No terceiro dia na Chapada, saímos cedo para um passeio, cujo objetivo era visitar algumas das principais atrações dos arredores de Lençóis. Como Mônica não conhecia a Chapada, resolvemos fazer o que existe de mais tradicional na região.
A primeira parada foi no Rio Mucugezinho. Um local de banho na beira da estrada que segue para o Oeste da Bahia. No Mucugezinho existem uma série de quedas d’água e uma boa opção de banho.
Numa pequena trilha seguindo rio abaixo, chegamos ao Poço do Diabo. Uma bela cachoeira cai num poço profundo e largo e é um paraíso para o banho na Chapada.
Ali pratica-se rapel e tirolesa. A recompensa é um mergulho nas águas frias do Poço do Diabo.
Seguimos a estrada e paramos um pouco mais adiante para uma bela vista do Morro do Pai Inácio, um dos principais pontos turísticos da Chapada Diamantina. O Morro do Pai Inácio é uma formação típica da Chapada Diamantina. São grandes blocos rochosos que resistiram ao processo de erosão e se destacam na paisagem, como “testemunhos” geológicos do passado.
A vista é deslumbrante. De um lado o Morro do Pai Inácio com a sua formação perfeita e do outro a Serra do Sincorá, o vale onde fica o conjunto dos morros denominados Três Irmãos.
Continuamos no sentido oeste até um pouco mais adiante, onde seguimos pela estrada que leva à cidade de Iraquara, a cidade das grutas. A Lapa Doce é uma das mais famosas do município.
É a terceira maior gruta do Brasil, possui cerca de 17km mapeados, mas a área visitada é de pouco mais de 850m. No seu salão principal, chega a 70m de altura.
Essas grutas são formadas por lençóis de água subterrâneas, que trabalham a rocha cálcarea e escavam as formações no subsolo. Quando a superfície do rio subterrâneo fica muito fina, parte dela cai e forma a entrada da gruta.
Na Lapa Doce existem inúmeras formações típicas como estalactites, formações que pendem do teto da gruta pela consolidação do carbonato de cálcio que vem sendo dissolvido pela água que infiltra na caverna e estalagmites, que são as formações que se elevam no solo da gruta pela consolidação do mesmo carbonato de cálcio que cai na sua base.
É comum a presença de “colunas”, quando as estalactites e as estalagmites se encontram e de cortinas, além de outras formações exóticas.
Saímos da Lapa Doce e ainda no município de Iraquara seguimos para o complexo formado pelas grutas Azul e Pratinha. Ficam na mesma fazenda, porém em áreas opostas.
A Gruta Azul tem esse nome, pois a água extremamente cristalina do seu interior, quando iluminada pelos raios de sol em determinados momentos do dia adquire um tom azul, bem pitoresco. A área de visitação é pequena, mas o fenômeno intriga e chama a atenção.
A Gruta da Pratinha é um dos pontos fortes da Chapada Diamantina. Virou um grande parque de diversões, com alguma infra-estrutura de restaurante, pousada e outros serviços. No final de semana do São João estava lotada, mas não perde o charme.
A Pratinha é uma gruta, de onde sai um rio subterrâneo com águas cristalinas e de grande visibilidade. É possível fazer “snorkel” no interior da gruta e tirolesa no lago que existe ao seu redor. A água é gelada, mas vale a pena o banho.
Saímos da Pratinha e voltamos para o Morro do Pai Inácio para fechar a tarde com chave de ouro. Subimos o morro e lá de cima temos uma vista estonteante dos vales ao redor e da Serra do Sincorá, com destaque para o Morro do Camelo e para o Morrão (o terceiro dos Três Irmãos).
O nome do Morro do Pai Inácio é explicado por uma lenda local que fala de um escravo que namorava a filha do coronel e que foi perseguido pelos seus capangas. Sem saída pulou do alto do morro com um guarda-chuva. dizem os crentes na lenda que o escravo já foi visto várias vezes correndo pela região.
O por-do-sol do alto do Morro do Pai Inácio é um espetáculo à parte. Voltamos a Lençóis.
À noite fomos para a praça participar dos festejos de São João.

