Da Place Vendôme à Ópera Garnier: um passeio elegante por Paris
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- joaquimnery
- 4 de agosto de 2026
- Europa França Super Destaque
30 de dezembro de 1991
Um dia para descobrir a Paris da elegância
À medida que os dias passavam, Paris revelava novas facetas. Depois de conhecer monumentos históricos, bairros boêmios e alguns dos mais importantes museus da cidade, chegou o momento de explorar uma região onde arquitetura, luxo, comércio e cultura convivem em perfeita harmonia. Naquele dia caminhamos por algumas das áreas mais sofisticadas da capital francesa, passando pela Place Vendôme, pela magnífica Ópera Garnier e pelas históricas Galeries Lafayette. Era um roteiro completamente diferente dos anteriores. Em vez da Paris medieval da Île de la Cité ou da atmosfera artística de Montmartre, encontrávamos agora uma cidade marcada pela elegância, pela alta-costura e por edifícios que representam o auge da arquitetura francesa dos séculos XVII ao XIX.
O Arco do Triunfo do CarrosselPlace Vendôme, uma das praças mais elegantes da Europa
Nossa primeira parada foi a Place Vendôme, considerada uma das praças mais sofisticadas de Paris. Construída no final do século XVII durante o reinado de Luís XIV, ela apresenta um traçado perfeitamente simétrico, cercado por edifícios de fachada uniforme que refletem a arquitetura clássica francesa. Caminhar por aquele espaço era compreender por que Paris se tornou referência mundial em urbanismo e planejamento. Ao longo dos séculos, a praça passou a abrigar joalherias, boutiques de luxo, bancos e hotéis que transformaram a região em um dos endereços mais exclusivos da cidade. Mesmo sem comprar nada, era impossível não admirar a elegância do conjunto arquitetônico, preservado praticamente como foi concebido há mais de trezentos anos.
Place VendômeA Coluna Vendôme e a marca de Napoleão
No centro da praça ergue-se a Coluna Vendôme, um dos monumentos mais simbólicos do período napoleônico. Inspirada na Coluna de Trajano, em Roma, foi inaugurada em 1810 para celebrar a vitória francesa na Batalha de Austerlitz. Seu revestimento em bronze, produzido com o metal de canhões capturados dos exércitos derrotados, apresenta relevos em espiral que narram episódios das campanhas militares de Napoleão Bonaparte. No topo encontra-se a estátua do imperador, reforçando o caráter comemorativo da obra. Para quem sempre estudou História e Geografia, era impossível observar aquele monumento sem recordar as transformações políticas que marcaram a Europa durante o início do século XIX.
A Coluna VendômeRitz Paris, um endereço cercado de histórias
Na Place Vendôme encontra-se também um dos hotéis mais famosos do mundo: o Ritz Paris. Inaugurado em 1898 por César Ritz, rapidamente tornou-se sinônimo de luxo e sofisticação. Ao longo de sua história hospedou reis, chefes de Estado, artistas, escritores e celebridades de diferentes épocas. Coco Chanel viveu durante décadas em uma de suas suítes, Ernest Hemingway frequentava seu lendário bar, e o hotel ficou definitivamente ligado à memória da princesa Diana, que dali saiu pouco antes do acidente fatal ocorrido em 1997. Mesmo observando apenas sua elegante fachada, era fácil compreender por que o Ritz se tornou parte da própria história de Paris.
Ritz ParisAs vitrines que transformaram Paris na capital da moda
Ao deixarmos a Place Vendôme, seguimos caminhando por uma região conhecida mundialmente por suas boutiques de alta-costura. Nomes como Chanel, Cartier, Van Cleef & Arpels, Boucheron e Dior dividem espaço com algumas das joalherias mais tradicionais do planeta. A elegância das vitrines fazia parte da experiência, mesmo para quem não tinha intenção de comprar. Paris parecia transformar o comércio em uma forma de expressão artística, valorizando arquitetura, iluminação, design e apresentação dos produtos. Aos poucos entendíamos por que a cidade consolidou sua posição como uma das maiores referências mundiais da moda e do luxo.
