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Castelo de Windsor: entre reis, muralhas e séculos de história

8 de janeiro de 1992

De Londres para Windsor

Depois do café da manhã, saímos de Londres para uma excursão ao Castelo de Windsor, localizado na cidade de mesmo nome, a cerca de 35 quilômetros da capital inglesa. Depois de um dia intenso conhecendo alguns dos principais monumentos de Londres, teríamos agora um contato mais próximo com a história da monarquia britânica. Windsor está às margens do Rio Tâmisa e cresceu em torno do castelo, que domina a paisagem do alto de uma colina. A aproximação já revelava a dimensão do conjunto, com suas muralhas, torres e construções erguidas e modificadas ao longo de quase mil anos. Era mais um daqueles lugares que conhecia através dos livros de história e que, naquela primeira viagem à Europa, começava a ver pessoalmente.

A Capela de São Jorge

Uma fortaleza de quase mil anos

A história do Castelo de Windsor começou por volta de 1070, poucos anos depois da conquista normanda da Inglaterra. Guilherme, o Conquistador, mandou construir uma fortificação de madeira no local como parte de um sistema defensivo ao redor de Londres. A posição era estratégica: elevada, próxima ao Tâmisa e a aproximadamente um dia de viagem da Torre de Londres. Com o passar dos séculos, a madeira deu lugar à pedra, muralhas foram ampliadas e novas torres, salões e aposentos foram incorporados. O que começou como fortaleza militar acabou transformado também em palácio. Reis e rainhas de diferentes dinastias deixaram suas marcas em Windsor, fazendo do castelo um lugar que acompanhou grande parte da história inglesa.

Uma fortaleza de quase mil anos

Castelo, palácio e residência real

Uma das características mais interessantes de Windsor é justamente sua continuidade. Não estamos diante das ruínas de uma antiga fortaleza. O castelo permanece como uma das residências oficiais da monarquia britânica e é considerado o maior e mais antigo castelo ocupado do mundo. Quando o visitamos, em 1992, a rainha Elizabeth II utilizava Windsor com frequência, especialmente nos fins de semana. Ao longo da história, muitos monarcas contribuíram para modificar e ampliar o complexo. Henrique VIII foi um deles e mantém uma ligação especial com o lugar, onde está sepultado. Essa combinação entre fortaleza medieval, palácio cerimonial e residência real ajuda a explicar a dimensão de Windsor. Suas muralhas protegiam um espaço que, ao longo dos séculos, foi sendo adaptado às necessidades e aos costumes de cada período.

Castelo de Windsor

Por dentro do Castelo de Windsor

Visitamos alguns dos espaços internos abertos ao público e encontramos ambientes muito diferentes da aparência austera das muralhas externas. Salões decorados, móveis trabalhados em madeira, porcelanas, tapeçarias e pinturas mostravam o lado palaciano de Windsor. Entre as obras de arte estavam trabalhos de grandes nomes da pintura europeia, incluindo Van Dyck, artista flamengo que se tornou um dos principais retratistas da corte inglesa no século XVII. Também chamou a atenção as coleções de armas e armaduras, algumas organizadas de maneira quase decorativa nas paredes. Depois de termos visitado a Torre de Londres no dia anterior, era interessante perceber novamente como a história da monarquia e a história militar inglesa apareciam constantemente misturadas. Em Windsor, entretanto, tudo ganhava também a dimensão de uma residência real ainda em funcionamento.

Castelo de Windsor

A Capela de São Jorge e os reis de Windsor

Outro espaço fundamental do complexo é a Capela de São Jorge, construída principalmente entre os séculos XV e XVI e considerada uma das grandes realizações da arquitetura gótica inglesa. Ela a sede espiritual da Ordem da Jarreteira, a mais antiga ordem de cavalaria britânica. No interior estão sepultados vários monarcas, entre eles Henrique VIII e Charles I. Décadas depois de nossa visita, Windsor continuaria aparecendo em acontecimentos importantes da família real, inclusive casamentos e funerais. A capela reforça uma característica que me impressionou durante toda a passagem pela Inglaterra: a história não estava confinada aos museus. Igrejas, palácios, castelos e cerimônias continuavam fazendo parte da vida institucional do país, aproximando acontecimentos separados por centenas de anos.

A cidade de Windsor

A cidade cresceu aos pés do castelo

Depois da visita, circulamos um pouco pela cidade de Windsor. O centro histórico se desenvolveu junto às muralhas e mantém ruas estreitas e construções de diferentes períodos. Casas, lojas, restaurantes e pequenos estabelecimentos ocupam edifícios que ajudam a criar uma atmosfera bastante agradável. O contraste entre a monumentalidade do castelo e a escala menor das ruas ao redor é uma das características mais interessantes do lugar. O Rio Tâmisa também faz parte dessa paisagem e, poucos quilômetros adiante, segue seu caminho em direção a Londres. Naquele inverno de 1992, Windsor representava mais uma mudança de cenário dentro da viagem: depois da agitação da capital, encontrávamos uma cidade menor, profundamente marcada pela presença de uma das instituições mais antigas e conhecidas do Reino Unido.

Windsor

De volta a Londres e à Oxford Street

Terminada a visita, retornamos a Londres e fomos para a Oxford Street, que já havíamos conhecido no dia anterior. A avenida era, e continua sendo, uma das principais áreas comerciais da cidade. Aproveitamos o restante da tarde para fazer compras e circular pelas lojas. Depois de tantos monumentos, museus, igrejas e castelos, algumas horas sem roteiro histórico também faziam parte da viagem. Era nossa última tarde em Londres e começávamos a organizar a próxima etapa. Em poucos dias havíamos conhecido Westminster, Buckingham, Tower Bridge, Torre de Londres, St Paul’s, Madame Tussauds, Piccadilly Circus e, agora, Windsor. Para uma primeira visita, tínhamos aproveitado intensamente o tempo disponível, ainda que Londres certamente merecesse muitos outros dias.

Castelo de Windsor

Última noite antes de seguir viagem

À noite, jantamos no El Mero, um restaurante espanhol próximo ao hotel. A comida era simples, mas fomos recebidos com um atendimento muito acolhedor, algo que ficou registrado nas anotações daquela viagem. Depois voltamos ao hotel para arrumar as malas. Na manhã seguinte deixaríamos Londres e seguiríamos para Bruxelas, continuando nossa excursão pela Europa. Windsor acabou sendo uma ótima maneira de encerrar essa primeira passagem pela Inglaterra. O castelo reuniu em uma única visita vários elementos que eu vinha encontrando desde nossa chegada ao país: monarquia, arquitetura, história militar e tradições preservadas ao longo dos séculos. Nossa primeira experiência londrina terminava ali, mas a viagem estava apenas começando. No dia seguinte, voltaríamos ao continente europeu para conhecer a Bélgica.

Táxis em Londres

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