muralhas de pedra, fossos e torres de observação, organizados em diferentes níveis de proteção. No interior, abrigavam áreas residenciais, espaços administrativos e depósitos. A torre principal, conhecida como tenshu, funcionava como ponto estratégico e símbolo de poder. Exemplos preservados, como o Castelo de Matsue, permitem entender essa lógica construtiva, marcada pela adaptação ao relevo e pela integração entre arquitetura e estratégia militar. Esses castelos refletem a estrutura política do período feudal e o papel central dos xoguns e seus aliados na organização do território japonês.

Os castelos dos xoguns

O fim do xogunato e a transição para o Japão moderno

O fim do sistema de xogunato no Japão ocorreu na segunda metade do século XIX, após mais de dois séculos de domínio do xogunato Tokugawa durante o Período Edo. A pressão externa, especialmente a chegada de navios dos Estados Unidos liderados por Matthew Perry, forçou a abertura dos portos japoneses ao comércio internacional, enfraquecendo a estrutura isolacionista do país. Internamente, cresceu o conflito entre defensores do xogunato e grupos favoráveis à restauração do poder imperial. Esse processo culminou na Guerra Boshin (1868–1869), que resultou na derrota das forças dos xoguns e na transferência do poder para o imperador, marcando o início de uma nova fase de modernização e reorganização política do Japão.

Xogum

O Período Edo: estabilidade e isolamento no Japão feudal

O Período Edo foi uma fase da história do Japão que se estendeu de 1603 a 1868, marcada pelo governo do xogunato Tokugawa. Nesse período, o país viveu uma relativa estabilidade interna após séculos de conflitos, com uma rígida organização social liderada pelos samurais e pelos senhores feudais. A capital administrativa era Edo, atual Tóquio, de onde o xogum exercia o controle político. Uma das características mais marcantes foi a política de isolamento (sakoku), que restringia o contato com o exterior e limitava o comércio internacional. O período terminou com a queda do xogunato e o início da modernização do país. O Período Edo terminou em 1868, com a queda do xogunato Tokugawa. Esse momento marca a Restauração da Era Meiji, quando o poder político foi transferido de volta ao imperador, iniciando a modernização do Japão.

Crianças visitando o Castelo de Matsue

Samurai: valores, função e comportamento

O que caracteriza um samurai no Japão vai além do papel militar. Os samurais eram uma classe guerreira que seguia um código de conduta conhecido como bushidō, baseado em valores como lealdade, honra, disciplina e autocontrole. Serviam a um senhor feudal e tinham como principal obrigação protegê-lo e manter a ordem. Além do treinamento em combate, com destaque para o uso da espada (katana), o samurai também cultivava aspectos intelectuais e culturais, como caligrafia, estratégia e filosofia. A postura diante da vida e da morte era um elemento central, com forte valorização da responsabilidade e da reputação. Além de um guerreiro, o samurai representava um modelo de comportamento dentro da sociedade feudal japonesa, combinando função militar com princípios éticos bem definidos.

Passeio de barco pelos canais de Sakaiminato

Xogum: autoridade militar e poder político

O xogum era o líder militar supremo do Japão feudal e, na prática, quem exercia o poder político do país durante longos períodos. Embora o imperador mantivesse uma posição simbólica e religiosa, era o xogum quem controlava o governo, a administração e as relações entre os senhores feudais. O cargo estava associado ao comando das forças militares e à capacidade de manter a ordem interna, evitando conflitos entre os diferentes domínios. A partir do Período Edo, com o xogunato Tokugawa, esse poder se consolidou de forma mais estruturada, criando um sistema hierárquico rígido e centralizado. O xogum, portanto, não era apenas um comandante militar, mas a principal autoridade política do Japão feudal, responsável por garantir estabilidade e controle do território.

Castelo de Matsue

Samurai, senhores feudais e xogum: como funcionava a hierarquia

No Japão feudal, a relação entre samurais, senhores feudais e o xogum formava uma estrutura hierárquica bem definida. No topo estava o xogum, líder militar e autoridade política que controlava o país. Abaixo dele estavam os Senhores Feudais, responsáveis por administrar territórios e manter exércitos próprios. Os samurais compunham a base militar, servindo diretamente aos Senhores Feudais, com dever de lealdade e proteção. Em troca, recebiam sustento e posição social. Essa relação era sustentada por vínculos de fidelidade e pelo código de conduta samurai. Na prática, o sistema funcionava como uma cadeia de comando: o xogum exercia o controle geral, os Senhores Feudais administravam as regiões e os samurais garantiam a ordem e a defesa, mantendo a estrutura do Japão feudal por séculos.

Sakaiminato

Passeio de barco em Matsue

Fizemos um passeio de barco pelos canais de Matsue, que contornam o Castelo da cidade e ajudam a entender a sua organização histórica. Ao longo do trajeto, navegamos por trechos estreitos e áreas mais abertas, passando por pontes baixas e margens arborizadas. O percurso permite observar a cidade a partir de outro ponto de vista, destacando a relação direta entre os canais, a defesa do castelo e o desenvolvimento urbano. Durante o passeio, o ritmo é lento, favorecendo a observação dos detalhes e da paisagem. A experiência reforça a identidade de Matsue como uma “cidade das águas”, onde os canais ainda fazem parte do cotidiano. Algumas pontes são muito baixas e precisamos deitar no fundo do barco para continuar a navegação.

Passeio de barco em Matsue

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