Osaka, a capital dos Xoguns
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- joaquimnery
- 2 de junho de 2026
- Japão
10 de abril de 2026
Desembarcamos do Azamara Pursuit
Pela manhã deixamos o Azamara Pursuit para trás, depois de 14 dias de cruzeiro. Desembarcamos no porto de Kobe, resgatamos nossas malas e seguimos de ônibus para o Aeroporto Internacional de Kansai, aproveitando um último tour organizado pela equipe de turismo do cruzeiro. O programa incluía um city tour por Osaka, encerrando a passagem pelo Japão antes do voo para a Coreia do Sul. A principal parada foi o Castelo de Osaka, um dos símbolos históricos mais importantes do país, ligado ao período dos xoguns e à unificação japonesa no século XVI. Entre avenidas modernas, áreas comerciais e a intensa movimentação urbana de Osaka, o passeio funcionou como uma última síntese do contraste japonês entre tradição e modernidade. Ao final do tour, seguimos diretamente para o aeroporto, encerrando a etapa japonesa da viagem.
O Azamara PursuitTóquio–Osaka: a maior Megalópole do planeta
Osaka é uma das principais cidades do Japão e um dos seus maiores centros econômicos. Localizada na região de Kansai, na ilha de Honshu, se destaca pelo ritmo intenso, pela atividade comercial e industrial. Hoje, mantém essa vocação econômica, aliada a uma cena cultural e gastronômica bastante ativa, sendo frequentemente associada a um estilo de vida mais informal e dinâmico dentro do Japão. A megalópole que conecta Tóquio a Osaka forma o principal eixo urbano e econômico do Japão. Ao longo desse trecho, estão concentradas algumas das maiores cidades do país, como Yokohama, Nagoya e Quioto, criando uma área contínua de urbanização. Reúne grande parte da população, da produção industrial, dos serviços e da infraestrutura do país. A integração é reforçada por sistemas de transporte eficientes, como o Shinkansen, o “Trem Bala” que conecta essas cidades em poucas horas. A megalópole Tóquio–Osaka representa o centro mais dinâmico do Japão.
OsakaCastelo de Osaka: poder, guerra e reconstrução
Durante o tour, fizemos uma primeira parada no belíssimo Castelo de Osaka, um dos mais importantes do Japão, originalmente construído no final do século XVI por Toyotomi Hideyoshi. O castelo teve papel central no processo de unificação do país e também nos conflitos que marcaram o fim dessa fase, sendo posteriormente destruído e reconstruído ao longo do tempo. A estrutura atual mantém a aparência tradicional, com destaque para os detalhes dourados e a torre principal elevada, cercada por muralhas e fossos. No interior, funciona um museu que apresenta a história do período feudal e das disputas entre clãs. Do topo, a vista permite observar a cidade moderna ao redor, criando contraste entre passado e presente.
O Castelo de OsakaCastelo de Osaka e o livro “Xogum”
O Castelo de Osaka não aparece diretamente com esse nome no livro Xogum, mas está ligado ao contexto histórico que inspirou a obra. O romance de James Clavel, se passa no início do século XVII, período de disputa pelo poder no Japão, após a morte de Toyotomi Hideyoshi, construtor do castelo. Na história real, o castelo tornou-se o principal reduto da família Toyotomi durante os conflitos contra Tokugawa Ieyasu, que acabaria se tornando xogum. Esses eventos culminaram no Cerco de Osaka (1614–1615), decisivo para a consolidação do poder Tokugawa. No livro, esses personagens aparecem de forma ficcionalizada (como Toranaga, inspirado em Ieyasu), e o cenário político retratado reflete diretamente esse período de transição. Assim, o Castelo de Osaka está no pano de fundo histórico da narrativa, representando o último foco de resistência ao novo xogunato.
XogumXogunato Tokugawa: estabilidade e controle no Japão feudal
O Xogunato Tokugawa, ou xogunato de Edo foi um momento marcante na história do Japão. Foi o regime que governou o Japão entre 1603 e 1868, iniciado por Tokugawa Ieyasu. Durante esse período, o poder político ficou concentrado nas mãos dos xogum, uma espécie de Senhor Feudal, que liderava os demais e unificava o país. O imperador mantinha um papel mais simbólico. O sistema era baseado em uma rígida hierarquia social, com os daimyō (Senhores Feudais) controlando seus territórios sob supervisão do xogunato, e os samurais como base militar. Uma das principais características foi a política de isolamento externo, que limitava o contato do Japão com outros países, isolava o país e concentrava o comércio em pontos específicos, como Dejima, em Nagasaki. Esse período ficou marcado pela estabilidade política interna, crescimento econômico e desenvolvimento cultural, terminou com o Império Meiji, que iniciou a modernização do país.
