A “Rosa de Hiroshima”
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- joaquimnery
- 24 de maio de 2026
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07 de abril de 2026
Reconstrução e memória
A cidade de Hiroshima está localizada no sudoeste do Japão e é conhecida por sua importância histórica, pelo bombardeio nuclear da Segunda Guerra Mundial e pelo processo de reconstrução após a Guerra. Em 6 de agosto de 1945, a cidade foi atingida por uma bomba atômica, evento que marcou profundamente sua trajetória. Hoje, Hiroshima apresenta uma estrutura urbana moderna, com avenidas amplas, áreas comerciais e boa organização espacial. Ao mesmo tempo, preserva locais de memória, como o Parque da Paz e o Domo da Bomba Atômica, que mantêm viva a lembrança do ocorrido. A cidade combina esse passado com um presente dinâmico, funcionando como um dos principais centros urbanos da região.

A topografia de Hiroshima intensificou a propagação dos efeitos
A topografia de Hiroshima teve influência direta na forma como os efeitos do Bombardeio se espalharam. A cidade está situada em uma planície costeira, com poucos obstáculos naturais relevantes, organizada em um delta formado por vários rios. Esse relevo mais aberto favoreceu a propagação da onda de choque, do calor intenso e dos incêndios, permitindo que os efeitos se espalhassem de maneira mais uniforme e ampla. A ausência de barreiras naturais significativas fez com que grande parte da área urbana fosse atingida de forma direta, ampliando o alcance da destruição. Diferente de Nagasaki, com um relevo mais acidentado, onde montanhas e elevações puderam limitar parcialmente os impactos, Hiroshima apresentou condições que facilitaram a expansão dos efeitos da explosão sobre a cidade.

A extensão da destruição urbana
O Bombardeio provocou a destruição de grande parte da área urbana de Hiroshima em poucos segundos. A explosão gerou uma onda de choque intensa, calor extremo e incêndios que se espalharam rapidamente, atingindo construções e infraestrutura. A combinação desses fatores levou ao colapso de edifícios e à propagação do fogo por amplas áreas. A configuração plana da cidade contribuiu para que os efeitos se distribuíssem de forma mais abrangente, ampliando o alcance da destruição. Nos dias seguintes, os impactos continuaram a ser sentidos, com danos estruturais e dificuldades na reorganização da cidade. A reconstrução ocorreu ao longo das décadas seguintes, redefinindo a paisagem urbana de Hiroshima.

A reconstrução de Hiroshima
Após o Bombardeio, a cidade de Hiroshima passou por um amplo processo de reconstrução, iniciado ainda no final da década de 1940. O governo japonês adotou um plano urbano que priorizava avenidas mais largas, áreas verdes e melhor organização dos espaços públicos, buscando não apenas recuperar a cidade, mas também modernizá-la. Um dos eixos centrais desse processo foi a criação do Parque da Paz, concebido como área de memória e reflexão. Ao longo dos anos, Hiroshima se transformou em uma cidade moderna e funcional, com infraestrutura atualizada e crescimento econômico. A reconstrução não apagou o passado, mas incorporou a memória ao espaço urbano, definindo a identidade da cidade até hoje.

Sadako Sasaki, um símbolo de paz
Sadako Sasaki é uma das figuras mais conhecidas associadas ao Bombardeio de Hiroshima. Ela tinha apenas dois anos quando a bomba foi lançada sobre a cidade, não morreu, mas anos depois, desenvolveu uma doença relacionada à exposição à radiação. Durante sua internação, passou a dobrar tsurus (origamis de papel), inspirada na crença de que quem fizesse mil dessas figuras teria um desejo atendido. Sua história se tornou um símbolo mundial de paz e esperança. Hoje, ela é homenageada no Children’s Peace Monument, onde visitantes deixam tsurus como forma de lembrança e reflexão.

O Museu Memorial da Paz de Hiroshima
Visitamos o Museu e Memorial da Paz de Hiroshima, localizado no Parque da Paz, dedicado à memória do Bombardeio. O percurso é organizado de forma cronológica, apresentando o contexto da guerra, o momento da explosão e suas consequências. Ao longo das salas, encontramos objetos preservados, registros fotográficos e relatos que ajudam a compreender o impacto do evento na cidade e na população. O acervo inclui peças afetadas pelo calor e pela onda de choque, além de conteúdos explicativos sobre os efeitos posteriores. A visita exige tempo e atenção, com uma narrativa construída para contextualizar os acontecimentos e suas implicações ao longo do tempo.

