05 de agosto de 2015
Acordamos muito cedo, antes do sol nascer, para viver um dia de fortes emoções. Saímos do Hotel Mountain Gorilla View Lodge e seguimos direto para um ponto de encontro na cidade de Kinigi, o “Brieffing Point”. Local onde contatamos com os guias, que levam os aventureiros para a trilha da Montanha dos Gorilas.
O centro de visitantes possui um amplo estacionamento e uma área de recepção, onde os turistas que chegam, recebem as primeiras informações sobre o passeio. São divididos em dez grupos de no máximo 10 pessoas, o que resulta em um controle de cem pessoas a cada dia.
No “Brieffing Point”, enquanto nos preparamos para a aventura, assistimos a danças típicas das tribos de Ruanda, realizadas pela comunidade local. Enquanto aguardamos, temos acesso a serviço de café, banheiro, etc.
Para participar do programa do tracking com os gorilas, os turistas pagam U$750,00 por pessoa. Não é barato, mas é importante que seja assim, para controlar o acesso à Montanha dos Gorilas. Os valores arrecadados são revertidos em benefícios para a comunidade, e investidos nas pesquisas e manutenção do Parque.
Encontramos o nosso grupo, formado por sete turistas, dois belgas, dois alemães e três brasileiros, eu, Monica e Paulo, um cidadão de Rondônia, apaixonado por questões ambientais e vida animal, que já tinha visitado muitos dos mais importantes Parques Nacionais do Mundo. Além do nosso grupo, subiríamos a montanha com um guia e quatro “trilheiros”.
Na preleção inicial, aprendemos que existem hoje, cerca de 880 gorilas nos Parques Nacionais integrados de Ruanda, Congo e Uganda. Em Ruanda são vinte famílias, além dos animais solteiros. Das vinte famílias, dez delas são utilizadas para contato com os turistas e outras dez são isoladas e não devem ser contatadas.
Encontramos o nosso guia e fomos informados que iríamos partir para o encontro com a família dos descendentes do gorila Titus, bisneto do gorila Digit, que ficou famoso por ser o que mais teve contato com a ambientalista e ativista americana Dian Fossey, cuja vida foi relatada no maravilhoso filme “Na Montanha dos Gorilas”.
Estávamos com medo. Impossível não ter. A excitação fazia com que esquecêssemos de tudo. O medo era desnecessário, pois aprendemos que os gorilas são animais dóceis e amistosos. Apenas não podem se sentir ameaçados. Quando encontrarmos os gorilas, precisamos ter um comportamento respeitoso e de submissão e obedecer algumas regras. Nunca encará-lo de frente. Não falar alto. Olhar para baixo quando ele lhe encarar. Não usar flash jamais. Não podemos correr e se formos nos afastar, não devemos dar as costas para os animais.
A fama de mal dos gorilas vem dos primeiros relatos dos colonizadores europeus que visitaram a África no passado, e mais tarde ganhou força com filmes como King Kong, onde eram colocados de forma ameaçadora para o homem.
Os gorilas vivem nas florestas tropicais do centro da África. Possuem de 98% a 99% do DNA dos seres humanos. Isso faz desses animais, um dos parentes vivos mais próximos do homem. Esses que fomos ver são os gorilas-das-montanha, vivem entre 2.300 e 4.300 metros de altitude.
Um gorila adulto, quando de pé, mede até 2 metros. O macho pesa até 230 kg. Geralmente, se locomovem em quatro patas. A expectativa de vida oscila entre os trinta e cinquenta anos. Os animais são herbívoros, alimentam-se de frutas, folhas e brotos, podem também se alimentar de insetos, que pode compor, até 2% do seu cardápio.

