Arco do Triunfo, Torre Eiffel e Louvre: começando a conhecer Paris
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- joaquimnery
- 28 de julho de 2026
- Europa França Super Destaque
28 de dezembro de 1991
O prazer de viver o cotidiano parisiense
Estar hospedado na casa de Sebastião Nery e Cristina nos permitiu viver Paris de uma forma diferente daquela experimentada pela maioria dos turistas. Além de visitar os monumentos mais importantes, tivemos contato com pequenos hábitos do cotidiano da cidade. Na manhã de 28 de dezembro de 1991, começamos o dia comprando baguetes e croissants na delicatessen da esquina, como faziam tantos parisienses. Era um gesto simples, mas que nos aproximava da vida local e tornava aquela primeira viagem à Europa ainda mais especial. O aroma dos pães recém-saídos do forno, o frio do inverno e o movimento tranquilo das ruas faziam parte de uma experiência que ultrapassava os roteiros turísticos. Aos poucos, Paris deixava de ser apenas uma cidade conhecida por fotografias e passava a fazer parte das nossas próprias lembranças.

Caminhando até o Arco do Triunfo
Depois do café da manhã, saímos a pé em direção ao Arco do Triunfo, localizado a apenas duas quadras do apartamento onde estávamos hospedados. A proximidade nos permitia alcançar facilmente uma das regiões mais emblemáticas da capital francesa. Caminhar pelas ruas elegantes que levavam à Place Charles de Gaulle já era uma atração. No centro da imensa rotatória, o monumento surgia imponente, dominando a paisagem urbana e marcando o encontro de algumas das avenidas mais importantes de Paris. A emoção era ainda maior porque, poucos dias antes, aquele cenário existia para nós apenas nos livros, nos mapas e nas imagens dos cartões-postais. Agora podíamos observá-lo de perto, percebendo os detalhes das esculturas e a grandiosidade de sua arquitetura.

Um monumento às glórias da França
O Arco do Triunfo foi idealizado por Napoleão Bonaparte para celebrar as vitórias de seus exércitos e homenagear os soldados franceses. Sua construção começou em 1806, embora o monumento só tenha sido concluído décadas depois. Em suas superfícies estão gravados nomes de batalhas e de importantes comandantes militares. Sob o arco encontra-se o Túmulo do Soldado Desconhecido, criado em homenagem aos combatentes franceses mortos durante a Primeira Guerra Mundial. A chama que permanece acesa diante do túmulo reforça o caráter simbólico do lugar. Estar diante daquele monumento representava um encontro com diferentes capítulos da história europeia. Como professor de Geografia, eu me sentia particularmente emocionado ao observar como a memória política e militar da França estava incorporada à própria paisagem de Paris.

Paris vista do alto do Arco
Subimos até o terraço do Arco do Triunfo, de onde tivemos uma vista privilegiada da cidade. Do alto, era possível compreender melhor a organização urbana de Paris, com suas grandes avenidas irradiando-se a partir da praça. A mais famosa delas era a Avenue des Champs-Élysées, que se estendia em direção à Place de la Concorde, aos Jardins das Tulherias e ao Museu do Louvre. No sentido oposto, a Avenue de la Grande Armée apontava para a moderna região de La Défense. Aquela vista revelava o resultado das grandes transformações urbanísticas realizadas na capital francesa durante o século XIX. Mais do que admirar os monumentos, começávamos a perceber a lógica de uma cidade planejada para produzir perspectivas grandiosas, integrar espaços públicos e destacar seus principais símbolos históricos.

Do Arco do Triunfo à Torre Eiffel
Depois de descermos do Arco do Triunfo, seguimos de metrô até a Torre Eiffel. Utilizar o transporte público também fazia parte da experiência de conhecer Paris. O metrô nos levava rapidamente de um ponto a outro e revelava a eficiência de uma rede que conecta praticamente toda a cidade. Ao chegarmos à região da torre, encontramos filas enormes. Era inverno, mas nem mesmo o frio diminuía o movimento de visitantes interessados em subir ao monumento mais conhecido da França. Esperamos pacientemente e decidimos ir até o ponto mais alto aberto ao público. A espera foi longa, mas valeu a pena. Subir à Torre Eiffel durante nossa primeira viagem à Europa era um daqueles momentos que desejávamos guardar para sempre.

A história do maior símbolo de Paris
A Torre Eiffel foi construída para a Exposição Universal de 1889, realizada no ano do centenário da Revolução Francesa. Projetada pela empresa de Gustave Eiffel, a estrutura metálica provocou polêmica durante sua construção. Muitos artistas e intelectuais consideravam que aquela enorme torre de ferro não combinava com a arquitetura tradicional da cidade. Com o passar do tempo, entretanto, ela se transformou no maior símbolo de Paris e em uma das construções mais reconhecidas do mundo. O monumento possui cerca de 330 metros de altura, considerando a antena instalada em seu topo. Na época de nossa visita, as informações disponíveis indicavam aproximadamente 320 metros. Independentemente da medida exata, sua dimensão impressionava e demonstrava o avanço da engenharia no final do século XIX.