A Arquitetura do Museu
A arquitetura do Museu e Memorial da Paz de Hiroshima, foi projetada por Kenzo Tange e segue princípios do modernismo, com linhas simples e estrutura elevada sobre pilares. Esse desenho cria um espaço aberto no nível do solo, integrando o edifício ao Parque da Paz e permitindo a continuidade visual do conjunto. A escolha por uma arquitetura mais sóbria e funcional reforça o caráter do museu, evitando excessos formais e direcionando a atenção para o conteúdo e a experiência da visita. O edifício se organiza de forma linear, conduzindo o percurso expositivo de maneira clara. Sua leveza estrutural cria um contraste com o peso histórico do tema, equilibrando forma, função e significado dentro do espaço urbano.

Os registros fotográficos
Os registros fotográficos apresentados no Museu da Paz de Hiroshima têm um papel central na compreensão do Bombardeio. As imagens mostram a cidade antes e depois do evento, permitindo uma leitura direta da transformação do espaço urbano. Ao longo da visita, essas fotografias funcionam como um elemento de conexão entre o relato histórico e a percepção visual, tornando mais concreto o que os textos descrevem. A força dessas imagens está na capacidade de sintetizar informação em um único quadro, evidenciando a escala dos danos e o impacto sobre a população. Os registros fotográficos atuam como documentos históricos, contribuindo para a construção da memória e para a compreensão do acontecimento ao longo do tempo.

As histórias dos sobreviventes
Os relatos dos sobreviventes, conhecidos como hibakusha, ocupam um espaço central no Museu da Paz de Hiroshima. Ao longo da visita, acompanhamos depoimentos que descrevem o momento do Bombardeio e os dias seguintes, oferecendo uma perspectiva direta sobre o que foi vivido pela população de Hiroshima. Essas histórias complementam os objetos e registros visuais, trazendo uma dimensão humana ao percurso. Os depoimentos ajudam a entender o impacto do evento no cotidiano das pessoas e ao longo do tempo. A presença desses relatos transforma a visita em uma experiência mais próxima da realidade vivida, contribuindo para a construção da memória coletiva.

Miyajima, o torii sobre o mar
A ilha de Miyajima, está localizada próxima a Hiroshima e é um dos destinos mais conhecidos do Japão. É famosa pelo Santuário Itsukushima e seu torii aparentemente “flutuante”, que, na maré alta, cria uma das imagens mais icônicas do país. Ao longo da visita, caminhamos por ruas com lojas e restaurantes, onde cervos circulam livremente, integrados ao ambiente. A ilha combina natureza, arquitetura e espiritualidade, com trilhas que levam ao Monte Misen e áreas voltadas à contemplação. Miyajima é considerada um local sagrado, e sua paisagem reflete essa relação entre o espaço natural e a tradição religiosa japonesa.

O Santuário Itsukushima
Visitamos o Itsukushima Shrine, localizado na ilha de Miyajima, um dos santuários mais emblemáticos do Japão. Construído sobre pilares de madeira, o complexo avança sobre o mar, criando a impressão de flutuar durante a maré alta. O conjunto é composto por corredores, pavilhões e espaços de oração interligados, com uma organização que acompanha a linha da água. O famoso torii vermelho, posicionado à frente do santuário, reforça essa relação entre arquitetura e paisagem. Durante a visita, percebemos como a variação da maré altera completamente a experiência, permitindo observar o local sob diferentes perspectivas. O santuário é considerado Patrimônio Mundial e integra natureza e espiritualidade de forma contínua.

O grande portal sobre o mar
O torii de Itsukushima é o grande portal que marca a entrada simbólica do Itsukushima Shrine, na ilha de Miyajima. Construído em madeira e posicionado no mar, ele cria a impressão de flutuar durante a maré alta, tornando-se um dos cenários mais reconhecidos do Japão. Durante a maré baixa, é possível caminhar até sua base, observando de perto a estrutura e seus pilares. Já na maré alta, o torii parece suspenso sobre a água, integrado à paisagem. Ele simboliza a transição entre o mundo comum e o espaço sagrado, característica central dos santuários xintoístas.

Leia mais:
O Estreito de Kanmon, entre Honshu e Kyushu, no sul do Japão
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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


