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Mercados e comidas de rua em Seul

13 de abril de 2026

DDP: design e arquitetura contemporânea em Seul

Saímos do hotel e pegamos um metrô para a primeira visita do dia. Seguimos para o Dongdaemun Design Plaza (DDP), um dos marcos mais modernos de Seul. Projetado pela arquiteta iraquiana, Zaha Hadid, o edifício se destaca pelas formas curvas e pelo uso de metal, criando uma estrutura futurista. Localizado na região de Dongdaemun, o DDP funciona como centro cultural e de design, abrigando exposições, eventos e atividades ligadas à indústria criativa. O espaço também é integrado a áreas públicas ao redor, conectando arquitetura, cidade e circulação de pessoas. O DDP representa a imagem contemporânea da Coreia do Sul, associando inovação, tecnologia e cultura urbana.

O DDP, Dongdaemun Design Plaza

O projeto de Zaha Hadid em Seul

O Dongdaemun Design Plaza (DDP) é um dos projetos mais emblemáticos da Zaha Hadid, uma das arquitetas mais influentes e inovadoras do mundo contemporâneo, reconhecida por sua arquitetura de formas inovadoras. Em Seul, ela concebeu um edifício sem linhas retas evidentes, marcado por curvas contínuas que criam a sensação de leveza e movimento. A estrutura utiliza milhares de painéis metálicos com formatos diferentes, aplicados por meio de técnicas avançadas de modelagem digital e construção, rompe com a lógica tradicional de blocos e volumes, propondo um espaço integrado, tanto internamente quanto em relação ao entorno urbano. O DDP é um marco da arquitetura contemporânea.

O projeto de Zaha Hadid em Seul

Heunginjimun: o portão leste da muralha de Seul

Caminhando pelas ruas de Seul, passamos pelo Heunginjimun, conhecido como O Grande Portão Leste, é um dos portões históricos da antiga muralha de Seul. Construído no século XIV, durante a Dinastia Joseon, fazia parte do sistema defensivo que cercava a cidade. Diferente de outros portões, o Heunginjimun possui uma estrutura adicional semicircular à frente, reforçando sua função de proteção. A construção combina base de pedra com pavilhão de madeira, seguindo a arquitetura tradicional coreana. O portão permanece preservado em meio à cidade moderna, funcionando como um marco histórico que evidencia a antiga organização urbana da Coreia.

O portão leste da muralha de Seul

A Muralha de Seul

A Muralha de Seul, conhecida como Hanyangdoseong, foi construída no final do século XIV, durante a Dinastia Joseon, para proteger a capital. A estrutura acompanhava o relevo montanhoso da região, formando um sistema defensivo que cercava toda a cidade. Com 18 quilômetros de extensão, a muralha original conectava quatro grandes portões e diversos acessos menores, controlando a entrada e saída de pessoas e mercadorias. Sua implantação respeitava a topografia, utilizando montanhas como parte da defesa natural. Alguns trechos preservados podem ser percorridos a pé, oferecendo vistas da cidade e permitindo compreender a relação entre geografia, estratégia militar e organização urbana na Coreia. A antiga Seul, conhecida como Hanyang, durante a Dinastia Joseon, foi planejada como uma cidade murada, organizada de acordo com princípios geográficos e filosóficos. A localização entre montanhas e o Rio Han seguia princípios do feng shui, buscando equilíbrio entre natureza e ocupação urbana.

A Muralha de Seul

Os Mercados de Seul

Os mercados de Seul são parte essencial da dinâmica urbana e oferecem uma leitura direta do cotidiano da Coreia do Sul. Entre os mais conhecidos está o Gwangjang Market, famoso pela comida de rua. Nesses espaços, é possível encontrar desde ingredientes frescos até roupas, utensílios e produtos típicos. A área gastronômica costuma ser um dos destaques, com barracas que preparam pratos na hora, como panquecas coreanas, macarrões e petiscos variados. Os mercados funcionam como pontos de encontro, refletindo hábitos, sabores e o ritmo cotidiano da cidade. Fundado no início do século XX, o Gwangjang Market, mantém uma atmosfera autêntica, com corredores estreitos e barracas lado a lado. Entre os destaques estão pratos típicos como a panqueca de feijão, os rolinhos de arroz e o macarrão artesanal. A preparação acontece na hora, permitindo acompanhar todo o processo.

