30/09/2014
Deixamos Cefalú para trás e atravessamos a Sicília de Norte a Sul em direção a Agrigento. De Cefalú até Agrigento são aproximadamente 160 Km e cerca de duas horas de viagem. Nesse caminho passamos por boas estradas e pelas montanhas do interior da Sicília, onde chama a atenção o clima árido, Temperado Mediterrâneo.
Chegamos a Agrigento por volta do meio dia. Fomos direto para o Hotel Antica Perla, que fica na periferia da cidade, em frente ao mar. A localização não é muito boa, mas como o objetivo principal era conhecer o Vale dos Templos, não prejudicou tanto.
A região onde fica o hotel, à primeira vista impressiona, sobretudo pela cor do Mar Jônico, ao Sul da Sicília, mas na realidade, o mar apesar de azul estava bastante sujo. A região de Agrigento é uma zona portuária e isso prejudica as suas praias.
A cidade de Agrigento foi erguida sobre a antiga cidade grega de Akragas. A visita ao local se deve sobretudo pela presença de um conjunto de ruínas gregas da época em que a Magna Grécia ocupava toda a região da Sicília. As ruínas de Agrigento estão entre as mais bem preservadas do Mundo.
Agrigento, no quinto século antes de Cristo era uma rival da poderosa Siracusa e dominava essa área do Sul da Sicília. Em 406 a.C foi invadida pelos Cartagineses que vieram do norte da África, saquearam e tocaram fogo na cidade.
Deixamos as malas no hotel e seguimos para a área arqueológica do Vale dos Templos, a principal razão para se visitar a cidade. O Vale dos Templos (Valle Dei Templi) é o mais impressionante conjunto de construções e ruinas grega existente fora da Grécia.
Os Templos com colunas dóricas datam do século V a.C. , foram destruídos pelos cartagineses em 406 a.C., depois a região foi invadida pelos romanos, que ajudaram a preservar os Templos. Mais tarde foi a vez dos cristãos ajudarem na destruição dos templos, no século VI, pois os consideravam como pagãos. Terremotos ajudaram a danificar ainda mais as estruturas, mas algumas se mantêm ainda bem preservadas.
Nove templos ainda são visíveis e são visitados por multidões todos os dias. Dá para fazer a visita completa em um dia. Se for no verão, proteja-se pois o calor é intenso.
Visitamos o Templo de Juno ou Hera, a Deusa protetora do casamento e do parto. O Templo foi erguido em aproximadamente 450 a.C., foi destruído pelos cartagineses em 406 a.C, mas possui ainda varias colunas em pé e intactas.
Continuamos descendo o Vale dos Templos, passando por amendoeiras e oliveiras, que são típicas daí. Alguns pés de oliveira são milenares e acompanharam a história dos Templos desde a sua origem. A emoção de estar diante de uma árvore de mais de 2 mil anos é impressionante.
Nesse caminho, as rochas calcárias foram escavadas pelos romanos que construíram casas na rocha e um cemitério.
O mais impressionante do Vale é o Templo da Concórdia, de 430 a.C., mas que foi preservado por ter sido convertido em Igreja Católica no século IV, o que acabou por salvá-lo da destruição. É o mais preservado de toda a Magna Grécia, apesar de ter sido saqueado na Idade Média.
Descendo um pouco mais passamos pela casa-museu de Alexander Hardcastle, um arqueólogo inglês que iniciou as escavações do Vale dos Templos na década de 20 do século XX e que passou a viver aí para acompanhar de perto as escavações. Dentre as proezas de Hardcastle, ele conseguiu remontar as colunas do Templo de Hércules, o mais antigo do Vale.
Seguimos um pouco mais pelo Vale dos Templos e chegamos ao Templo de Hércules, o mais antigo do vale, do final do século VI a.C., a partir daí voltamos, pois nos perdemos um pouco. O percurso é interrompido por uma estrada que corta o Vale ao meio, como não tínhamos certeza do que havia do outro lado, desistimos. Perdemos a sequência final dos Templos, que está do outro lado da estrada, sobretudo o de Castor e Pólux, que possui uma bela ruína e é o símbolo oficial da cidade de Agrigento.
Saímos das ruínas e fomos para o centro de Agrigento, para conhecer a cidade, que fica numa encosta íngreme. A visita à cidade foi uma decepção. Existiam montanhas de lixo por toda parte. Soubemos depois com o recepcionista do nosso hotel, que estava havendo uma queda de braço entre a prefeitura de Agrigento e a companhia de lixo que faz a coleta na cidade. O lixo, as ladeiras íngremes e a dificuldade de estacionar, fizeram com que desistíssemos e então voltamos para o hotel.
Passamos antes pela orla de Agrigento para tentar escolher um restaurante para a noite, mas já tínhamos perdido o encanto pela cidade. À noite fomos para um restaurante recomendado pelo hotel, numa colina com vista para os Templos.