A elegância das vitrinesA imponência da Ópera Garnier
Seguimos então para um dos edifícios mais impressionantes de Paris: a Ópera Garnier. Construída entre 1861 e 1875, durante o grande programa de remodelação urbana conduzido pelo Barão Haussmann, ela representa uma das obras-primas da arquitetura do Segundo Império Francês. Sua fachada exuberante reúne colunas, esculturas, baixos-relevos e figuras douradas que celebram a música, a dança e o teatro. O conjunto transmite uma sensação de grandiosidade rara. Mesmo do lado de fora, permanecemos alguns minutos admirando cada detalhe da construção, considerada por muitos um dos edifícios mais belos da capital francesa.
A Ópera GarnierUm espetáculo antes mesmo da apresentação
Ao entrar na Ópera Garnier, tivemos a sensação de estar visitando um palácio. O grande vestíbulo, as escadarias monumentais, os salões revestidos em mármore e as centenas de luminárias revelavam um nível de riqueza artística difícil de descrever. Cada ambiente parecia ter sido concebido para impressionar os visitantes antes mesmo do início de qualquer espetáculo. A famosa escadaria central, eternizada em filmes e fotografias, era ocupada pela aristocracia parisiense como um verdadeiro palco social durante as noites de ópera. Caminhar por aqueles corredores era compreender que o edifício foi projetado não apenas para apresentações musicais, mas também como símbolo do prestígio cultural da França.
A escadaria da Ópera GarnierO salão que inspirou “O Fantasma da Ópera”
Entre os ambientes mais marcantes estava o grande auditório, decorado em tons dourados e vermelhos, com seu imenso lustre central e o teto pintado por Marc Chagall na década de 1960. A combinação entre tradição e arte contemporânea produzia um efeito surpreendente. A Ópera Garnier tornou-se conhecida mundialmente também por inspirar o romance O Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux, publicado em 1910. A existência de galerias subterrâneas e de um reservatório de água sob o edifício ajudou a alimentar o imaginário em torno da obra. Conhecer aquele espaço pessoalmente tornava a história ainda mais fascinante.
Opera de ParisGaleries Lafayette, um templo do consumo
A poucos metros da Ópera chegamos às Galeries Lafayette, inauguradas em 1894 e consideradas uma das lojas de departamentos mais famosas do mundo. Muito mais do que um centro de compras, o edifício tornou-se uma atração turística por sua extraordinária arquitetura. Ao entrar no salão principal, fomos imediatamente atraídos pela magnífica cúpula de vidro colorido em estilo art nouveau, instalada em 1912. A luz atravessava os vitrais e iluminava os vários andares da loja, criando um ambiente elegante e acolhedor. Mesmo para quem não pretende fazer compras, vale a pena visitar o edifício apenas para admirar sua beleza arquitetônica.
Galeries LafayettesModa, gastronomia e um panorama de Paris
As Galeries Lafayette reúnem algumas das principais marcas internacionais de moda, perfumaria, joias, decoração e gastronomia. Percorremos seus diferentes pavimentos observando vitrines cuidadosamente produzidas e ambientes que refletem o refinamento do comércio parisiense. Mais do que um shopping, o local funciona como uma vitrine da criatividade francesa. No último andar, aproveitamos também o terraço panorâmico, de onde é possível contemplar diversos monumentos da cidade, incluindo a Torre Eiffel, a Ópera Garnier e os telhados típicos de Paris. Era mais uma oportunidade de observar a capital francesa sob uma nova perspectiva.
Galeries LafayettesUm dia que revelou outra face de Paris
Ao final daquele passeio, percebemos que Paris é uma cidade formada por múltiplas identidades. Em poucos dias havíamos conhecido a Paris medieval da Île de la Cité, a Paris artística de Montmartre, a Paris intelectual de Saint-Germain-des-Prés e, agora, a Paris elegante da Place Vendôme, da Ópera Garnier e das Galeries Lafayette. Cada bairro apresentava uma personalidade própria, construída ao longo dos séculos. Essa diversidade talvez seja um dos maiores encantos da cidade. Mais do que acumular monumentos, Paris reúne diferentes formas de viver, produzir arte, fazer comércio e preservar sua história. Foi justamente essa riqueza de experiências que transformou nossa primeira viagem à Europa em uma lembrança inesquecível e consolidou uma paixão que permanece viva até hoje.
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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


