O primeiro contato com o Vietnã
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- joaquimnery
- 7 de novembro de 2025
- Ásia Super Destaque Vietnã
01 de outubro de 2025
De Dubai para Saigon
Deixamos o Hotel W The Palm, em Dubai, às 5h50, quando o motorista da Emirates nos buscou para o traslado ao aeroporto. Embarcamos em um voo da Companhia, às 9h30 rumo à Cidade de Ho Chi Minh, antiga Saigon, no Vietnã, e após quase sete horas de viagem, pousamos às 20h00 no Aeroporto Internacional Tan Son Nhat. Ho Chi Minh utiliza o meridiano 105 graus leste, como referência de fuso horário, o que significa três horas a mais que Dubai e 10 horas a mais que o fuso oficial do Brasil.

Carne argentina no Vietnã
Seguimos para o Park Hyatt Saigon, um dos melhores hotéis da cidade, onde ficamos hospedados pelas próximas três noites. O primeiro impacto com a antiga Saigon foi marcante: uma metrópole vibrante, barulhenta, iluminada por neons e repleta de motocicletas. Ainda tentando ajustar o relógio biológico, fomos jantar no El Gaucho, uma excelente churrascaria argentina em frente ao hotel, uma experiência surpreendente no coração do Vietnã, que prova como o país se abre cada vez mais ao mundo.

A localização geográfica do Vietnã
O Vietnã fica na extremidade sudeste do continente asiático, na Península da Indochina. Possui um formato territorial estreito e extenso, com montanhas no Norte e nas fronteiras do oeste, com o Laos e Camboja. O território do país é comprido e fino, como o Chile. Tem apenas 50 km na sua parte mais estreita, enquanto o seu litoral vai desde o Golfo de Tonquim, na divisa com a China até o Golfo da Tailândia, na divisa com o Camboja. A fronteira norte, com a China, sempre foi um ponto de conflito e de atenção. Historicamente, a China ocupou o Vietnã por mais de mil anos, deixando grandes marcas culturais e uma rivalidade sem fim. No Norte, o país é dominado por Hanoi, a sua capital e no sul, por Saigon, a maior, mais moderna e mais rica das suas cidades.

A cultura vietnamita
A cultura do Vietnã é resultado de séculos de influências externas e resistência interna. Os chineses moldaram valores familiares e religiosos durante quase mil anos de domínio. Já os franceses, no século XIX, deixaram marcas profundas na arquitetura, na culinária e na religião. Depois das guerras do século XX, o país renasceu com uma nova geração aberta ao turismo e aos idiomas estrangeiros, especialmente o inglês. O Vietnã moderno busca equilibrar tradição e globalização com orgulho e autenticidade.

O clima de monções
O país possui climas Equatorial e Tropical de Monções, com seis meses de chuvas intensas, no verão e seis meses de secas, no inverno. Possui apenas duas estações na maior parte do seu território. A chuva presente no Vietnã na maior parte do calendário anual, faz com que o país tenha uma hidrografia privilegiada. São muitos rios caudalosos e com áreas inundadas, que interferem na vida do seu povo e na economia. A geografia é dominada sobretudo por dois grandes deltas. O Delta do Rio Mekong, ao sul, nas proximidades da cidade de Saigon, a maior do país e o Delta do Rio Vermelho, próximo a Hanoi, a capital e segunda maior cidade. Durante as chuvas das monções, que acontecem nos seis meses de verão, surgem imensas áreas alagadas, sobretudo nos deltas, onde a população aprendeu a viver em palafitas e a se dedicar ao cultivo do arroz.

A história do Vietnã
A história do Vietnã é marcada por séculos de resistência, conquistas e reconstrução. O país foi dominado pela China por mais de mil anos, até conquistar sua independência no século X. Desde então, viveu períodos de prosperidade e conflito, incluindo a colonização francesa no século XIX, que o transformou em parte da Indochina Francesa. No século XX, o Vietnã tornou-se símbolo da luta anticolonial: primeiro contra a França e depois contra os Estados Unidos, durante a Guerra do Vietnã (1955–1975), que resultou na unificação do país sob um governo comunista liderado por Ho Chi Minh. Após anos de isolamento e dificuldades econômicas, o Vietnã iniciou, em 1986, um processo de reformas que abriu sua economia ao mercado global, impulsionando um crescimento acelerado. Hoje, é uma das economias mais dinâmicas da Ásia, combinando tradição, resiliência e modernização.

Disputas históricas com a China
A convivência com a China moldou a alma vietnamita. Desde o século II a.C., o país enfrentou tentativas de dominação e assimilação. O general Ngô Quyền, em 938 d.C., expulsou os chineses e fundou o Đại Việt (“Grande Vietnã”), dando início à monarquia independente. Até hoje, persistem disputas territoriais no Mar da China Meridional, especialmente sobre os arquipélagos Paracel e Spratly, ricos em petróleo e pescados — uma rivalidade que atravessa milênios.

As dinastias vietnamitas
Durante os séculos seguintes, o Vietnã consolidou sua identidade através de suas dinastias imperiais. A Dinastia Lý (1009–1225) fortaleceu o budismo e transformou Thang Long (atual Hanói) em capital. A Dinastia Trần (1225–1400) defendeu o país das invasões mongóis e impulsionou a cultura e a agricultura. Já a Dinastia Lê (1428–1789) viveu o auge da estabilidade e expansão territorial, unificando o país até o sul e consolidando as fronteiras do Vietnã moderno.

A chegada dos europeus ao Vietnã
A chegada dos europeus ao Vietnã ocorreu a partir do século XVI, durante o período das grandes navegações. Os portugueses foram os primeiros a aportar na região, atraídos pelo comércio de especiarias e seda, seguidos pelos holandeses, que também estabeleceram rotas comerciais no Sudeste Asiático. Junto com os navegadores, vieram os missionários jesuítas, como o padre Alexandre de Rhodes, que teve papel crucial na difusão do cristianismo e na criação do alfabeto vietnamita romanizado, ainda usado hoje. Com o tempo, chegaram também missionários protestantes, especialmente no século XIX. Embora os europeus tenham deixado marcas culturais e religiosas profundas, seu envolvimento também abriu caminho para a intervenção colonial francesa, que transformaria o Vietnã em parte da Indochina Francesa no século XIX, alterando definitivamente o curso de sua história.

A Indochina Francesa
A Indochina Francesa foi uma federação colonial criada em 1887, reunindo o Vietnã, o Laos e o Camboja sob domínio da França. O termo “Indochina” refletia a localização geográfica e cultural da região, entre a Índia e a China, e simbolizava o interesse europeu em controlar as rotas comerciais e explorar os recursos naturais do Sudeste Asiático. A colonização trouxe modernização urbana e infraestrutura. Ferrovias, portos, escolas e estradas, porém, também impôs exploração econômica, desigualdade social e repressão política. Os franceses exploravam arroz, borracha e minérios, enquanto incentivavam uma elite local colaboracionista. A resistência ao domínio colonial cresceu ao longo do século XX, culminando na luta pela independência liderada pelo movimento nacionalista e comunista de Ho Chi Minh.

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


