Em nosso segundo dia na Chapada Diamantina, fizemos contato com um guia que havia nos acompanhado no ano passado (Roney) e seguimos pela manhã bem cedo para o nosso primeiro grande programa. O destino era o Vale do Capão.
O Vale do Capão fica no município de Palmeiras, distante cerca de 50km de Lençóis. Palmeiras é uma cidadezinha pequena, com cerca de 9.000 habitantes, e que mantém o charme de ter sido um dos centros de mineração do diamante na Chapada. A cidade estava toda decorada para o São João. De lá são mais 20km de estrada de barro até o Vale do Capão.
Quando chegamos ao Vale do Capão, a paisagem é impactante. Todo o Vale é cercado pela Serra do Sincorá e as formações rochosas formam um horizonte mágico.
Foi essa paisagem mágica que atraiu a partir da década e 70, para o Vale do Capão, várias comunidades alternativas, em busca de um maior contato com a natureza e fugindo do estilo de vida das grandes cidades. Muitos daqueles que foram para o Capão nos anos 70 ainda estão por lá, e hoje, alguns se beneficiam do turismo que cresceu muito na região.
O nosso objetivo maior no Capão era seguir pela trilha da Cachoeira da Fumaça. Uma das mais radicais da Chapada Diamantina. A trilha parte da Vila do Capão e sobe rapidamente por uma trajetória íngreme e difícil.
São 350m de subida, até chegar um platô que se estende por mais 6 km. A subida radical fazia com que parássemos com frequência para recuperar o fôlego.
Na parte mais alta, a contemplação das flores da Chapada amenizava o esforço da caminhada. Esse período estava muito seco e havia a possibilidade de não haver água na Cachoeira da Fumaça.
Duas horas depois de iniciarmos a subida, chegamos na Cachoeira da Fumaça. O esforço foi intenso, mas valeu a pena. A vista que se tem do vale abaixo da Cachoeira da Fumaça é encantadora.
A Cachoeira da Fumaça, originalmente era chamada de Cachoeira Glass, em homenagem ao piloto americano que divulgou pela primeira vez a sua existência, na década de 70. Hoje é conhecida como a Cachoeira da Fumaça, pois de tão alta, ela evapora no ar. A cachoeira cai, mas não chega embaixo.
A Cachoeira da Fumaça possui aproximadamente 380m de altura. No seu topo é perigoso ficar em pé. Os guias nos orientam a deitar para observar a queda d’água. A sensação é uma mistura de emoções.
Depois de passarmos cerca de 1h observando a Cachoeira da Fumaça, pegamos o caminho de volta. A decida é tão difícil quanto a subida. O impacto da trilha acidentada nos joelhos e tornozelos é grande. Quando chegamos embaixo o corpo estava todo dolorido. Foram seis horas de dura caminhada.
Na decida a paisagem é marcada pela presença do Morrão, um “testemunho” geológico do trabalho de erosão que dominou a região da Chapada ao longo do tempo.
Seguimos para a Vila do Capão. A vila é um charme e a áurea alternativa está por toda a parte. Cidadãos do mundo inteiro vivem aí no Capão. Muitos prestam serviços e abriram negócios sustentáveis. Foi o caso do Suíço Thomas, que possui a mais famosa pizzaria do Capão. No cardápio a curiosidade é terem apenas dois sabores. A pizza salgada e a pizza doce.
Curtimos um pouco dos encantos do Vale do Capão e voltamos para Lençóis, pois amanhã tem mais trilhas e Chapada. À noite ficamos na beira da piscina do hotel, pois o corpo estava doído e não tivemos ânimo para o forró da praça.