A cidade aos nossos pés
Do alto da Torre Eiffel, Paris se abriu diante de nós em uma perspectiva inesquecível. Podíamos observar o curso do Rio Sena, as pontes que ligam suas duas margens, os Jardins do Trocadéro, o Champ de Mars e diversos monumentos espalhados pela cidade. A visão ampla permitia reconhecer lugares que já havíamos visitado e outros que ainda conheceríamos nos dias seguintes. Era como observar um enorme mapa em três dimensões, no qual a geografia da cidade se tornava mais clara. Para mim, aquele momento tinha um significado especial. Durante anos, eu havia explicado paisagens urbanas em sala de aula. Agora estava diante de uma das mais importantes metrópoles do mundo, observando pessoalmente a relação entre o rio, as avenidas, os espaços públicos e os monumentos históricos.

O encontro entre o antigo e o moderno no Louvre
Depois da Torre Eiffel, seguimos para o Museu do Louvre. Entramos pelo pátio conhecido como Cour Carrée, integrado ao antigo Palácio do Louvre. Logo encontramos a Pirâmide de Vidro, uma estrutura moderna que contrasta de forma marcante com as fachadas históricas do conjunto. Inaugurada em 1989, poucos anos antes da nossa visita, a pirâmide ainda representava uma grande novidade na paisagem parisiense. Sua construção havia sido planejada para organizar o acesso ao museu e conduzir os visitantes até um amplo espaço subterrâneo. A combinação entre o vidro, o metal e a arquitetura renascentista do palácio provocava uma impressão surpreendente. Ali, Paris demonstrava novamente sua capacidade de preservar o passado sem impedir a presença da modernidade.

Das fundações medievais ao grande museu
Ao iniciarmos a visita, passamos pelos vestígios das antigas fundações da fortaleza que existia no local antes da construção do palácio. A origem do Louvre remonta à Idade Média, quando uma fortificação foi erguida para ajudar na defesa de Paris. Com o passar dos séculos, o conjunto foi ampliado e transformado em residência real. Depois que a corte se transferiu para Versalhes, o palácio passou gradualmente a receber coleções artísticas e atividades culturais. Durante as obras realizadas para a implantação da Pirâmide de Vidro, importantes estruturas medievais foram encontradas e incorporadas ao percurso do museu. Caminhar entre aquelas paredes antigas mostrava que o Louvre não era apenas um espaço destinado a guardar obras de arte. O próprio edifício era um documento da história francesa.

Os mistérios do Egito Antigo
Nossa visita continuou pelas galerias dedicadas à arte e à civilização egípcia. Ficamos impressionados com os sarcófagos, as esculturas, as inscrições e as grandes esfinges de granito. Muitas peças haviam sido produzidas milhares de anos antes e revelavam aspectos da religião, da organização social e das crenças sobre a vida depois da morte. Naquele momento, o Louvre parecia reunir diferentes civilizações em um único espaço. Era emocionante observar objetos que haviam atravessado quatro ou cinco milênios para chegar até nós. Cada peça ajudava a compreender um pouco mais sobre uma sociedade que exerceu enorme influência sobre a história humana. A riqueza do acervo também deixava evidente que seria impossível conhecer todo o museu em apenas uma visita.

Vênus de Milo e Vitória de Samotrácia
Em seguida, chegamos às áreas dedicadas à arte grega e romana. Entre as obras mais importantes estava a Vênus de Milo, escultura produzida na Grécia Antiga e descoberta no século XIX na ilha de Milos. Mesmo sem os braços, a figura mantém uma harmonia que explica por que se tornou uma das imagens mais conhecidas do mundo. Outra obra que nos impressionou foi a Vitória de Samotrácia, apresentada no alto de uma grande escadaria. A escultura representa uma figura feminina alada e transmite uma extraordinária sensação de movimento, apesar de ter sido produzida em mármore. Conhecer aquelas obras pessoalmente foi uma experiência muito diferente de observá-las em livros. Suas dimensões, detalhes e posições dentro do museu ampliavam ainda mais o impacto sobre os visitantes.

Diante da Mona Lisa
Na área das pinturas, o momento mais esperado foi o encontro com a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. A obra já era uma das mais famosas do planeta e atraía numerosos visitantes. Mesmo conhecendo sua imagem desde sempre, vê-la pessoalmente provocava uma emoção particular. Observamos o sorriso enigmático, a posição das mãos e a paisagem ao fundo, tentando compreender por que aquela pequena pintura havia conquistado tamanho espaço na história da arte. Depois, seguimos procurando outras obras importantes do museu. Queríamos encontrar especialmente as esculturas conhecidas como Os Escravos, de Michelangelo, mas o horário avançou e o Louvre começou a fechar. Tivemos de deixar o museu com a certeza de que seria necessário voltar em outra oportunidade.

Um dia intenso e inesquecível
Depois de tantas caminhadas, filas, escadas e descobertas, decidimos voltar para casa e descansar. Não saímos para jantar naquela noite. Precisávamos recuperar as energias para a nova maratona de passeios que nos aguardava no dia seguinte. Em apenas um dia, havíamos conhecido três dos maiores símbolos de Paris: o Arco do Triunfo, a Torre Eiffel e o Museu do Louvre. Mais do que cumprir um roteiro turístico, começávamos a compreender a história, a arquitetura e a organização da cidade. Cada visita acrescentava uma nova dimensão àquela primeira experiência europeia. Paris se revelava grandiosa, mas também acolhedora, especialmente porque tínhamos o privilégio de vivê-la sem pressa e de experimentar um pouco do seu cotidiano.

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


