A COP 30 e os desafios de Belém
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- joaquimnery
- 8 de fevereiro de 2025
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- Brasil Pará Super Destaque
11 de setembro de 2024
Garças e urubus
Nos arredores do Mercado Ver-o-Peso, é comum avistar garças e urubus sobrevoando ou empoleirados nos telhados e estruturas próximas. As garças, com sua elegância e plumagem branca, costumam ficar à beira da Baía do Guajará, em busca de restos de peixe descartados pelos feirantes. Já os urubus, atraídos pelos resíduos orgânicos e pelo cheiro forte do mercado, fazem parte do cenário natural, cumprindo seu papel na limpeza do ambiente. No próximo ano, Belém vai sediar a COP 30.

A COP 30
A COP30 é a maior conferência climática do mundo, acontecerá em Belém entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025. O evento reunirá líderes globais, cientistas, ambientalistas e representantes da sociedade civil para debater soluções urgentes contra as mudanças climáticas. Escolher a Amazônia como sede dessa discussão é um marco histórico, pois coloca a floresta tropical no centro das atenções e aproxima as decisões políticas da realidade da região. Para Belém, essa é uma oportunidade única de ganhar visibilidade internacional e impulsionar investimentos em infraestrutura e sustentabilidade. No entanto, a cidade enfrenta desafios como a modernização do transporte público, a ampliação da rede hoteleira e melhorias em saneamento e segurança para receber milhares de visitantes.

As “veias abertas de Belém”
Com um investimento bilionário do governo federal, a expectativa é que a COP 30 possa deixar um legado positivo, transformando Belém em um exemplo de desenvolvimento sustentável para o mundo. Falta muito pouco tempo. Belém tem problemas em todas as áreas ambientais. Saneamento básico, habitação, transporte público, recuperação de monumentos e do casario histórico. Faltam voos internacionais e a rede hoteleira é ruim e insuficiente. A COP 30 poderá ser transformadora positivamente para a cidade, mas falta muito pouco tempo e “as veias” dos problemas de Belém estarão abertas para o Brasil e para o mundo.

O cheiro do “pitiú”
Outro elemento marcante do mercado é o cheiro do “pitiú”, nome dado ao odor característico dos peixes amazônicos, especialmente os frescos, que são vendidos em grande quantidade nas bancas do Mercado Ver-o-Peso. O pitiú é intenso e peculiar, impregnando o ar e se misturando aos outros aromas do mercado, como o das ervas medicinais, frutas exóticas e especiarias. Para quem visita o Ver-o-Peso pela primeira vez, esse conjunto de cheiros e sons faz parte da experiência sensorial única que o mercado proporciona.

A Cidade Velha de Belém
Saímos do Mercado Ver-o-Peso e seguimos para a Cidade Velha de Belém, o berço da capital paraense, onde a arquitetura colonial resiste ao tempo e conta a história da ocupação portuguesa na Amazônia. Caminhar pela Cidade Velha é como voltar ao passado, com o casario histórico adornado por azulejos portugueses e sacadas de ferro trabalhado, preservando o charme do período colonial. Alguns edifícios foram restaurados e estão sendo mantidos, outros, porém, estão bastante degradados.

O Museu do Círio
Seguimos até o Museu do Círio, localizado no centro histórico de Belém. Um espaço dedicado a preservar e contar a história de uma das maiores manifestações religiosas do Brasil: o Círio de Nazaré. Instalado em um antigo casarão da Cidade Velha, o museu abriga um acervo rico e emocionante, com mantos, ex-votos, objetos litúrgicos, fotografias e registros audiovisuais que retratam a fé e a devoção dos romeiros ao longo dos séculos.

Um patrimônio cultural e imaterial do povo paraense
Além das exposições permanentes, o espaço promove atividades culturais e educativas, reforçando a importância do Círio não apenas como um evento religioso, mas como um patrimônio cultural e imaterial do povo paraense. Visitar o Museu do Círio é mergulhar na história e na espiritualidade que fazem dessa festa um dos maiores símbolos da identidade amazônica.

O artesanato de miriti
Saímos do Museu do Círio e passamos por uma feirinha com artesanato colorido típico do Pará, marcado pelo uso da miriti, uma madeira leve e maleável extraída da palmeira de mesmo nome, encontrada em abundância na região amazônica. Com essa matéria-prima, artesãos criam peças vibrantes e cheias de vida, como brinquedos, barquinhos, pássaros, frutas e figuras religiosas, especialmente ligadas ao Círio de Nazaré. As cores intensas e os traços simples das esculturas de miriti tornam esse artesanato uma expressão autêntica da cultura paraense. Durante o Círio, as peças ganham ainda mais destaque, com miniaturas de barcos e promesseiros vendidas como lembranças da festa. O artesanato de miriti representa a criatividade dos artesãos locais, e a forte conexão entre tradição, fé e identidade amazônica.

