Revisitando o Museu d’Orsay – parte 2
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- joaquimnery
- 23 de julho de 2025
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25 de maio de 2025
A maquete da Opéra Garnier
No Museu d’Orsay existe um maravilhoso corte arquitetônico de uma maquete da Opéra Garnier. O corte revela a grandiosidade e a complexidade estrutural de um dos edifícios mais emblemáticos da Paris do século XIX. Projetada por Charles Garnier, a ópera foi construída entre 1861 e 1875 e é um símbolo da Belle Époque. Permite visualizar os diversos níveis internos do teatro, desde os salões de recepção e escadarias monumentais até os bastidores, a cúpula e o subsolo. Com precisão técnica e riqueza de detalhes, revela não apenas a engenhosidade arquitetônica da época, mas também o impacto simbólico da Ópera como espaço de luxo, arte e sociabilidade na sociedade parisiense.

Hércules, o arqueiro
A escultura Hércules, o Arqueiro, é uma obra-prima de Antoine Bourdelle, discípulo de Rodin. Está exposta no Museu d’Orsay. É uma representação espetacular do herói da mitologia grega em um momento dinâmico, de tensão e força contida. Com o corpo em posição arqueada e os músculos intensamente definidos, Hércules prepara-se para disparar sua flecha, revelando a potência física e o domínio técnico do escultor. A obra destaca-se pelo movimento e equilíbrio, características marcantes do estilo de Bourdelle.
O Urso de Pompon
A escultura O Urso, de François Pompon, é uma das obras mais simbólicas do Museu d’Orsay, destacando-se por sua forma simples e elegante. Criada no início do século XX, representa um urso polar em marcha, com linhas suaves e volumes definidos, que revelam a busca de Pompon por uma escultura sem ornamentos. Uma abordagem moderna, que antecipou tendências do design e da escultura minimalista, contrastando com a dramaticidade das obras do século XIX, criando um ponto de transição dentro do acervo do museu.

O Homem que Caminha
A escultura O Homem que Caminha, de Rodin, é outra obra marcante do Museu d’Orsay por sua força simbólica e forma inacabada. Composta pelo tronco e pelas pernas, sem braços nem cabeça, a figura transmite movimento e energia, concentrando-se no gesto de caminhar. No contexto do acervo do d’Orsay, O Homem que Caminha representa a transição entre o realismo e a modernidade, reafirmando o papel de Rodin como um dos grandes renovadores da escultura ocidental.

Toulouse-Lautrec no Museu d’Orsay
O acervo de Toulouse-Lautrec no Museu d’Orsay reúne obras que representam com intensidade a vida boêmia e os bastidores da Paris do final do século XIX. Com pinturas e desenhos, o artista retrata personagens dos cabarés, teatros e cafés-concerto, como o Moulin Rouge, com traços marcantes e cores vibrantes. Sua arte combina crítica social e sensibilidade, revelando figuras marginais com humanidade e humor. No d’Orsay, as obras de Toulouse-Lautrec ocupam um lugar especial por refletirem o espírito da Belle Époque e as inovações gráficas que influenciariam a arte moderna. A Palhaça Sentada, “La Clownesse assise”, pintada por Toulouse-Lautrec em 1896, faz parte do acervo do Museu e representa uma dançarina de cabaré e artista de circo, Cha-U-Kao, que se apresentava no Moulin Rouge e outros salões parisienses da Belle Époque.

Torso de Homem
A escultura “O Torso de Homem” ou “Estudo de Torso Masculino” de Rodin faz parte dos muitos estudos anatômicos que o artista produziu ao longo de sua carreira, e que valorizava como obras completas, mesmo sem os membros ou cabeça. Essa escultura impressiona pela força expressiva do tronco nu, com músculos esculpidos de maneira vigorosa e uma superfície rica em texturas e modelagem. Ao apresentar apenas o torso de um homem, Rodin chama a atenção para o poder do corpo, uma abordagem inovadora que influenciaria fortemente a escultura moderna.

