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Igreja e Convento de São Francisco de Assis, em Salvador

18 de maio de 2019

O Cruzeiro de São Francisco

Estávamos no centro histórico de Salvador, no Terreiro de Jesus. Anexo ao Terreiro fica o largo da Igreja e Convento de São Francisco. Uma grande cruz na entrada do largo anuncia a chegada a um lugar especial nessa parte da cidade. O Cruzeiro de São Francisco foi erguido entre 1805 e 1808, numa peça única de pedra calcária. Compõe com harmonia o conjunto arquitetônico do largo. A presença de cruzeiros é uma característica típica das igrejas franciscanas.

O Largo do Cruzeiro do São Francisco

Essa é uma das áreas mais movimentadas do Centro Histórico. A presença de vendedores ambulantes, artistas de rua e baianas vestidas com trajes típicos que vendem lembranças da Bahia, sobretudo fitas do Bonfim, é comum no largo do Cruzeiro de São Francisco.

A Igreja de São Francisco

A Igreja de São Francisco

Chegamos até o Convento e Igreja de São Francisco de Assis. Um lugar que considero especial por vários aspectos. No início da minha vida profissional, cheguei a ser guia da igreja por dois anos seguidos e trago memórias boas dessa época. Aprendi a admirar a Igreja de São Francisco como uma rara obra de arte do barroco brasileiro. Chegava a passar horas sentado nos bancos da igreja, buscando encontrar novos detalhes no trabalho espetacular dos entalhes barrocos banhados a ouro.

O interior da Igreja de São Francisco

O conjunto é Patrimônio da Humanidade e tombado pelo IPHAN. Foi erguido nos séculos XVII e XVIII e é considerado uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. Uma obra-prima do barroco brasileiro. A decoração da Igreja é suntuosa, com predominância de entalhes folheados a ouro. Todo o seu interior é ricamente decorado. Estima-se que tenha sido usado uma tonelada de ouro na decoração do interior da igreja.

Detalhe da decoração da Igreja de São Francisco

O Convento é anterior à Igreja. Foi fundado pelos franciscanos e data de 1585. A obra da Igreja começou no final do século XVII e somente foi concluída no final do século XVIII. Os franciscanos disputavam com os jesuítas a preferência dos fiéis e isso era traduzido em igrejas cada vez mais pomposas.

A rica decoração da Igreja do São Francisco

A Praça da Sé e O Terreiro de Jesus

No interior da Igreja as imagens em policromia são de uma riqueza de obras sacras inigualável. Muitos dos trabalhos em madeira são feitos de jacarandá esculpido. O maior destaque fica para a imagem do São Pedro de Alcântara esculpida pelo artista baiano Manoel Inácio da Costa. Uma obra prima da arte sacra brasileira.

A imagem do São Pedro de Alcântara

Outro destaque da Igreja é a portaria que dá acesso ao convento. O teto possui uma pintura em perspectiva feita por José Joaquim da Rocha. Os turistas adoram observar a forma como a pomba do Espírito Santo parece se mover em todas as direções à medida em que eles se deslocam ao redor da sala.

A pomba do Espírito Santo é destaque na portaria da igreja.

O belo conjunto de azulejos portugueses que reveste o claustro e a sacristia reproduz cenas bíblicas e da vida de São Francisco de Assis. Encontrei amigos da época em que fui guia de turismo e matei a saudade da Igreja de São Francisco.

O belo claustro do Convento de São Francisco
Azulejos portugueses no claustro do Convento de São Francisco

A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco

Ao lado da Igreja de São Francisco fica outra maravilha do barroco brasileiro. A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco com a sua fachada espetacular e que também é Patrimônio da Humanidade da UNESCO. Chegou a ser indicada como uma das Sete Maravilhas do Brasil. A igreja é do século XVIII e foi construída pela Ordem Terceira de São Francisco. A fachada ricamente decorada em alto relevo é a sua principal riqueza.

A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco

Nessa mesma época, a fachada espetacular foi coberta por argamassa com o objetivo de esconder o rico trabalho dos entalhes na pedra considerado fora de moda na época. A fachada barroca foi esquecida pelo tempo. Em 1932, foi redescoberta por um acidente, quando um eletricista fazia trabalhos no lugar e um pedaço do reboco caiu. A partir daí, todo o reboco de argamassa foi retirado e o esplendor da fachada barroca voltou a aparecer.

A bela fachada barroca da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco

O interior da igreja foi refeito no século XIX, em estilo neoclássico com talhas douradas ao redor.

O interior da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco

Um dos destaques da igreja fica para o conjunto de azulejos portugueses que rodeiam o pátio interno. O desenho dos azulejos representa a paisagem de Lisboa antes do terremoto que destruiu totalmente a cidade em 1755.

Azulejos portugueses no claustro da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco

 

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