Em Salvador o calendário das Festas Populares começa com o Dia do Samba em 02 de dezembro e é seguido pela maravilhosa Festa de Santa Bárbara no dia 04. Daí em diante vem uma sequência de festas: Nossa Senhora da Conceição da Praia, Santa Luzia, Nosso Senhor dos Navegantes, Festa da Lapinha, do Bonfim, da Ribeira, do Rio vermelho, de Itapuã, etc.
De todas elas, a Festa do Bonfim é a mais sagrada e respeitada pelos baianos. O evento religioso acontece no terceiro domingo do ano, mas o momento mais importante se dá na quinta-feira anterior, portanto a segunda quinta depois do primeiro domingo, quando existe a Lavagem do Bonfim. Nesse dia a igreja fica fechada por decisão da arquidiocese.
Cerca de 200 “baianas” vestidas com trajes típicos, derramam a água que trazem nos vasos e lavam a escadaria da igreja ao som de palmas, atabaques e cânticos afros, numa festa plena de sincretismo religioso. A tradição da lavagem começou em 1773, quando os escravos foram designados para lavar a Igreja preparando-a para a festa que aconteceria no domingo.
Para chegar ao Bonfim, as “baianas” lideram o cortejo que vem seguido de milhares de fiéis, curiosos, turistas, políticos e o povo em geral fazem um cortejo que sai da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia às 10h, até a Igreja do Bonfim. O trajeto é de aproximadamente 8 quilômetros.
Pela manhã bem cedo a festa começa com uma corrida que segue o mesmo trajeto do cortejo. Na reta final, a Colina do Bonfim (Colina Sagrada) é o maior desafio.
Quando atletas e curiosos, quase todos vestidos de branco (a cor de oxalá), chegam no alto da colina, em frente à Igreja, o “Povo de Santo” fica na base da escadaria, rezando os fiéis, dando “passe” e oferecendo promessas de boa sorte.
As fitas do Bonfim são disputadas por todos, que as amarram no braço com três nós e a cada um nó dado, um pedido feito com a esperança de que será realizado. No sincretismo religioso, Senhor do Bonfim foi identificado pelos adeptos do candomblé como Oxalá, o maior de todos os orixás.
A Igreja do Bonfim em estilo neoclássico e com fachada rococó, foi construída entre 1746 e 1754. Um dos destaques da sua decoração é o conjunto de painéis de azulejos. É o maior templo da fé católica e do sincretismo religioso na Bahia.

