Primeira Viagem à Europa: 31 dias mudaram nossa forma de viajar
- 112 Views
- joaquimnery
- 25 de julho de 2026
- Europa França Super Destaque
Um sonho que finalmente saiu dos mapas
Algumas viagens terminam quando voltamos para casa. Outras permanecem conosco para sempre, porque mudam a forma como enxergamos o mundo. Foi exatamente isso que aconteceu na nossa primeira viagem à Europa, realizada entre dezembro de 1991 e janeiro de 1992. Depois da inesquecível Travessia dos Lagos Andinos, feita no ano anterior, percebemos que viajar havia deixado de ser apenas um lazer para se transformar em uma paixão. Decidimos então embarcar em um roteiro rodoviário de 31 dias, atravessando diversos países europeus. Na época, era uma oportunidade rara de conhecer o Velho Continente de uma só vez. Como professor de Geografia, sentia uma enorme emoção ao imaginar que pisaria em lugares que durante tantos anos haviam feito parte apenas das minhas aulas, dos livros e dos mapas.

Um Natal diferente, sobrevoando o Atlântico
Nossa viagem começou em 24 de dezembro de 1991. Escolhemos viajar justamente na noite de Natal, uma alternativa que tornava as passagens mais acessíveis naquela época. Em vez da tradicional ceia em família, passamos a noite dentro do avião, cruzando o Oceano Atlântico rumo ao continente europeu. Ainda hoje lembro da emoção daquele momento. Brindamos o Natal com a tripulação e percebemos que estávamos iniciando uma experiência que provavelmente mudaria nossa vida para sempre. Era impossível dormir. A ansiedade era maior do que o cansaço. Pela janela, imaginávamos como seria chegar à Europa pela primeira vez, conhecer cidades históricas, monumentos famosos e culturas completamente diferentes da nossa.

A melhor porta de entrada para a Europa
Nossa viagem começou por Paris, e dificilmente poderíamos ter escolhido uma porta de entrada mais emblemática. A capital francesa reúne história, arte, arquitetura, gastronomia e uma atmosfera única, capaz de encantar até mesmo os viajantes mais experientes. Mas, para nós, havia um privilégio adicional que tornaria aqueles primeiros dias ainda mais especiais. Antes de iniciar a excursão rodoviária que percorreria diversos países europeus, permanecemos doze dias inteiros na cidade. Foi um período que nos permitiu conhecer Paris com calma, sem a correria típica das viagens em grupo, descobrindo seus monumentos, seus bairros, seus cafés e suas histórias de uma forma muito mais profunda do que imaginávamos.

Paris e um privilégio para poucos viajantes
Ao desembarcarmos no Aeroporto de Orly, fomos recebidos por duas pessoas muito especiais: Sebastião Nery e Cristina. Sebastião, além de primo querido da família, era um dos mais respeitados jornalistas e escritores brasileiros e, naquela época, ocupava o cargo de Adido Cultural do Brasil na França. Mais do que um anfitrião, ele se transformaria em nosso guia durante os dez dias seguintes. Poucas pessoas têm a oportunidade de descobrir Paris pelas mãos de alguém que conhecia profundamente sua história, sua cultura e seus segredos. Essa convivência tornou nossa primeira experiência europeia absolutamente única e inesquecível.

Uma Paris muito além dos cartões-postais
Logo na primeira noite percorremos de carro alguns dos principais símbolos da capital francesa. A Catedral de Notre-Dame, a Île de la Cité, o Hôtel de Ville, o Museu do Louvre, a Champs-Élysées iluminada pelas decorações natalinas, a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo pareciam confirmar que finalmente estávamos vivendo um sonho antigo. O apartamento de Sebastião ficava na Rue Le Sueur, entre a Avenue Foch e a Avenue de la Grande Armée, a poucas quadras do Arco do Triunfo. Era uma localização privilegiada, que nos permitia caminhar diariamente por uma das regiões mais elegantes de Paris e observar o cotidiano da cidade muito além dos roteiros turísticos.

