O Litoral Norte da Bahia tem alguns dos encantos mais espetaculares da costa brasileira. A Praia do Forte, no Município de Mata de São João é a “joia da coroa” . Além de refúgio e encanto de céu e mar, possui um legado histórico fundamental, que todo brasileiro tem a obrigação de conhecer e se deleitar. O Castelo da Torre de Garcia D’Ávila.
O Castelo da Torre ou casa da Torre é o único castelo medieval existente no continente americano. Foi construído a partir de 1551 por Garcia D’Ávila Pereira, o almoxarife real que chegou ao Brasil com a expedição de Tomé de Souza, o primeiro Governador Geral do Brasil, que veio para fundar a Cidade do Salvador. A obra somente ficou pronta em 1624, sob as ordens de Francisco Garcia D’Ávila, neto do almoxarife de Tomé de Souza.
O Castelo fica em uma localização estratégica, numa colina elevada, localizada 70 km a norte de Salvador, no município de Mata de São João e ao lado da Praia do Forte. Tinha uma função administrativa e militar e foi construído à semelhança dos castelos medievais europeus.
Garcia D’Ávila era filho de Tomé de Souza e recebeu dele uma grande sesmaria na região onde foi construído o Castelo. A propriedade originalmente ia de Itapuã até a região de Mata de São João, mas Garcia D’Ávila e os seus descendentes multiplicaram por muito a propriedade, plantando coco no litoral, desde a Bahia até o Maranhão e criando gado no sertão do Nordeste, até o Piauí.
Garcia D’Ávila foi o primeiro bandeirante do Nordeste brasileiro. Foi a sua família que trouxe o gado nelore (zebu), da Índia para cá. Esse foi o maior latifúndio já existente no Brasil ou no mundo e se tornou o homem mais poderoso da Bahia no século XVI. O latifúndio possuiu cerca de 800 mil quilômetros quadrados, cerca de 10% do território brasileiro.
O latifúndio do Garcia D’Ávila era administrado a partir da Casa da Torre
Na frente do Castelo, que hoje é tombado pelo patrimônio histórico nacional, chama a atenção uma pequena capela em formato hexagonal, que foi restaurada e contrasta com os muros de pedra da fortificação.
A torre do Castelo era um posto de observação estratégico, possuía uma fogueira que era acesa e servia de elemento de comunicação com outras torres do litoral norte da Bahia em caso de ameaça ou perigo de invasão inimiga. O castelo tinha função militar e protegia a região de ataques indígenas revoltados e/ou invasões de corsários que se aventuravam pela costa brasileira.
Na frente do conjunto arquitetônico, uma gameleira secular, a árvore sagrada do candomblé, completa e emoldura a paisagem. Uma visita ao Castelo da Torre de Garcia D’Ávila vale muito a pena.

