Saímos cedo do hotel em direção a Ibicoara. São 70 km desde Mucugê, percorrendo uma boa estrada. No caminho vimos os projetos agropecuários da Chapada Diamantina, nas imediações da Barragem do Apertado. São grandes propriedades que desenvolvem uma agricultura intensiva, totalmente irrigada e moderna.
Em Ibicoara encontramos o excelente guia (Reis – (77)9196-3457) e seguimos por mais 30 km, em estrada de barro, até onde começa a trilha que leva à Cachoeira do Buracão. Na estrada uma paisagem maravilhosa, cortamos a Serra do Sincorá.
Reis conta uma história em que ele aparece como protagonista. Segundo ele, foi um dos primeiros guias de Ibicoara a descobrir e divulgar para o mundo a Cachoeira do Buracão. Na década de 90 ouviam histórias de caçadores, sobre uma incrível cachoeira na região. Organizaram uma expedição e descobriram a trilha do Buracão. A partir daí o trabalho foi preparar a trilha para o turismo, contando com o apoio da prefeitura, que criou o Parque Municipal do Espalhado para preservar a área.
Fizemos uma primeira parada numa localidade denominada de Campo Redondo, formada por sítios, num vale verdejante e fértil. O vale possibilita boas fotos e atrai comunidades de vida alternativa. A região é considerada ideal para contatos com extraterrestres.
Deixamos o carro na entrada do Parque Municipal do Espalhado e seguimos andando. O caminho é muito bonito. A região é formada por um imenso lajedo, denominado de Espalhado. Seguimos bordejando o curso da água.
Fizemos uma nova parada no Canyon do Buraquinho. A imensidão das rochas e o trabalho que a erosão fez ao longo do tempo geológico já chama a atenção e nos enche de expectativa sobre o que virá.
Andamos mais algumas centenas de metros e chegamos à parte alta da Cachoeira do Buracão. Ficamos na borda do precipício. Lá de cima dá para entender a magia do lugar. A natureza aqui foi perfeita e caprichosa. A cachoeira despenca de uma altura de 85m. É possível ficar bem na borda e ter uma sensação única da altura e do movimento das águas.
Seguimos pela borda do canyon e começamos a descer a trilha. O nosso objetivo era entrar no Buracão. Para isso uma descida íngreme e uma paisagem de ficção cinematográfica. A sensação quando se desce a trilha do Buracão é que você está participando de um filme de Steven Spilberg.
Quando chegamos na base do Buracão, a aventura continuou. Pegamos coletes salva-vidas, atravessamos uma ponte improvisada sobre o canyon por onde a água do Buracão é escoada.
Do outro lado da ponte fomos nos esgueirando, colados ao paredão da rocha, pela parede do canyon. Impossível não lembrar de Tom Cruise em “Missão Impossível”. São cerca de 200m até aparecer a imagem mágica.
Um imenso buraco cavado pela água, com aproximadamente 50m de diâmetro. Ao fundo despenca a cachoeira com 85m de altura. A água sai dessa área pelo canyon rio abaixo.
A água é gelada, mas não dá para chegar aqui e não cair. Nadamos até a base da cachoeira e ficamos por algum tempo tomando banho naquele ducha maravilhosa, com a sensação de que “o melhor lugar do mundo é aqui e agora”.
Quando chegamos, os únicos turistas que estavam no Buracão, já começavam a sair. Ficamos sozinhos naquele paraíso, com uma sensação esquisita de que aquilo em volta era tudo que interessava nas nossas vidas.
Acordamos do sonho e começamos a fazer o caminho de volta. Deixamos para trás uma das maravilhas da natureza. Deu tempo para um último banho no poço do Espalhado.
Chegamos a Mucugê à noite. Fomos jantar no excelente Restaurante Point da Chapada. Um bom espaguete ao molho de tomate com filé a parmegiana. Impossível não lembrar de Jaguaquara.