O Almoço sobre a Relva, de Manet
O Almoço sobre a Relva, “Le Déjeuner sur l’herbe”, de Édouard Manet, pintada em 1863 foi um dos quadros revolucionários da história da arte ocidental. Causou escândalo ao ser apresentada no Salão dos Recusados, por quebrar convenções morais e estéticas da época. A pintura retrata uma mulher nua sentada tranquilamente ao lado de dois homens vestidos com roupas da época, enquanto outra mulher, seminua, banha-se ao fundo. O choque não estava apenas na nudez em si, mas na ausência de justificativa mitológica ou histórica para ela, algo até então, exigido na pintura acadêmica. A mulher encara diretamente o espectador, com naturalidade. Manet, com uma técnica inovadora, com pinceladas visíveis e contrastes de luz e sombra, contribuiu para desconstruir a pintura clássica e foi precursor do Impressionismo.

O Almoço sobre a Relva, de Monet
O Almoço sobre a Relva, “Le Déjeuner sur l’herbe” de Claude Monet foi pintada entre 1865 e 1866, em resposta à obra homônima de Manet, que causara polêmica ao retratar uma mulher nua em meio a homens vestidos. Monet, por sua vez, tratou o mesmo tema de uma forma diferente: em vez do choque social, ele escolheu representar um piquenique elegante com homens e mulheres trajando roupas da época, integrados à natureza em um ambiente banhado por luz e sombra. O foco estava nos efeitos da luz filtrada pelas árvores, no jogo de cores e nas relações sociais do grupo. Essa obra é considerada um marco na transição para o impressionismo, antecipando a liberdade das pinceladas e a valorização da atmosfera natural que definiriam o movimento.

Homenagem a Delacroix
Outra pintura especial do Museu d’Orsay é a “Homenagem a Delacroix”, realizada por Henri Fantin-Latour em 1864. Uma obra simbólica que presta tributo ao pintor Eugène Delacroix, um dos grandes mestres do romantismo francês, falecido no ano anterior. Fantin-Latour, decepcionado com a pouca presença de público no cortejo fúnebre de Delacroix, de quem era admirador, decidiu realizar uma homenagem pública através de uma pintura representando um conjunto de dez personalidades das artes e das letras, expressando a sua admiração por Delacroix. No centro da composição está o retrato póstumo de Delacroix, cercado por um grupo de artistas e intelectuais contemporâneos. Entre as figuras presentes estão grandes nomes da época como Édouard Manet, Charles Baudelaire, Henri Fantin-Latour (o próprio autor, de camisa branca), James Whistler e Albert de Balleroy. A obra é também um manifesto sobre a união entre pintura, literatura e pensamento crítico.

O Baile do Moinho de la Galette
O Baile do Moinho de la Galette, “Le Bal du Moulin de la Galette” é uma das obras-primas de Renoir, datada de 1876. Uma das pinturas mais admiradas e fotografadas pelos visitantes do Museu. Retrata um domingo à tarde no Moinho de la Galette, um salão de festas ao ar livre no bairro de Montmartre, em Paris, frequentado por trabalhadores, artistas e jovens parisiense. Com pinceladas soltas, luz vibrante filtrada pelas árvores e uma atmosfera de leveza, Renoir capta o espírito festivo e despreocupado da vida moderna em Paris. A cena está cheia de personagens em movimento. Dançando, conversando, sorrindo, em uma celebração festiva. A técnica impressionista está presente na maneira como a luz e a cor são tratadas com espontaneidade, sem contornos definidos, criando uma cena envolvente. Essa obra é considerada um ícone do impressionismo.

A Dança no Campo
A Dança no Campo (La Danse à la Campagne), de Renoir de 1883 retrata um casal dançando ao ar livre, cercado por vegetação e com uma mesa ao fundo, sugerindo um momento leve e íntimo da vida social francesa do século XIX. A mulher, vestida com um elegante vestido florido e usando chapéu com laço vermelho, encara o observador com um sorriso suave, enquanto seu par, de costas, a envolve com delicadeza. Renoir usa pinceladas suaves e cores luminosas para capturar a vibração do momento e a atmosfera romântica da cena. Esta tela é parte de uma trilogia de danças, encomendada por um colecionador. Representa a habilidade de Renoir em celebrar os prazeres da vida com calor humano e charme visual.

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.



