Começando a conhecer Belém do Pará
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- joaquimnery
- 2 de fevereiro de 2025
- Brasil Pará Super Destaque
Dia 10 de outubro de 2024
Seguindo para conhecer o Círio de Nazaré
Há muitos anos tínhamos mantido o desejo de conhecer a festa do Círio de Nazaré, em Belém do Pará e sua manifestação gigantesca de religiosidade. Decidimos ir em outubro de 2024, estimulados por amigos do Pará. Saímos de Salvador, no dia 10 de outubro, num voo para Belém, com conexão em Brasília. Não existem voos diretos de Salvador para Belém e o trajeto por Brasília é o melhor. Foram 2 horas de voo até Brasília, mais 5 horas de conexão e 2,5 horas, de Brasília para Belém. Ainda na esteira de bagagens do aeroporto, já nos sentimos no clima das tradições de Belém. Os paraenses quando viajam, costumam levar e despachar caixas de isopor com produtos do Pará. Peixes, frutas, sucos, etc. A administração do Aeroporto de Belém colocou uma fila de caixas de isopor na esteira para dar boas-vindas aos visitantes e chamar a atenção para esse aspecto da cultura paraense.

O Hotel Grand Mercure Belém
Chegamos em Belém no final da noite e fomos direto para o Hotel Grand Mercure Belém, um dos melhores da cidade e muito bem localizado, sobretudo para quem deseja assistir as procissões do Círio de Nazaré, pois fica no circuito. O Grand Mercure Belém já está antigo e precisando de uma requalificação, mas na cidade não existem muitas opções boas na rede hoteleira. Para esse período do Círio, o Grand Mercure se prepara para a festa. Implanta um camarote, coloca uma decoração temática inspirada na festa religiosa e faz eventos exclusivos para os hóspedes.

11 de setembro de 2024
A Estação das Docas
Começamos o dia visitando o centro histórico de Belém. O primeiro ponto de parada foi a Estação das Docas. Localizada às margens da Baía do Guajará. É um dos pontos turísticos mais charmosos de Belém, combinando história, cultura e gastronomia em um só lugar. O complexo, que ocupa antigos armazéns portuários do século XIX, passou por uma reforma que transformou a área em um espaço moderno e vibrante, sem perder a essência do passado. Hoje, o local abriga restaurantes que servem pratos da culinária paraense, além de lojas de artesanato, exposições culturais e apresentações musicais que transformam a visita em uma experiência sensorial. Caminhar pelo calçadão com a vista para as águas do rio, é um convite especial para quem deseja conhecer a alma de Belém.

O antigo Porto de Belém
A Estação das Docas, em Belém do Pará, teve um papel histórico fundamental no desenvolvimento econômico e logístico da região Norte do Brasil. Inaugurada no final do século XIX, a estrutura fazia parte do antigo Porto de Belém, servindo como um importante entreposto para o comércio da borracha, cacau, madeira e outros produtos amazônicos exportados para o Brasil e para o mundo.

O portão de entrada da Amazônia brasileira
Projetada dentro dos padrões industriais da época, a Estação das Docas abrigava armazéns e guindastes, que facilitavam o carregamento e descarregamento de mercadorias nos navios. Durante o auge do Ciclo da Borracha (final do século XIX e início do XX), Belém experimentou um grande crescimento econômico, e o porto foi essencial para conectar a cidade com mercados internacionais.

O complexo turístico
Com o passar dos anos e a modernização das infraestruturas portuárias, os antigos armazéns perderam sua função original e acabaram se degradando. No início dos anos 2000, o local passou por um processo de revitalização e foi transformado em um complexo turístico e cultural, mantendo a estética histórica enquanto oferecia novos espaços para lazer, gastronomia e eventos culturais. Hoje, a Estação das Docas continua sendo um marco na cidade, preservando sua memória portuária e reafirmando a conexão de Belém com seus rios e sua história. Quando visitamos a Estação da Docas, as cordas que acompanham o Círio de Nazaré estavam em exposição por lá.

