Uma tempestade tropical em Hoi An
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- joaquimnery
- 1 de março de 2026
- Ásia Super Destaque Vietnã
23 de outubro de 2025
A expectativa de um tufão
Começamos o dia em Hoi An com a possibilidade de um passeio de barco pelo Rio Thu Bom. Seguimos para um lugar ermo, distante, do outro lado do rio, mas começou a chover muito. Não existiam outros barcos no rio. Essa situação nos deixou um pouco tensos. Quando chegamos na outra margem, descobrimos que o programa que estava com a guia Annie, incluía um passeio de bicicleta pelo meio de uma vila, que possivelmente estaria inundada. Avaliamos os riscos e desistimos. Pedimos para voltar. A chuva era intensa. Estávamos no meio da Tempestade Tropical Fengshen, que originalmente seria um tufão, mas que mudou de intensidade. Os riscos seriam grandes e o programa não valeria à pena.

Tufões e furacões
Os tufões do Pacífico e os furacões do Atlântico são, na essência, o mesmo fenômeno meteorológico: ciclones tropicais de grande intensidade que se formam sobre oceanos quentes, impulsionados pela evaporação e pela rotação da Terra. A diferença está apenas na localização geográfica e na nomenclatura. No Atlântico e no nordeste do Pacífico, recebem o nome de furacões; já no noroeste do Pacífico, são chamados de tufões. Ambos produzem ventos superiores a 119 km/h, chuvas torrenciais e ondas gigantes, podendo causar destruição em larga escala. No entanto, o Pacífico ocidental, onde estávamos, registra tufões com maior frequência e intensidade, devido à vasta área de águas quentes e à ausência de barreiras naturais, o que faz dessa região uma das mais afetadas por tempestades tropicais em todo o planeta.

A temporada de tufões de 2025
Na temporada de 2025 para o Sudeste da Ásia, os tufões foram especialmente ativos e severos, e o Vietnã foi um dos países mais afetados. Segundo relatórios que tínhamos acesso, mais de três potentes tufões atingiram ou passaram próximos à costa vietnamita entre agosto e outubro. O Typhoon Kajiki trouxe ventos de até 166 km/h e chuvas que causaram evacuações em massa, o Typhoon Bualoi, em setembro, provocou inundações e deslizamentos, com estimativas preliminares de danos em US$ 300 milhões. Em nossa viagem, que incluía passagens por Huế, Da Nẵng e Hoi An, o clima poderia apresentar chuvas intensas, alagamentos e atividades fluviais ou costeiras suspensas, tínhamos que voltar.

A Tempestade Tropical Fengshen
O Vietnã é atingido todos os anos, por aproximadamente 6 tufões. Esse ano de 2025 foi especial. A Tempestade Tropical Fengshen foi o “tufão” de número 12. Atingiu a região central do Vietnã no final de outubro de 2025, se aproximando das províncias entre Đà Nẵng e Quảng Ngãi. Os ventos chegaram a 100 km/h, com rajadas mais fortes, e a previsão era de chuvas intensas, de até 700 mm, com alguns locais podendo ultrapassar 900 mm entre 22 e 24 de outubro. Apesar da queda de intensidade antes da chegada, o sistema provocou inundações costeiras, risco elevado de deslizamentos e interrupções de voo e transporte nas cidades de Đà Nẵng e Huế.

As ruas alagadas na beira do Rio Thu Bom
Voltamos para Hoi An e decidimos fazer um tour a pé pela cidade. A beira do Rio Thu Bom estava alagada. Isso é normal e recorrente em Hoi An. Chega a ser uma atração turística, especialmente durante a estação das chuvas, que vai de setembro a novembro. Nessas épocas, o nível do rio sobe rapidamente, e as ruas à beira d’água, no centro histórico costumam ficar parcialmente alagadas, criando uma paisagem que, curiosamente, reforça o charme da cidade. Os moradores locais estão acostumados com esse ciclo natural e se adaptam. O comércio continua ativo, e pequenos barcos passam a circular pelas ruas inundadas, transportando pessoas e mercadorias. Essa relação harmônica entre a cidade e o rio é parte da identidade de Hoi An, que há séculos vive dessa integração entre o rio e as marés.

O mercado de Hoi An sob a chuva
Mesmo em meio às águas, a cidade mantém seu espírito tranquilo e poético, com lanternas refletidas na superfície e o cotidiano seguindo seu ritmo ancestral. Para quem visita, é uma lembrança marcante da resiliência e da beleza efêmera que definem o Vietnã central. Fazer o tour pelo mercado de Hoi An sob a chuva foi uma experiência autêntica. Os vendedores, acostumados à mudança repentina do tempo, continuavam sorrindo, protegendo suas mercadorias com lonas e improvisando guarda-chuvas de plástico.

Hoi An, um centro de confecções personalizadas
As lojas de alfaiataria de Hoi An são uma das grandes tradições da cidade e um dos atrativos mais curiosos para os visitantes. Em poucas horas, alfaiates habilidosos confeccionam roupas sob medida com tecidos escolhidos na hora, combinando qualidade artesanal, rapidez e bom preço. Nessas boutiques elegantes, como a da foto, é possível encomendar ternos, vestidos, camisas e até trajes de gala, todos feitos com precisão e estilo. Essa tradição vem desde os tempos em que Hoi An era um importante entreposto comercial, atraindo mercadores de várias partes da Ásia e consolidando sua reputação como um centro de confecção refinada e personalizada. Não resistimos e compramos uma roupa para um casamento que teríamos que ir no início de dezembro.

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


