Depois da Isla del Sol, no lago Titicaca, chegou o momento mais esperado da viagem: a ida ao Salar de Uyuni. Com mais de 10.500 km², e estimados 10 bilhões de toneladas de sal, o salar é o maior deserto de sal do mundo.
Saindo de La Paz, é possível chegar à Uyuni de avião ou de ônibus. São cerca de 500km entre as duas cidades. A viagem de ônibus dura em torno de 9 horas, pois parte da estrada não é asfaltada. Optamos por ir de avião para ganharmos tempo. O vôo dura 50 minutos e sai de La Paz cedo pela manhã, o que permite iniciar o tour no mesmo dia. Voamos pela Amaszonas e a passagem de ida e volta custou R$ 680,00 (comprada com 1 mês de antecedência).
Chegamos em Uyuni e fomos recebidas pelo nosso motorista Johnny. Johnny foi nosso motorista, nosso guia, nosso fotógrafo, nosso cozinheiro e nosso companheiro nos 3 dias de viagem. Não podíamos ter tido um companheiro de viagem mais simpático e atencioso!
Saímos de Uyuni às 10:00 da manhã. A primeira parada foi o cemitério de trens. Nesse local, encontramos diversas locomotivas abandonadas e oxidadas pelo tempo. Eram locomotivas utilizadas no transporte de minério até a costa do pacífico, no início do século XX. Com a segunda guerra e o declínio do comércio, os trens foram abandonados no meio do deserto, criando um “cemitério”.
Depois do cemitério de trens é que entramos no Salar propriamente dito. Na entrada do salar, parte mais próxima à cidade, o chão não fica tão branquinho, por conta da poeira das estradas. É nessa segunda parada que visitamos o primeiro hotel de sal (hoje fechado) e o monumento com bandeiras de vários países fincadas em uma estrela de sal. Encontramos 2 bandeiras do Brasil!
Daí fomos em direção a Isla del Pescado e o que imaginávamos no início do tour se concretizou: o branco do sal ficou mais branco e o azul do céu mais azul! Combinando como nunca! Lindo! A claridade é tamanha que é impossível ficar sem óculos escuros. Momento ideal para fotos.
Como disse antes, Johnny, além de motorista, foi nosso fotógrafo oficial. E nesse momento, ele entrou em ação tirando inúmeras fotos. A imensidão branca e o horizonte a perder de vista favorecem a ilusão de ausência de profundida e de perspectiva, deixando as fotos bem divertidas!
Depois da sessão de fotos, chegamos a Isla del Pescado, uma ilha no meio do deserto de sal com cactos gigantes que chegam a 10 metros de altura. É realmente impressionante! O nome da ilha vem do formato de peixe de seu reflexo no espelho d’água que se forma no período de chuvas (entre dezembro e março). Há um pequeno restaurante na ilha e é ali onde todos param para almoçar.
Próxima parada: museu dos aymaras. Os aymaras foram uns dos primeiros povos indígenas a dominarem a Bolívia, principalmente na região de Oruro e Cochabamba. Ficaram no poder até serem dominados pelos Incas em 1438. É um pequenino museu, improvisado em um casebre com diversos objetos aymaras encontrados em escavações na região. A paisagem ao redor é linda: está rodeado de montanhas e com muitas lhamas! Vale a pena a rápida visita!
O dia vai terminando, a temperatura vai diminuindo e chega a hora de irmos ao hotel. Mas o hotel, não é um hotel qualquer: ele é todo feito de sal. As paredes, as camas, as mesas, tudo, tudo de sal! Foram necessários 35.452 blocos de sal, 32 famílias e 18 meses para que o hotel ficasse pronto.
O atendimento é excepcional e os quartos muito aconchegantes. A calefação é toda por meio de energia solar. Depois de um banho quente mas rápido, para economizar a água, fomos jantar com o inseparável Johnny e brindar o dia perfeito de tivemos. A viagem estava apenas começando.

