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Avistagem de baleias em Husavik

04 de agosto 2024

O desafio da navegação nos mares polares

Estávamos navegando pelo extremo norte da Islândia, na borda do Mar Glacial Ártico. Após dois dias de navegação complicada, por um mar bastante agitado, seguimos da Ilha Vigur para Husavik, e a navegação foi terrível. Tempestade em alto mar o tempo inteiro. O Capitão avisou e alertou para que os passageiros que precisassem, não hesitassem em tomar remédios para enjoou. A noite foi muito complicada. Os tripulantes que estavam a bordo e acostumados a viajar por todos os oceanos, ficaram assustados e frequentemente comparavam aquela noite com a temida navegação da Passagem de Drake, do Atlântico Sul, entre a Terra do Fogo e a Antártida, uma das mais temidas de todos os oceanos. Falavam de ondas entre quatro e cinco metros durante a madrugada. Foi a noite mais difícil dessa aventura no Mar Glacial Ártico.

As rotas de navegação nos mares do Ártico

Atracamos no porto de Husavik

Finalmente chegamos ao porto abrigado de Husavik e o tempo melhorou. O fiorde onde fica o porto cria uma condição ideal para atracação. A expectativa para o programa em Husavik era grande. Esse é o melhor lugar da Islândia para avistagem de baleias. Não conseguimos vagas nas excursões que estavam disponibilizadas para os hóspedes, mas não foi difícil encontrar um programa alternativo e semelhante, no cais do porto.

Atracamos no porto de Husavik

A capital europeia da observação de baleia

Husavik é uma pequena cidade do norte da Islândia, nas margens da Baía Skjalfandi. Possui 2.822 habitantes. É considerada a capital dos safaris de observação de baleias. Existem algumas empresas de turismo, que prestam serviços para os navios de cruzeiro e outros visitantes que chegam alí, em busca de um programa para avistamento de baleias. Husavik é a capital europeia da observação de baleia. A informação que tínhamos era de que não haveria lugar melhor para ver de perto esses gigantes do oceano.

A capital europeia da observação de baleia

Observando pássaros e baleias

Não houve necessidade de usar os Zodíacos. O navio conseguiu ancorar no porto. Seguimos até o caís e procuramos um programa de observação de baleias na cidade. Entramos num dos barcos que fazem esse tipo de tour. Estava bastante cheio, com pessoas do mundo inteiro. Foram 3 horas de observação de pássaros e baleias. O programa é guiado e a todo momento tínhamos informações sobre o que estávamos observando. Não vimos muitas baleias, mas o programa valeu a pena. 

Observando pássaros e baleias

As Baleias de Minke

Encontramos algumas Baleias de Minke, as menores baleias que existem, podendo alcançar no máximo 10 metros de comprimento e pesar em torno de 9 toneladas. Vive mais de 50 anos e realizam uma migração anual das águas polares para tropicais.

Baleias de Minke

As Baleias Jubarte

Avistamos também algumas Baleias Jubarte. A Baleia Jubarte é uma das mais conhecidas e mais admiradas dentre as grandes baleias que habitam os mares do planeta. É muito comum na Baía Skjálfandi. São gigantes dóceis, que chegam a 16 metros de comprimento e podem pesar até 40 toneladas. As jubartes são famosas pela identificação da sua cauda cuja face inferior possui padrões de coloração em branco e preto e que são únicos para cada indivíduo, permitindo sua identificação, como uma espécie de “impressão digital”.

Husavik

Vimos poucas baleias

No final do programa, houve uma sensação de frustração, pois esperávamos ver mais. Já tínhamos feito alguns programas de avistamento de baleias anteriormente. No Alasca, na Praia do Forte, na Praia do Forte, na Bahia e na Baía de Vancouver, no Canadá. Todos esses programas foram muito melhores que o de Husavik. Ficamos com uma sensação de que as baleias haviam fugido de Husavik, aonde foram e continuam sendo caçadas em larga escala.

Vimos poucas baleias

A Islândia ainda caça baleias

A Islândia é um dos três países do mundo que autoriza a caça às baleias.  É uma atividade polêmica. Na temporada de 2024, o governo autorizou a caça de 128 baleias-comuns para a temporada que vai de meados de junho a setembro. Esta cota inclui 99 baleias na região da Groenlândia e a oeste da Islândia, e 29 a leste desta ilha do Atlântico Norte até as Ilhas Faroe. Organizações de defesa dos animais condenaram a decisão tomada pelo governo islandês. Historicamente a caça às baleias sempre foi uma atividade importante para o país.

A Islândia ainda caça baleias

Um cenário deslumbrante

A bela cidadezinha de Husavik é o povoado mais antigo da Islândia. Fica emoldurada pela montanha Húsavíkurfjall, criando um cenário deslumbrante para os pequenos armazéns de madeira da cidade, as casas vermelho-cereja e os navios de pesca.

Um cenário deslumbrante

O Museu das Baleias

Quando voltamos do passeio para avistamento das baleias, decidimos almoçar em um dos bons restaurantes que ficam por ali, na beira do cais da cidade de Husavik. Após o almoço, seguimos para o interessante Museu das Baleias da cidade. É uma viagem interessante pela relação da Islândia com os gigantes do mar. Esqueletos de baleias, mapas e instrumentos antigos de navegação e pesca desses animais, faziam parte do acervo desse bom museu.

O Museu das Baleias

A Encantadora Igreja de Húsavík

Localizada no coração de Húsavík, a charmosa Húsavíkurkirkja é um dos marcos desta cidade islandesa. Construída em 1907, é um belo exemplo da arquitetura tradicional escandinava, com estrutura de madeira pintada de branco e detalhes em verde escuro. Inspirada no estilo das igrejas norueguesas de madeira. Possui uma torre imponente com vistas panorâmicas da cidade e da baía de Skjálfandi.

A Igreja de Húsavík

Voltamos para o Silver Wind

Continuamos circulando pela cidade de Husavik e depois voltamos para o Silver Wind. À noite seguimos para o teatro do navio onde houve uma apresentação à bordo sobre o dia seguinte e soubemos que a navegação seria mais uma vez muito difícil.

Voltamos para o Silver Wind

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