A Igreja de Santo Alexandre
Seguimos até a Igreja de Santo Alexandre, localizada no centro histórico de Belém é uma das mais belas construções religiosas da cidade, destacando-se por sua imponente fachada barroca, com detalhes ornamentais que remetem à influência jesuítica na região. Construída no século XVII pelos padres da Companhia de Jesus, a igreja fez parte do antigo Colégio Jesuíta, sendo um dos primeiros e mais importantes conjuntos arquitetônicos coloniais da Amazônia. Sua arquitetura interna impressiona pela riqueza dos altares entalhados em madeira dourada, pelos painéis pintados no teto e pelas imagens sacras de grande valor histórico.

O Museu de Arte Sacra do Pará
Após um longo processo de restauração, o templo foi reaberto ao público e hoje abriga o Museu de Arte Sacra do Pará, onde estão expostas relíquias, esculturas, pinturas e objetos litúrgicos dos séculos XVII e XVIII. A preservação desse espaço é essencial para a memória religiosa e cultural do Pará, sendo um dos principais destinos para quem deseja conhecer a história da fé e da arte sacra na Amazônia.

A Praça Frei Caetano Brandão
Saímos do Museu de Arte Sacra e passamos pela Praça Frei Caetano Brandão, ponto de encontro cultural cercado por prédios históricos, e pela imponente Igreja da Sé, palco das celebrações do Círio de Nazaré. A Igreja da Sé é oficialmente chamada Catedral Metropolitana de Belém, fica no coração do centro histórico da cidade. Sua fachada imponente e simétrica é marcada pelo estilo neoclássico, com colunas, frontões triangulares e duas torres campanário que se destacam na paisagem. A entrada principal possui grandes portas de madeira e detalhes ornamentais que refletem a grandiosidade da igreja, construída no século XVIII sobre os alicerces da primeira missão jesuítica da Amazônia. Sua tonalidade clara e o contraste com o céu azul de Belém fazem da fachada um dos cartões-postais mais emblemáticos da cidade, sendo um ponto de destaque durante as festividades do Círio de Nazaré, quando recebe milhares de fiéis para a tradicional missa da trasladação.

O Forte do Presépio
Seguimos até o Forte do Presépio, situado às margens da Baía do Guajará, no centro histórico de Belém, um dos marcos fundadores da cidade e um símbolo da ocupação portuguesa na Amazônia. Construído em 1616 pelos colonizadores, com a função de defender o território contra invasões estrangeiras e consolidar o domínio lusitano na região. Com uma arquitetura típica das fortalezas coloniais, o forte possui muralhas de pedra, canhões preservados e uma vista estratégica para o rio, destacando sua importância militar na época.

O Mangal das Garças
Seguimos até o Mangal das Garças, um dos espaços naturais mais encantadores de Belém, situado às margens do Rio Guamá, no bairro da Cidade Velha. Esse parque ecológico combina áreas de preservação com espaços de lazer e contemplação, abrigando uma rica diversidade de aves, borboletas e vegetação amazônica. Dentro do Mangal, fomos para o Restaurante Manjar das Garças, que oferece uma experiência gastronômica sofisticada, valorizando os sabores da culinária paraense, servido em um grande buffet. Entre os pratos típicos servidos, destacam-se o filhote grelhado, o pato no tucupi, o risoto de camarão com jambu e a tradicional moqueca paraense.

A cachaça de jambu
Degustamos a cachaça de jambu, uma das bebidas mais exóticas e populares da Amazônia, conhecida pelo seu efeito característico de causar uma leve dormência na boca. É feita a partir da infusão das folhas de jambu, uma erva típica da região. A cachaça combina o sabor suave da cana-de-açúcar com o efeito “formigante” e anestésico natural da planta, o mesmo encontrado no tradicional tacacá. Seu sabor único e a sensação divertida na boca tornam essa bebida um símbolo da cultura paraense. Perfeita para quem deseja experimentar os sabores autênticos da Amazônia.

Um desfile de iguarias
Voltamos para o Hotel Grand Mercure Belém e à noite fomos para um maravilhoso jantar na casa de uma amiga do Pará e companheira de outras viagens. Fomos presenteados com um desfile das iguarias da culinária paraense. Um manjar dos deuses.

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.



Comment (1)
Anônimo
08 fev 2025Parabéns ao meu ilustre conterrâneo, colega de infância em Jaguaquara, pela dissertação magnífica da capital paraense 👏👏👏👏