25 de agosto de 2017
Skagway, a “capital” do ouro do Alasca
No quarto dia do cruzeiro a bordo do Norwegian Sun, ancoramos em Skagway, uma pequena cidade na costa do Alasca, no extremo norte da Inside Passage. Esse lugar pitoresco ganhou fama no século XIX por ter sido o coração da lendária Corrida do Ouro do Klondike.
A febre do ouro no Klondike
Em 1896, a descoberta de grandes jazidas de ouro nas águas do Rio Yukon, afluente do Rio Klondike, atraiu milhares de aventureiros de todas as partes do mundo. O acesso era árduo: temperaturas extremas, montanhas íngremes e vales profundos tornavam a jornada quase impossível. Skagway rapidamente se transformou em uma típica cidade sem lei do Velho Oeste americano.
O Klondike Gold Rush
Ainda hoje, o centro histórico preserva fachadas coloridas de madeira que parecem cenários de filme. Caminhar por suas ruas é voltar no tempo e imaginar a vida difícil — e ao mesmo tempo empolgante — daqueles que arriscaram tudo em busca de riqueza.
O Red Onion Saloon: memórias do Velho Oeste
Um dos pontos mais curiosos da cidade é o Red Onion Saloon, aberto em 1897. Na época da Corrida do Ouro, funcionava como bar e bordel, recebendo garimpeiros exaustos da trilha até o Yukon. Hoje, transformado em restaurante e atração turística, mantém a atmosfera irreverente daquele período. As garçonetes trabalham vestidas a caráter, e há até um museu do bordel, que diverte os visitantes com histórias e objetos originais.
A ferrovia épica do White Pass
No auge da corrida, Skagway chegou a receber cerca de 100 mil aventureiros. Atualmente, tem pouco mais de 900 habitantes permanentes, número que dobra durante o verão, quando recebe navios de cruzeiro como o nosso.
O White Pass
O grande feito da cidade foi a construção da White Pass & Yukon Route Railroad, entre 1898 e 1900. Essa ferrovia histórica venceu os obstáculos da Cordilheira das Rochosas com ousadia: mais de 10 mil homens trabalharam na obra e foram usadas 50 mil toneladas de explosivos. Em apenas 26 meses, concluíram uma linha férrea de 26 milhas, considerada até hoje uma obra-prima da engenharia.
A Klondike Highway
Fizemos o passeio de trem até a fronteira com o Canadá e retornamos pela Klondike Highway. A cada curva, a paisagem se transformava: primeiro florestas densas, depois tundras, líquens e taigas típicas das regiões subpolares. Uma viagem que mistura história e natureza bruta.
O espetáculo dos salmões no verão
Ao caminhar por Skagway, testemunhamos outro fenômeno marcante do Alasca: a migração dos salmões do Pacífico. Milhões deles sobem os rios para se reproduzir, em um esforço tão intenso que, após a desova, morrem de exaustão.
Pegando o salmão com a mão
O rio que corta a cidade estava abarrotado de salmões agonizantes, enquanto outros já jaziam mortos nas margens. O cheiro forte era inevitável, mas fazia parte de um ciclo natural fascinante, que sustenta a vida selvagem da região e atrai ursos, águias e outros animais.
Skagway hoje
Skagway pode ser pequena, mas guarda histórias grandiosas. Entre fachadas de madeira que remetem ao Velho Oeste, trilhas da Corrida do Ouro e a impressionante ferrovia do White Pass, a cidade nos leva a reviver um dos capítulos mais intensos da história do Alasca.
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