Os Mercados de Seul

Makgeolli e Soju, as bebidas tradicionais da Coreia

O makgeolli e o soju são duas das bebidas alcoólicas mais tradicionais da Coreia do Sul, com características bem diferentes. O makgeolli é uma bebida fermentada à base de arroz, com aparência esbranquiçada e levemente turva. Tem baixo teor alcoólico e sabor suave, um pouco adocicado e levemente ácido. Tradicionalmente, é servido em tigelas e associado a uma experiência mais rústica e informal. Já o soju é um destilado claro, com maior teor alcoólico, servido em pequenos copos. É a bebida mais popular do país, presente em refeições, encontros sociais e no cotidiano urbano, especialmente em cidades como Seul. Ambos fazem parte da cultura alimentar coreana e são frequentemente consumidos acompanhando pratos típicos.

Makgeolli e Soju

Almoço no Gwangjang Market

Almoçamos no Gwangjang Market, em meio ao movimento intenso das barracas e ao preparo dos pratos na hora. Optamos por especialidades locais, servidas de forma simples, mas com forte identidade da Coreia do Sul. A refeição foi acompanhada por soju e makgeolli, duas bebidas tradicionais que complementam a experiência. O conjunto: comida, bebida e ambiente, cria uma experiência direta do cotidiano local, marcada pela informalidade e pela interação com o espaço. Provamos um prato típico e exótico. Tentáculos de polvo recém-abatidos, que ainda permanecem em movimento.

Polvo recém-abatidos e ainda em movimento

O Movimento de 1º de Março,

Seguimos pelo centro antigo de Seul, aprendendo um pouco mais sobre a história do país. No dia 1º de março de 1919, aconteceu o movimento pela independência da Coreia. Foi uma das maiores manifestações contra a ocupação do Japão que durou de 1910 a 1945. Líderes coreanos proclamaram a independência e mobilizaram protestos pacíficos em diversas cidades. Milhares de pessoas participaram das manifestações, que rapidamente se espalharam por todo o país. A resposta das autoridades japonesas foi violenta, com repressão, prisões e mortes de manifestantes. Apesar de não ter alcançado a independência imediata, o movimento fortaleceu a identidade nacional coreana e impulsionou a resistência política no exterior. Hoje, o episódio é lembrado como um marco da luta pela soberania e pela autodeterminação da Coreia do Sul.

A estátua de Son Byeong-hui

O Parque Tapgol

A declaração de independência foi lida publicamente no Parque Tapgol, dando início às manifestações. A partir daí, os protestos se espalharam rapidamente por toda a Coreia, alcançando diversas cidades e regiões rurais. Embora tenha começado em Seul, o movimento ganhou caráter nacional. As estimativas mais aceitas indicam que cerca de 7.000 a 7.500 coreanos foram mortos durante a repressão promovida pelo Japão. Aproximadamente 15.000 pessoas ficaram feridas e mais de 40.000 foram presas. No parque destaca-se a estátua de Son Byeong-hui, um dos líderes do movimento. Hoje, o parque funciona como um espaço de lazer no coração de Seul, mas também como um importante local de memória nacional, lembrando a luta do povo coreano por sua autodeterminação e identidade.

O Parque Tapgol

Ikseon-dong, a tradição reinventada em Seul

Seguimos para Ikseon-dong, um dos bairros mais interessantes de Seul, conhecido pela arquitetura tradicional com um contexto contemporâneo. Localizado próximo a áreas históricas, o bairro preserva casas hanok transformadas em cafés, restaurantes e pequenas lojas. Ao caminhar por suas ruas estreitas, é possível perceber o contraste entre a estrutura original das construções e os interiores modernos. Essa adaptação tornou Ikseon-dong um ponto de encontro entre tradição e lifestyle urbano. O bairro reflete uma tendência de revalorização do patrimônio histórico na Coreia do Sul, integrando cultura, gastronomia e design em um mesmo espaço.

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