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O encontro com os Gorilas das Montanhas

05 de agosto de 2015

Saímos do Centro de Visitantes de Kinigi, em Ruanda (“Brieffing Point”) e pegamos o caminho até um vilarejo na base da montanha, a alguns quilômetros dali. Passamos por comunidades muito pobres. Os carros levantavam uma poeira intensa, que pintava de ocre as pessoas que caminhavam pela beira da estrada.

O Parque Nacional dos Vulcões de Ruanda

Criança na beira da estrada observando os carros de safari.

O carro nos deixou num vilarejo, na base de uma das montanhas vulcânicas que compõem o complexo denominado de Montanhas dos Gorilas. O Parque Nacional dos Vulcões de Ruanda está integrado territorialmente com um parque nacional em Uganda e outro no Congo, e os gorilas-das-montanhas vivem nesses três países. Toda essa região é conhecida como Parque Nacional Virunga.

O vilarejo onde começamos a subida.
Comunidade agrícola na base da montanha.

Do vilarejo até a entrada do Parque, a subida é íngreme e cansativa, sobretudo por estarmos a três mil metros de altitude. Caminhamos por uma trilha que passa por áreas de cultivo, de pequenas propriedades de agricultura familiar. A rarefação do ar intensifica o cansaço, mas sabíamos que iria ser recompensador.

A Montanha dos Gorilas estava à nossa espera.
A difícil caminhada para o alto da montanha.

O Parque é cercado por um muro de pedra, com dois metros de altura. O objetivo é impedir que búfalos e elefantes, que também estão no Parque, saiam, e provoquem conflito com os camponeses que vivem nos arredores. Existem passagens estreitas pelo muro, que usamos para entrar.

O muro de pedras cerca o Parque Nacional da Montanha dos Gorilas.

Quando chegamos na borda do Parque, nos encontramos com os “trackers” avançados. São guias que chegam na madrugada, para localizar as famílias de gorilas e facilitar o trabalho dos turistas que vêm depois. Na subida já tínhamos recebido um rádio avisando sobre onde estava a família de Titus, o gorila que iríamos ver.

Os “trackers” que nos acompanharam na visita aos gorilas.

A vegetação é densa, porém não muito alta. É formada predominantemente de arbustos fechados, bambus, e cipós. Não existem caminhos, a solução é andar pelo meio do mato. A caminhada é difícil. Cerca de meia hora depois que entramos no Parque, o nosso guia localizou o grupo.

A vegetação é fechada no interior do Parque Nacional.

O encontro com o primeiro gorila foi de muita emoção, era uma fêmea adulta. Estava em nosso caminho. Parou para observar e depois avançou lentamente na nossa direção. Seguimos a orientação do guia, recuamos, e o gorila passou ao nosso lado, demonstrando curiosidade, mas com um comportamento bastante amistoso.

O primeiro gorila que encontramos.

A vegetação fechada dificultava a visão dos gorilas, mas sabíamos que estavam ali. A impressão é de que estávamos sendo observados a todo momento. Seguimos pelo mato fechado, quando de repente nos encontramos com o macho dominante (The Big Boss), o chefe da família e descendente direto de Titus, bisneto de Digit, o gorila da Dian Fossey.

Encontramos o “Silver Back”.

Os machos dominantes possuem as costas prateadas, “Silver Back”. Em cada família de gorilas existe apenas um líder. É quem comanda o grupo e a quem todos devem obedecer, inclusive nós. O “Silver Back” é o reprodutor. Somente ele pode procriar.

O líder do grupo que visitamos.

Quando um adulto jovem alcança a idade de reproduzir, pode tentar conquistar uma fêmea, nesse caso trava uma luta feroz com o “Silver Back”. O vencedor fica como líder da família e o perdedor abandona o grupo. Passa a peregrinar como um macho solteiro solitário, até encontrar um outro grupo onde possa mais uma vez disputar a liderança.

Um gorila-das-montanhas.

Os gorilas ficam de forma bem relaxada e se deslocam muito pouco, para isso precisam viver em áreas onde a alimentação seja abundante. Durante um dia inteiro, deslocam-se aproximadamente, apenas um quilômetro.

Lado a lado com os gorilas-das-montanhas.

A família de Titus, com a qual estávamos interagindo era composta por 12 animais, entre bebês, jovens e adultos. O bebês são espertos e divertidos. Flagramos um que estava mamando e um outro que brincava insistentemente com a mãe.

Bebê gorila.

Ficamos por mais de uma hora no convívio com os gorilas. Quando estávamos indo embora, eles nos presentearam com uma área descampada, onde pudemos fazer as últimas fotos e “selfies”.

Convivendo com os gorilas.

Na saída ainda levamos um susto, pois um grande gorila estava obstruindo o caminho que deveríamos usar para sair da Reserva. Ele tinha saltado para cima do muro, exatamente no local da passagem para a saída do Parque. Depois de algum tempo, nos deixou passar sem problemas.

O gorila estava obstruindo a saída do Parque.

Alguns gorilas tinham saído da área do Parque Nacional e ficaram ali pela borda do muro, sendo observados pelos “trilheiros” e pelas crianças que pastoreavam algumas vacas e ovelhas.

Alguns gorilas saem do Parque e ficam nas áreas agrícolas nos arredores.

Voltamos para o lodge e tivemos um final de dia de êxtase e regozijo, pois a experiência de estar lado a lado com os gorilas foi maravilhosa e única.

Foi muito bom estar lado a lado com os gorilas.
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