01 de janeiro de 1992
Um último passeio pelos canais de Amsterdam
O primeiro dia de 1992 começou ainda em Amsterdam. Antes de deixar a cidade, decidimos fazer um programa que até hoje considero indispensável para quem a visita: um passeio de barco pelos seus famosos canais. Depois do café da manhã, seguimos para o cais turístico, próximo ao Hotel De L’Europe, e pegamos uma embarcação panorâmica que percorre algumas das paisagens mais conhecidas da capital holandesa. Navegar pelos canais oferece uma perspectiva completamente diferente da cidade. As pontes, as bicicletas, as fachadas estreitas das casas e o movimento tranquilo das águas ajudam a compreender por que Amsterdam é considerada uma das cidades mais bonitas da Europa. O passeio também revela detalhes da arquitetura local que muitas vezes passam despercebidos durante uma caminhada pelas ruas.
Casas flutuantes e um modo de vida peculiar
Durante a navegação, um dos aspectos que mais chamou minha atenção foi a quantidade de barcos transformados em moradia. Muitos deles estavam permanentemente ancorados, ligados às redes de água, energia, gás e esgoto, funcionando como verdadeiras casas flutuantes. Alguns possuíam pequenos jardins, varandas e áreas de convivência, criando um cenário bastante curioso para quem vinha do Brasil no início da década de 1990. Era uma solução criativa para viver em uma cidade onde a água faz parte do cotidiano e do próprio desenho urbano. Na época, já se comentava que o número dessas embarcações havia crescido muito, tornando-se um desafio para o planejamento urbano de Amsterdam.
Van Gogh, um moinho e a estrada para Haia
Nossa intenção era visitar o Museu Van Gogh antes de seguir viagem, mas o feriado de Ano-Novo manteve suas portas fechadas. Restou apenas registrar algumas lembranças da cidade e pegar a estrada rumo a Haia, conhecida pelos holandeses como Den Haag. No caminho, fizemos uma rápida parada para fotografar um dos tradicionais moinhos que pontuam a paisagem rural dos Países Baixos. Era exatamente a imagem que imaginávamos encontrar: campos planos, canais, céu cinzento e um moinho que parecia resumir séculos da história holandesa. Pequenas paradas como essa acabavam se tornando parte importante da viagem, permitindo observar muito além das grandes cidades.
Madurodam: a Holanda em miniatura
Chegamos a Haia no final da tarde e seguimos diretamente para Madurodam, um dos lugares mais interessantes da cidade. O parque reúne réplicas em escala reduzida dos principais monumentos, cidades, portos, aeroportos, ferrovias, diques e paisagens holandesas. Tudo funciona em perfeita harmonia, com trens circulando, embarcações navegando, iluminação e pequenos movimentos que dão vida ao conjunto. Era como percorrer toda a Holanda em poucas horas. Para quem visita o país pela primeira vez, Madurodam oferece uma excelente visão da geografia, da engenharia e da organização urbana que caracterizam os Países Baixos, tornando-se uma atração que continua encantando visitantes de todas as idades.
O imprevisto que ninguém espera
Depois da visita, seguimos para almoçar no Hotel Pullman. Estacionamos o carro em frente ao hotel e, ao retornar, encontramos uma cena que todo viajante teme: um dos vidros havia sido quebrado e o toca-fitas do carro havia sido roubado. Foi um choque. Naquele momento, a sensação de segurança que normalmente associávamos à Europa deu lugar à surpresa e à frustração. Era um lembrete de que nenhum destino está completamente livre da criminalidade e que situações desagradáveis podem acontecer em qualquer lugar do mundo. Felizmente, o prejuízo foi apenas material, mas a experiência ficou gravada para sempre em nossa memória como um dos episódios mais marcantes daquela primeira viagem.
Seguindo viagem apesar dos contratempos
Como não encontramos uma concessionária Mercedes aberta em Haia, improvisamos uma proteção com plástico sobre o vidro quebrado e seguimos viagem em direção a Rotterdam, enfrentando o frio intenso do inverno europeu. Chegamos já à noite e nos hospedamos no Hotel Pax, deixando para o dia seguinte a tarefa de registrar a ocorrência policial e providenciar o reparo do carro. Viajar também é isso: aprender a lidar com imprevistos, reorganizar os planos e continuar seguindo em frente. Passados tantos anos, o roubo deixou de ser o principal assunto daquele dia. O que permanece vivo na memória são os canais de Amsterdam, a beleza de Madurodam e a certeza de que nenhuma dificuldade foi capaz de diminuir o encanto daquela inesquecível primeira viagem pela Europa.
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