A primeira experiência com a gastronomia francesa
Naquela mesma noite tivemos também nosso primeiro contato com a verdadeira gastronomia francesa. Jantamos no tradicional restaurante Le Presbourg, próximo ao Arco do Triunfo. Para quem chegava ao país pela primeira vez, tudo era novidade. Experimentamos escargot como entrada e um delicado peixe acompanhado de espaguete ao molho de champanhe como prato principal, harmonizado com um Beaujolais Nouveau, vinho que, até então, conhecíamos apenas de ouvir falar. Mais do que a refeição, guardamos a lembrança da atmosfera dos restaurantes parisienses, do atendimento cuidadoso e da forma como a culinária faz parte da identidade cultural francesa.

Chartres: um encontro emocionante com a arquitetura gótica
Nos dias seguintes começamos a explorar os arredores de Paris. Nossa primeira excursão foi para Chartres. Seguimos de trem pela Gare Montparnasse até uma cidade que abriga uma das maiores joias da arquitetura medieval europeia: a Catedral de Notre-Dame de Chartres. Foi impossível não se impressionar com a imponência da construção, iniciada no século XIII, considerada uma das mais perfeitas expressões do estilo gótico. Os famosos vitrais, especialmente o inconfundível Bleu de Chartres, criam um ambiente de rara beleza e espiritualidade. Como geógrafo e apaixonado por História, caminhar por aquele monumento representava muito mais do que uma visita turística; era estar diante de um patrimônio que atravessou séculos preservando sua grandiosidade.

Um almoço tipicamente francês
Após a visita à catedral, almoçamos em um pequeno restaurante localizado numa charmosa rua ao lado da praça principal. Era exatamente o tipo de experiência que imaginávamos encontrar na França: ruas estreitas, construções históricas, mesas ao ar livre e excelente gastronomia. Saboreamos um peixe acompanhado de salada e, naturalmente, um bom vinho francês. Aos poucos começávamos a perceber que, na França, comer também é uma forma de conhecer a cultura local.

Versalhes: onde a história da França ganha vida
Na mesma tarde seguimos de trem para Versalhes. O inverno mostrava toda sua força, com temperaturas em torno de -2 °C. Ao chegar, deparamos com um dos conjuntos arquitetônicos mais impressionantes do planeta. Construído a partir de 1661 por ordem de Luís XIV, o Palácio de Versalhes simboliza o auge do absolutismo francês e continua sendo um dos maiores ícones da história europeia. A estátua do Rei Sol domina a entrada principal, enquanto o interior revela ambientes suntuosos como a Galeria dos Espelhos, os aposentos reais e os salões onde importantes decisões políticas moldaram o destino da França e da Europa.

Jardins que desafiam o tempo
Se o interior do palácio impressiona pela riqueza de detalhes, seus jardins são uma verdadeira obra-prima do paisagismo mundial. Lagos artificiais, esculturas inspiradas na mitologia clássica, fontes monumentais e a geometria perfeita das árvores demonstram o refinamento artístico da época de Luís XIV. Caminhar por aqueles jardins era como percorrer um museu a céu aberto. Mesmo sob o frio intenso e uma leve garoa, a beleza do conjunto permanecia arrebatadora. Foi ali que compreendemos por que Versalhes continua sendo uma das atrações mais visitadas da França.

A viagem que transformou todas as outras
Naquele momento ainda não imaginávamos que Paris seria apenas o primeiro capítulo de uma jornada de 31 dias por vários países europeus. Muito menos que aquela experiência despertaria uma paixão que nos levaria, anos depois, a conhecer mais de setenta países e criar o Um Pouquinho de Cada Lugar. A primeira viagem à Europa não foi apenas uma sucessão de cidades e monumentos. Foi o início de uma nova forma de viajar: buscando compreender a história, a geografia, a cultura e as pessoas por trás de cada destino. Essa continua sendo, até hoje, a essência de todas as nossas viagens e também deste blog.

Leia mais:
- Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Compartilhar no X(abre em nova janela) X
- Envie um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
- Compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn
- Compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) Pinterest
- Compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


