A primeira visita que fizemos em Cusco foi ao maravilhoso conjunto de ruínas Incas de Sacsayhuamán, o sítio arqueológico, que é um impressionante exemplo da arquitetura militar dos Incas. O conjunto é composto por três grandes muralhas formadas por rochas gigantescas e perfeitamente encaixadas, a característica maior da arquitetura e engenharia dos Incas.
Algumas dessas rochas chegam a pesar até 350 toneladas e foram trazidas para Sacsayhuamán por caminhos de dezenas de quilômetros. O encaixe perfeito das rochas eliminava o uso de argamassa e nem uma faca fina consegue penetrar nas junções entre elas.
As muralhas, que possuem mais de 300 metros cada uma e até 5 metros de altura, são superpostas e construídas em zigue-zague, como uma característica de defesa, pois um invasor que tentasse escalar uma delas deixava as suas costas desprotegidas pelos ângulos da construção.
Cusco foi construída, por ordem de Pachacútec, com a forma de um puma. A cidade era o corpo e Sacsayhuamán era a cabeça, onde as muralhas eram os dentes.
Em frente à fortaleza existe uma grande praça que era usada para cerimônias religiosas e militares. Toda a população de Cusco poderia viver dentro da fortaleza, na hipótese da cidade ser atacada por inimigos.
Em 1536 os espanhóis venceram os Incas e ocuparam Cusco e a fortaleza Sacsayhuamán. Depois disso transformaram Sacsayhuamán em uma pedreira e destruíram boa parte da sua estrutura, sobretudo as pedras menores que foram usadas nas construções coloniais das igrejas e mansões da nova cidade sobre domínio da Espanha.
Saímos de Sacsayhuamán e fomos até o sítio arqueológico Tambomachay, uma construção Inca dedicada à Deusa Água e representada por uma série de patamares, nichos e fontes que testemunham a adoração dos Incas pela água.
Em seguida paramos para fotografar o sítio arqueológico Puca Pucara, uma espécie de posto de controle sobre a entrada e saída das pessoas de Cusco.
Seguimos até o sítio arqueológico Quenko, que significa labirinto no idioma quéchua (dos Incas). Em Quenko existe um templo em homenagem a Pachamama, a Deusa Terra, a mais adorada pelos Incas.
Todos esses sítios arqueológicos ficam nas colinas nos arredores de Cusco. Descemos da colina e fomos conhecer os Templos de Koricancha, em Cusco, que hoje estão integrados à Igreja e Convento de Santo Domingo. Koricancha foi um dos lugares mais impressionantes que os Espanhóis encontraram em Cusco.
Koricancha foi o Templo mais rico dos Incas, significa “Cercado Dourado”, no idioma Quéchua. Foi construído em homenagem ao Deus Sol (Inti). As suas paredes eram totalmente revestidas de ouro e pedras preciosas. No grande jardim em frente ao Templo existiam estátuas de ouro e prata em tamanho natural.
Os espanhóis se encantaram com Koricancha, retiraram todo o ouro e a prata logo após a conquista da cidade. Fundiram tudo ali na frente e transformaram em barras que eram enviadas para a Europa.
A Igreja e o Convento de Santo Domingo foi construída sobre os muros de Koricancha. Os terremotos que destruíram o Convento e a Igreja, preservaram os muros Incas de Koricancha, que construídos de forma inclinada e trapezoidal, eram feitos à prova de terremoto.
Saímos de Koricancha e fomos até a Catedral de Cusco, que reina sobre a Praça das Armas, a maior da cidade. A Catedral começou a ser construída sobre o Palácio do oitavo Inca, Viracocha, em 1560, mas levou cerca de cem anos para ser concluída.
O granito vermelho utilizado foi retirado do sítio arqueológico Sacsayhuamán. Ao lado da Catedral existem duas igrejas interligadas. À esquerda fica a Igreja do Triunfo, a primeira igreja de Cusco e que foi construída, para simbolizar a vitória da Espanha, sobre um dos principais prédios Incas. À direita da Catedral fica a Igreja da Santíssima Trindade.
Em todo o conjunto religioso existe uma grande quantidade de santos, pinturas sacras e altares de ouro e prata. As imagens de Cristo usando um saiote Inca está presente em vários altares e os Porcos da Índia (Cuí), um alimento e oferenda típico dos Incas, fazem parte da Santa Ceia. Ambos representam a influência Inca nas artes sacras de Cusco.

