A Seul contemporânea, design e cultura pop
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- joaquimnery
- 21 de junho de 2026
- Ásia Coreia do Sul Super Destaque
15 de julho de 2026
Seongsu: o bairro mais criativo de Seul
Saímos mais uma vez de metrô em direção a Seongsu-dong, um dos bairros que melhor representa a transformação urbana de Seul. Antiga área industrial ocupada por fábricas e oficinas, Seongsu passou por um processo de revitalização que preservou galpões e construções antigas, transformando-os em cafés, galerias, ateliês e lojas conceituais. Não por acaso, ganhou o apelido de “Brooklyn de Seul”. O ambiente mistura concreto aparente, design contemporâneo e uma atmosfera jovem e criativa. Caminhar por suas ruas é perceber como a Coreia do Sul consegue reinventar espaços urbanos sem apagar completamente sua história. Seongsu tornou-se uma vitrine da nova economia criativa coreana, onde arte, arquitetura, gastronomia e moda se encontram em perfeita sintonia.

Haus Nowhere: arte e experiências imersivas
Uma das visitas mais interessantes do dia foi à Haus Nowhere, um espaço de varejo dedicado à arte contemporânea e às experiências sensoriais. O conceito das lojas vai muito além de uma galeria tradicional. Luzes, sons, projeções e instalações digitais criam ambientes que convidam o visitante a participar da obra, e não apenas observá-la. Cada sala apresenta uma proposta diferente, explorando percepções, formas e movimentos. A ausência de uma narrativa linear faz com que cada pessoa tenha uma experiência única. A Haus Nowhere reflete uma característica marcante da Coreia do Sul contemporânea: a capacidade de unir tecnologia e criatividade para produzir novas formas de expressão artística. Em um país conhecido pela inovação, a arte também encontrou novas maneiras de dialogar com o público.

Ii Combined: quando o varejo se transforma em arte
Também conhecemos o universo da Ii Combined, grupo responsável por algumas das marcas mais inovadoras da Coreia do Sul, como Gentle Monster (loja de óculos), Tamburins (loja de perfumes) e Nudake (casa de chá e chapéus). O diferencial dessas empresas está em transformar lojas em verdadeiros espaços de experimentação artística. Os ambientes são cuidadosamente concebidos, combinando cenografia, instalações contemporâneas e narrativa visual. Em vez de simplesmente expor produtos, as marcas criam experiências capazes de despertar curiosidade e gerar conexão emocional. Essa nova abordagem do varejo tornou-se uma das marcas da criatividade coreana, mostrando que consumo, design e arte podem caminhar juntos. Mais do que vender produtos, a Ii Combined construiu um conceito de marca associado à experiência.

Gentle Monster: muito além dos óculos
Entre todas as marcas da Ii Combined, a Gentle Monster é provavelmente a mais conhecida internacionalmente. Fundada em Seul, a empresa revolucionou o mercado de óculos ao combinar design ousado com uma identidade visual extremamente forte. Cada loja possui um conceito próprio e funciona quase como uma instalação artística. Esculturas, cenários futuristas e ambientes inesperados transformam a experiência de compra em algo memorável. A marca conquistou celebridades e influenciadores ao redor do mundo e tornou-se um dos símbolos da força criativa da Coreia do Sul. A Gentle Monster representa uma nova forma de pensar moda, arquitetura e experiência.

Jeon Bong-jun: o líder da Revolta Donghak
Em meio aos modernos edifícios de Seul, encontramos a estátua de Jeon Bong-jun (1855–1895), principal líder da Revolta Camponesa Donghak. Defensor de reformas sociais e da resistência contra a corrupção e a influência estrangeira, ele mobilizou milhares de camponeses em um dos movimentos mais marcantes da história coreana. Embora derrotado e executado, Jeon Bong-jun é hoje reverenciado como símbolo da luta por justiça social e da construção da identidade nacional da Coreia. Sua presença em plena Seul moderna mostra como o país valoriza personagens que ajudaram a moldar sua história.

Lotte World Tower: um gigante sobre Seul
No final da tarde seguimos para a Lotte World Tower, um dos edifícios mais altos do planeta. Com 555 metros de altura e 123 andares, a torre domina a paisagem da capital sul-coreana e representa o extraordinário desenvolvimento econômico do país nas últimas décadas. O complexo reúne hotel, escritórios, apartamentos residenciais, shopping center e o Seoul Sky, observatório que proporciona uma vista espetacular sobre Seul e o Rio Han. O design elegante e minimalista reforça o caráter contemporâneo da construção. Vista de longe, a torre já impressiona; vista de dentro, revela toda a grandiosidade da engenharia sul-coreana. É impossível não compará-la aos grandes arranha-céus de Dubai, Kuala Lumpur ou Nova York.


K-pop: a trilha sonora da Coreia contemporânea
Em nenhum outro lugar a força da cultura pop coreana é tão evidente quanto em Seul. O K-pop está presente nas lojas, nos telões, nos cafés e na moda das ruas. Grupos como BTS e BLACKPINK transformaram a música sul-coreana em um fenômeno global e ajudaram a consolidar a chamada Hallyu, a onda cultural coreana. Mais do que música, trata-se de um movimento que influencia comportamento, moda, beleza e entretenimento. A presença da cultura pop é tão forte que faz parte da identidade contemporânea do país. O sucesso internacional desses artistas contribuiu para ampliar a projeção da Coreia do Sul e consolidá-la como uma das maiores potências culturais do planeta.

K-Beauty e a tecnologia da Medicube
Outro setor que acompanha essa expansão global é o da beleza. Visitamos uma loja da Medicube, uma das marcas mais conhecidas do chamado K-Beauty. A empresa combina cosméticos e tecnologia dermatológica, oferecendo produtos e equipamentos voltados para cuidados com a pele e rejuvenescimento. O interesse dos coreanos pelo skincare impressiona e ajuda a explicar por que o país se tornou referência mundial no setor. A busca por inovação e resultados faz parte da filosofia das marcas coreanas, que conquistaram consumidores em todos os continentes.

Um jantar coreano para encerrar o dia
Depois de mais um dia intenso de descobertas, voltamos ao centro da cidade. Durante a estadia em Seul, jantamos duas vezes nos restaurantes do D Tower, uma no Outback e outra no Melting Shop. Naquela última noite em Seul, porém, resolvemos mergulhar definitivamente na culinária local. Escolhemos um restaurante especializado em churrasco coreano, onde a carne é preparada na própria mesa pelos clientes. Entre cortes saborosos, acompanhamentos variados e muita conversa, tivemos uma das experiências gastronômicas mais autênticas da viagem. Era a combinação perfeita para encerrar mais um dia inesquecível em Seul, uma cidade que consegue reunir tradição, inovação, cultura e criatividade como poucas no mundo.

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


