O magnífico Santuário de Rocamadour
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- joaquimnery
- 19 de junho de 2025
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17 de maio de 2025
De Sarlat-la-Canéda até Rocamadour
Deixamos a charmosa vila medieval de Sarlat-la-Canéda, no coração do Périgord Noir, e partimos pela manhã rumo a Rocamadour. O percurso, com cerca de 50 km e duração aproximada de 1h15, revelou uma sucessão de paisagens bucólicas, colinas suaves, florestas densas e vilarejos de pedra que parecem saídos de outro século.

A estrada entre Sarlat e Rocamadour: um caminho cênico entre vales e história
A viagem é mais que um deslocamento. É uma imersão no interior autêntico da França. O trajeto oferece mirantes naturais e paradas estratégicas, com destaque para a vista impactante de Rocamadour surgindo entre as curvas da estrada, espetacularmente encravada na falésia sobre o vale do rio Alzou. A vila medieval parece brotar das rochas como uma aparição sagrada. Embora nosso destino final fosse Cahors, o dia foi inteiramente dedicado à inesquecível Rocamadour.

Château de la Treyne
No caminho, um dos momentos mais memoráveis foi a vista do Château de la Treyne, um castelo medieval posicionado dramaticamente sobre um penhasco calcário às margens do Rio Dordogne. A melhor perspectiva é a partir da ponte próxima à comuna de Lacave. Com seus jardins geométricos e reflexos nas águas calmas, o cenário é digno de um conto de fadas. Tomamos um susto com a ponte. Fizemos uma parada rápida, perfeita para fotos e contemplação.

Chegada a Rocamadour e o Estacionamento P4
Chegando a Rocamadour, optamos por estacionar no P4, no alto da cidade. Uma recomendação precisa do ChatGPT. Localizado junto ao centro de acolhimento e à esplanada dos santuários, o P4 é ideal para iniciar a visita de cima para baixo. O local oferece acesso direto a elevadores e escadas, banheiros, sinalização clara e estrutura para carros, vans e ônibus. É a melhor forma de explorar Rocamadour com praticidade.


Panorama de Rocamadour a partir do castelo
Do estacionamento, caminhamos cerca de 1 km até o topo do platô, onde está o Castelo de Rocamadour, construído para proteger o santuário. Do alto das muralhas, a vista panorâmica da vila medieval é impressionante, especialmente a partir do mirante da aldeia de L’Hospitalet. Visitamos o castelo e começamos a descida rumo ao coração espiritual da vila.

Rocamadour: santuário, fé e peregrinação
Desde 1166, quando foi descoberto um túmulo atribuído ao eremita Santo Amador, Rocamadour se tornou um dos principais centros de peregrinação do sul da França. A fama dos milagres atribuídos à Virgem Negra e a ligação com o Caminho de Santiago fizeram da vila um destino espiritual reverenciado. Ainda hoje, peregrinos visitam o Santuário de Notre-Dame, onde está a imagem da Virgem Negra de Rocamadour.

O Caminho da Cruz e a Escalier des Pèlerins
Descemos do Castelo até o Santuário da Virgem Negra, pelo Caminho da Cruz, que possui 14 estações simbolizando a Via Crucis, e as suas várias estações ao longo do caminho.

A Virgem Negra de Rocamadour
Seguimos pela Escalier des Pèlerins, com seus 216 degraus históricos, onde, durante séculos, peregrinos do Caminho de Santiago subiram essa escadaria de joelhos, como ato de penitência e devoção, rumo à Virgem Negra de Rocamadour, uma das mais veneradas da França medieval.

A Basílica Saint-Sauveur
Visitamos a Basílica Saint-Sauveur e a cripta de Saint-Amadour, fundador lendário do local, ambos classificados como Patrimônio Mundial da UNESCO.

Rue de la Couronnerie: gastronomia e tradição local
Ao chegar ao nível mais baixo da cidade, passeamos pela Rue de la Couronnerie, repleta de lojas de artesanato, produtos regionais e restaurantes. Almoçamos na vila medieval e experimentamos queijos de cabra, nozes e especialidades locais. Depois, utilizamos o elevador inclinado para retornar ao estacionamento.

De Rocamadour a Cahors: uma jornada pelo Lot
No meio da tarde, seguimos viagem até Cahors, capital do departamento de Lot, às margens do rio homônimo. A estrada, estreita e sinuosa, cruza zonas rurais tranquilas. Nos hospedamos no Hotel Best Western, à beira do rio e ao lado da principal atração da cidade: a Pont Valentré.

Pont Valentré: símbolo da arquitetura medieval francesa
A Pont Valentré, construída entre 1308 e 1378, é um dos cartões-postais do sudoeste francês. Com três torres fortificadas e seis arcos ogivais, ela foi projetada como defesa durante a Guerra dos Cem Anos. Declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO por sua ligação com o Caminho de Santiago, é hoje uma ponte exclusiva para pedestres e um local perfeito para fotos e contemplação histórica.

Cahors: história, vinho e vida tranquila
Exploramos o centro histórico de Cahors, marcado por ruas estreitas, praças arborizadas e edifícios renascentistas. Visitamos a imponente Catedral de Saint-Étienne, com cúpulas românicas e vitrais coloridos. A cidade também é conhecida por seus vinhos tintos feitos com a uva Malbec (Côt), considerada ancestral dos vinhos argentinos de Mendoza.

Encerrando o dia em Cahors
Terminamos o dia com um jantar simples em um dos poucos restaurantes abertos no domingo. Apesar da atmosfera tranquila — quase fantasmagórica — da cidade no fim de semana, brindamos com um excelente vinho AOC de Cahors antes de retornar ao hotel.

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


