De Cochem a Zell – 39 Km – Dia 2 – Parte II
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- joaquimnery
- 25 de setembro de 2024
- Alemanha Europa Super Destaque
Perdidos na ciclovia
Estávamos no segundo dia da viagem de Bike e Barco pelo Vale do Rio Mosel, Saímos de Cochem, na Alemanha e seguimos até Zell, ainda na Alemanha. No percurso, errei o caminho e levei uma parte do grupo comigo. Andamos aproximadamente 3 km fora da rota, percebemos que estávamos perdidos, ligamos para a guia Maaiken, que nos orientou sobre como voltar. Encontramos o restante do grupo e seguimos adiante.

Paramos em Ediger-Eller
Após 21 km de ciclovias subindo o rio a partir de Cochem, paramos para fazer um lanche na pequena vila de Ediger-Eller, na margem direita do Rio Mosel. Onze quilômetros após Beilstein. Durante o lanche e o descanso, aconteceu um incidente com Mônica, que foi picada por uma abelha. Fomos ajudados por um comerciante local. Quando os sintomas da picada melhoraram, seguimos a viagem pela ciclovia.

Os vinhedos mais íngremes da Europa
Depois de deixar Ediger-Eller, seguimos por mais cinco quilômetros através dos vinhedos mais íngremes da Europa, com declives de até 60 graus, em Bremmer-Calmont e um dos, de maior declive do mundo. Na colina, com uma altura de 290 metros e uma angulação ideal para a irradiação solar, o sol brilha quase horizontalmente em toda a encosta criando uma temperatura excelente para o desenvolvimento da uva Riesling.

Os vinhedos de Bremmer-Calmont
As encostas cultivadas pelas videiras são protegidas por muros feitos de ardósia, construídos horizontalmente. Johann Wolfgang von Goethe, o famoso poeta alemão, certa vez descreveu o vinhedo Calmont, como “um anfiteatro natural, onde em pequenas bordas salientes a videira floresce no seu melhor”.

“A rocha dá à luz e o vinho jorra dela”
A viticultura no Vale do Mosel é secular e as citações sobre ela são históricas. A citação literária mais antiga sobre essa região foi escrita por volta de 588 por Venantius Fortunatus, então bispo de Poitiers. Venantius fez uma viagem de navio de Metz para Andernach, no vale do Reno. Os vinhedos na encosta íngreme chamava a atenção do viajante: “Lá em cima, onde rochas íngremes dão à luz a doçura mais preciosa das uvas, onde vinhedos com folhas se erguem em direção aos topos nus das montanhas, se produz uma colheita das muitas uvas coloridas para o produtor de vinho, pendurado dentro do precipício, colhendo a fruta. As encostas são tão íngremes e as rochas de ardósia tão nuas que a própria rocha dá à luz e o vinho jorra dela”. A colheita dos 13 hectares que restam dos vinhedos antigos, continua sendo manual, em cestos ou baldes, em função dos desafios do relevo.

Um piquenique na beira do rio
O “pedal” pela ciclovia nas margens do Rio Mosel, ou mesmo um passeio de barco pelo rio são espetaculares. A vista é hipnotizante. Tem castelos e vinhedos para todos os lados. Sete quilômetros depois dos vinhedos Calmont, paramos para um piquenique na beira do rio, na localidade de Alf, na Alemanha.

As enchentes do Rio Mosel
Um marco na margem do Rio Mosel chamou a atenção, nessa parada em Alf. Nele existiam marcas das maiores enchentes do rio. Durante as estações chuvosas o volume de água aumenta muito e é um desafio para as cidades ribeirinhas conviver com isso, mesmo com toda a infra-estrutura de barragens e comportas existente no vale. Em Alf, foram registradas elevações de até 11,5 metros nas margens do rio.

Zell
Tínhamos saído de Cochem às 9:30h. Chegamos a Zell, 39 km depois, às 15:30h. Zell é uma cidadezinha nas margens do Rio Mosel que adquiriu notoriedade por ser o centro da produção dos vinhos Zeller Shwarze Catz (Gato Negro). Essa é a Denominação de Origem da região. Todos os vinhos da região recebem essa denominação.

Os Schwarze Katz
Schwarze Katz era um armazém da cidade de Achen, na Alemanha, que comprava os vinhos melhores de Zell para vender aos soldados da Primeira Guerra. Acabou virando o sobrenome dos vinhos da região.

Degustação de vinhos em Zell
Encontramos o Magnifique I, o nosso barco hotel, onde deixamos as bikes e seguimos a pé até uma adega localizada no outro lado do rio, onde tivemos, no final da tarde uma rodada de degustação com os excelentes vinhos da região. Após 39 km de pedalada, finalizamos a noite com um jantar a bordo do Magnifique I, .

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