A localização estratégica de Belém
O Pará possui uma população de aproximadamente 8,7 milhões de habitantes, e Belém, a sua capital, está com 1,4 milhões. A cidade fica estrategicamente situada no nordeste do estado, à margem do Rio Guamá e próxima à foz dos espetaculares rios Amazonas e Tocantins. Fica numa região de planícies baixas e coberta por vegetação típica da Amazônia. Se destaca pelo complexo sistema de rios, igarapés e canais, que desempenham um papel fundamental na economia e no transporte local. As vias fluviais não apenas conectam Belém a diversas comunidades ribeirinhas e cidades do interior, mas também fazem da cidade um dos principais portos da região Norte, essencial para o escoamento de produtos como açaí, pescado e madeira. Essa dinâmica geográfica confere a Belém um caráter único, onde a vida urbana se entrelaça com a natureza exuberante e o ritmo das águas amazônicas.


O Mercado Ver-o-Peso
Seguimos para o Mercado Ver-o-Peso, um dos mercados públicos mais emblemáticos do Brasil e um símbolo da identidade amazônica. Localizado às margens da Baía do Guajará, no centro histórico da cidade, o mercado surgiu no século XVII como um posto de fiscalização e cobrança de impostos sobre mercadorias que chegavam pelo rio, tornando-se, ao longo dos séculos, um polo comercial essencial para a região. Sua estrutura arquitetônica, de influência europeia, se destaca pelos pavilhões de ferro trazidos da Inglaterra no final do século XIX, conferindo um charme especial ao conjunto. Além de sua importância histórica e arquitetônica, o Ver-o-Peso é um espaço vibrante, onde se encontram desde peixes frescos e frutas exóticas até ervas medicinais e artesanato típico, representando a riqueza cultural e gastronômica do Pará.

Jambu, tucupi, tacacá, maniçoba, cupuaçu e açaí
No Ver-o-Peso, é possível encontrar uma grande variedade de produtos típicos da Amazônia, que refletem a riqueza da culinária e da cultura paraense. O jambu é uma erva de sabor peculiar, famosa por causar uma leve dormência na boca e muito utilizada no tradicional tacacá, uma sopa quente à base de tucupi e camarão. O tucupi, por sua vez, é um caldo amarelo extraído da mandioca brava, de sabor ácido e intenso, essencial em pratos típicos como o próprio tacacá e o pato no tucupi. A maniçoba, conhecida como a “feijoada paraense”, é feita com folhas de mandioca trituradas e cozidas por vários dias para eliminar toxinas, misturadas a carne de porco e charque. Além disso, o mercado oferece frutas exóticas como o cupuaçu, de polpa cremosa e aroma marcante, utilizado em doces e sucos, e o açaí, consumido tradicionalmente com farinha de tapioca ou peixe frito.

Pirarucu, tambaqui e filhote
Outro destaque são os peixes amazônicos, como o pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo, e o tambaqui, ambos muito apreciados na culinária regional. Esses produtos fazem do Ver-o-Peso um verdadeiro tesouro da gastronomia amazônica. O filhote é também muito comum no Mercado. Um peixe de água doce da Amazônia, da família dos bagres, podendo atingir mais de 200 kg quando adulto. Sua carne é branca, macia e com poucas espinhas, tornando-se ideal para assados, grelhados e caldeiradas. Tem sabor suave e textura delicada, sendo muito apreciado na culinária paraense.

Perfumes e poções afrodisíacas
No Mercado Ver-o-Peso, uma das atrações mais curiosas são os perfumes e poções afrodisíacas, elaborados a partir de ervas, raízes e essências amazônicas. Esses produtos fazem parte da tradição popular e da medicina natural da região, sendo utilizados para atrair sorte, amor e proteção espiritual. Entre os mais famosos estão o “Chama Dinheiro”, que promete prosperidade, e o “Garrafada do Amor”, conhecida por seu suposto poder afrodisíaco. Os perfumes, como o “Cheiro de Patchouli”, têm fragrâncias marcantes e são muito procurados por turistas e moradores em busca dos segredos da cultura amazônica.

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