A fantasia ninjaCastelo de Osaka e os ninjas: mito e realidade
Nas lojas de lembranças localizadas no Castelo de Osaka, existem muitas alusões aos ninjas. Foi lá aonde mais vimos. A relação entre o Castelo de Osaka e os ninjas existe mais no campo da história militar do que da ficção popular. Durante o Cerco de Osaka, conflito decisivo entre as forças de Tokugawa Ieyasu e os remanescentes do clã Toyotomi, há registros do uso de agentes especializados em espionagem, infiltração e sabotagem, funções associadas aos ninjas. Esses grupos atuavam em missões estratégicas, coletando informações, realizando ataques pontuais e auxiliando operações militares, especialmente à noite. No entanto, a imagem popular dos ninjas, com roupas totalmente pretas e habilidades quase sobrenaturais, é uma ideia posterior, reforçada por literatura e cinema. O Castelo de Osaka esteve inserido em um contexto em que existiam, mas de forma mais discreta e funcional, ligada à estratégia militar do período feudal japonês.
O Templo Sumiyoshi TaishaSumiyoshi Taisha: o santuário xintoísta de Osaka
Visitamos o Sumiyoshi Taisha, um dos mais antigos e importantes santuários xintoístas do Japão, fundado no século III. Localizado no centro de Osaka, o santuário é dedicado às divindades protetoras dos navegadores e viajantes, refletindo a histórica relação da cidade com o mar. O conjunto arquitetônico segue o estilo Sumiyoshi-zukuri, considerado um dos mais antigos do país, com estruturas simples, telhados retos e cores marcantes. Um dos elementos mais conhecidos é a ponte arqueada de acesso (Sorihashi), que cria uma transição simbólica para o espaço sagrado.
A ponte arqueada SorihashiManeki-neko, o gato da sorte no Japão
Foi lá no Sumiyoshi Taisha, que encontramos muitos “gatinhos com a mão para cima”, conhecidos como Maneki-neko, são um dos símbolos mais populares do Japão. A figura representa um gato que “chama” ou “atrai” sorte, clientes e prosperidade, sendo muito comum na entrada de lojas e restaurantes. A origem está associada a lendas do período Edo, em que um gato teria atraído uma pessoa para um local seguro, salvando-a de um perigo. A partir daí, o gesto da pata levantada passou a simbolizar convite e proteção. Cada detalhe pode ter um significado. A pata direita levantada atrai dinheiro e prosperidade, a pata esquerda, atrai clientes e pessoas. O maneki-neko é parte do imaginário cultural japonês, ligado à boa fortuna.
O Maneki-nekoAeroporto de Osaka, construído sobre um aterro no mar
Quando terminamos o tour programado pelo Cruzeiro, por algumas das principais atrações de Osaka, chegamos ao Aeroporto, onde pegamos um voo da Coreia Air Lines para Seul. Amanhã vai começar mais uma etapa dessa Volta Ao Mundo em 29 dias. O Aeroporto Internacional de Kansai foi construído sobre uma ilha artificial na Baía de Osaka, resultado de um grande projeto de engenharia. Inaugurado em 1994, surgiu como solução para a limitação de espaço urbano e para reduzir impactos como o ruído sobre áreas densamente povoadas. O acesso ao aeroporto é feito por uma ponte que o conecta ao continente. O projeto tornou-se referência internacional em engenharia e infraestrutura, refletindo a capacidade do Japão de adaptar seu território às demandas logísticas e urbanas.
Aeroporto de OsakaAlmoçamos um Ramen de Wagyu no Aeroporto
O Ramen é um dos pratos mais tradicionais e populares do Japão. É uma sopa quente preparada com caldo concentrado, macarrão e diferentes acompanhamentos. O caldo pode levar horas de preparo e normalmente é feito com ossos, carne, frango, peixe ou missô, resultando em sabores intensos e muito marcantes. No ramen de wagyu, utiliza-se a famosa carne bovina japonesa conhecida pelo elevado marmoreio e pela textura extremamente macia. O prato costuma ser servido com cebolinha, algas, cogumelos e ovo cozido. Tradicionalmente, o ramen é consumido ainda muito quente, usando hashis para o macarrão e uma colher para o caldo. No Japão, fazer barulho ao puxar o macarrão não é falta de educação, mas um sinal de apreciação da refeição. Almoçar um ramen de wagyu no aeroporto de Osaka foi uma excelente opção.
Aeroporto de OsakaSeguindo para Seul
A viagem aérea entre Osaka e Seul é relativamente curta e bastante movimentada, conectando duas das principais metrópoles do leste asiático. Os voos diretos entre o Aeroporto Internacional de Kansai e o Aeroporto Internacional de Incheon duram aproximadamente duas horas. O aeroporto de Incheon, considerado um dos mais modernos e eficientes do mundo, fica a aproximadamente 50 quilômetros do centro de Seul. Tivemos um transfer privativo até o The Plaza Seoul (Autograph Collection) localizado na região sul da cidade, próximo aos bairros de Gangnam e Seocho, áreas modernas e sofisticadas da capital sul-coreana.
Chegando a SeulLeia mais:
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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


