Um Paraíso Vulcânico na Islândia
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- joaquimnery
- 30 de dezembro de 2024
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10 de agosto de 2024
Décimo dia de cruzeiro
Estávamos navegando pelo sul da Islândia, no navio de exploração Silver Wind, num cruzeiro marítimo que deu a volta na ilha. Hoje foi o décimo dia de cruzeiro. Saímos de Thorklakshofn e seguimos para Vestmannaeyjar, localizada aproximadamente a 65 milhas náuticas de distância. Vestmannaeyjar é um arquipélago na costa sul da Islândia. A maior ilha do arquipélago é Heimaey. A única ilha habitada do grupo e que abriga mais de 4.000 pessoas.

O arquipélago Vestmannaeyjar
Paramos no charmoso porto da cidade para começar uma visita especial. O arquipélago fica na costa sul da Islândia, é um destino fascinante para amantes da geologia, história e paisagens naturais. Composto por cerca de 15 ilhas e diversos ilhéus, este lugar encanta turistas sobretudo pela sua beleza rústica e história vulcânica dramática.

A Erupção do Eldfell em 1973
A cidade de Heimaey foi palco de um dos eventos vulcânicos mais marcantes do século XX. Em 23 de janeiro de 1973, o vulcão Eldfell entrou em erupção de forma inesperada, destruiu muitos edifícios e forçou a evacuação imediata dos aproximadamente 5.300 habitantes da ilha, para o continente. O fluxo de lava foi interrompido pela aplicação de bilhões de litros de água fria do mar, no interior da chaminé vulcânica. Desde a erupção, a vida no pequeno porto foi voltando ao fluxo natural de uma pequena comunidade pesqueira à beira do Atlântico Norte.

Interrompendo a erupção de um vulcão
A erupção liberou uma quantidade impressionante de lava e cinzas, destruindo cerca de 400 casas e alterando permanentemente a geografia local. Os esforços dos residentes e das autoridades foram notáveis e fundamentais para salvar Heimaey. Utilizando água do mar para resfriar e desacelerar o fluxo de lava, eles conseguiram salvar o porto, que sempre foi vital para a economia local.

O Museu da Erupção de Vestmannaeyjar
O Museu Eldheimar, em Heimaey, conta a história da erupção de 1973 e proporciona uma experiência emocionante e educativa. Apresenta exposições interativas e emocionantes sobre o evento, incluindo casas parcialmente soterradas pela lava, que foram escavadas para mostrar o impacto da erupção na vida dos moradores. Além de destacar a evacuação em massa e os esforços de recuperação, o museu oferece uma visão fascinante sobre a força da natureza e a resiliência humana diante de desastres naturais.

O vulcão Eldfell
Hoje, Heimaey se recuperou e se tornou um destino popular para turistas que desejam explorar o vulcão Eldfell. É possível caminhar até a cratera e admirar as vistas panorâmicas impressionantes do arquipélago.

O nascimento de uma Ilha
Seguimos de ônibus pelos arredores de Heimaey, sempre parando em mirantes com vistas especiais. Vestmannaeyjar é um exemplo claro da atividade vulcânica que moldou a Islândia. As ilhas do arquipélago foram formadas por erupções submarinas ao longo de milhares de anos.

Surtsey, uma nova ilha
Em 14 de novembro de 1963, uma traineira que passava pelo ponto mais meridional da Islândia avistou uma coluna de fumaça subindo do mar. Esperando encontrar um barco em chamas, eles ficaram surpresos ao encontrar, em vez disso, uma erupção vulcânica explosiva. Estavam testemunhando o nascimento de uma nova ilha. Colunas de cinzas atingiam alturas de quase 10.000 metros e podiam ser vistas em dias claros, em lugares muito distantes, como Reykjavík. As erupções continuaram por três anos e meio, terminando em junho de 1967, com o surgimento de uma nova ilha.

O surgimento da vida numa ilha vulcânica
Depois de formado, Surtsey estava 150 metros acima do nível do mar e cobria uma área de quase 2 milhas quadradas. A ilha recebeu o nome do deus nórdico do fogo Surtur. É uma área de estudo científico perfeita para compreender o processo de colonização de novas terras pela vida vegetal e animal. Reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO, Surtsey permanece praticamente intocada pelo homem.

Atividades ao ar livre
Além de sua história vulcânica, Vestmannaeyjar possibilita uma variedade de atividades ao ar livre, como caminhadas, passeios de barco para ver cavernas marinhas e observação de aves, incluindo os famosos papagaios-do-mar.

O paraíso para a observação dos Puffins
Vestmannaeyjar também é conhecido como um dos melhores locais do mundo para a observação de Puffins, ou Papagaios-do-mar. Esses pássaros com bicos coloridos e aparência simpática, migram para a Islândia durante os meses de verão para se reproduzirem. Mais da metade da população mundial de Puffins do Atlântico nidifica na Islândia, e Vestmannaeyjar abriga colônias enormes dessas aves.

Os Papagaios-do mar
Paramos para fazer a experiência de observação dos Puffins em uma das encostas da ilha. Dá para chegar bem perto das aves. Heimaey é o principal ponto de observação, onde visitantes podem avistar os Puffins de perto em penhascos e áreas protegidas. Passeios de barco ao redor do arquipélago também oferecem oportunidades únicas para fotografar as aves em seu habitat natural. Além disso, o centro de resgate de Puffins em Heimaey se dedica à preservação dessas aves, permitindo aos visitantes aprender mais sobre seus hábitos e desafios ambientais.

O Cais do Porto de Heimaey
Voltamos para o cais do porto de Heimaey, onde seguimos caminhando e observando o movimento ao redor. É o coração pulsante da economia e do turismo local. Protegido por formações naturais e aprimorado por esforços de engenharia após a erupção de 1973, o porto é essencial para a pesca, uma das principais indústrias da ilha. Além disso, é o ponto de chegada para ferries e barcos de turismo, oferecendo vistas deslumbrantes das falésias ao redor e acesso direto às excursões para observação de Puffins e cavernas marinhas. O nosso navio, o Silver Wind, ancorou numa situação bem especial. Praticamente ficou dentro do porto.

As Ilhas no Caminho para Reykjavik
Partimos do porto e começamos a navegar de Heimaey em direção a Reykjavik, fomos presenteados com vistas espetaculares de ilhas e ilhéus dispersos pelo oceano. Essas formações vulcânicas, moldadas por erupções antigas, oferecem paisagens dramáticas e abrigam diversas colônias de aves marinhas. Durante a travessia, é comum avistar penhascos impressionantes, cavernas naturais e até mesmo focas e baleias que habitam a região, tornando a navegação uma atração à parte.


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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


