Ficamos hospedados no Hotel The Gateway de excelente qualidade. Saímos à tarde para um tour panorâmico pela cidade. Varanasi é conhecida como Kachi, cidade da luz. Está situada na margem oeste do Rio Ganges e é a cidade hindu mais sagrada da Índia, com tradições religiosas que remontam a mais de 3 mil anos.
Varanasi é a cidade de Shiva, mas a impressão que temos é que é de Todos os Deuses. Não conheço outro lugar no mundo de tão intensa religiosidade e isso se vê em todos os becos e cantos de Varanasi.
A Índia é um dos países mais religiosos do mundo. Induístas, budistas, jainistas, siquistas, muçulmanos e cristãos convivem, nem sempre de forma pacífica nesse país onde existem milhões de Deuses, a sensação que temos é que por aqui todas as coisas e sentimentos são Deuses. De todos eles Shiva é um dos mais adorados e respeitados e Varanasi é a cidade de maior veneração.
A presença de Shiva e da deusa Ganges faz de Varanasi uma cidade de religiosidade máxima. Ela não é famosa pelos templos e sim pela grande manifestação espiritual que possui.
Durante o tour panorâmico deu para perceber que Varanasi é uma cidade confusa e que reúne milhares de peregrinos durante todo o ano. Visitamos o Templo da Mãe Índia, um templo dedicado à deusa Índia. Esse templo possui um imenso mapa no centro com toda a formação do relevo do país.
Na seqüencia, passamos pela universidade de Varanasi e seguimos em direção às Ghat para assistirmos às manifestações religiosas.
As Ghat correspondem às escadarias do Ganges, ladeadas por templos e santuários, onde acontecem as manifestações religiosas e em muitas Ghat as cerimônias de cremação, cobrem mais de 6 km às margens do Rio Ganges. Chegar ao centro dessas manifestações é uma experiência incrível, pois milhares de pessoas se dirigem ao mesmo destino todos os dias. Ladeadas por templos e santuários, as Ghat ecoam o ciclo interminável de rituais hindus.
Pegamos um barco para assistirmos à cerimônia do entardecer. Seguimos até um centro de cremação nas margens do Ganges, onde as fogueiras são colocadas lado a lado para o culto de cremação dos mortos.
Voltamos para a cerimônia do culto religioso para a Deusa Ganges. Assistimos o início do culto no barco e depois nas escadarias da Ghat. A cerimônia é embriagante. Impossível não se deixar levar pela energia que emana daquele lugar. As pessoas, turistas ou não, ficam absolutamente envolvidas pelos sons, cânticos e luzes das cerimônias.
Após a cerimônia voltamos ao hotel. A saída das Ghat é um caos absoluto. Milhares de bicicletas, pessoas, motos, tuc-tucs, carros, etc, num ambiente absolutamente diferente. Em volume de pessoas, a sensação é que ali acontece um “carnaval de salvador” a cada dia.
Varanasi não é uma cidade de templos e sim de espíritos.
Jantamos no excelente restaurante indiano do Hotel
13.03.2010
Acordamos às 5h para visita às Ghat pela manhã. Pegamos um barco e fomos para o rio assistir as pessoas se banharem no rio Ganges no nascer do sol. Mais uma vez impressiona a religiosidade hindu.
O nascer do sol no Rio Ganges observando os rituais de adoração religiosa daquele povo é algo inesquecível. Os barcos vão passeando pelas Ghat enquanto as pessoas pagam promessas ou simplesmentes banham o corpo na água do rio sagrado, para obterem graças nas suas vidas.
Seguimos depois pelas ruelas imundas ao lado das Ghat para chegar ao templo de Shiva, o Vishwanath, onde não podemos entrar, mas apenas observar do lado de fora. Lá dentro, mais demonstração de intensa religiosidade.
O caminho dos becos até o Templo de Shiva é algo inesquecível e às vezes assustador. Becos de 1,5m de largura onde você divide o espaço com vacas, macacos, mendigos e sem nenhuma higiene básica. Num determinado momento temos que deixar todos os pertences para continuar em direção ao templo. Só podemos seguir com dinheiro e passaporte e nada mais. Deixamos tudo (máquina fotográfica, celular, bolsas, etc.), enrolado num tapete de uma loja do beco. Na volta estava tudo lá sob a proteção de Shiva.
O templo possui uma cúpula com 990 kg de ouro e fica num local escondido e com acesso deprimente.
Depois fomos para o aeroporto para pegarmos um vôo para Katmandu.

