Geografia e história da Romênia
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- joaquimnery
- 19 de outubro de 2026
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24 de setembro de 2026
Um país de muitas histórias
Nossa viagem pela Romênia começou com a chegada a Bucareste, capital do país, de onde seguimos diretamente para Brașov, na região da Transilvânia. Era o início de um roteiro que nos permitiu passar por cidades medievais, castelos, igrejas fortificadas e paisagens de grandes contrastes. Antes de relatar essas experiências, vale conhecer um pouco da história e da geografia romenas, fundamentais para compreender a diversidade cultural e arquitetônica que encontramos ao longo da viagem. Localizada no sudeste da Europa, a Romênia ocupa uma posição estratégica entre a Europa Central, os Bálcãs e a região do Mar Negro. Essa localização fez de seu território uma área de passagem, disputas e influência de diferentes povos e impérios. Ao longo dos séculos: romanos, húngaros, otomanos, austríacos e russos participaram, de diferentes maneiras, da formação histórica do país.

A geografia da Romênia
Com uma área de 238 mil quilômetros quadrados e uma população de aproximadamente 19 milhões de habitantes, a Romênia faz fronteira com Ucrânia, Moldávia, Bulgária, Sérvia e Hungria. A leste, possui uma faixa litorânea banhada pelo Mar Negro. Sua geografia apresenta três grandes conjuntos naturais: as montanhas, as colinas e planaltos, e as planícies. Os Montes Cárpatos atravessam boa parte do seu território, formando um grande arco ao redor da Transilvânia. Suas florestas, vales e montanhas abrigam uma rica biodiversidade. Outro elemento fundamental é o rio Danúbio, que percorre 1.075 quilômetros em território romeno ou ao longo de suas fronteiras. Antes de desaguar no Mar Negro, forma o Delta do Danúbio, uma extensa região de canais, lagos e áreas alagadas. As planícies do sul e do leste, por sua vez, constituem importantes áreas agrícolas, com produção de cereais, girassol e outras culturas.

Dos antigos dácios ao Império Romano
As origens históricas da Romênia estão associadas aos antigos dácios, povo que habitava parte da região antes da expansão romana. No início do século II, o imperador Trajano conquistou o reino da Dácia, incorporando uma parte de seu território ao Império Romano. A presença romana deixou marcas profundas, especialmente na língua. O romeno pertence ao grupo das línguas românicas, assim como o português, o espanhol, o francês e o italiano. Essa herança latina é uma característica marcante do país, localizado em uma região onde predominam idiomas eslavos, além do húngaro e de outras línguas. Depois da retirada da administração romana, no século III, o território passou por sucessivas migrações e transformações políticas. Ao longo da Idade Média, diferentes comunidades se estabeleceram na região, contribuindo para a formação de sua identidade cultural.

Transilvânia, Valáquia e Moldávia: três regiões históricas
Para compreender a história romena, é importante conhecer suas três principais regiões históricas: Transilvânia, Valáquia e Moldávia. A Transilvânia, situada no centro do país e cercada pelos Cárpatos, esteve durante séculos vinculada ao Reino da Hungria e, posteriormente, à Monarquia dos Habsburgo. A Valáquia, ao sul, e a Moldávia, a leste, desenvolveram principados próprios, embora frequentemente sujeitos à influência do Império Otomano. Essas trajetórias distintas explicam parte da diversidade que encontramos atualmente. A Transilvânia conserva cidades de influência germânica e húngara, enquanto a Valáquia e a Moldávia apresentam outras tradições arquitetônicas e culturais, com forte presença da Igreja Ortodoxa. Essa diversidade também se manifesta na religião, na gastronomia e nas paisagens urbanas, tornando a Romênia um país particularmente interessante para quem gosta de história.

Os saxões e as cidades medievais da Transilvânia
Uma das características mais interessantes da Transilvânia é a presença histórica dos saxões da Transilvânia, colonos de língua alemã que começaram a chegar à região no século XII, estimulados pelos reis húngaros. Essas comunidades contribuíram para o desenvolvimento do comércio, da agricultura e das estruturas defensivas. Cidades como Brașov, Sibiu e Sighișoara conservam importantes testemunhos desse período, incluindo muralhas, torres, praças, casas de comerciantes e igrejas fortificadas. A necessidade de proteção contra invasões e conflitos levou à construção de um conjunto singular de igrejas cercadas por fortificações, algumas reconhecidas como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Ao longo de nossa viagem, encontraríamos diversos exemplos dessa arquitetura, que ajuda a explicar a organização das antigas comunidades da Transilvânia.

A formação da Romênia moderna
A unificação política romena começou a ganhar força no século XIX. Em 1859, a Valáquia e a Moldávia elegeram o mesmo governante, Alexandru Ioan Cuza, dando origem ao processo que formaria o Estado romeno moderno. A independência em relação ao Império Otomano foi conquistada em 1877 e reconhecida internacionalmente no ano seguinte. Em 1881, a Romênia tornou-se um reino, sob o governo de Carol I. Depois da Primeira Guerra Mundial, em 1918, a Transilvânia e outros territórios foram incorporados ao país, ampliando consideravelmente suas fronteiras. Esse momento permanece como uma das principais referências da identidade nacional romena. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Romênia passou por mudanças de alianças e perdas territoriais. Inicialmente alinhada à Alemanha nazista, mudou de lado em agosto de 1944.

Do comunismo à Romênia contemporânea
Após a Segunda Guerra Mundial, por ter sido libertada do nazismo, pelo Exército Vermelho, a Romênia passou para a esfera de influência soviética, fazendo parte da “Cortina de Ferro”, um conjunto de países aliados da URSS, que formavam um bloco geográfico entre a URSS e a Europa Ocidental. A monarquia foi abolida em 1947, dando lugar a um regime comunista. A partir de 1965, o país foi governado por Nicolae Ceaușescu, cujo regime se tornou progressivamente autoritário, marcado pelo controle político, pela repressão e por graves dificuldades econômicas. Em dezembro de 1989, manifestações iniciadas em Timișoara se espalharam pelo país, culminando na queda do regime. Ceaușescu e sua esposa, Elena, foram julgados e executados no mesmo mês. A Romênia iniciou então sua transição para uma democracia multipartidária e uma economia de mercado. Em 2004, ingressou na OTAN e, em 2007, na União Europeia.

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


