A criação do Reino da Romênia
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- joaquimnery
- 28 de outubro de 2026
- Europa Romênia Super Destaque
25 de setembro de 2026
Carol I e a criação do Reino da Romênia
Para entender a participação da Romênia na Primeira Guerra Mundial, é importante conhecer seus dois primeiros reis: Carol I e seu sobrinho Fernando I. A história é interessante porque a dinastia real romena era de origem alemã, mas a Romênia acabou lutando contra a Alemanha. Carol I, de origem alemã, chegou ao poder em 1866. Durante seu governo, a Romênia conquistou a independência do Império Otomano, foi reconhecida internacionalmente em 1878, e em 1881 tornou-se reino. Carol foi o seu primeiro rei. Quando a Primeira Guerra Mundial começou, em 1914, ele defendia a entrada do país ao lado das Potências Centrais, formado pela Alemanha e seus aliados. O governo e grande parte da elite política, porém, tinham outra posição. Carol morreu em outubro de 1914, poucas semanas depois do início da guerra.

Fernando I: um rei alemão contra a Alemanha
Com a morte de Carol I, o trono passou para seu sobrinho, Fernando I, casado com a Rainha Maria. Fernando também pertencia à dinastia alemã Hohenzollern, mas tomou uma decisão histórica. Inicialmente, a Romênia permaneceu neutra. Em 1916, depois de negociações com França, Reino Unido, Rússia e Itália, entrou na guerra ao lado da Tríplice Entente, recebendo promessas de reconhecimento de reivindicações territoriais sobre regiões do Império Austro-Húngaro, especialmente a Transilvânia. Fernando colocou a Romênia em guerra contra a própria Alemanha de sua família. Em agosto de 1916, tropas romenas atravessaram os Cárpatos e entraram na Transilvânia. O avanço inicial, porém, durou pouco. Alemanha, Áustria-Hungria, Bulgária e Império Otomano reagiram. O exército romeno sofreu grandes derrotas e Bucareste foi ocupada em dezembro de 1916. O rei Fernando, a Rainha Maria e o governo abandonaram a capital e se estabeleceram temporariamente em Iași, no nordeste do país.

A Rússia muda tudo
Em 1917, o exército romeno conseguiu resistir em batalhas importantes, mas a Revolução Russa alterou completamente o equilíbrio regional. A Rússia abandonou a guerra, deixando a Romênia praticamente isolada na frente oriental. Em 1918, o governo romeno foi obrigado a aceitar um duro tratado de paz com as Potências Centrais. Fernando evitou sancioná-lo pessoalmente. Quando Alemanha e Áustria-Hungria começaram a entrar em colapso no final daquele ano, a Romênia voltou à guerra em 10 de novembro de 1918, apenas um dia antes do acordo que encerrou os combates na Frente Ocidental.

O nascimento da Grande Romênia
O resultado territorial do pós-guerra mudou profundamente o país. As regiões da Bessarábia, Bucovina e Transilvânia negociaram suas uniões com a Romênia em 1918. A incorporação da Transilvânia aconteceu em uma assembleia realizada na cidade de Alba Iulia, em 1º de dezembro de 1918. Essa data tornou-se o Dia Nacional da Romênia. O território e a população do país cresceram enormemente, dando origem ao período conhecido como România Mare, a “Grande Romênia”. Em 1922, Fernando e Maria foram coroados em Alba Iulia como reis dessa nova configuração territorial. Brașov, Bran e grande parte da Transilvânia pertenciam à Áustria-Hungria quando começou a Primeira Guerra Mundial. Somente depois do conflito passaram a integrar a Romênia. É uma chave importante para compreender por que essa região reúne até hoje influências romenas, húngaras, saxônicas e austro-húngaras.

A Cidadela de Râșnov
Passamos na estrada pela Cidadela de Râșnov, que fica entre Bran e Brașov, no alto de uma colina dos Cárpatos. Ela começou a ser construída provavelmente no século XIII, sobretudo pelas comunidades saxônicas da região, com uma finalidade bastante diferente de um castelo residencial: Râșnov era uma fortaleza de refúgio. Quando invasores se aproximavam, os moradores da vila e dos arredores subiam para a cidadela, levando alimentos e animais, e permaneciam protegidos por suas muralhas. Essa função explica sua estrutura. No interior da Cidadela, havia casas, depósitos, capela, escola e espaços para os animais. A ideia era permitir que uma comunidade inteira sobrevivesse durante um cerco prolongado. A localização era estratégica. Do alto, era possível controlar o Vale de Râșnov e as rotas entre a Transilvânia e a Valáquia, inclusive os caminhos em direção ao Passo de Bran.

A diversidade cultural da Transilvânia
Voltamos para Brașov e circulamos novamente pelas ruas, observando as marcas dos diferentes povos que formaram a identidade da Transilvânia. Durante séculos, os centros urbanos foram dominados principalmente pelos saxões, de origem germânica, e pelos húngaros, enquanto grande parte dos romenos vivia nas aldeias, nos campos e nas regiões montanhosas, dedicando-se à agricultura e à criação de animais. Essa divisão refletia também diferenças sociais e políticas. Outro grupo importante na formação cultural da região foi o dos romani, conhecidos como ciganos, presentes na Romênia desde a Idade Média. Apesar de uma longa história de discriminação e de escravidão, especialmente na Valáquia e na Moldávia, suas comunidades contribuíram para a música, o artesanato e as tradições populares.

A Igreja Negra: o grande símbolo de Brașov
Durante a caminhada pelo centro histórico de Brașov, encontramos a imponente Igreja Negra, um dos principais monumentos góticos da Romênia e símbolo da presença saxônica na Transilvânia. Sua construção começou no final do século XIV e se estendeu pelo século XV, quando a cidade era um importante centro comercial. Originalmente dedicada a Santa Maria, recebeu o nome de Igreja Negra após o grande incêndio de 1689, que devastou parte de Brașov e danificou o templo. Posteriormente restaurada, a igreja pertence à comunidade evangélica luterana, refletindo a influência da Reforma Protestante entre os saxões. Seu interior abriga um grande órgão, uma importante coleção de tapetes orientais e elementos arquitetônicos que testemunham séculos de história.

Restaurante Casa Hirscher, no centro histórico de Brașov
Jantamos no no coração do centro histórico de Brașov, próximo à Praça do Conselho, no Casa Hirscher, que funciona em um edifício histórico ligado. O restaurante combina a atmosfera de uma construção antiga com uma proposta gastronômica contemporânea, oferecendo pratos de inspiração romena e internacional. Seu cardápio inclui carnes de caça, especialidades regionais e preparações mais elaboradas, acompanhadas por uma boa seleção de vinhos. O ambiente agradável e a localização privilegiada bem perto do nosso hotel, fazem do Casa Hirscher, uma boa opção para conhecer a gastronomia local depois de caminhar pelas ruas e praças da cidade.

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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


