Um dia inteiro em Seul
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- joaquimnery
- 13 de junho de 2026
- Ásia Coreia do Sul Super Destaque
12 de abril de 2026
A Prefeitura de Seul
Encontramos com a guia Elisa Lee, no hall do Hotel e saímos para um dia inteiro de passeios por Seul, a capital da Coreia do Sul. Começamos o programa com uma visita ao Seoul City Hall, localizado no centro da cidade e que combina um edifício histórico com uma estrutura moderna de arquitetura marcante. A antiga prefeitura, construída no período de dominação japonesa, foi preservada e hoje funciona como biblioteca pública, enquanto o novo prédio, com fachada curva de vidro, abriga as funções administrativas. O contraste entre as duas construções evidencia diferentes momentos da história da Coreia do Sul, integrando passado e presente em um mesmo espaço. O espaço se tornou um dos marcos arquitetônicos da cidade.

A maquete interativa da cidade de Seul
No térreo da moderna Prefeitura, uma enorme maquete da cidade permite compreender a dimensão e a organização da capital sul-coreana. O modelo reproduz com riqueza de detalhes os principais bairros, rios, parques e arranha-céus, ajudando os visitantes a visualizar a expansão urbana de uma metrópole com mais de 25 milhões de habitantes em sua região metropolitana. A experiência torna-se ainda mais interessante graças aos recursos interativos, que utilizam projeções, iluminação, robótica e painéis digitais para destacar áreas específicas da cidade, projetos de desenvolvimento e informações sobre mobilidade urbana. É uma forma didática e envolvente de conhecer Seul, combinando tecnologia, planejamento urbano e participação do público em um dos edifícios mais inovadores da capital coreana.

Cheonggyecheon: o canal urbano de Seul
Seguimos da prefeitura até o Cheonggyecheon, um canal revitalizado no centro de Seul, que se tornou um dos principais espaços públicos da cidade. Originalmente um curso d’água natural, ele foi coberto ao longo do século XX para dar lugar a vias expressas, refletindo a fase de rápida urbanização da Coreia do Sul. No início dos anos 2000, o canal foi restaurado em um grande projeto urbano, removendo a estrutura viária e recuperando o curso de água. Hoje, o Cheonggyecheon funciona como área de lazer, com passarelas, pontes e espaços para caminhada ao longo de vários quilômetros. A revitalização do canal é frequentemente citada como exemplo de requalificação urbana, ao reintegrar natureza e cidade em uma área densamente ocupada.

A Reforma urbana de Seul
A reforma urbana de Seul foi marcada por um processo contínuo de modernização aliado à requalificação de áreas centrais. A cidade passou por rápida urbanização ao longo do século XX, com forte expansão viária e verticalização, refletindo o crescimento econômico da Coreia do Sul. A partir dos anos 2000, houve uma mudança de abordagem, priorizando qualidade de vida e integração com elementos naturais. Um dos exemplos mais emblemáticos é a revitalização do Cheonggyecheon. Esse modelo combina desenvolvimento urbano com sustentabilidade, criando uma cidade mais equilibrada entre infraestrutura, mobilidade e uso do espaço público.

As pedras dos túmulos reais
Ao longo do Cheonggyecheon, algumas pontes e passagens de pedra fazem referência a elementos tradicionais da Coreia. Entre esses elementos, destacam-se pedras que remetem aos túmulos reais da Dinastia Joseon. Esses túmulos eram frequentemente acompanhados por esculturas de pedra, figuras humanas e animais, que simbolizavam proteção espiritual e status. A presença de elementos inspirados nesses conjuntos ao longo do canal cria uma conexão entre a paisagem urbana contemporânea e a tradição histórica coreana. Assim, a travessia pelas pedras no canal não é apenas funcional, mas também simbólica, incorporando referências culturais ao espaço público moderno.

A Dinastia Joseon
Seguimos andando em direção ao Palácio da Dinastia Joseon, que governou a Coreia entre 1392 e 1910, sendo um dos períodos mais longos e influentes da história coreana. Fundada por Yi Seong-gye, a dinastia estabeleceu uma estrutura política centralizada e adotou o confucionismo como base da organização social, moldando costumes, educação e administração. Durante esse período, houve avanços culturais importantes, como a criação do alfabeto coreano (hangul) no século XV, além do desenvolvimento de artes, arquitetura e ciência. A capital foi estabelecida em Seul, onde ainda hoje permanecem palácios e estruturas desse período. A dinastia entrou em declínio no século XIX, diante de pressões internas e externas, culminando com a ocupação japonesa em 1910. Mesmo assim, sua influência permanece visível na cultura e na identidade coreana contemporânea.

O Rei Sejong
O quarto rei da Dinastia Joseon foi Sejong, o Grande, que governou entre 1418 e 1450 e é considerado um dos mais importantes da história da Coreia. Seu principal legado foi a criação do hangul, o alfabeto coreano, desenvolvido para facilitar a alfabetização da população, até então limitada pelo uso de caracteres chineses. Além disso, seu reinado foi marcado por avanços em ciência, tecnologia, agricultura e administração pública. Sejong é lembrado como um governante que buscou ampliar o acesso ao conhecimento e fortalecer a organização do Estado, sendo até hoje uma figura central na identidade cultural da Coreia do Sul.

Gyeongbokgung: o principal palácio da Dinastia Joseon
Seguimos andando até o Gyeongbokgung, o principal palácio da Dinastia Joseon. Construído no final do século XIV. Foi a sede do poder real e o centro político da Coreia durante grande parte desse período. O complexo é amplo e organizado em pátios sucessivos, com edifícios que refletem a hierarquia e as funções da corte. Havia uma multidão visitando o Palácio. O salão do trono é o destaque, utilizado para cerimônias oficiais. Ao fundo, as montanhas ajudam a compor a paisagem, integrando arquitetura e natureza. O palácio Gyeongbokgung foi destruído e reconstruído ao longo do tempo, especialmente após a ocupação japonesa, e hoje é um dos principais marcos históricos da Coreia do Sul.

Trajes típicos na visita ao palácio
Durante a visita ao Gyeongbokgung, em Seul, é comum ver pessoas vestindo o hanbok, traje tradicional da Coreia. O vestuário chama atenção pelas cores vivas, tecidos leves e formas amplas, com saias longas para as mulheres e conjuntos mais estruturados para os homens. Muitos visitantes alugam o hanbok nas proximidades do palácio para circular pelo espaço e registrar fotos, criando uma conexão visual com o período da Dinastia Joseon. Em alguns casos, o uso do traje também garante entrada gratuita no palácio, incentivando a prática. A presença desses trajes reforça a experiência cultural da visita, aproximando o público da história e da estética tradicional coreana.

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


