Londres em um dia: uma maratona pelos grandes símbolos da cidade
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- joaquimnery
- 13 de setembro de 2026
- Europa Inglaterra Super Destaque
07 de janeiro de 1992
Nossa primeira manhã em Londres
Depois da chegada à Inglaterra, dedicamos o dia de hoje para conhecer Londres. Começamos com um city tour que nos deu uma visão panorâmica da cidade, passando pelos parques reais e por algumas de suas ruas e avenidas mais conhecidas. Hyde Park, Oxford Street e Trafalgar Square estavam entre os primeiros lugares que vimos. Para quem chegava pela primeira vez, Londres impressionava pela mistura entre tradição e movimento. Táxis, ônibus vermelhos, edifícios históricos e uma cidade que parecia funcionar em ritmo próprio formavam um cenário muito diferente de Paris. A Trafalgar Square, com a Coluna de Nelson dominando a praça, já era um dos grandes pontos de encontro da capital e palco tradicional de manifestações e comemorações. Em poucas horas começávamos a reconhecer uma Londres que, conhecíamos pelos livros, filmes e fotografias.
Trafalgar SquareWestminster e o Big Ben
Seguimos para a região do Palácio de Westminster, sede do Parlamento britânico. O edifício atual foi construído no século XIX, depois que um grande incêndio destruiu boa parte do antigo palácio em 1834. Às margens do Tâmisa, sua longa fachada e suas torres formam uma das imagens mais conhecidas de Londres. Ali funcionam a Câmara dos Comuns e a Câmara dos Lordes. Ao lado está a torre Elizabeth Tower, embora todo mundo se refira ao conjunto como Big Ben. Na realidade, Big Ben é o apelido do grande sino instalado na torre. Naquele primeiro contato, o que mais importava era a emoção de estar diante de um dos monumentos que mais identifica Londres.
Palácio de WestminsterBuckingham e a Troca da Guarda
Ao final do city tour fomos ao Palácio de Buckingham, residência oficial da monarquia britânica, para assistir à Troca da Guarda. Soldados com seus uniformes impecáveis, bandas militares e toda a coreografia da cerimônia transformavam aquele momento em uma atração disputada pelos turistas. A cerimônia tem suas raízes nas tradições militares da monarquia britânica, desenvolvidas ao longo dos séculos. Visitamos a região da Horse Guards, onde os soldados pareciam quase imóveis diante da movimentação dos visitantes. Para quem estava em Londres pela primeira vez, era impossível não associar tudo aquilo à forte presença da monarquia na identidade e na história britânicas.
A Troca da GuardaMadame Tussauds e personagens que pareciam vivos
Depois do programa com o grupo, continuamos por conta própria e fomos ao Madame Tussauds. O famoso museu de cera reunia personalidades do esporte, da música, do cinema, da política e da própria história britânica. Algumas esculturas eram tão realistas que, em determinados momentos, chegávamos a confundir visitantes com personagens de cera. Entre as figuras que encontrei naquela visita estavam Michael Jackson, Luciano Pavarotti, Elvis Presley, Marilyn Monroe e Martina Navratilova. O museu também apresentava a trajetória de Marie Tussaud, que aprendeu a modelar em cera ainda no século XVIII e produziu máscaras mortuárias durante o período da Revolução Francesa. Mais tarde ela levou sua coleção para a Inglaterra, dando origem a uma atração que se transformaria em uma das mais conhecidas de Londres.
Museu Madame TussaudsTower Bridge, finalmente diante do Tâmisa
Saímos do museu, de táxi, e seguimos para a Tower Bridge, uma das imagens mais conhecidas de Londres. Inaugurada em 1894, a ponte combina duas grandes torres com uma seção central móvel, projetada para permitir a passagem de embarcações pelo Rio Tâmisa. Subimos até a parte superior e tivemos uma excelente visão do rio e de parte da cidade. Para mim, aquele era também um lugar especialmente interessante para fotografar. De um lado aparecia o Tâmisa acompanhando o crescimento de Londres; do outro, construções que ajudavam a contar séculos da história inglesa. A Tower Bridge às vezes é confundida com a London Bridge, mas são pontes diferentes. A primeira, com suas torres neogóticas, tornou-se um dos símbolos visuais da capital britânica.
