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Uma trilha na Floresta Amazônica

21 de abril de 2015.

Começamos nessa data o Cruzeiro pelo Rio Negro e parte do Rio Solimões no navio/hotel Iberostar Grand Amazon. Esse passeio fascina viajantes e exploradores do mundo inteiro, encantados com as dimensões impressionantes dos rios e do conjunto da bacia Amazônica, que reúne mais de 1000 afluentes e corre por uma área do tamanho da parte continental dos Estados Unidos.

As primeiras impressões sobre Manaus

A imensidão do “Rio Mar”.

O Iberostar Grand Amazon foi o primeiro navio de luxo construído especificamente para cruzeiros na Amazônia. Possui 75 cabines com 23m cada uma, equipadas com televisão, ar condicionado, telefone e varanda. No deck principal existem duas piscinas de hidromassagem. Possui várias lanchas de desembarque que permitem entrar nos igapós e chegar no miolo da floresta.

Todas as cabines do Iberostar Grand Amazon possuem varandas.

Nesse primeiro dia fizemos pela manhã, uma caminhada de 2 horas pela Floresta Amazônica, na Região do Igarapé Jaraqui. O passeio é acompanhado por guias especializados e experientes, com conhecimentos íntimos sobre a floresta. O nosso grupo foi acompanhado pelo guia Piro, um índio com um profundo conhecimento da flora, fauna, costumes, história e geografia da Amazônia.

As lanchas rápidas ajudam a penetrar na floresta.

Os igarapés são entradas dos rios principais, na floresta. Na Amazônia os igarapés podem ser enormes, navegáveis e normalmente são as áreas mais ocupadas pelas populações ribeirinhas.

Os Igarapés são entradas dos rios na floresta.

Fizemos uma trilha pela Floresta Amazônica nas margens do Igarapé Jaraqui. A trilha impacta pelas dimensões das árvores e a sensação de estarmos num dos ambientes mais inóspitos do planeta. O guia Piro parava com frequência diante de algumas plantas especiais que encontrava pela frente. Árvores, cipós, folhas, etc., e nos dava uma aula sobre as propriedades medicinais e industriais das plantas.

Árvores gigantes no meio da trilha pela Floresta Amazônica.

Nas explicações do guia Piro, fica evidente o imenso conhecimento milenar que as tribos indígenas desenvolveram e que permitiram aos povos das florestas uma sobrevivência harmônica com esse ambiente hostil. As crianças índias, desde muito cedo começam a ter contato e são estimuladas a conhecer as propriedades medicinais da flora amazônica. É uma questão de sobrevivência.

O guia Piro extraindo seiva de uma árvore para nos dá uma aula sobre a biodiversidade da Amazônia

Rapidamente, numa caminhada de apenas duas horas, encontramos plantas com propriedades anestésicas, anti-inflamatórias (quinino), antitérmicas, além de cipós que produzem um leite capaz de substituir o leite humano e uma goma utilizada na produção da goma de mascar.

Os produtos da Amazônia são utilizados pela indústria de medicamentos, de perfumes, etc.

Encontramos também um exemplar do pau-rosa, cuja casca é utilizada como fixador na indústria de perfumes. É do pau-rosa que se fabrica o famoso perfume Chanel Número 5, conhecido mundialmente por ter sido o perfume preferido da “mega-star” Marylin Monroe.

O guia/índio Piro, dando uma aula sobre a flora amazônica, no meio da floresta.

Na exposições de Piro, fica claro o sentimento de perda, quando ele expõe sobre de que forma a ciência e os cientistas, representando grandes laboratórios internacionais, muitas vezes travestidos de ONG’s em defesa da Amazônia, se apropriaram da biodiversidade local, utilizando o conhecimento primário indígena, levando para esses laboratórios as informações que foram transformadas em produtos industrializados e devolvendo muito pouco às comunidades e à região.

O conhecimento indígena é essencial para a identificação dos produtos amazônicos.

Encontramos na floresta, um veneno liberado a partir da gosma que o sapo produz quando está na fase de acasalamento. Esse veneno é usado pelos índios para passar na ponta das flechas utilizadas na caça e na pesca.

O grupo que fez a trilha pela floresta.

Num determinado momento da trilha, Piro fez uma demonstração perigosa, quando colocou a mão num formigueiro e em frações de segundos, a sua mão estava coberta de formigas que camuflam o cheiro humano. Os índios cobrem os seus corpos dessas formigas e depois as amassam, fazendo com que o cheiro das formigas fique impregnado nas suas peles e com isso eles não sejam percebidos pelos outros animais.

O imenso formigueiro onde o guia Piro fez a demonstração.

Fomos também apresentados a cipós de tamanhos e características diversas, que são utilizados na produção de cordas para arcos e outros utensílios. Após duas horas de trilha na floresta, voltamos para o Grand Amazon.

Cipós gigantes que envolvem árvores inteiras.
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