O Villarrica é um vulcão ainda em atividade. Com 2.843 m de altitude, sua última erupção foi em 1984. A cidade chegou a ser evacuada, mas não foi atingida. No centro da cidade há um painel de alerta de erupção vulcânica, com alertas vermelho, amarelo e verde. Segundo Suzi, dona da agência que contratamos, nos cerca de 15 anos em que está em Pucón, ela só presenciou 2 alertas amarelos e nenhum vermelho. O alarme sonoro de vez em quando soa, o que para quem não conhece é meio apavorante, mas não se preocupe, pois o corpo de bombeiros usa o mesmo alarme: um toque para bombeiro 3 toques para erupção!
Acordamos bem cedo e as 05:30 já estávamos a caminho da agência. É importante sair cedo porque quanto mais tarde fica, maior a intensidade do vento e nesse dia havia uma frente fria chegando. Corríamos o risco de não conseguir chegar ao topo em razão das condições climáticas. Já chegando ao cume do vulcão, pegamos ventos de 30 km/h!
O Villarrica ao amanhacer
Chegando na agência, vestimos as roupas, arrumamos a mochila com os equipamentos que seriam necessários para a subida e para a decida, comida e água e partimos em direção ao Villarrica. Éramos um grupo de 12 pessoas com 4 guias. Ao fechar o passeio com alguma agência, é importante verificar a quantidade de guias que irão com o grupo, uma vez que nem todos conseguem subir no mesmo ritmo. Eu mesma fiquei no último grupo (não é motivo de orgulho, mas rendeu umas fotos bem legais!) com a Kush do Zimbabue e o guia Carlos que foi essencial na motivação para que conseguíssemos chegar à cratera do vulcão.
Como dá pra ver nas fotos, o vulcão possui uma parte coberta de neve. Há um teleférico que leva até o início da neve, onde iniciamos a subida. Há quem opte por subir desde a parte de terra, mas acredite, a subida no gelo por si só já é extenuante. Toda energia poupada é válida.
Chegando na base da parte nevada, hora dos preparos finais: grampões nas botas para ajudar a subir na neve, uma espécie de picareta que te ajuda dando apoio na subida e serve como gancho no caso de perda do equilíbrio ou queda, e capacete. Vi alguns grupos subindo sem os grampões e achei um pouco perigoso e bem mais complicado.
São 7 km de subida e fizemos em mais ou menos 5 horas. O passo é lento e respirar é uma arte acima dos 2.000 m de altitude. São feitas duas paradas para água, descanso e comida. Paradas rápidas, de no máximo 10 minutos, por conta do frio e do vento. Um detalhe importante é deixar o protetor solar num lugar de fácil acesso: o meu se perdeu pela mochila e o resultado foi uma queimadura nos lábios. Levar um lenço para cobrir o rosto também ajuda a enfrentar o vento gelado.
Até a primeira parada o grupo permaneceu unido. Depois disso, nos separamos: foi um grupo maior na frente com 2 guias, minhas companheiras de viagem Marília e Mariana, dispararam na minha frente e ficamos eu, Kush e Carlos, nosso guia, seguindo o lema devagar e sempre! No entanto, não dá pra ser tão devagar, pois o primeiro grupo só pode nos esperar por meia hora, em razão dos ventos e do frio. Depois desse intervalo de tempo, todos devem descer.
A subida foi muito pesada, não tanto pelo cansaço, mas muito pela dificuldade em respirar. O ar simplesmente não chega aos pulmões. Os guias insistem em que a gente respire pelo nariz, mas para mim foi impossível. Quando faltava uns 15 minutos para chegar a cratera, medidas drásticas foram tomadas: o guia pegou nossas mochilas e o guia de minha irmã desceu para dar uma força extra. Fui praticamente arrastada até o cume, mas conseguimos! A sensação é maravilhosa e a vista de tirar o fôlego (que já tinha ido embora a muito tempo).
Como fomos as últimas a chegar, a parada no cume foi rápida: fotos e depois, vulcão a baixo. A descida é quase toda de ski-bunda, o que é uma delícia! Os mais experientes levaram a prancha de snow board para descer. Acredito que chegamos na base em 40 minutos. Não deu para tirar fotos porque a essa altura já estávamos congelando e fiquei com medo de cair e danificar a máquina, então ela foi para a mochila. Prometo levar uma gopro na próxima! 😉
Nunca tinha feito nada parecido e amei a experiência! Sem contar com a vista do alto do vulcão que é um detalhe a parte: a sensação é de caminhar nas nuvens! Depois de quase 6 horas, chegamos a base cansadas, congeladas e queimadas, mas com o sorriso estampado no rosto! Para quem não tem medo de altura e curte chegar ao limite, esse é um programa imperdível!