Tower BridgeA Torre de Londres e quase mil anos de história
Bem próxima dali estava a Torre de Londres, um dos lugares históricos que mais queríamos conhecer. Sua origem remonta ao período de Guilherme, o Conquistador, que mandou construir a White Tower no final do século XI para consolidar o domínio normando sobre a Inglaterra. Com o passar dos séculos, o complexo foi ampliado com muralhas, torres e fossos. Funcionou como fortaleza, residência real, prisão e cenário de alguns dos episódios mais dramáticos da história inglesa. Uma das personagens mais conhecidas associadas ao lugar é Ana Bolena, segunda mulher de Henrique VIII, executada ali em 1536. Caminhar pelo interior da fortaleza era atravessar quase mil anos de monarquia, disputas políticas, guerras e transformações que ajudaram a construir a Inglaterra.
A Torre de LondresArmaduras, reis e as Joias da Coroa
Na White Tower encontramos uma grande coleção de armas e armaduras, incluindo peças relacionadas a Henrique VIII e outros monarcas ingleses. O conjunto mostrava como equipamentos militares também podiam ser objetos de extraordinário trabalho artesanal. Uma das principais atrações da Torre de Londres eram as Joias da Coroa, utilizadas nas grandes cerimônias da monarquia britânica. Tivemos, porém, uma frustração: naquele dia não conseguimos vê-las, pois, segundo fomos informados, estavam passando por procedimentos de manutenção e limpeza. Numa época sem internet e sem a possibilidade de verificar previamente cada detalhe da visita, esses imprevistos faziam parte da viagem. Mesmo assim, conhecer a Torre de Londres havia justificado plenamente o passeio. Poucos lugares reuniam de forma tão concreta tantos capítulos da história que eu conhecia dos livros.
A Torre de LondresA Catedral de St Paul e a Londres reconstruída
De ônibus seguimos até a Catedral de St Paul, outra construção monumental da cidade. A antiga catedral foi destruída pelo Grande Incêndio de Londres de 1666, e o edifício atual foi projetado por Christopher Wren, um dos grandes nomes da arquitetura inglesa. Sua enorme cúpula domina há séculos a paisagem da região central de Londres. O interior impressionava pelas proporções e pela amplitude da nave. Para nossa geração, St Paul estava também fortemente ligada a uma imagem recente: o casamento do então príncipe Charles com Lady Diana Spencer, realizado ali em 1981 e acompanhado pela televisão em todo o mundo. Onze anos depois, estávamos dentro daquela mesma catedral. Era mais um daqueles momentos em que lugares conhecidos apenas através das imagens ganhavam escala, profundidade e história diante de nós.
Catedral de St PaulOxford Street e o fim da “maratona”
Depois de tantas visitas, ainda seguimos a pé pela Oxford Street, uma das principais ruas comerciais de Londres. Aproveitamos para comprar algumas lembranças para as meninas e observar o movimento das lojas. Já era o final de um dia intenso. Havíamos começado com um city tour, passado por Trafalgar Square, Westminster e Buckingham, conhecido o Madame Tussauds, atravessado a cidade até Tower Bridge, visitado a Torre de Londres e terminado entre St Paul’s e Oxford Street. Jantamos no centro e voltamos ao hotel, onde ainda escrevemos alguns cartões-postais antes de dormir. Revendo hoje aquele roteiro, fico impressionado com tudo o que conseguimos encaixar em um único dia. Mas estávamos em nossa primeira viagem à Europa e queríamos aproveitar cada minuto. E Londres ainda tinha muito mais para nos mostrar.
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Joaquim Nery Filho é geógrafo, agente de viagens e empresário do showbusiness. Apaixonado por viagens e fotografia.


