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Uma viagem improvisada pela Romênia

Setembro de 2026

O sonho da viagem começou com um cruzeiro pelo Danúbio

Quando começamos a planejar esta viagem pela Europa, para o segundo semestre de 2026, o eixo principal do roteiro seria um cruzeiro pelo Rio Danúbio. Já conhecíamos Viena e Budapeste, dois dos principais atrativos do rio, por isso optamos por um Cruzeiro pelo baixo curso. Sairíamos de Oltenita, na Romênia para Budapeste, na Hungria. Completaríamos a viagem com dois destinos da Polônia, que não conhecíamos e estavam sempre nos planos de viagem: Varsóvia e Cracóvia.  Deveríamos chegar à Romênia, passar alguns dias conhecendo Bucareste e a Transilvânia e, depois, embarcar em Oltenița no Avalon Passion, um navio de cruzeiro fluvial, que faz roteiros pelo Danúbio. Seguiríamos pelo Baixo Danúbio, passando pela Bulgária, Sérvia e Croácia até chegar a Budapeste. Era um roteiro que me interessava especialmente porque permitiria conhecer uma parte da Europa que não conhecia, acompanhando, pelo rio, as mudanças de paisagem, cidades e culturas ao longo dos Bálcãs. Subir o Rio Danúbio seria o fio condutor de boa parte da viagem.

Bucareste fazia parte do roteiro original.

O verão mudou o cenário e o programa

À medida que 2026 avançava, acompanhava com atenção as notícias sobre a situação dos rios europeus. Uma combinação de pouca chuva, temperaturas elevadas e sucessivas ondas de calor provocou uma seca única e bastante severa em grande parte da Europa. O problema atingiu especialmente a Europa Central e Oriental e a bacia dos rios Reno e Danúbio. Em agosto, o Observatório Europeu da Seca mantinha condições de alerta em diversos países atravessados pelo rio, entre eles Áustria, Hungria, Croácia, Sérvia, Romênia e Bulgária. Exatamente os lugares por onde passaríamos. O Danúbio, assim como outros grandes rios europeus, chegou a registrar níveis excepcionalmente baixos.

Navios da Segunda Guerra Mundial apareceram no leito seco dos rios

Muito menos água no Danúbio

Na Romênia, a situação ficou particularmente evidente. Em julho, a vazão do Danúbio na entrada do país chegou a cerca de 1.700 metros cúbicos por segundo, diante de uma média histórica para o mês, de aproximadamente 4.700 m³/s. No final de agosto, permanecia em torno de 1.600 m³/s, quando a média histórica de agosto é próxima de 3.900 m³/s. Bancos de areia apareceram em diversos trechos, canais navegáveis ficaram mais estreitos e a redução do calado começou a criar dificuldades para embarcações comerciais e turísticas. Comecei a acompanhar relatórios diários sobre as condições do rio e as perspectivas de chuva, principalmente na Romênia e em Budapeste. A situação só ficava mais complicada.

A navegação pelo Danúbio ficou prejudicada

O clima interferiu na viagem

Durante algumas semanas, ainda existia a expectativa de que as chuvas nas cabeceiras e nos afluentes recuperassem parte da vazão antes da nossa chegada. Mas isso não aconteceu com a intensidade necessária. A seca de 2026 afetou vários cruzeiros fluviais. Algumas companhias modificaram portos de embarque, substituíram trechos de navegação por ônibus ou hotéis e, em determinados casos, cancelaram partidas. A própria Avalon Waterways confirmou oficialmente que os baixos níveis do Reno e do Danúbio estavam afetando algumas de suas viagens. Em agosto recebemos a primeira comunicação importante da Avalon. Nosso cruzeiro já não poderia acontecer conforme o programa original. Em vez de embarcarmos em Oltenița, passaríamos inicialmente uma noite em Bucareste e seguiríamos para embarcar no Avalon Passion mais adiante, provavelmente em Turnu Severin ou Vidin. Também fomos informados de que o desembarque em Budapeste poderia não acontecer. O cruzeiro ainda existiria, mas começava a se transformar em uma viagem bastante diferente daquela que havíamos contratado.

O Avalon Passion

A decisão de cancelar

Continuamos acompanhando a situação durante várias semanas, esperando alguma melhora significativa. Mas os níveis permaneceram muito baixos e as incertezas aumentaram. Outros cruzeiros pelo Danúbio também passaram por mudanças e cancelamentos. Diante desse cenário, decidimos renunciar ao cruzeiro e redesenhar completamente nossa viagem. Não queríamos fazer um roteiro fluvial no qual uma parte importante da navegação pudesse acabar substituída por longos deslocamentos rodoviários e mudanças de última hora. Preferimos assumir nós mesmos o controle do itinerário. Foi assim que nasceu uma viagem praticamente nova. Mantivemos a chegada à Romênia e os primeiros dias em Brașov e Bucareste, mas, em vez de embarcar no Danúbio, seguimos por terra. Entraram no roteiro Sibiu e Timișoara, além de uma parada no caminho para conhecer o Castelo dos Corvos. Depois, voamos para a Polônia, onde visitamos Gdansk, Varsóvia e Cracóvia, antes de terminar a viagem com alguns dias em Paris.

Decidimos seguir de carro

Improvisar um roteiro também faz parte da viagem

No fim das contas, esta viagem começou antes mesmo de entrarmos no avião. Planejamento é fundamental, mas flexibilidade também. Fenômenos naturais não obedecem aos nossos bilhetes, reservas ou roteiros. O Danúbio, que seria o protagonista desse roteiro, acabou mudando nossa direção. Não navegamos por ele como imaginávamos, mas foi justamente a falta de água no rio que nos levou a construir um programa completamente diferente. E talvez esteja aí uma das partes mais interessantes de viajar: nem sempre o caminho que efetivamente percorremos é aquele que havíamos desenhado no início. Seguimos para a Romênia, Polônia e Paris.

Leia mais:

Passeio pelo Danúbio e as pontes históricas de Budapeste

Embarcamos no Cruzeiro Fluvial do S. S Antoinette

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