A Baía de Maizuru
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- joaquimnery
- 13 de maio de 2026
- Ásia China Super Destaque
02 de abril de 2026
O Porto de Maizuru na província de Quioto
Navegando pela costa oeste do Japão, chegamos ao Maizuru pela manhã, em um porto localizado no Mar do Japão e pertencente à província de Quioto. O ambiente é tranquilo, com forte presença naval, militar e comercial, refletindo a importância estratégica da cidade na defesa e na logística marítima do Japão. Maizuru fica no norte da província, contrastando com a imagem mais conhecida de Quioto, no interior da ilha de Honshu, marcada por templos e tradição cultural. Essa diferença evidencia a diversidade regional, combinando áreas costeiras portuárias com centros históricos preservados. A partir do porto, é possível acessar destinos mais turísticos, mas a própria cidade já oferece uma leitura interessante de um Japão menos explorado, conectando geografia, história e função portuária.

Amanohashidate, a estreita faixa de terra que divide a Baía de Maizuru
Visitamos Amanohashidate, uma bela formação natural, composta por uma estreita faixa de terra coberta por pinheiros que atravessa a Baía de Miyazu, criando a imagem que os japoneses definem como: uma “ponte para o céu”. Para compreender melhor seu desenho, seguimos até o Parque Kasamatsu, um dos principais mirantes da região. O acesso ao Parque se dá por teleférico ou funicular. Antecipa a experiência, com a paisagem se abrindo gradualmente. Do topo, observamos a formação natural completa e a relação entre mar e relevo. É também dali que visitantes e locais praticam a tradição de olhar a paisagem de cabeça para baixo, reforçando a percepção visual do conjunto, que no imaginário turístico, se assemelha a um dragão. O espaço permite uma leitura clara da geografia local.

A floração das cerejeiras
Era o período de floração das cerejeiras e elas estavam por todos os lados. No Japão, as cerejeiras ornamentais podem atingir entre 4 e 10 metros de altura, com copa ampla e bem definida. Subimos ao Parque Kasamatsu utilizando o teleférico, em um trajeto curto marcado pela presença das cerejeiras em flor ao longo do percurso. À medida que o carrinho se eleva, a paisagem vai se abrindo, alternando a vista da baía com os tons claros das sakuras espalhadas pelas encostas.

Teleférico para o Parque Kasamatsu
O contraste entre o mar, o verde dos pinheiros e o branco rosado das flores cria uma sequência visual contínua durante a subida. A experiência não se limita ao mirante, mas começa no próprio deslocamento, que permite observar a paisagem de forma gradual e integrada. Após a visita, descemos pelo furnicular, o que nos dá um contato mais próximo com as cerejeiras.

O Santuário Kono
De volta à parte baixa do parque, visitamos o Kono Shrine, um dos mais antigos santuários xintoístas da região de Amanohashidate. O espaço está associado a divindades importantes do xintoísmo, como Amaterasu, ligada à origem simbólica do Japão e à Família Imperial Japonesa, e Toyouke Omikami, relacionada à alimentação e prosperidade. O acesso é marcado pelo torii e por um caminho arborizado que conduz ao pavilhão principal. Durante a visita, observamos rituais simples, como oferendas e reverências, em um ambiente tranquilo e frequentado por moradores locais. A proximidade com Amanohashidate reforça a integração entre espiritualidade, natureza e identidade cultural japonesa.

Kei cars: os pequenos carros urbanos do Japão
No estacionamernto na base da montanha, chamou a atenção a presença de muitos kei cars (ou kei jidōsha). Veículos compactos muito comuns no Japão, especialmente em cidades menores e áreas residenciais. Criados no pós-guerra para incentivar a mobilidade, esses carros seguem limites específicos de tamanho e motorização. Ao longo da viagem, observamos como esses fazem parte do cotidiano das famílias japonesas, sendo utilizados para deslocamentos curtos, compras e atividades diárias. O design é funcional, com aproveitamento máximo do espaço interno, muitas vezes com formato mais alto para acomodar melhor os passageiros. Além disso, possuem vantagens como menor consumo de combustível, impostos reduzidos e facilidade de estacionamento, o que explica sua ampla presença nas ruas japonesas.

A escrita japonesa: como funciona na prática
Por todos os lados, as lojas e comunicações no interior do Japão acontecem em escrita japonesa, que combina três formas diferentes que funcionam juntas no dia a dia. Os kanji são caracteres de origem chinesa e representam ideias ou palavras inteiras, como “água”, “montanha” ou “pessoa”. Já o hiragana e o katakana são formas mais simples, usadas para representar sons. O hiragana aparece nas terminações e em palavras mais comuns do japonês, enquanto o katakana é usado principalmente para palavras estrangeiras. A relação com a China está nos kanji, que vieram de lá há muitos séculos. Apesar de manterem o significado original, a forma de ler e usar esses caracteres mudou ao longo do tempo no Japão. Na prática, um texto japonês mistura esses três sistemas, o que pode parecer complexo no início, mas permite uma leitura mais rica e organizada.

Uma estrada cênica ao redor da Baía de Maizuru
Na volta para o nosso barco, percorremos uma estrada cênica na região de Quioto, ao redor da Baía de Maizuru. O caminho se tornou parte da experiência. Ao longo do trajeto, a paisagem alterna trechos costeiros, áreas arborizadas e pequenos vilarejos. A estrada acompanha o relevo, com curvas e mudanças de nível que revelam diferentes ângulos da região a cada trecho. A Baía de Maizuru forma um dos portos naturais mais protegidos da costa norte do Japão. Cercada por relevos que ajudam a reduzir a ação dos ventos e das correntes, a baía oferece condições favoráveis para a navegação e ancoragem. Essa característica foi determinante para o desenvolvimento de Maizuru como base naval e porto estratégico ao longo do tempo.

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


