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Mais histórias sobre o “Castelo do Drácula”

25 de setembro de 2026

A “Condessa de Sangue” da Transilvânia

Outro personagem assustador associada à Transilvânia foi a condessa húngara Elizabeth Báthory, que viveu entre 1560 e 1614 e se tornou uma das figuras mais sombrias do folclore da Europa Central. É importante separar o que está documentado do que foi acrescentado posteriormente pela lenda. Báthory pertencia a uma das famílias mais poderosas do Reino da Hungria. Depois de se casar com o conde Ferenc Nádasdy, passou boa parte da vida em propriedades da família, especialmente no Castelo de Čachtice, atualmente na Eslováquia. Entre o final do século XVI e o início do XVII começaram a circular acusações de que jovens empregadas desapareciam ou morriam em suas propriedades. Em 1610, autoridades húngaras abriram uma investigação. Testemunhas relataram torturas e assassinatos de meninas e jovens mulheres. Alguns depoimentos falavam em dezenas de vítimas; números muito maiores, chegando a 650, surgiram em relatos posteriores e não possuem comprovação histórica.

A “Condessa de Sangue” da Transilvânia

A lenda do banho de sangue

A história mais famosa sobre Báthory, diz que a condessa matava jovens virgens e se banhava em seu sangue porque acreditava que isso conservaria sua juventude. Esse detalhe, porém, não aparece nos documentos contemporâneos às investigações. A história dos banhos de sangue surgiu mais de um século depois e acabou transformando Báthory na “Condessa de Sangue”. Há também historiadores que questionam até que ponto as acusações originais foram verdadeiras ou exageradas. Como Báthory era uma viúva rica e poderosa, existem interpretações de que interesses políticos e financeiros podem ter contribuído para sua queda. Isso não permite concluir que fosse inocente, mas torna a história bem mais simples do que a lenda. Elizabeth Báthory não era da Transilvânia, embora sua família tivesse fortes ligações com a região. Seu tio, Stephen Báthory, foi príncipe da Transilvânia e posteriormente rei da Polônia.

O banho de da Condessa Elizabeth Báthory

O Castelo de Bran: Da fortaleza estratégica à residência real

Um capítulo importante sobre o Castelo de Bran começou em 1920, quando o castelo foi oferecido à Rainha Maria da Romênia. Ela transformou a antiga fortaleza em residência real e imprimiu ao interior um caráter muito mais acolhedor. Depois, Bran passou para sua filha, a princesa Ileana. Com a implantação do regime comunista, a propriedade foi nacionalizada em 1948. Décadas mais tarde, após a queda do comunismo, o castelo acabou devolvido aos descendentes da família real.

A Rainha Maria e a Princesa Ileana

A Rainha Maria, da Romênia

A Rainha Maria, da Romênia foi fundamental para a formação da Romênia moderna e a história do Castelo de Bran. Nasceu na Inglaterra. Era neta da rainha Vitória, pelo lado paterno, e neta do czar Alexandre II da Rússia, pelo lado materno. Cresceu no centro da complexa rede de famílias reais europeias do final do século XIX. Aos 17 anos, casou-se com o príncipe herdeiro Fernando da Romênia, que se tornaria o rei Fernando I em 1914. Durante a Primeira Guerra Mundial ganhou enorme popularidade. A Romênia entrou no conflito em 1916 ao lado da Tríplice Entente (França, Reino Unido e Rússia). Maria trabalhou junto a hospitais e soldados feridos, aparecendo frequentemente vestida como enfermeira. Sua atuação lhe rendeu a imagem de “Rainha Soldado” e fortaleceu muito sua ligação com a população.

A Rainha Maria, da Romênia

Uma Rainha Diplomata

Depois da guerra, Maria teve uma atuação incomum para uma rainha consorte. Em 1919, foi a Paris durante as negociações de paz e encontrou-se com líderes mundiais. Seu objetivo era defender os interesses territoriais da Romênia. Naquele período consolidou-se a Grande Romênia, incorporando, entre outros territórios, a Transilvânia. A presença da Rainha Maria em Paris tornou-se um dos episódios mais conhecidos de sua trajetória política. A ligação com o Castelo de Bran começou em 1920, quando os habitantes de Brașov ofereceram o castelo à rainha como demonstração de gratidão. Maria se apaixonou pelo lugar e transformou a antiga fortaleza em uma de suas residências favoritas. Mandou adaptar os interiores, criou ambientes mais confortáveis e decorou o castelo. É por isso que, ao visitar Bran, uma parte importante dos aposentos está relacionada à rainha, e não a Vlad Țepeș.

O Castelo de Bran

O coração ficou na Romênia

A Rainha Maria morreu em 1938, aos 62 anos. Seu corpo foi sepultado junto ao marido, o Rei Fernando, no mosteiro de Curtea de Argeș. Ela, porém, deixou uma determinação bastante particular: queria que seu coração fosse enterrado separadamente, em sua residência de Balchik, às margens do Mar Negro, lugar pelo qual tinha enorme afeição. Depois das mudanças territoriais ocorridas na região, o coração foi transferido. Atualmente, o relicário que o contém está no Castelo de Pelișor, em Sinaia, na Transilvânia. Ao conhecer o Castelo de Bran, encontramos muito mais vestígios da Rainha Maria do que do próprio Drácula. O Castelo de Bran vale a visita, pois é uma autêntica fortaleza medieval dos Cárpatos, com uma história que atravessa a Transilvânia saxônica, a monarquia romena e o imaginário criado em torno de Drácula.

O Coração da Rainha Maria

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